Da salvação à união nacional

Mais grave é ter integrado mesmo a União Nacional, o partido único do fascismo português, como fizeram Francisco Sá Carneiro e Francisco Balsemão, mas apelar à “união nacional” num tempo em que a democracia não está ainda completamente destruída, também é reprovável, muito reprovável.

Não sei se me faço entender…!

Além de que, a seguir a uma "União Nacional" pode sempre surgir uma acção nacional... popular!

NOTA: Acção Nacional Popular (ANP) foi a designação que tomou a UN a partir de Fevereiro de 1970.

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Salvação Nacional tem dias


DN de Janeiro de 2004

«A dez dias do final do ano de 2003, a data-limite, faltavam mil milhões de euros nas contas do Estado para colocar o défice abaixo dos 3,0% do PIB, tal como impõe Bruxelas aos Estados membros da União Europeia. As contas foram salvas pelos fundos de pensões e, no total, injectaram-se mais de três mil milhões de euros em receitas extraordinárias.»


«Restringir aumentos salariais, despedir funcionários, aumentar impostos, combater a fraude e evasão fiscal, são algumas soluções avançadas por vários analistas e economistas para eliminar o défice das contas públicas. Mas qualquer destes itens foi tentado no passado - com maior ou menor vigor - e, na verdade, o défice orçamental continua a sua escalada».


Outro recorte do DN:

«O Bloco Central que existiu entre 1983 e 1985, com Mário Soares e Mota Pinto, serviu para garantir que Portugal era governável e conseguia fazer as reformas necessárias para entrar na Comunidade Económica Europeia. Cedo se percebeu que governar neste tipo de coligação, que nunca foi nem irá a votos, abre brechas internas nos dois partidos.
Soares não voltaria a ser líder do PS, avançando com uma candidatura vitoriosa à Presidência da República, um ano depois de Cavaco ter ganho pelas primeira vez as legislativas. O professor de Boliqueime chegou, aliás, à liderança do PSD em oposição à existência de um Bloco Central e lançando Freitas do Amaral contra os candidatos presidenciais de esquerda.

Sendo certo que a aliança dos dois maiores partidos chegou para as necessidades, mas não foi um sucesso, é também sabido que sempre que o País necessita de reformas profundas é dela que os analistas se lembram como o último recurso. Mas, nos dias que correm, é quase uma heresia invocar a necessidade deste bloco.

Ainda assim, o Bloco Central, cada vez menos admitido como forma de governar, é constantemente solicitado - pelo Presidente da República e restantes senadores - para realizar pactos de regime, em áreas como as Finanças Públicas, a Saúde, a Justiça ou a Educação. Um Governo PS/PSD garante que no futuro próximo o que tem de ser feito será feito, mas lança a dúvida sobre o que acontecerá para lá desses momentos. Haverá uma nova república, com novo sistema político, novos partidos e novos protagonistas?

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cavaquês

Do Discurso de Cavaco Silva:

«considero que a melhor solução alternativa é a continuação em funções do atual Governo...»

Preparem-se - digo eu - para eleições antecipadas em menos de um ano.

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Resgate à portuguesa

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Cartas na mesa... das negociações



As cartas estão lançadas.

O PSD joga na sobrevivência do seu projecto ideológico, perdida que está a sobrevivência do Governo a médio prazo (a curto prazo, penso eu).

O PS joga no equilíbrio instável entre um projecto político de "responsabilidade violenta" e um discurso eleitoralista de "ruptura suave". A sua preocupação em chamar o PCP e o BE à mesa das negociações promovidas pelo Presidente da República, não é só ou não é tanto por razões de rigor democrático, é sobretudo para esvaziar a esquerda, nas próximas eleições, de alternativas a um PS comprometido com a filosofia do Memorando de Entendimento de José Sócrates.

Cavaco Silva não despreza apenas o papel do Bloco, do PCP e dos Verdes; despreza-os a todos porque sabe que tem o Ás de troica

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espionagem



Das notícias:
Graças a Snowden, o mundo soube que o presidente Barack Obama nunca encerrou os programas de vigilância doméstica da Era Bush, e que milhões de telefonemas e e-mails privados de cidadãos americanos sem relação com terroristas são monitorizados pelas agências de espionagem dos EUA. Que os Estados Unidos espiam a missão da União Europeia em Nova York e 38 embaixadas, entre elas as de França, Itália e Grécia e dos países do Médio Oriente. Que os serviços de informação britânicos espiaram o G20. Que a NSA usa parcerias com empresas telefónicas americanas para aceder a redes de comunicação de países como o Brasil, China, Índia ou Paquistão.
A história de Snowden foi revelada no dia 9 de Junho de 2013, pelos jornais Washington Post e The Guardian - os dois veículos que receberam e publicaram os documentos secretos.
Enfim, como disse Obama: “Não se pode ter 100% de segurança e 100% de privacidade”...

