Porque hoje é domingo (31)

Por este tempo em que os profetas do Governo e da “Oposição responsável” anunciam as suas boas-novas, ora porque o país vai ao mercado, ora porque o PS vai ao congresso, sendo certo que o país vai ao charco com estes vendilhões de banha de cobra; por este tempo de louvores e chicotadas com que a troica submete e humilha os mais pobres da Europa, já era altura de ouvir aos mais altos magistrados da Igreja dominante, com eco nas igrejas desse país fora, uma palavra de condenação dos fariseus da política, dos vendilhões do templo nacional, dos autores dos pecados capitais, digo capitalistas: soberba, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça, esta entendida como atitude de quem despreza o trabalho, vivendo do esforço alheio.

Mas isto seria confrontar-se, enquanto instituição, com o Poder de que depende o seu património, os seus impostos e descontos para o Estado social, e outras vantagens de que as licenças de rádio e televisão são exemplos.

Tanto mais difícil a tarefa de um ou outro bispo, isoladamente. A cultura religiosa em geral, e a católica, nomeadamente, lida melhor com as almas assustadas, humilhadas e submissas do que com a revolta dos justos. É da sua natureza.


Se a voz da Igreja é a voz de Deus, como defende D. José Policarpo, é estranho como se parece tanto com a voz do primeiro-ministro Passos Coelho.

"Está a fazer-me muita confusão ver, neste anúncio das medidas difíceis que até nos foram impostas por quem nos emprestou dinheiro, que os grupos estejam a fazer reivindicações grupais, de classe, não gosto", afirmou D. José Policarpo na homilia de uma missa que celebrou em Alvorninha, Caldas da Rainha, em Agosto de 2011.

Em 12 de Outubro de 2012 insistia...
RTP/Notícias 12OUT2012

... e, até agora, não consta que o cardeal tenha mudado de ideias.

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