Silêncio intolerável


Por primera vez en tres meses, Micheletti (presidente golpista nas Honduras) fue corregido en público por el Congreso y por algunos de los líderes políticos que lo han venido apoyando hasta ahora. Así que no tuvo más remedio que frenar.
EL PAIS

Isto foi o que NÃO se leu nem ouviu hoje noticiar nem debater nas televisões que temos, isto é, que tem o Governo, a IMPRESA e a PRISA/Media Capital...
Micheletti foi quem «ha decidido este lunes que los militares cierren los medios de comunicación que le resultan hostiles, es decir, Radio Globo y el Canal 36 de televisión, afines al depuesto Manuel Zelaya. Los cinco derechos constitucionales que quedan anulados son tan importantes como el de libertad personal, libre emisión de pensamiento (libertad de expresión), libertad de asociación y de unión, libre circulación y los derechos de los detenidos» EL PAIS.

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Papas e bolos

«A visita de um papa católico é assunto da Igreja católica e não matéria do Estado português. Num Estado laico o Papa é apenas um líder religioso. Que o cidadão Cavaco Silva se regozije é um direito; que o chefe de Estado de um País laico exulte com a visita do seu líder espiritual é uma interferência nefasta da política na religião, e vice-versa; e que essa visita tenha sido anunciada fora de tempo, contra a vontade da própria Conferência Episcopal, é uma politização inadmissível daquilo que é apenas matéria de crença pessoal.

Fátima é um dos santuários mais importantes e rentáveis da Igreja católica. Estes aspectos de fé e ges-tão religiosa justificam a visita do Papa, mas é lamentável que esta deslocação seja considerada – como disse o bispo Carlos Azevedo – «uma visita de profundo significado, também por ser o centenário da implantação da República». Fátima foi um instrumento da propaganda contra a República e contra o socialismo. Os milagres tentados noutros locais do país acabaram adjudicados numa região onde a religiosidade e o analfabetismo os facilitava. E, hoje, a crença nas piruetas do Sol, passeios da Virgem pelas azinheiras e aterragem de anjos na Cova da Iria são uma opção pessoal, motivada pela fé e não por provas objectivas, e sem qualquer relação com a nossa forma actual de governo».

Texto integralmente recortado do Diário Ateísta.

Que se trate do mesmo papa que levantou a excomunhão (ditada 20 anos antes pelo seu antecessor João Paulo II) contra quatro bispos que foram consagrados por monsenhor Marcel Lefebvre... não terá pesado certamente no entusiasmo político português... Pelo menos em desentusiasmo não pesou de certeza.

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meu filme de eleição

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As esquerdas que temos


Quanto mais leio o blogue de José Medeiros Ferreira ou os discursos (apesar de emproados e inconsequentes) de Manuel Alegre, mais me convenço que uma coligação de esquerda com o PS seria possível. Por outro lado, quanto mais ouço Sócrates ou Santos Silva, para já não dizer Vital Moreira, menos me convenço.

O que prova que o PS de Mário Soares e Almeida Santos – ambivalente, senil, esquizofrénico ou muito simplesmente sem-vergonha - é o mais representativo daquele partido que vai continuar a governar Portugal, para nosso mal.


Só uma divisão do PS em duas correntes incompatíveis poderia criar uma nova oportunidade. Mas aqui, como aconteceu no PCP, o património histórico pesa mais do que a razão, do que as razões – muitas mas variadas. É assim. Por enquanto.

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Memórias de uma professora


É altura de serem os próprios professores a falarem, já que muito se tem falado deles e em nome deles. Daí a excelente oportunidade duma obra que vai agora ser publicada com o nome “Memórias de Uma Professora”.

A professora Isabel Pereira Rosa é autora deste testemunho. Nascida em 1954, na Tojeira, uma aldeia situada nas faldas da Serra de Montejunto, licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e especializou-se em Ciências de Educação, na Área de Educação Especial, na Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação de Lisboa.

