A arte de furtar

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Castros ou castrados

Não são castros, são castrados, os membros do parlamento cubano que “elegeram” Esteban Lazo para presidente do Parlamento e Raúl Castro para presidente do Conselho de Estado e Conselho de Ministros, neste dia 24 de Fevereiro de 2013.



Para aprovar estes “candidatos”, os deputados foram seleccionados, eles próprios, por um processo intrincado e manipulado que assegura um parlamento subordinado aos grandes líderes locais há mais de cinquenta anos!

Assim se controlam os “eleitos”: áqueles que têm ideias, nega-se-lhes o poder; áqueles que têm poder, negam-se-lhes as ideias.

Parabéns da Coreia do Norte:
« … Kim Jong Un, primer presidente del Comité de Defensa Nacional de la República Popular Democrática de Corea, envió mensaje de felicitación al presidente de Cuba, Raúl Castro». Prensa Latina

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Assim se fazem ministros

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América Latina vive

Enquanto a cubana Yoani Sanchez, contestatária do "castrismo", celebra a liberdade de viajar, e Hugo Chavez regressa à Venezuela, Rafael Correa recebe a confiança e o apoio dos equatorianos para prosseguir um projecto socialista democrático. Nada que interesse à nossa Informação...!

Notícia recortada em EL PAIS

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Porque hoje é domingo (32)

A Igreja invoca neste domingo, um episódio narrado por S. Lucas ( 4, 1-13 ), segundo o qual Jesus terá passado 40 dias no deserto a jejuar, orar e pensar sobre o futuro - é o tempo da Quaresma.

Desta narrativa consta que o Demónio se aproximou de Cristo para o tentar, dizendo:
- Toda essa riqueza será tua se te prostrares para me adorares!

Como é que Lucas soube disto, não sei, mas o que sei é que áquela mesma hora, jantavam em Lisboa dois sujeitos de fato e gravata e camisa com botões de punho, dizendo um para o outro em surdina:
- Dou-te um bom lugar na administração de uma grande empresa, se apoiares o meu Governo.



Se a tentativa de corrupção que o mafarrico oferecia ao Senhor, era suspeita, posto que à sua volta só se via areia, outro tanto não acontecia com a conversa dos outros pelo que me detenho mais nesta que naquela para além das razões de proximidade.

Até aqui, nada que um corruptor nunca tenha dito a um corrupto, nada que um financeiro não tenha dito a um político frágil de caracter. Há entre nós, “alegadamente”, quem se ajoelhe por uma casa com piscina ou por uma autorização para construi-la onde não deve, quem venda a honra por um automóvel e, a ser verdade o que se conta, há quem vote num cacique por um simples frigorífico ou por um televisor.

Porém, o que mais fere a justiça e a democracia são as ofertas de lugares de direcção nas grandes empresas onde o ouro escorre como areia para os bolsos de corruptos ilustrados. Os jornais, mais profusamente que os evangelhos, mostram como é.

Certo é que nem o exemplo de Cristo medrou nem o demo deixou de ir ao restaurante pelo que se tem visto e pelo que S. Lucas não descobriu ainda entre nós, ocupado como anda nos corredores do Vaticano.


NOTA:
O restaurante exibido na fotografia
não tem qualquer relação com o assunto tratado no texto.

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Vaticano, um paraíso… fiscal !

Entre as santas alianças e as guerras santas, a Igreja Católica faz o seu caminho. Com 180 representações diplomáticas distribuidas pela Terra, as relações do Vaticano com os governos dos países são condicionadas, se não determinadas, pelo património que a Igreja detém nesses países, e pela política fiscal destes em relação a ela. Como terá afirmado um arcebispo norte-americano, a Igreja não se administra com ave-marias.

A separação entre o poder político e a autoridade religiosa é uma ameaça para a riqueza da Igreja e dos seus profissionais. Quando essa separação traz consigo a justa tributação dos rendimentos dos sacerdotes, o conflito agrava-se. Mas quando ela vai ao ponto de expropriar o património religioso ou afecto às autoridades religiosas, abre-se uma guerra que a Igreja não hesita travar - com o sangue das suas ovelhas, não dos seus ministros. O anticomunismo da Igreja Católica faz parte deste conflito económico onde se jogam privilégios e fortunas incomensuráveis.

Bem poderia o Papa João Paulo II ser pessoalmente motivado por razões religiosas e ideológicas sinceras, como tudo indica que fosse, mas a sua eleição para Sumo Sacerdote e o papel político que viria a desempenhar no combate ao comunismo, correspondiam aos interesses financeiros da Igreja, aos interesses materiais dos seus bispos e sacerdotes.

É assim que estes escolhem um bispo polaco e com ele uma estratégia de derrube do comunismo na Polónia em 1980, envolvendo-se abertamente no confronto político do movimento "Solidariedade".

A recente proposta do governo checo de restituir aos orgãos eclesiais de diversas igrejas as propriedades confiscadas durante a vigência do regime comunista, em que o governo passou a pagar o salário dos sacerdotes, põe em evidência, uma vez mais, esta realidade.

Por seu lado, a recente decisão do presidente Raúl Castro de restituir bens da Igreja, nacionalizados pelo regime revolucionário em 1961, na sequência de outras medidas de abertura ao Vaticano em 2010 e 2012, servem para evitar – digo eu – que a Igreja faça em Cuba o que fez na Polónia, e não é porque o regime não persiga os seus dissidentes e não mate os seus presos - "La pena de muerte está suspendida, pero ahí está", dizia há dias Raúl Castro com orgulho entusiástico. É porque, mais uma vez, “alguma coisa tem que mudar para que tudo fique na mesma”.


O pacto entre a ditadura cubana e os herdeiros da Inquisição, obedece à lógica diplomática do Vaticano de “ir ao mercado” local”, de salvar o ouro. E à lógica dos Castros de se protegerem à sombra da Igreja. Nada que não se tenha visto noutras proporções, na Espanha do ditador Francisco Franco.

“En 1970, la cantidad total que la Iglesia recibía, directa o indirectamente, sumaba la impresionante cifra de 2,6 billones de pesetas (15.626,3 millones de euros, casi 6.000 millones más que ahora)“, sostiene Callahan. Son, arriba o abajo, las cantidades calculadas por Joan Castellà-Gassol”.

Naquele país, cerca de 80% do património artístico é propriedade da Igreja que também dispõe de 300 museus e 103 catedrais, Destes compromissos se faz a política dos estados. O Vaticano, em defesa do seu orçamento anual de 300 milhões de dólares, não escapa à regra.

Mas o que eu queria saber, como questionava o jornal “I”, era quando a Igreja portuguesa começa a pagar IMI sobre as suas propriedades de milhões de euros.

Em Itália, por exemplo, onde a Igreja gere um vasto património imobiliário que inclui, além de inúmeras igrejas, milhares de escolas, universidades, clínicas privadas, lares de idosos, hotéis, restaurantes e centros desportivos, num total de 100.000 edifícios que ascendem aos 9.000 milhões de euros, a política fiscal já lhe bateu à porta.

E aqui?

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