27/03/2016

Porque hoje é domingo (76)

Em matéria de fanatização, os sacerdotes religiosos são os mais eficazes. Por isso são tão bem utilizados pelos poderes políticos e económicos.

O gesto baptismal que consiste em derramar água na cabeça dos iniciados, desde a mais tenra e inconsciente idade, é uma representação perfeita do papel da religião: a lavagem ao cérebro.

Tão depressa se possa convencer uma criança de que há diferença entre a água baptismal e a vulgar água de matar a sede, logo a catequese virá fazer a segunda parte da lavagem.

Depois, ao longo da vida, na cultura familiar, na escola, nos órgãos de informação – em todos os espaços e por todos os meios – o processo de mentalização alimenta a convicção e, onde a semente encontre terreno fecundo, desenvolve a fanatização.

A religião é um instrumento de conservação ou disputa do Poder. Explorando as inseguranças e desesperos pessoais, controla o pensamento colectivo, as ideias, os comportamentos. Em nome de um deus que inventa ou de que se apropria para amedrontar as pessoas e levá-las à obediência, estabelece as leis a que todos devem subordinação por razões “sagradas”, e assim domina as consciências e as vidas globalmente consideradas.

Qual é o Poder que não está disposto a utilizar um instrumento tão poderoso de dominação social? Qual é a igreja que não está disposta a fazer pactos com esse Poder? Outra coisa são os efeitos perversos que podem decorrer de se alimentar um monstro ao seu serviço: a possibilidade do monstro entrar em concorrência com o seu criador. Mas para isto foram inventados os pactos. O diabo que o diga.

26/03/2016

Eu, confessor, me confesso

Uma das invenções mais perversas da Igreja Católica, se não a mais perversa, é a Confissão!

Mitos sobre o terrrorismo

“Surfando” a onda da moda, de que tudo são mitos, discorro sobre os ditos que têm sido associados ao terrorismo islâmico.

Antes de mais, o mito de que se trata de “actos cegos e cobardes”. Eu que não sou papa nem presidente da república, proclamo do cimo da minha prancha intelectual que os atentados não são cegos nem cobardes.

Não são cegos porque seleccionam alvos com grande impacto e valor simbólico. Como assumia um comunicado do “Estado Islâmico” na sequência dos crimes ocorridos em Paris, os alvos “foram escolhidos minuciosamente”.

Não são cobardes porque não há atitude mais corajosa do que dar a vida por uma causa. Quando se trata de cristãos, chamamos-lhes mártires. A obsessão, o fanatismo, o ódio que os move, pode ser até loucura, em certo sentido, mas cobardia é a palavra menos adequada.


Não me atirem da prancha antes de chegar à praia, porque quero esclarecer esta minha pretensa desmistificação. O que eu digo é que as palavras não são indiferentes. O grau de rigor das palavras exprime o grau de rigor das ideias, e este é fundamental para a eficácia das respostas aos problemas.

Uma caracterização errada dos métodos e dos agentes do terrorismo não ajuda a combater o crime, confunde as estratégias. Pelo contrário, um conhecimento acertado dos agentes, dos critérios e das causas, ajuda a identificar melhor os autores potenciais, prever as suas estratégias e evitar as suas motivações.


Outro mito é que os combatentes suicidas são condicionados por uma lavagem ao cérebro ou são simplesmente doidos.

Tais explicações dão o problema como insolúvel. Escondendo, por facilidade, as motivações politico-sociais, sejam justas ou não, impede-se a criação de estratégias de resposta neste plano que podem abranger, além do mais, campanhas de informação. E dá uma desculpa imerecida para os assassinos.


Não, as palavras não são indiferentes. Cuidado!

15/03/2016

Assim, até o Tino.

"Muitos portugueses estão a pagar impostos em Espanha e é algo que temos que em primeiro lugar pedir aos portugueses que não façam".
Caldeira Cabral, Ministro da Economia do governo de Portugal, em 11/3/2016 


“Não venham para a Europa. Não acreditem nos traficantes. Não arrisquem as vossas vidas e o vosso dinheiro. Isso não vai servir para nada”. 
Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, em 3/3/2016. 

Por este caminho, ainda vamos ouvir o Obama a pedir aos terroristas do chamado Estado Islâmico, para fazerem o favor de pararem com a violência. 

Assim, até o Tino podia ser governante!

13/03/2016

Perguntas ao Presidente da República

Sempre que alguém faz questão de afirmar que será “o presidente de todos os portugueses”, eu pergunto se isto é uma promessa de pluralismo ou uma ameaça contra quem se julgue à margem da sua tutela.
Quando Marcelo Rebelo de Sousa, no seu discurso de tomada de posse a 9 de Março de 2016, fez questão de dizer que, como Presidente, «não é nem a favor nem contra ninguém», eu pergunto se isto é uma promessa de imparcialidade (impossível) na luta entre os espoliados e os privilegiados ou uma declaração de inutilidade da sua função.
Quando ele diz que «temos de ser fiéis à União Europeia e à NATO», num contexto de decadência destas instituições, eu pergunto se elas nos pediram algum juramento novo de fidelidade ou se pretendeu simplesmente inibir algumas bancadas de o aplaudirem.
Quando fala em “desafios dos refugiados na Europa”, está a formar duas equipas em confronto, dois adversários – os refugiados e os europeus?
Quando diz, por exemplo, que “há sinais de apelo a reflexões de substância, de forma, ou de espírito solidário, num contexto muito diverso daqueles que testemunharam as suas mais apreciáveis mudanças”, eu pergunto se ele próprio sabe o que está dizer.

07/03/2016

Loiras ao Poder

Relativamente às próximas eleições presidenciais, os eleitores norte-americanos estão de acordo numa coisa: terá cabelo louro! O resto... é política.


01/03/2016

Da demagogia à economia

Quem vê os estádios super-lotados, os concertos esgotados e as salas de cinema cheias, pergunta-se legitimamente se “afinal há dinheiro ou não há dinheiro”.

Grande confusão aqui vai! É a percepção de quem está numa fila de trânsito e julga que o engarrafamento é sinal de que as pessoas andam "todas " de carro em vez de usarem os transportes públicos. Se o motorista que faz esta crítica, andasse de autocarro, teria uma opinião oposta. Mas por alguma razão ele anda de automóvel!... 

Muito mais haveria a dizer sobre estas avaliações do bem-estar geral. Mas deixemos a esfera da moral e consideremos argumentos económicos reais.

É que aquelas actividades lúdicas, além de mais, contribuem directa e indirectamente, com impostos e promoção turística, para as receitas do Estado que, por sua vez, permitem melhorar os serviços públicos. E fazem-no em função da disponibilidade voluntária dos participantes, e não de contribuições forçadas e alheias às possibilidades dos contribuintes. É a tal questão dos impostos directos ou indirectos.