23/10/2006

workshop para governantes

A arrogância e agressividade com que os governantes actuais se referem às corporações e organizações profissionais (professores, médicos, sindicatos...) e às próprias instituições de poder que não são governo (Tribunais, Autarquias), num contexto que é muito mais de crise social e moral do que económica, trazem à memória os conceitos clássicos que enformaram os regimes mais injustos e autoritários, sempre contruídos com a argamassa da demagogia.

Exemplar é o que Maquiavel (sec. XV-XVI) recomendava aos governantes em “O Príncipe” e de cuja obra seguem breves passagens.

«… Convém notar que ao apoderar-se [do governo] de um país, o ocupante deve pensar em todas as crueldades que precisa de fazer e praticá-las imediatamente, de uma vez, para não ter de recorrer ao mesmo processo e, não as renovando, tranquilizar os homens e conquistá-los pelos seus benefícios.
(…) Convém fazer o mal todo de uma vez para que, por ser suportado durante menos tempo, pareça menos amargo, e fazer o bem pouco a pouco, para melhor se saborear»

E eu a pensar nos contratos precários, no congelamento de vencimentos, nos despedimentos, nos impostos, nos preços… Esta paródia dos aumentos brutais do preço da electricidade a que o Governo correspondeu com um aumento também brutal…, é um caso maquiavélico exemplar:

«Um príncipe [governante] sensato e prudente deve achar maneira de os seus súbditos terem necessidade dele e do Estado em todas as circunstâncias de fortuna ou infortúnio. Assim, ser-lhe-ão sempre fiéis».
Quanto às promessas eleitorais…

«Nunca faltaram a um príncipe [um governante] pretextos legítimos para justificar a sua falta de palavra. Seriam infinitos os exemplos, do tempo presente, demonstrativos de quantas promessas foram feitas em vão e reduzidas a nada pela infidelidade dos príncipes, e demonstrativas também de que as coisas correram melhor aos que melhor souberam representar o papel de raposa. Mas é indispensável saber ocultar esse pendor, disfarçá-lo bem. Os homens são tão simples e tão obedientes às necessidades do momento, que quem engana encontra sempre quem se deixe enganar»

Mas atenção: «As vitórias nunca são tão completas que o vencedor não precise de ter em consideração certas coisas, sobretudo a justiça. (…) Um dos remédios mais certos contra as conjuras é não ser odiado nem desprezado pelos populares».

Porém, fica o aviso: «Se é fácil persuadir os povos de uma coisa, torna-se difícil mantê-los nessa persuasão. Assim, há que proceder de tal sorte que, quando deixarem de acreditar, se possa obrigá-los a crer pela força».

Até porque: «Os homens são de tal natureza que, se recebem bem daqueles de que esperavam mal, [um ditador ou semelhante] se sentem mais gratos do que se sentiriam de qualquer outro modo; o povo amá-lo-á ainda mais do que se ele tivesse sido eleito».

18/10/2006

coisinha imensa


«visitar»
Tantas vezes ouvi falar de Arte, de Beleza, de Solidariedade...
e só agora descobri, estupefacto, esta coisinha imensa escondida no interior da nossa terra, no "Portugal profundo" - no caso, algures no distrito de Castelo Branco.

«O preocupante processo de envelhecimento da população e de desertificação do interior do país de que a aldeia da Mata, localizada a escassos quilómetros de Belgais, é um exemplo paradigmático, impulsionou a rápida concretização deste projecto: a escola contava apenas com oito crianças, o que, pela lei actual, significava o encerramento da mesma.

A realização de uma experiência pedagógica permitiu não só pôr em prática os princípios educativos desenvolvidos em Belgais, como foi uma oportunidade para impedir o seu previsível encerramento, pois conta agora com mais alunos. Esta é mais uma aposta do Centro em contribuir para a promoção do desenvolvimento local da Beira Baixa e um passo para a plena integração deste nas comunidades locais».

11/10/2006

direitos humanos

Prisioneros de Guantánamo fueron comprados como esclavos

«Noventa y cinco por ciento de los prisioneros en la base estadunidense de Guantánamo, territorio cubano ocupado, fueron comprados por soldados de Estados Unidos en Pakistán, denunció Clive Starfford, abogado de 36 detenidos.

En un artículo publicado en el semanario británico New Statesman, Stafford afirmó que la mayoría de los recluidos en Guantánamo no fueron detenidos en Afganistán, sino capturados en territorio paquistaní, y posteriormente vendidos como esclavos en subasta a los militares estadunidenses en un mínimo de 5 mil dólares».
Prensa Latina/La Jornada - (Notícia completa em: www.rebelion.org)

01/10/2006

a cor do livro


«China pede aos Estados Unidos que evitem medidas proteccionistas 01.10.2006 - Lusa»


«O ministério chinês do Comércio pediu aos Estados Unidos que evitem tomar medidas proteccionistas no comércio bilateral, que "ameacem as relações" entre os dois países.
"O proteccionismo só conseguirá prejudicar as relações económicas e violar as regras da Organização Mundial de Comércio [OMC]", afirmou hoje o porta-voz do Comércio chinês, Chong Quan, citado pela agência Xinhua».