Diz que deixa o ensino «porque está cansada, porque lhe doem as costas», mas não tarda a confessar o que há de metafórico nesta explicação: o que lhe falta realmente é o apoio da rectaguarda que a política de educação deveria dar: « e a política da educação nos últimos anos só veio contribuir para uma maior desmotivação dos professores – menos direitos; mais trabalho; criação de um clima de competição, numa profissão em que a cooperação entre os pares é imprescindível à formação integral e harmoniosa dos seus destinatários; menos exigência para com os alunos, a quem já nem se exige o mínimo para progredirem, que é irem às aulas.

O livro será apresentado no dia 19 de Setembro, pelas 16 horas, na nova Biblioteca Municipal do Cadaval (perto de Bombarral).

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Jerónimo de Sousa e a sua ilusão

Domingos Lopes (com tristeza):
«Acreditei, até há tempos, que poderia haver outra saída. Verifiquei que se iam fechando todas as portas».

Jerónimo de Sousa (sorridente):
«Sai um, saem dez, entram mil; estamos bem».

E eu pergunto :
Somos números?

E ainda:
Porque é que só sabemos os nomes dos que saem? Porque é que os congressos só dão conta (do número) dos que “entram”? Suspeito!

Em relação a Domingos Lopes, Jerónimo coloca “a questão folosófica” de saber se «se pode sair de um sítio onde já não se está». E eu pergunto, filosoficamente, se Jerónimo ainda não percebeu que está num partido que já não existe – do PCP histórico, fundado na convicção e na generosidade dos seus dirigentes, resta-lhe a cultura sindical e a ilusão-de-optica eleitoral que as circunstâncias favorecem como nunca antes.

Assim como quem contempla uma estrela que morreu há milhares de anos, mas cuja reflexão luminosa ainda permanece no espaço. Como ensina o esquecido Materialismo Dialectico de Engels e Marx, é assim na natureza e na sociedade.

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Voto em consciência


A escolha é entre mim e Ferreira Leite - diz e repete José Sócrates para desvalorizar a votação nos outros partidos. Será que tem razão? Aparentemente, sim; realmente , não.

Havendo certamente diferenças entre o PSD e o PS, quer pela sua base de apoio, quer pela sua história, é difícil distinguir entre os seus projectos de governação para os próximos anos. Exactamente porque eles são filhos destas figuras, mais do que o são dos partidos que os suportam. Nestes partidos a política real é decidida pelos “líderes” que se assumem como tal.

Sendo irrelevantes e de difícil valoração as diferenças entre a liderança de Sócrates e a de Ferreira Leite, é manifesto que aquele tem necessidade do sofisma que repete. Sofisma porque, sendo verdade que um daqueles será eleito, não é verdade que o voto neles seja útil como a afirmação sugere. O que será útil é manifestar contra ambos um voto da consciência e uma indicação do sentido que o eleitor quer que seja dado à política. Votar em Sócrates, é dar-lhe apoio para prosseguir o favorecimento do lucro contra o salário e do privado contra o público, os ataques contra os professores e outros sectores sociais, os negócios opacos e os investimentos ruinosos… Votar em Ferreira Leite é apoiar a mesma estratégia política com outros protagonistas. Votar no PCP ou no BE é exigir uma ruptura corajosa com a oligarquia partidária. Uma oligarquia dependente e servil perante os países mais ricos como se daí viesse a defesa dos nossos interesses e não dos deles.


Não lhes ficava mal aprender, nesta matéria, com os nossos parceiros da América Latina - prosseguir uma estratégia de independência face à invasão política de que somos vítimas pelos países ricos. Independência que não quer dizer isolamento mas soberania nacional. Com “atitude”!

(Quanto ao facto de eu votar em branco, isso contempla outra questão. É que há no dia 27 mais do que a escolha de deputados e, por consequência, de governantes. Há também um juízo sobre o partido em que se vota. O que conta para quem não é demasiado pragmático nem quer ser).

