António Costa no divã


Catherine Millot foi a última amante oficial de Jackes Lacan, prestigiado estudioso da psicanálise e promotor do regresso ao verdadeiro pensamento de Freud.

Catherine estava com Lacan no momento em que este morreu. Depois disso surgiu todo um mito que ela alimentou, obviamente, de que Lacan, exactamente antes de morrer, lhe teria revelado uma fórmula secreta, o máximo da sabedoria. Todos ficaram na expectativa de que ela dissesse que fórmula era essa. Até hoje!

Isto faz-me lembrar – ou será o contrário? – a pressão que o líder do PS está a receber de dentro e de fora do partido, para revelar o seu programa político com vista a um próximo e eventual governo do Partido Socialista.

Esta pressão não é recente. Lembro as interrogações de Alfredo Barroso em Julho passado: "que novas 'teorias' António Costa irá inventar, para se furtar ao debate da questão do Tratado Orçamental, da questão da renegociação e/ou reestruturação da dívida, da questão das privatizações e da questão da promiscuidade entre o PS e os negócios?"

Estamos (ainda) ao nível das conferências ou seminários lacanianos, das abordagens parciais, não das grandes revelação ansiadas pelos cidadãos e, menos ainda, do compromisso? Talvez António Costa esteja a protelar estrategicamente a grande revelação, até para evitar histerias jornalísticas, mas há quem receie que a morte política o surpreenda entretanto.

O certo é que o candidato a primeiro-ministro nem mesmo no divã se entrega completamente.


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