Sebastião Salgado além do fotógrafo

«Alguns dizem que sou fotojornalista. Não é verdade. Outros, que sou militante. Também não é verdade. A única verdade é que a fotografia é a minha vida. Todas as minhas fotos correspondem a momentos que vivi intensamente. Todas essas imagens existem porque a vida, a minha vida, me levou até elas. Porque havia uma raiva dentro de mim que me levou àqueles locais.


Por vezes fui levado por uma ideologia, outras, simplesmente pela curiosidade ou pelo desejo de estar em determinado local. A minha fotografia não é nada objectiva. Como todos os fotógrafos, fotografo em função de mim mesmo, daquilo que me passa pela cabeça. Daquilo que estou a viver e a pensar no momento. E assumo-o.»

Excerto do livro “Da Minha Terra à Terra”, de Sebastião Salgado.

Talvez este post devesse ficar por aqui, pelas palavras do autor citado. Mas não resisto a observar a seriedade corajosa com que Sebastião Salgado assume que a fotografia, toda a fotografia, é subjectiva. Afinal não é subjectiva toda a informação? Não escolhe o jornalista o assunto, o enquadramento, as testemunhas, os comentários ou os comentadores…? Sobretudo: não escolhe o jornal, os jornalistas? Ó se escolhe! Ora o problema é fingirem que não, fingirem que são objectivos, os que fingem.


A foto a preto e branco, de S. Salgado, foi recolhida em http://obviousmag.org/

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