Meu caro José Pacheko

Meu caro José Pacheko

V. sabe bem quanto eu contradigo a minha obra anterior, mas também sabe que se a contradigo não a renego nunca.


O texto anterior em itálico podia ser retirado de uma carta de Passos Coelho a Pacheco Pereira, mas não é. Trata-se de Almada Negreiros dirigindo-se a um outro Pacheco, aliás Pacheko, em 16 de Novembro... de 1917.

Quanto à "obra" que aqui me traz também não é da política, é da literatura. Quero registar que Almada Negreiros já escrevia sem forma e sem nexo, digamos assim, muito antes de Saramago e de Lobo Antunes, o António, sendo que ele próprio, o Negreiros, era filho de um António Lobo.

Deste "futurista e tudo", dado às artes plásticas e literárias, transcrevo o texto que segue.

esquerdo 1212... e a sombra a desfazer-se prò sol de brim a salpicar o sol de grãos de chumbo a rodar a quatro e quatro pla direita e réguas cinzentas de varetas de leque de rifa com divisas de brim inútil insignificante a vermelho igual ao zero de chumbo à direita com ela a chorar ao meio-dia co'as janelas fechadas e a porta zangada com o sol sem água no moringo sem ele prà acompanhar à mina d'água-férrea por causa do mal de nem querer merendar amoras nem estrear o xaile novo...

Foto recolhida em jornal i-online

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