Baralho espanhol

O confronto entre o PP de Rajoy e o PSOE de Sanchez ganhou uma dimensão tal que deixou ambos sem margem de manobra. A saída política foi bloqueda. Rajoy reclama o direito de governar, invocando a legitimidade de partido mais votado – ele tem um Ás; Sanchez reclama o direito de se opor a tal governo, invocando a sua discordância com o projecto político do Partido Popular – ele tem um trunfo.

Ambas as posições são legítimas. No entanto, a impossibilidade que tem cada um deles de formar alianças maioritárias, inviabiliza uma solução de governo. Uma aliança PP/Ciudadanos (137+32) é insuficiente; uma aliança PSOE/Podemos (85+71) é insuficiente mas também inviável.

No jogo contam muitas outras cartas, é certo, nomedamente os duques regionais, e nas mãos de Rajoy só faltam seis pontos, digo seis deputados. Mas é suficiente para perder o jogo. Por outro lado, Ciudadanos que entrou no jogo como um Joker, parece agora pouco inclinado a fazer parte do mesmo naipe do Podemos para uma eventual coligação baseada no PSOE. Por este caminho que vai fazendo andando, não seria de admirar que acabasse no Rei a jogada final.

No meio deste jogo, assistimos no passado dia 28/9, à demissão colectiva de funções, de um número importante de quadros destacados do PSOE. Pelo lugar que ocupam e pelo número de demissões, esta iniciativa terá repercussões inevitáveis na autoridade do líder e é mesmo essa a intenção: forçar a saída de Pedro Sánchez.

A opinião mais corrente parece ser de que este afastamento de Sanchez tenha em vista desbloquear a formação de um governo do PP através da abstenção dos deputados socialistas, mas eu que raramente acerto neste tipo de previsões – fica o aviso! –, estou mais inclinado para julgar que tudo desembocará numa coligação PP/PSOE sem Sanchez.

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