Liberdades em conflito

Ao concluir a prova de luta greco-romana que lhe valeu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2012, o cubano Mijain López Núñez levantou a mão direita e com ela não desenhou um V de vitória mas sim o L de liberdade...

O gesto pode ser interpretado como involuntário... mas não parece nada! É que se assemelha demasiado ao mesmo desenho das mãos que é usado por dissidentes cubanos nas suas escassas, restritas e perigosas manifestações públicas.

Não sei como vai o severo regime do seu país lidar com o caso, mas entre nós há um processo em que detecto pontos de contacto curiosos.

Aconteceu que o editor do guia de restaurantes, cafés e bares da cidade “Porto Menu”, fez publicar na capa da nona edição uma fotografia duma zona central da cidade, em que aparece esta inscrição na fachada de um edifício: NÃO RIO, ÉS UM FDP.

A frase, em si mesma, é ilegível. Embora se preste a uma interpretação obvia facilitada pelo contexto em que se insere - palavra chave que está associada a um espaço e um tempo - ela carece de ser interpretada subjectivamente. Oferece uma leitura ambígua, enfim. Mas Rui "Rio", o presidente da Câmara Municipal do Porto, indignado, moveu uma acção judicial, tanto mais que a inscrição que aparenta ser um "graffiti" não existe realmente no local - foi inserida graficamente na fotografia, como o próprio autor terá feito questão de confirmar.

Mutatis mutandis, que nem Manuel Leitão é campeão olímpico, nem López Núñez é pequeno empresário – nem pequeno, nem empresário – há uma proximidade curiosa entre os dois, além da forma que usaram para se expressar: é que ambos combatem contra o exercício abusivo do Poder, nos seus países, ... apesar de Cuba e Portugal terem sistemas e regimes opostos.

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