1.6.14

Porque hoje é domingo (49)

Se é possível encontrar umas fantasias maiores que outras nas narrativas do Evangelho, e não menos nas “explicações” dos sacerdotes católicos, aquilo que as homilias propagam neste Domingo é a mais hilariante.

Trata-se dos episódios da “ressurreição” de Jesus Cristo, e da sua “subida ao Céu” quarenta dias depois!

Ascensão de Jesus. Azulejos em Lama, Barcelos, Portugal

O desenvolvimento da ciência e a massificação da cultura evoluíram o suficiente, de há dois mil anos para cá, para obrigarem a Igreja a adaptar a ideia de Céu, insistentemente usada por Jesus. Agora apresentam-na como metáfora – o costume. Mas se o céu não é o céu, então a "subida ao Céu" não é subida, e não tarda que a ressurreição seja também considerada figura de estilo.

Cientes de que os crentes não dão atenção a estes pormenores disparatados, mas apenas às exigências práticas que a Igreja lhes coloca “para sua salvação”, os profissionais da religião tiram do texto bíblico as seguintes conclusões:

1) não acreditar é pecado (por isso é que S. Tomé, o único que teve a coragem de expor a sua dúvida sobre a ressurreição, é criticado nas escrituras);

2) compete a cada pessoa, além de crer, levar os outros a crer (por isso a imposição religiosa às crianças na família e na escola, e a imposição nos meios sociais de comunicação, isto é, de formação de opinião.

A tese 1 retira às pessoas a capacidade crítica – nem sequer se atrevem a raciocinar, com medo de pecarem; a tese 2 alimenta o sistema - “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos.”


Para os profissionais da religião – católica, neste caso - não é uma questão de salvar as almas; é uma questão da salvar o Vaticano e todas as suas sucursais pelo mundo - salvar o emprego do clero. Para os senhores deste mundo, é a questão de enquadrar mentalmente o rebanho dos explorados, de submetê-los através deste exército de charlatões.

A fé pode não ser "o ópio do povo" mas uma necessidade, uma confiança fecunda na utopia, mas a religião, essa, manipulando a fé, continua a ser "o ópio do povo"

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