Toma e embrulha (1)

Das notícias:
«O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair afirmou hoje que o mundo está a atravessar um momento sem precedentes de instabilidade, incerteza e de baixa previsibilidade, que exige respostas globais baseadas em fortes alianças estratégicas.


Blair, que falava em Lisboa na 10ª Conferência Internacional do Diário Digital, salientou ainda que a situação actual é consequência da globalização, que impôs desafios globais aos quais só é possível responder com respostas globais».


Há poucos dias, na RTP, dizia Manuel dos Santos, do PS:
- Falaram aqui da necessidade de um novo modelo de desenvolvimento para Portugal, face à crise económica. Mas é preciso compreender que Portugal não tem dimensão para impôr um novo modelo porque ele terá que ser global e não apenas nacional.


Responde-lhe um deputado do PCP:
- Não me está a dar uma grande novidade; já Marx dizia isso.

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Áustria e os seus fantasmas

«Fui contemporâneo das duas maiores guerras da humanidade e vivi mesmo cada uma delas em duas frentes distintas, uma na frente alemã, a outra na anti-alemã. No período anterior à guerra conheci a forma e o grau mais elevados de liberdade individual e, depois, o seu mais baixo nível desde há centenas de anos».
...
«Fui à força testemunha indefesa, impotente, do inimaginável retrocesso da humanidade a uma barbárie que há muito se pensava esquecida...»
...
«Estava-nos destinado, tantos séculos passados, a ver de novo guerras sem declaração de guerra, campos de concentração, torturas, pilhagens em massa e bombardeamentos sobre cidades indefesas, tudo bestialidades que as últimas cinquenta gerações nunca chegaram a conhecer e que as vindouras, assim o espero, não voltarão a tolerar».

O texto que atrás se invoca é de Stefan Zweig, um dos maiores escritores de todos os tempos, da Áustria e do Mundo.

O seu testemunho foi publicado em português com o nome «O Mundo de Ontem», pela editora Assírio e Alvim, em 2005.

A forma fascinante como invoca, descreve, comenta e nos envolve no seu mundo sem fronteiras, forçado pela fuga ao nazismo até ao refúgio e suicídio no Brasil, é de uma riqueza literária e humana que nenhum recorte trazido para aqui seria justo seleccionar. Daí as três frases curtas, apenas, que transcrevo acima, que me ocorreu transcrever no dia em que é notícia o resultado histórico da extrema-direita nas eleições da Áustria.


Recorte de aeiou.visao.pt/ 2008-09-29:
Se os votos da extrema-direita forem somados aos do partido populista, a extrema-direita ultrapassa a marca histórica que obteve em 1999, quando o partido de Jörg Haider alcançou 26,9% dos votos, a par dos conservadores.
Se estas projecções (...) se confirmarem, o partido social-democrata SPÖ, um dos mais antigos partidos europeus, fundado em 1885, e os democratas-cristãos do Partido do Povo (ÖVP) registarão os seus piores resultados de sempre.
E isso não só desde o final da Segunda Guerra Mundial, mas desde o início da República, saída em 1918 do Império Austro-Húngaro após a derrota na Primeira Guerra Mundial.


A realização de eleições antecipadas, em que estavam registados 6,3 milhões de votantes, deveu-se à ruptura em Julho da coligação esquerda-direita, no poder nos últimos 20 meses, causada por divergências relativamente à reforma fiscal e nas medidas para aliviar o aumento crescente dos alimentos e da energia.

Pela primeira vez, 183.000 jovens de 16 e 17 anos puderam votar nestas eleições.

Áustria, terra de Música no Coração... !

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Sectários Gerais

De Mário Castrim, dizia-se por graça que era o “sectário geral” do PCP. Castrim talvez tenha deixado aquele título para Miguel Urbano Rodrigues.
Em ambos os casos, realmente, o discurso jornalístico se confunde com o que se espera ou esperava do porta-voz do partido a que pertencem. Nenhuma diferença, por mais saudável que ela fosse, nenhuma crítica, por mais necessária - antes pelo contrário.

