O guião de Paulo Portas

O guião, o roteiro, o script, é aquilo que em cinema converte um texto literário num texto técnico, aquele que diz as coisas práticas e concretas que serão feitas, materealizadas, realizadas em filme.

Na política portuguesa, os programas de governo, de tão desprestigiados, de tão desacreditados pela forma como são rasgados na prática, passaram a designar-se guiões, por iniciativa de Paulo Portas. Mas quem conhece o cinema sabe que há três tipos de guiões: os que são rigorosamente cumpridos – do que se gabava Alfred Hitchcock – e os que servem apenas de base a um projecto que pode desviar-se completamente no decurso da produção, por decisão do realizador – do que se gabava César Monteiro...

Mas também há quem prescinda de guião. Há duas formas de o fazer: assumidamente, como no “cinema-verdade”, ou disfarçadamente, como no que eu chamaria “governo-mentira”.

O mundo cinéfilo está em “suspense” hit-choque-ano por saber qual destes é o prometido guião de Paulo Portas sobre a reforma do Estado*, ou se a promessa era mais uma das suas decisões irrevogáveis” destinadas à mais negra escuridão césariana, por assim dizer.

É que cinco linhas da “ideia” ou dez linhas da “sinopse” ou doze páginas de “argumento”, e muito menos que um guião – aqui, no Brasil, nos Estados Unidos da América… Mesmo em se tratando das chamadas “curtas”.

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