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Mário Soares e os papões

Mário Soares faz esta brilhante revelação, na VISÃO: «Nos últimos 20 anos assistimos a duas implosões pacíficas significativas:
o comunismo soviético e o capitalismo especulativo-financeiro».

Se Mário Soares, no uso de todas as suas faculdades, garante que o capitalismo especulativo-financeiro implodiu, fica agora a História do futuro avisada. Se Mário Soares (já) não sabe o que quer dizer implosão, visto que fala de «duas implosões que resultaram de dentro para fora», temos que dar-lhe um desconto.

Mas estariamos apenas a rir, se as declarações ficassem por aí. Infelismente, não. «Infelizmente, não tive ocasião de ver o debate entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, de que estava particularmente curioso – escreve Soares. - Mas, segundo me disseram - um jornalista que considero isento -, foi inesperadamente bem-comportado ou, mesmo, consensual, como se quisessem guardar as suas respectivas baterias contra os partidos do chamado eixo do poder: PS e PSD».

Para concluir: « Para mim é estranho, quase incompreensível, essa preocupação em partidos que se reclamam da Esquerda. É a política do "quanto pior, melhor", que em tempo de crise - como a que vivemos ainda - pode ser perigosíssima. Temos a memória da experiência ocorrida nos anos 30 do século passado, com a ascensão de Hitler, que conduziu à hecatombe da II Guerra Mundial... Deixou-se caminhar o nazismo porque a luta era contra a social-democracia, a rival mais próxima... E acabaram todos nos campos de concentração: democratas-cristãos, socialistas, comunistas e trotskistas, perante um Hitler megalómano, omnipotente e implacável...»

Moral desta história imoral: a esquerda portuguesa (pelo menos) conduz ao nazismo; a memória conduz a dizer que « deixou-se caminhar o nazismo porque a luta era contra a social-democracia»; Mário Soares é fixe.

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Asfixia da gramática

A ver se nos entendemos: asfixia democrática ou democracia asfixiada? Ou tanto faz? Socialismo democrático ou democracia socialista é a mesma coisa? E grande mulher é o mesmo que mulher grande? Manuela Ferreira Leite quer a verdade acima de tudo ou tudo acima da verdade? Ou tanto lhe faz?


Poderia fazer sentido para George Bush que ele qualificasse como asfixia democrática a forma como assassinou Sadam Hussein, mas será disso que estamos todos a falar, políticos, jornalistas, doutores e gente de mais humilde condição?

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Agora é que percebi

Paulo Portas no debate com Jerónimo de Sousa:
“O meu adversário é este Governo”;
“O meu adversário não é Jerónimo de Sousa, é o ministro Jaime Silva”.

Mas seria preciso confessá-lo? A gente não lhe via na cara uma serenidade que era mais do que desprezo, uma simpatia que era mais do que agradecimento pela sorte que cabe à Direita ter um antagonista tão inofensivo como Jerónimo de Sousa?

Agora é que eu percebi porque é que Jerónimo é tão amado por todos, da extrema esquerda à extrema direita – porque ele não cria dificuldades a ninguém. E quanto mais grita nos comícios, mais dócil nos parece nos debates. Um contraste patético que até Luis Delgado confessa apreciar.

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A rainha vai nua

Já não pelo caso mas pelo que dele fizeram jornalistas e políticos, volto ao assunto para recomendar ESTE divertido artigo onde se faz um making-off do filme em produção sobre a Rainha Santa Manuela. A que eu acrescento apenas que a rainha vai nua no pior sentido. E não vai longe. Que nem o CDS a vai querer de volta como aconteceu em 1996, quando foi deputada.

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Rainha Santa Manuela

Eu tinha chegado da RTP-Porto havia menos de um ano, mas já era suficientemente crescido para reter “para memória futura” a imagem de Manuela Moura Guedes, deslumbrante e deslumbrada, a visitar as instalações do Lumiar na companhia de Fernando Pessa.