Não partilho mas entendo esse sectarismo político que consiste em valorizar sempre o que vem de nós e combater sempre o que vem do adversário, indo ao ponto de omitir algumas verdades, é certo, sobre as responsabilidades do nosso “clube”.

Tal atitude, em Miguel Urbano, sacrifica algum prestígio intelectual – ainda lhe sobra muito! - à eficácia política; subordina o interesse pessoal, ao interesse social. Mas sente-se nos seus textos a sinceridade e a clareza que caracterizam os discursos autênticos e que alimentam o seu entusismo contagiante.

Não sinto o mesmo respeito pelo sectarismo de outros que, devido aos lugares que ocupam na Direcção do PCP, longe de se envolverem apenas a eles próprios – pelo contrário, escondendo-se na capa de orgãos colectivos – arrastam com as suas omissões e deturpações o futuro de um partido que os ultrapassa e ao qual se dedicaram muitas vidas.

E já nem falo do sectarismo que no PS é escola, é cultura de grupo. No PS o sectarismo é prática e doutrina, é o pão das suas ceias, o ar que se respira. Só quem nunca trabalhou numa empresa dependente do Estado pode ignorar isto – se é que pode, mesmo sem ter trabalhado. E com o PS, por força da sua influência na sociedade, os estragos são maiores, imediatos e mais incontroláveis.

Só que isso não devia servir de consolação a outro. Porque, quando assim é, faz mal a ambos.

Miguel U Rodrigues deu há pouco tempo ESTA entrevista à SIC, que recomendo pelo agrado com que se ouvem e vêem entrevistado e entrevistadora.

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Ser livre

Neste mundo de senhores e de servos, olha-se para um velho e diz-se: Já não serve.
E eu penso: Se não serve, é livre!

(No caso de Agostinho da Silva, aqui retratado, a liberdade ocorreu-lhe... "precocemente").

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Pacheco à bruta

Num momento de inconti- nência verbal em que certos palradores deixam estilhaçar o verniz, a cera, tornando sin-cera a sua verborreia, José Pacheco Pereira esparramou no "Abrupto" um texto vergonhoso.


Homens como Pacheco Pereira «são perigos públicos em qualquer parte do mundo. Estes homens, em nome das ideias» mais retrógradas, antidemocráticas e falaciosas, uma mistura de anticomunismo e traumatismo psicológico, mais vaidade exacerbada e reverência aos poderes políticos mundiais mais arrogantes, destemperado por um verbalismo fácil mas bem cotado no mercado de ignorantes e enganados que ele explora, arrota os seus vitupérios a rodos, empestando o país em que vivemos.

E como é habitual, há orgãos de difusão (chamados de comunicação) que o acolhem e projectam com complacência e com nojenta admiração. Também alguma esquerda, cúmplice da sua grande cruzada, deixa-se confundir com algumas verdades inócuas ou descentradas dos seus objectivos de fundo. Ele leu Aleixo e sabe que «para a mentira ser segura e atingir profundidade tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade».Coisas do género « É verdade que (Chavez e Morales) foram legitimamente eleitos, mas...». Mas... são progressistas e marxistas, que merda! De uribes é que a América Latina de Pacheco, precisa. Até porque na sua estratégia de silêncios manhosos se parece mais com a sua eleita, Leite.

«Infelizmente tudo isto é clássico» na arrogância verbal, não só de Pacheco Pereira mas de uma longa história da difusão social, criada na escola de gente como ele, propagandistas da direita caceteira e belicista - conforme a escala geográfica.

Pacheco não contabiliza os mortos e as bombas no Iraque cuja invasão continua a defender; contabiliza as palavras feias de Chavez. Santos destes acabariam no inferno se o houvesse, mas Pacheco não deve acreditar, logo, sente-se à vontade para dizer as alarvidades que lhe apetecer.

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Representar

- O que é isto? »
A multidão não hesita:
- É um peixe».

Alguém tem que explicar que não é um peixe.


É a imagem virtual de uma fotografia de um objecto de vidro que REPRESENTA um peixe !

Não há peixes de vidro, de vídeo, de papel...