Quem diria! Nenhuma tragédia, esta inversão de estratégias; apenas o reconhecimento de que os mesmos valores exigem estratégias diferentes em contextos diferentes. E que a globalização é uma força de expressão!

24/09/2006

credo


Creio
que o céu é roxo
e a vida é negra,
que o Papa é bruxo
e a alma é cega.
E que essa de «amar a deus
sobre todas as coisas»...
não pega!

19/09/2006

mãos ao ar


«Todos os que não estão toldados pela hóstia ou em estado cataléptico com incenso e orações, sabem que os livros sagrados são manuais de ódio ao serviço das rivalidades étnicas e velhas convulsões tribais, guardados e aproveitados pela clericanalha para uma vida de fausto e ociosidade.

Não há fanatismo maior nem violência mais truculenta do que a que brota dos livros sagrados e dos santos doutores que os interpretam e promovem como bons.»

Recortado de :http://www.ateismo.net
Agora já percebem porque é que o meu blogue se chama
«CUIDADO: CONTÉM PALAVRAS» ?
É que a irmã Lúcia já me tinha avisado que isto ia acontecer...

13/09/2006

11 de Setembro


“No hay que dejar ninguna piedra sin mover, para obstruir la llegada de Allende”- la orden del Presidente Nixon.

“Pagaré con mi vida la defensa de principios que son caros a esta patria” - el presidente Allende, desde La Moneda

Los camioneros, financiados por la oligarquía chilena conocida como los momios, la CIA y la embajada norteamericana, empresas como la ITT, habían sumido al país en el desabastecimiento. Salvador Allende había entrado en ese edificio símbolo del poder habiendo alcanzado la victoria en las memorables elecciones del 4 de septiembre de 1970.

"¡Viva Chile! ¡Viva el Pueblo! ¡Vivan los trabajadores! Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición"

Faltaban diez días para que la primavera llegara nuevamente en aquel 1973. Mientras que en nuestro país (Chile) se esperaba ansiosamente que Perón ganara las elecciones que se realizarían el 23 de septiembre, al otro lado de la cordillera, los aviones sobrevolaban la sede gubernamental- El Palacio de la Moneda- dispuestos a descargar sus bombas. La primavera no arribaría por muchos años a Chile. Un invierno de terror y muerte llegaría de la mano de asesinos como Pinochet, Leight, Merino y Cia. Largamente se había preparado el derrocamiento de una experiencia socialista en libertad.

Entre ese día triunfal, y el arribo a La Moneda el 3 de noviembre, se organizó desde Washington una excepcional ofensiva para impedir la asunción, que no vaciló en asesinar al general Schneider, en consonancia con la orden del Presidente Nixon, revelado por la comisión Church “No hay que dejar ninguna piedra sin mover para obstruir la llegada de Allende”. A pesar de las oscuras nubes de tormenta, Salvador Allende dijo el día de su arribo al gobierno: “Miles y miles de hombres sembraron su dolor y su esperanza en esta hora que al pueblo le pertenece. Esto que hoy germina es una larga jornada. Yo solo tomo en mis manos la antorcha que encendieron los que antes que nosotros lucharon........”.

El almanaque señala el 11 de Septiembre de 1973. Han pasado mil días que revolucionaron la historia chilena, desde la nacionalización del cobre al vaso de leche para cada niño chileno. Desde La Moneda, el presidente desafía a los golpistas:“Pagaré con mi vida la defensa de principios que son caros a esta patria.”

Las bombas ya caen sobre el edificio gubernamental, produciendo daños e incendios. La voz del presidente se transmite por la única radio en su poder entre las bombas que estallan y la nerviosidad de los colaboradores dispuestos a acompañar al Primer Mandatario en su decisión irrevocable. Decía “Amigos míos. Esta es la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado la torre de radio Portales y radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura sino decepción........Ante estos hechos, solo me cabe decir a los trabajadores ¡ Yo no voy a renunciar¡ Colocado en un tránsito histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza que la semilla que entregaremos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza. Podrán avasallarnos. Pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen.....ni con la fuerza.”

Después de agradecer a los trabajadores, a las mujeres modestas, a los profesionales, a la juventud, a la campesina, al intelectual y denunciar al imperialismo y a los sectores de privilegio “que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena, reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías”, concluye “ Trabajadores de mi patria: tengo fe en Chile y su destino. Superaran otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que mucho mas temprano que tarde, de nuevo abrirán las grandes alamedas, por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor”.

http://www.youtube.com/watch?v=2mcfM_rhZMI

12/09/2006

09/09/2006

os meus vizinhos

Para que...

