PCP em síntese

Escreve o director do Avante no respectivo editorial de 29 de Outubro de 2009: «Prossegue em todo o Partido o debate sobre os resultados de cada um e do conjunto dos três actos eleitorais realizados este ano» …
… «Trata-se de um debate colectivo, em que todas as opiniões contam porque todas são contributos para a síntese da soma de todas elas, a que muito justamente chamamos a opinião colectiva».

Dando por inútil comentar para que servem os debates internos do PCP, há aqui duas questões intrigantes:
1) o que é a síntese de uma soma?;
2) depois da sangria de militantes que o partido cultiva, não resta alguém que saiba ler e escrever - para já não dizer que tenha lido sobre Materialismo Dialectico?

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4 Comments:

Blogger Pedro Namora said...

A sua dificuldade com o PCP é tanta, tanto o preconceito, que nem consegue entender a linguagem figurada do editorialista. Eu, mero leitor do Avante!, e do fabuloso escritor que é o José Casanova, entendi perfeitamente. O senhor sabe que se a síntese a efectuar incidir sobre a soma de opiniões e não sobre números, não só é possível como tem vindo a ser feita.
Lamento sempre que para se criticar uma ideia ou opinião seja necessário ridicularizar o seu autor. O senhor, é notório, não acredita no debate interno no PCP. Mas daí a malhar no director do Avante e pelas razões aduzidas, só lhe fica mal.
Quanto à sangria de militantes, que não vislumbro,mas acho perfeitamente naturais no quadro político em que vivemos, julgo que para escrever com verdade, deveria ter referido algo que Jerónimo de Sousa tem publicamente assinalado: as centenas de adesões ao PCP.
Claro de isso desvirtuaria o seu artigo. Mas teria a vantagem, incomensurável, do rigor.
Não consigo entender, devo padecer de uma capacidade diminuída, como é que um marxista pode ser anti-PCP, mas deve tratar-se de uma moda nova.
Que pelos vistos o impede de constatar que, quer a declaração de Obama, quer a de Zelaya, não significam o não envolvimento dos EUA na golpaça.
Aliás, como sabe, eles também negaram qualquer interferência no golpe chileno. E foi o que se sabe.
Aproveito para lhe sugerir, porque o senhor o solicitou salvo erro na apresentação de um dos seus blogues, a leitura dos artigos que estão sendo produzidos, por autores diversos, sobre a verdadeira História da URSS e as mentiras que o capitalismo tem bolsado sobre essa valiosíssima conquista da humanidade.
Mesmo sem o conhecer, endereço-lhe um abraço

30 outubro, 2009  
Blogger antónio m p said...

Estimado Pedro Namora:

A minha dificuldade com o PCP é tanta quanto a dificuldade do PCP comigo. Em boa verdade eu não tenho qualquer problema com o PCP onde ingressei em 1974 a convite de quem me conhecia bem desde uns anos antes dessa data. Poupo-lhe outras certificações da minha dedicação pessoal e militante ao Partido que nada atestariam sobre o presente como sabemos por outros exemplos. Serve a referência apenas para lhe dizer que não me baseio em preconceitos mas sim no conhecimento dos factos.

O meu conflito é com os membros do PCP que usurpam a actual direcção à custa de manobrismos regulamentares e formais de vário tipo, desde a forma como organizam a “democracia interna”, das assembleias inconsequentes à composição e organização dos congressos e do Comité Central onde uma maioria de funcionários assegura a fidelidade à Direcção e as propostas alternativas são interditas ou censuradas.

Noutro artigo deste blogue, «Jerónimo de Sousa e a sua ilusão», o Pedro encontrará o meu comentário à questão das “adesões ao Partido” e do desprezo do Secretário Geral pelos militantes que saem. Que o Pedro não vislumbre a sangria que nos últimos anos tem ferido o PCP, é uma questão que me espanta, sinceramente.

Fica-me mal “malhar” no director do Avante? É de facto o director do Avante, enquanto tal, e não o José Casanova, enquanto pessoa, que eu critico, mas nunca diria malhar!. É o director do Avante que malha, ele sim, nos militantes que discordam da direcção. Se o Pedro é um leitor dos editoriais, não pode desconhecer mais esta realidade.

O Pedro diz que não entende «como é que um marxista pode ser anti-PCP». E eu pergunto quem é que certifica o marxismo do PCP. Preconceito, estimado Pedro, é considerar que é preciso ser do PCP para ser-se marxista ou comunista. Também acha que os soviéticos deviam pensar que para ser comunista era preciso ser do PCUS? E os chineses? Na verdade não acredito num partido comunista que controla o pensamento das bases em nome de uma superioridade intelectual ou revolucionária que não radica nelas mas sim no seu domínio pessoal do aparelho partidário. Daí à tese marcelista de que o Presidente do Conselho de Ministros era inspirado por Deus, vai um passo… muito curto.

Muito mais haveria a dizer de parte a parte pelo que espero continuar a merecer a sua atenção. Obrigado.

30 outubro, 2009  
Anonymous Maria M. said...

Olá António, minha alma está parva, como as coisas são - só não me rio pelo respeito que me mereces. Virem, aqui, por em dúvida a tua ideologia marxista, a propósito das tuas “reflexões” e, logo, a ti “um” dos mais convictos que conheci, militante dedicado, coerente, é surreal - sintomático dos dias que correm...
(Dr. Pedro Namora também me merece respeito mas por outras razões.)
Um abraço
São M.

01 novembro, 2009  
Blogger antónio m p said...

Maria M., vejo pelo teu texto quem és e dá-me uma grande alegria receber um comentário teu - até podia ser a insultar-me, hehe.

Agora diz-me por favor se és a mesma Maria que me fazia comentários supostamente a partir das Caldas da Rainha - suponho que não porque na verdade sei bem que o teu presépio é sobre o mar.

Beijo.

01 novembro, 2009  

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