O que há são representações nestes materiais.
Boas e más representações.

Entre “representar” a classe trabalhadora e “apresentá-la” vai toda a diferença de legitimidade para falar de “ditadura do proletariado” quando não é o proletariado mas sim os seus supostos representantes que ocupam o poder.

Não é que a função de representação não seja legítima mas é-o na medida em que representa e não quando se re-apresenta, viciando os mecanismos de representação. Neste caso a entidade representa-se - a si mesma.


Picasso dizia: "Se a arte se limitasse a reproduzir a realidade, que interesse teria?!". Mas estava a falar das artes... propriamente ditas.

A minha homenagem ao operário vidreiro da Marinha Grande, Alfredo Poeiras que produziu o belo peixe de vidro, sua primeira peça de artesanato.

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Like a virgin


Betancourt, que esteve recentemente na capital italiana para una visita de quatro días, foi recebida pelo Papa. Betancourt cumpria assim um dos seus desejos que expressou pouco despois da sua libertação na Colômbia.

«Betancourt ha aprovechado un encuentro con la prensa para renovar sus llamamientos a la guerrilla colombiana para que abandone las armas y luche por cambiar las cosas a través de la democracia. La ex candidata a la presidencia de Colombia ha pedido rezar para sacar a los jefes de la guerrilla del "autismo" en el que se encuentran, y en el que "en el que sólo se escuchan a sí mismos y no oyen las posiciones de los demás"».

Betancourt não pede ao seu amigo Uribe para abandonar as perseguições e os crimes sanguinários contra a população, mas não será por acaso que fala de autismo... É um assunto que lhe diz respeito! E este é o discurso que dá prémios internacionais e beijinhos ao Papa.

Talvez o Papa não chegue a ver a Virgem, como diz que ambiciona, mas a Íngrid já ninguém lha tira. Nem Carla Bruni.

Afinal se Bernardete foi santa sem saber sequer fazer o sinal da cruz, segundo os seus biógrafos, porque não há-de Betancourt receber tantas homenagens enquanto enquanto troca as vítimas pelos carrascos?

Como uma virgem, ignora a realidade.

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América Latina resiste !

Os governos da Argentina, Brasil, Venezuela, Chile e Paraguai expressaram o seu apoio incondicional ao processo democrático boliviano.

«Lula da Silva y Cristina Fernández no reconocerán a ningún golpista que pretenda sustituir al legítimo gobierno constitucional de Bolivia. Hugo Chávez apoyará movimientos armados si Evo Morales es derrocado. El secretario general de la OEA dijo que los autonomistas no tienen derecho de apoderarse de bienes públicos.

... Brasil no reconocerá "a ningún gobierno que sustituya o pretenda sustituir al legítimo gobierno constitucional de Bolivia". El presidente de Venezuela Hugo Chávez y la mandataria argentina Cristina Kirchner ratificaron su pleno e incondicional respaldo al gobierno constitucional de Morales y tampoco aceptarán un quiebre democrático.

Organizaciones internacionales apoyan a Bolivia

El secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA) José Miguel Insulza repudió la violencia de grupos civiles que tomaron instalaciones gubernamentales y atacaron a las fuerzas armadas, "en una clara actitud de provocación y de agresión". "No es aceptable para nadie el que, por mucho que se reclamen autonomías, determinados grupos se sientan con el derecho de apoderarse de bienes públicos", reflexionó Insulza.

El secretario general de la Comunidad Andina (CAN) Freddy Ehlers censuró la violencia y llamó a las autoridades y a todas las fuerzas políticas a dialogar en resguardo de la democracia y en el marco del respeto a las normas constitucionales.

El presidente de la Comisión de Representantes Permanentes del MERCOSUR Chacho Álvarez manifestó su profunda preocupación por las actitudes divisionistas y separatistas de algunos sectores, y ratificó su solidaridad con Bolivia en "esta terrible situación de violencia"

La Oficina en Bolivia del Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Derechos Humanos condenó la espiral de violencia desatada en departamentos del oriente y sur del país, y los cada vez más frecuentes ataques a organizaciones indígenas e instituciones que promocionan los derechos campesinos e indígenas. El organismo llama a las autoridades nacionales, departamentales y locales a garantizar el respeto de los derechos humanos y cumplir con su deber legal de adoptar medidas razonables para prevenir más violaciones.