Fernando Pessa, de quem se continuavam a fazer rasgados elogios públicos, seria literalmente encostado a uma parede da redacção, lá onde encontrou a sua secretária, um dia, estávamos já na Cinco de Outubro. Manuela ia fazendo o seu percurso que completou às costas de José Eduardo Moniz.

Depois, foi o que se viu: “do alto inacessível das suas alturas”, por razões de que não tem que se gabar, ascende a todos os lugares que podia reclamar ao marido. Vendo-se ao espelho, não se achou bonita – como se veio a perceber - mas achou-se raínha. Julgou que lhe vinha do sangue, digo do sangue de seus ascendentes, a nobre condição a que as circunstâncias a guindaram. Sentiu-se com direitos e competências que não tinha – é uma doença própria des estrelas de televisão, com que eu fui obrigado a lidar profissionalmente.

Demitida (do cargo de editora e apresentadora do jornal das sextas-feiras, da TVI) por indecente e má figura, jornalisticamente falando, devido à sua arrogância e domínio indecoroso das opiniões no jornal que geria, mais parecendo uma bandeira que uma jornalista, suscita uma geral hipocrisia nacional que nunca tendo apreciado o seu “estilo”, de rainha a convocam para santa. Nasce assim a lenda da Rainha Santa Manuela Moura Guedes, a que não dá pão aos pobres nem engana o marido com flores.

Que o Mário Crespo tenha dedicado horas dos seus espaços noticiosos e dos seus convidados, a tratar da canonização da sua colega, desiludiu-me. Mas jornalista é assim.

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É obra !

«Uma em cada cinco escolas secundárias vai abrir o ano lectivo em obras. Num total de 450 escolas, 92 ainda estão com cenário de estaleiro e 45 mil alunos vão começar o ano em 1800 contentores», diz o Expresso.

O que ressalta daqui é o estado em que se apresentam os estabelecimentos de ensino (e da Justiça, etc.) em contraste com a basófia modernista.

Também ressalta a oportunidade política das obras.

Nada de estranhar para quem levou com cinco anos de vias cortadas enquanto se arrastavam as obras de prolongamento da linha vermelha do Metro de Lisboa.

Ou era por ser vermelha?

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Guantánamo entre nós

Um artigo de Mário Crespo (JN 31 JUL 2009) abanou em mim algumas ideias e é bem possível que abane outros. Por isso e por mais, tomo a liberdade de transcrever uma passagem a seguir.

Com os meus cumprimentos ao autor de quem recordo com respeito os penosos passos perdidos pela 5 de Outubro durante o seu conflito com a RTP.

... «Sabe-se que Portugal participou nesse horror. Não se sabe até que ponto. Será esta concessão de asilo uma forma de pagamento a Washington pelo silêncio? Pode muito bem ser. Os americanos, seja qual for a administração do momento, são impiedosos e oportunistas nestas questões.

Claro que a obrigação do governo de Obama era encerrar o campo de concentração de Guantanamo ressarcindo as vítimas e acolhendo-as no seu próprio território se elas assim o desejassem. Mas não, a América de Obama decidiu tratar os indesejáveis que raptou e que "militam em organizações radicais" como trata resíduos tóxicos. É mais cómodo e barato mandar para o outro lado do mar do que assumir responsabilidades.
Assim, este acolhimento não é resultado de uma preocupação humanitária do Governo de Portugal. Houve, tudo o sugere, oportunismo e conveniência de parte a parte.

Como cidadãos, temos o direito de saber tudo sobre esta transacção. Há mais. Na noite de sexta-feira, ao noticiar a chegada a Lisboa dos dois sírios, a Rádio France não referiu o Governo de Portugal. Disse que a vinda dos detidos era resultado de um "acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos". Esta sucinta maneira de descrever o que se está a passar ilustra a transferência real de soberania dos governos portugueses para os seus credores e patrões em Bruxelas e Washington. De dívida em dívida as exigências são já imposições».

A foto acima foi "surripiada" do blogue «Praça Stephans» num POST de Dez de 2008 que vale a pena ler.

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