É ditadura mas é minha

Robertico Carcasses é um cantor e pianista cubano que se faz acompanhar por uma banda musical. Recentemente participou num espectáculo anti-imperialista destinado a reclamar a libertação dos cinco cubanos presos nos Estados Unidos por acusação de espionagem.

Notícias recentes mostram bem com que autoridade moral os EUA condenam a espionagem internacional, mas isso é outro dossier…

Neste caso, a notícia é que Robertico Carcasses aproveitou para cantar uma denúncia… da ditadura cubana!



Ora eu não pude deixar de me lembrar de um episódio semelhante que ocorreu em Portugal durante a ditadura de Salazar.

Durante um programa da RTP, no arranque das emissões de televisão em Portugal, o "cantautor" - como hoje se diz - Tristão da Silva terá proferido declarações de denúncia do regime – uma corajosa farpa no “nacional-cançonetismo”. Estavamos nos finais dos anos 50 e eu era ainda uma criança mas lembro-me do regozijo discreto que partilhei com quem me contou.

Tristão da Silva (1927/1978) esteve preso e na prisão escreveu uma das suas famosíssimas canções: “Daquela janela virada para o mar”. A partir de uma descrição de Urbano Tavares Rodrigues, de quando esteve preso em Caxias, eu imagino que a letra invoque uma janela daquela mesma prisão da época, a partir da qual poderia ver o mar.



Outra coisa que eu imagino é que alguns revolucionários da corte de Jerónimo de Sousa, sentiram o mesmo prazer que eu senti quanto ao episódio de Tristão da Silva, mas já em relação ao episódio cubano, em tudo idêntico, só lhes ocorre indignarem-se contra o cantor. É o calcanhar de Aquiles de certos combatentes da “democracia avançada” - uma fragilidade que os impede de sair da ilha eleitoral a que se confinam.

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