La Federación Latinoamericana de Periodistas (Felap) condenó el acoso y los ataques a periodistas y medios de comunicación estatales, acciones que responden a un plan concertado y auspiciado por el imperialismo que busca, a través de la oligarquía boliviana, descarrilar el proceso democrático que encabeza el Presidente Morales.

"La Felap y sus organizaciones miembros están en permanente vigilancia ante los salvajes ataques a los que están siendo sometidos periodistas y medios de comunicación que rehúsan plegarse a los 'buitres' que pretenden engullirse a Bolivia, para mantener a las grandes mayorías de su pueblo en la más abyecta de las miserias mientras se apropian de su riqueza", declaró el periodista argentino Juan Carlos Camaño, presidente de la Felap.

El gobierno argentino pide a la comunidad internacional que se pronuncie a favor del respeto al orden constitucional y la integridad territorial de Bolivia; que condene las acciones violentas impulsadas por autoridades locales, así como todo intento de desestabilización de los gobiernos populares de Sudamérica elegidos democráticamente en elecciones libres».

bolpress.com

ESTE TEMA JÁ FOI ABORDADO NESTE BLOGUE EM «Bolívia resiste» e em «América do Sul resiste».
E, noutro blogue, em «Domingo 9 na Bolívia».

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Quem é narcotraficante?

Os Estados Unidos identificam Álvaro Uribe como sendo um dos traficantes mais perigosos da América Latina.

Num documento do Departamento de Estado dos EUA, de 1961, é designado como o Narcoficante nº 82. O Narcoficante nº 79 é Pablo Escobar. Também o pai e mais família de Uribe vêm ali referenciados.

Sergio Camargo revela-o no seu livro “El Narcoficante nº 82” onde fornece pormenores sobre a rêde de políticos, mafiosos, clérigos, paramilitares e narcotraficantes que estão no poder actualmente na Colômbia. Menciona centenas de nomes.

No lançamento do livro que apenas terá sido publicado em Espanha, o autor dá uma entrevista muito reveladora onde aborda também “la colaboración de Estados Unidos, Israel y el reino Unido en el adiestramiento de los paramilitares colombianos”.

Segundo o autor, os interesses económicos, nomeadamente bancários e empresariais, de Espanha e outros países europeus, explicará a cobertura que a Europa dá a Uribe.


Digo eu: Uribe cointinua a sua opressão sanguinária. E como não lhe bastam os 400 mil soldados de que dispõe, serve-se também dos orgãos judiciais para desenvolver processo de perseguição e intimidação.

E não há um helicópetero pintado com as cores da cruz vermelha que socorra os colombianos, nem que tenha que matar um narcotraficante?

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DONDE ESTÁN ???

«El jefe de la Unidad de Justicia y Paz de la Fiscalía, Luis González León, reveló a Caracol Radio, que solo durante los últimos 16 meses, la entidad ha recibido 17 mil denuncias de personas que fueron desaparecidas, principalmente por parte de los grupos paramilitares.

Eso significa que mensualmente la Fiscalía ha recibido en promedio, la noticia de 1.062 personas que han sido asesinadas y desaparecidas, ya sea en fosas comunes o lanzadas a los ríos por parte de los grupos armados al margen de la ley.

La cifra es realmente escalofriante, si se tiene en cuenta que sobrepasa con creces, el número de desaparecidos durante algunas dictaduras como la de Augusto Pinochet en Chile, cuyo régimen asesinó y desapareció a tres mil personas, entre 1973 y 1989».


«» De um artigo de Ricardo Ospina em Radio Caracol 2008-09-10

É caso para perguntar “donde están” Uribe e Sarkozy! De Betancourt sabe-se que vai a caminho de receber o Prémio Príncipe das Astúrias 2008. Que a faça feliz.

