Do "socialismo real" ao socialismo realista

"O primeiro governo de esquerda (na Grécia) desde a II Guerra Mundial, terá o apoio de deputados de esquerda, ou cairá por causa de deputados de esquerda", afirmou Alexis Tsipras na reunião do comité central do Syrisa, em 30 de Julho.

E ainda:"Nós, com um governo de esquerda num país pequeno, criámos as primeiras divisões na hegemonia neoliberal da Europa". 


Aqui fica o recado para uns tantos "educadores da classe operária" que por aí vão fazendo eco dos discursos da direita. O eco (da pseudo-esquerda pura) corre ao contrário da mensagem, em sentido físico, mas é igual à mensagem, em sentido semântico - exprime a mesma ideia.

As citações foram recolhidas do jornal publico.pt de 31/7.
A foto é do greecereekreporter

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O medo de Cavaco

Assustado com a perspectiva de as esquerdas acolherem os votos de protesto nas próximas eleições, Cavaco Silva, logo secundado por Passos Coelho, apelam ao chamado "voto útil", isto é, à concentração dos votos nos maiores partidos que podem - que poderiam! - alcançar uma maioria absoluta.

É preciso suster a subida das esquerdas - pareceu-me ouvi-lo dizer no recente discurso.

O que aconteceu nas eleições da Grécia e o que está a acontecer na Espanha do Podemos, na Itália de Beppe Grillo e, apesar de tudo, o susto que foi o Ukip na Grã-Bretanha até ao dia das eleições de 2015, faz tremer a Europa dos liberais. E Cavaco puxa os cordelinhos para que isso não aconteça em Portugal. O problema dele é o vento, são os ventos...

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Pacheco Pereira e eu

Cerca de um mês depois do Zé Pacheco Pereira ter sido baptizado na Igreja do Bonfim, no Porto, foi a minha vez. A água benta que se fazia ali, tinha qualquer coisa que nos deixava a cabeça a fervilhar de ideias e inquietações, de querer mudar o mundo e acreditar nas nossas próprias forças para o fazer.

A PIDE que viria a ser o centro das nossas preocupações e, mais tarde, da sua entrada na clandestinidade, ficava perto da Igreja. Quem desce da igreja para a Avenida Camilo, e desce daí ao lado do Liceu Alexandre Herculano, vê logo o edifício da antiga polícia política ao fundo da António Granjo. 


Quantas vezes no teremos cruzado com os livros debaixo dos braços – na verdade já não me lembro como é que transportávamos os livros naquele tempo.

Os livros viriam a dominar a sua vida mais que a minha, talvez. Mas imagino que na adolescência ambos nos perdêssemos na Biblioteca Municipal, ali a São Lázaro, e que os gostos não seriam muito diferentes – o ensaio e a filosofia. Imagino, porque não nos conhecemos. Ai Zé, quantas vezes teremos saído juntos porque à hora de encerrar a sala de leitura, sem reparar no tempo que perdemos à procura de respostas que não existem, enquanto outros gozavam, despreocupados, da confortável impunidade de quem não sabe e não quer saber. Em todo ocaso, o mundo que procurávamos conhecer, lá dentro, estava cá fora.

Sim, a poesia. É sabido que o José Pacheco Pereira conviveu com Eugénio de Andrade. O meu convívio com os poetas da altura fazia-se apenas na biblioteca ou nas livrarias mas, em boa verdade, só se conhecem os artistas pelas suas obras e não pela partilha da mesa de casa ou do café.

Por falar em café, eu não frequentava o Café São Lázaro, ao pé, onde veio a constar que o José terá manifestado à Zita Seabra a vontade de entrar para o PCP e que o PCP torceu o nariz ficando a conversa… por ali. O Pacheco Pereira já desmentiu este episódio mas ainda que tivesse acontecido não teria perdido nada porque não encontraria espaço para o debate político que tanto aprecia. Entre o esquerdismo maoista e a social-democracia sá-carneirista, fez o seu caminho político, tão errático quanto turbulento.