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À atenção de Assunção Esteves

Convidada a comentar o governo PSD-CDS", disse Simone de Beauvoir: “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” E sobre a posição de Passos Coelho, comentou: “Diante de um obstáculo que é impossível de superar, obstinação é estupidez.”

Um outro jornalista perguntou-lhe se não reconhecia, apesar de tudo, que o presidente Cavaco Silva era, acima de tudo, um homem sério. Ao que respondeu Simone Beauvoir : “O homem sério é perigoso, pode transformar-se em tirano.”

As citações de S. Beauvoir são verdadeiras mas retiradas, obviamente, do contexto original.

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Governo ligado às máquinas


O Presidente da República é forçado a reconhecer que o Governo não tem condições para se manter, mas invoca pretextos de estratégia financeira para prolongá-lo mais um ano. E mais que isso, tenta o Partido Socialista a comprometer-se... com as opções políticas em curso! Nada que Passos Coelho e o PSD não tenham tentado já na Assembleia da República.

Portanto, Cavaco Silva está preparado para designar um governo de gestão até à realização de novas eleições, não daqui a um ano mas muito antes disso. O resto é mais uma manobra para responsabilizar o PS pelo que aí vem.

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O guião de Paulo Portas

O guião, o roteiro, o script, é aquilo que em cinema converte um texto literário num texto técnico, aquele que diz as coisas práticas e concretas que serão feitas, materealizadas, realizadas em filme.

Na política portuguesa, os programas de governo, de tão desprestigiados, de tão desacreditados pela forma como são rasgados na prática, passaram a designar-se guiões, por iniciativa de Paulo Portas. Mas quem conhece o cinema sabe que há três tipos de guiões: os que são rigorosamente cumpridos – do que se gabava Alfred Hitchcock – e os que servem apenas de base a um projecto que pode desviar-se completamente no decurso da produção, por decisão do realizador – do que se gabava César Monteiro...

Mas também há quem prescinda de guião. Há duas formas de o fazer: assumidamente, como no “cinema-verdade”, ou disfarçadamente, como no que eu chamaria “governo-mentira”.

O mundo cinéfilo está em “suspense” hit-choque-ano por saber qual destes é o prometido guião de Paulo Portas sobre a reforma do Estado*, ou se a promessa era mais uma das suas decisões irrevogáveis” destinadas à mais negra escuridão césariana, por assim dizer.

É que cinco linhas da “ideia” ou dez linhas da “sinopse” ou doze páginas de “argumento”, e muito menos que um guião – aqui, no Brasil, nos Estados Unidos da América… Mesmo em se tratando das chamadas “curtas”.

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Obrigado



Sinónimos para "obrigado":
forçado, coagido, agradecido, grato...

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Ministro dos maus
negócios estrangeiros

Na passada segunda-feira e na sequência de uma viagem à Rússia, o Presidente da Bolívia foi impedido de regressar ao seu país, porque o avião militar que tranportava Evo Morales foi proibido de sobrevoar o espaço aéreo de França, Espanha, Itália e Portugal.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou ter cancelado o sobrevoo de Portugal e aterragem em Lisboa, alegando "considerações técnicas" mas há fortes indícios de que se tenha tratado de uma “indicação” da CIA – Estados Unidos da América. A versão da CIA, de que Edward Snowden, acusado de espionagem pelos Estados Unidos, estava a bordo, revelou-se infundada.

As razões razoáveis do Governo de Portugal estão por esclarecer, mas não é de admirar que o ministro Paulo Portas estivesse muito nervoso com a sua demissão do Governo nesse mesmo dia…

A questão que se coloca é de saber se também foi a CIA que o mandou demitir-se, ou se o fez à revelia dos seus mentores.

Mas que foi um "bonito serviço" prestado às relações de Portugal com a América Latina, está-se mesmo a ver pelas justas reacções da Venezuela, Equador, Argentina, Peru, Uruguai e o que mais virá!

Do Brasil:
“O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável – a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores”. Dilma Rousseff


Na foto, Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, com Paulo Portas, Min. Negócios Estrangeiros de Portugal.

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Acordei sem ministro das finanças

Acordei sem ministro das finanças.
E foi como se o sol nascesse morto
Sobre a cidade estremunhada e triste
Incrédula, perdida e assustada.

De um dia para o outro, as esperanças
Eram ruínas, cinzas, pó e nada,
Secou a gasolina e a água canalizada,
E a própria economia não alavancava.

Gritava-se nas bolsas pelos lucros,
A banca, rota, clamava pelos juros;
E reclamava impostos, o Estado;


Na rua, uma voz proclamava:
O ministro partiu, que vá em paz
E que leve o Governo todo, atrás.

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