Porque hoje é domingo (35)

Na história da Páscoa, os coelhos ocorrem como fenómeno da Primavera – a altura em que os animais saíam das suas tocas para a luz do sol, fenómeno celebrado por povos ancestrais. É no mesmo contexto que aparece a tradição dos ovos. Na nossa Páscoa, porém, quem saiu da toca foi José Sócrates com a intenção de enterrar Passos Coelho. São as ironias da História.

Desde a antiga bíblia capitalista até ao evangelho ultra-liberal, não faltam pregadores e profetas, falta a verdade e os milagres que nos permitam atravessar o rio do desemprego, despir o sudário da austeridade, libertar dos faraós financeiros. Messias há muitos. Já os havia no tempo em que Jesus era apenas mais um judeu que frequentava o templo e a sinagoga. Ele que sairia da gruta onde o sepultaram, nesta mesma época do ano.

Com Sócrates acorrem a terreiro nesta Primavera, discípulos e até rivais da mesma Igreja, primeiro António Costa, depois António Seguro, amplificando as vozes de protesto que há muito se ouviam nas hostes do PC e do BE, da CGT e dos sectores mais diversos e numerosos da população. Até do seio da maioria artificial emergem cada vez mais vultos desiludidos com a “religião” que professam.

A Primavera parece começar a florir. Seria uma feliz coincidência que Portugal ressuscitasse em Abril. Mas se for em Maio, ainda é Primavera. Haja fé e persistência apostólica e popular.

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