E eu? Eu fiquei lá para trás, a vê-los. Mais ou menos. Que a minha água benta já terá perdido algumas propriedades, um mês depois do Pacheco Pereira ter sido baptizado como eu na Igreja do Bonfim. Se é que ele foi baptizado…

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Não é a Grécia, é a ideologia

Se é verdade que o povo grego rejeitou em referendo a proposta das políticas de austeridade do Eurogrupo, é igualmente verdade que o mesmo povo manifestou e continua a manifestar vontade de permanecer na Euro-zona, de resto como defende o próprio governo grego em cada discurso do seu primeiro-ministro.



Respeitar a vontade do povo significaria, portanto, negociar as condições da permanência no Euro e minimizar, na prática política, os efeitos da "austeridade" imposta. Por isso faz todo o sentido a decisão de Alexis Tsipras de assinar um acordo quando estavam esgotadas todas as possibilidades de cedência do Eurogrupo, num processo duríssimo de negociações.

Mais: teve a coragem de afirmar publicamente que não concordava com os termos do acordo, que o considerava uma chantagem e que assumia as responsabilidades desta opção porque entendeu que esta foi a melhor maneira de salvaguardar os interesses do povo grego - leia-se o financiamento a curto prazo de salários e pensões!


Passos Coelho devia ter vergonha de comparar a sua – a nossa! - obediência submissa e humilhante, com a resistência e a combatividade de Alexis Tsipras num histórico conflito negocial do Eurogrupo.

Quanto às motivações do governo alemão e seus satélites políticos, para as propostas que colocam à Grécia, elas estão bem resumidas nestes dois parágrafos de um discurso de Alexis Tsipras em 21 de Junho de 2015:

«O mais provável é que as instituições tenham motivos políticos para insistir tão obcecadamente apenas em vias impossíveis , além de seguirem um plano para humilhar exemplarmente não só o governo grego, mas também a própria Grécia.

Para disseminar alguma espécie de 'mensagem' para o povo grego e para todos os povos da Europa, de que nenhum governo popular poderá jamais mudar coisa alguma».

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Paes Mamede no Porto


Em Roma sê... prudente!

Julgava eu que aquelas pinturas e estátuas que povoam a Itália, apareciam geralmente despidas por causa do calor insuportável que faz no Verão. Mas não. Aquela gente toda foi roubada até ficar de tanga, na melhor das hipóteses. 

É a conclusão a que se chega pela seguinte descrição “dantesca” de um amigo recém-regressado de uma viagem à terra de Leonardo e Miguel Ângelo, de Petrarca e Maquiavel. E Berlusconi!

Carroças de turistas são despejadas na estação de Termini, em Roma, chegados do aeroporto de Fiumicino. “Carroça” é a palavra italiano para “carruagem”.

Além dos comboios que chegam e partem, a estação está rodeada pelo metropolitano, autocarros, muito trânsito, muitas lojas por dentro e por fora, gente que transborda e ladrões invisíveis aos molhos. É difícil cruzar a estação sem que uns olhos imperceptíveis rondem os nossos sacos, os nossos bolsos, as nossas carteiras.



Entre a necessidade de uma garrafa de água, de um gelado, de uma sande, de um bilhete para qualquer transporte, comprado nas máquinas, ou de um levantamento de dinheiro numa caixa bancária, é quase impossível passar pela estação sem revelar a carteira e o sítio onde a guardamos. Daqui a ficar sem ela vai o tempo de uma distracção ou de uns empurrões no metro ou no autocarro – e se andam apinhados os transportes…

Aconselha-se aos visitantes da cidade, que juntem os cartões de identificação e cartões de banco, dinheiro e outros valores, no mesmo sítio, numa única carteira, para facilitar a vida aos carteiristas. E não se apressem a comunicar ao banco o desaparecimento dos cartões de crédito ou de débito porque os ladrões precisam de dez minutos a um quarto de hora para extorquirem o dinheiro da sua conta. 

A Polícia? A Polícia  recebe a sua inútil participação do furto e emite uma declaração para efeito de identificação nos hoteis e aeroporto - é tudo!

G.G.

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