Jornalismo à caça

O nome de Pedro Dias é repetido à exaustão com ou sem necessidade. Onde se usaria normalmente uma forma como “ele”, “este”, “aquele”, ou outro modo  de designação como “o autor de”, “o suspeito”, etc., o próprio nome é usado até à náusea para emprestar às narrativas a força dramática que lhes falta. É um sintoma da subjectividade com que repórteres e pivots do audiovisual tratam o assunto.

O cuidado legal de o tratar como “presumível” assassino, isso então só voltará ao código deontológico do jornalismo quando já não houver memória de Pedro Dias. É “a caça ao homem” levada a cabo pelos orgãos de… informação.
Neste contexto de irracionalidade apetece transcrever as declarações do “homicida de Aguiar da Beira” em entrevista… simulada! a este blogue.

ENTREVISTA
CP (Contém Palavras) – É verdade que matou a tiro um guarda e um civil neste processo em que está a ser procurado pela Polícia?
PD (Pedro Dias)- Sim, é verdade, mas é preciso compreender as circunstâncias.
CP – Isto tudo começou quando o Pedro foi abordado pela GNR junto ao edifício inacabado de um hotel, em Caldas da Cavaca, Aguiar da Beira…
PD – O que é que levou a GNR ao meu encontro naquele lugar? Essa deveria ser a pergunta fundamental para compreender o desenlace desta tragédia.
CP – A GNR diz que a patrulha se encontrava já ali “a fazer operações no terreno” quando encontrou o automóvel com o Pedro Dias. Estaria a fazer o patrulhamento de rotina…
PD – Admitindo que sim, que apareceram ali por acaso… Quando se aproximaram de mim, apontaram as suas armas e um deles disparou.
CP – Um dos guardas disparou?
PD – Exactamente. Só que em vez de me atingir a mim, atingiu um colega dele. Parece que isso já foi reconhecido por eles próprios.
CP – Sim, mas não se disse que esse foi o primeiro tiro a ser disparado.
PD – Pois não, o que se diz é que fui eu que disparei primeiro. Mas eu só disparei depois de me tentarem alvejar primeiro. Quando vi que me queriam matar, tive que atirar para me defender.
CP – E porque é que a GNR havia de querer matá-lo assim?
PD – Eles receberam uma informação via rádio, de que eu seria um tipo muito perigoso, e terão ficado assustados. Isso pode ter levado a uma precipitação.
CP – Portanto a sua versão é que um dos agentes se precipitou, disparou um tiro sem razão e você ripostou em sua defesa.
PD – Exactamente.
CP – Mas o guarda que disparou terá visto algum gesto suspeito da sua parte ou uma arma…
PD – Estava muito nevoeiro. É possível que isso o tenha desorientado, não sei.
CP – Mas o Pedro estava armado!?
PD – Sim, estava. Mas eles não sabiam. De resto, se não estivesse armado tinha sido morto.
CP – E como explica a morte do civil…
PD – Quando eu tentava arranjar alimentos e furtar um carro para fugir,  fui surpreendido pelos moradores que reagiram e eu tive que neutralizá-los.
CP – A partir daí…
PD – Foram as circunstâncias…

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