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Chamem a Betancourt


Se inició en Colombia una semana movida y marcada por marchas y protestas

Radio Caracol Septiembre 8 de 2008

En el norte de Bogotá cerca de 150 desplazados se tomaron el parque de la calle 93. Las víctimas de la guerra señalan que el gobierno Nacional les ha incumplido con compromisos adquirido y advirtieron que no se moverán del lugar hasta que Acción social de la Presidencia de la República les cumpla con un pliego de 13 puntos. En la zona se mantiene la presencia masiva de las autoridades.

Entre tanto, en otros puntos de la capital del país se realizan movilizaciones de personas que protestan por la salida del Padre Javier de Nicoló, quien durante más de 40 años trabajó en la ciudad por las personas más vulnerables. Así mismo a Ibagué llegó la marcha contra el hambre, junto a las centrales obreras un importante número de personas cumplen un acto en un céntrico parque de la capital Tolimense en el que piden mayor atención para las personas pobres del país.


Y mientras que los colombianos más necesitados se movilizan por el Tolima, en el Valle del Cauca soldados y Policía discapacitados siguen su camino pidiendo la liberación de sus compañeros secuestrados. Los uniformados, enfrentando temperaturas altas que han demorado su paso, siguen despertando la solidaridad entre los colombianos.

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Casanova, broncas à porta


Conhecem aquela anedota da reunião para discutir por que a camarada X não atraía gente à discoteca do Partido, apesar dela já ter cinquenta anos de experiência partidária? Não tem nada a ver... Venho falar de José Casanova, um destacado dirigente do PCP-que-temos. Operário... do jornal Avante, dele se podem admirar preciosidades literárias como é próprio de um editorialista.

Por uma questão do respeito que me merece o seu passado antifascista, evito ler os seus textos – prefiro pensar só nas suas qualidades. Mas não querendo ficar completamente arredado das coisas culturais, puz-me a ler a sua intervenção na Festa do Avante, acerca de, e em homenagem a, José Saramago.

Desde Américo Tomaz que não me comovia tanto. Com operários assim, para que queremos nós os escritores?

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Angola quer !


Dados os interesses políticos e económicos em jogo, e as fragilidades do regime, não é difícil encontrar pretextos para a contestação legítima da Oposição angolana. Outra coisa é saber qual será a estratégia que melhor serve os angolanos, neste contexto. E se a Oposição ganha mais em capitalizar créditos de vítima enquanto não espera ganhar estas eleições, ou alimentar uma desestabilização de que o partido no Poder tirará proveito como força de “reposição da ordem”. Tanto mais que em 2009 haverá eleição para a presidência.
Depois de um primeiro acto eleitoral realizado em 1992, só agora se assiste a um segundo. Concorrem a este, dez partidos e quatro coligações.

Por todo o país, o eleitorado está distribuído em 12. 274 assembleias de voto, com o total de 37.995 mesas, assistidas por 266.000 agentes eleitorais.
Em Luanda, onde são assinaladas irregularidades burocráticas, foram criadas 2.584 assembleias de voto.

O presidente da CNE anunciou, na sexta-feira, que as 320 Assembleias de voto onde foram registadas irregularidades, iriam funcionar a partir das 07h00 de Sábado para permitir que todos os eleitores de Luanda exercessem o seu direito cívico.

Segundo afirmou, esta excepção é possível porque a Lei Eleitoral assim o permite. "O Regulamento da Lei Eleitoral permite-nos realizar o acto num segundo dia de forma excepcional", afirmou Caetano de Sousa.

Há quem se questione sobre as garantias de que as urnas de voto não serão violadas; há quem se questione sobre se não houve intenção premeditada de criar os problemas que se registaram, visto que houve todo o tempo para preparar o acto eleitoral, mas há também quem se questione sobre se as irregularidades, pelo caracter burocrático e pelo número limitado onde ocorreram, deverão pôr em causa umas eleições cuja realização, por si só, representam um passo importante na evolução democrática e sobretudo representam um estímulo à confiança dos angolanos nas possibilidades da paz e da democracia.
Uma coisa ficou demonstrada neste processo eleitoral: que o povo merece, que Angola quer !

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