Las Islas Marshall son el 'mejor jugador' del mundo por su casi total ausencia de leyes laborales - ha declarado la edición 2007 de Doing Busnisses

Entre otras características "ejemplares", ambos países permiten que los trabajadores sean obligados a cumplir jornadas de 24 horas por día durante siete días a la semana, sin derecho a vacaciones ni a preaviso de despido - afirma la CIOSL, afecta al Banco Mundial.

E tudo para que...



La publicación de mayor circulación del Banco Mundial, Doing Business (…) recomienda a los gobiernos acabar con las regulaciones de los mercados de trabajo, y expone como modelos a países que casi no tienen protecciones laborales y ni siquiera son miembros de la Organización Internacional del Trabajo (OIT).

"Al no estar entre los 179 miembros de la OIT" Islas Marshall y Palau se encuentran entre el puñado de países que no están obligados a acatar normas fundamentales (erradicación del trabajo forzoso, del trabajo infantil y de la discriminación y respeto de la libertad sindical y del derecho de negociación colectiva)", afirmó la organización.

"El Banco Mundial debería tomar este mensaje como es debido. Si realmente cree que las normas laborales de la OIT son buenas para el desarrollo, no puede darse vuelta y encomiar a países que no se adhieren a ella y que no respetan principios fundamentales, catalogándolos como 'los mejores' por su regulación laboral", dijo el secretario general de la CIOSL, Guy Ryder.

Las recomendaciones y clasificaciones contenidas en informes como Doing Business pueden tener un gran peso en la forma en que el Banco y el Fondo hacen sus propios negocios. En Colombia, por ejemplo, el Banco Mundial puso como condición que el gobierno flexibilizara las condiciones para contratar y despedir personal.

En reformas que hubieran requerido terminar con leyes de acción afirmativa, el FMI recomendó a Sudáfrica que mejorara sus indicadores "para hacer negocios", "elevando la eficiencia" de sus mecanismos de contratación y despido de trabajadores.


Recortado de Emad Mekay – IPS , em: iarnoticias.com (9Ago2006)

03/09/2006

quase nada


Às vezes basta um gesto, uma palavra;
às vezes tanto basta, quase nada:
um gesto quente, a tua mão calada.
Basta um pouco de ti no pensamento;
baste de ti um pouco, este momento.

Às vezes tanto basta, quase nada:
as tuas mãos, um gesto, uma palavra,
para mudar o dia de amanhã.

27/08/2006

aviões caem


Permanecem por esclarecer as causas da queda do avião que hoje se despenhou... – diz a notícia.
Mas não são evidentes as causas da queda? - A gravidade ! Digo eu…

Aumentaram os transportes e a gasolina... - diz a notícia.
Na verdade o que aumentou foram os preços! - Há que decifrar.

Voltando aos aviões...

Meu recorte de http://www.theregister.co.uk/2004/12/30/comair_bad_box/ :

GMTGet The Register's new weekly newsletter for senior IT managers delivered to your in-box, click here. Aging server software has been blamed for Comair's holiday collapse that left thousands of travelers stranded.

Comair last week said that winter storms had affected its computer systems responsible for scheduling flight crews. At the time, however, the carrier - a subsidiary of Delta Air Lines - did not say exactly how inclement weather had brought down its boxes. It now turns out that a dinosaur of a system was only capable of handling 32,000 scheduling changes in a month (a result of the 16-bit conundrum). Snow storms caused an unusually high number of changes to be made and brought Comair's computers down.

By Ashlee Vance in ChicagoPublished Thursday 30th December 2004 21:07

20/08/2006

brin Cadeira

nin guém is creve cu mu Sir Amargo
- nem, Vir Gí Liú, Pe Trar Ca, nem u Mero
nem mia assim u cão nem la drassim o melro
por mais que se baralhe o ai ó u.

Cá Môes tem tou mas fi cou sem 1 ôlho
- Quedeus cas tiga a quele quiu pru voca.
E a pró pria Língua Ba da Lhoca
quandos can tou, enfado, vi rou vaca.

Leván tado do chão sem nunca ter ca ido
pergun tou: Que farei contanto livru?
Farei uma vi agem ao Memo Rial,
vi zito o Ri Cardo e sigu de jangada.

Estava já em Saio da Cégáda
quan du chegou o Ivan Joelho,
nas mãos de São, Mateus e do Di Abu
que é quem o ins pira ao fim e ao cabo.

Daí os canda lu nu Va Ti Cano
quando o hereje, o pensa dor profano
arre bata, sem crer, o prémio Nobel
- ele que nem tem carta de auto móvel.

15/07/2006

a escrita


Não é o mundo que precisa da minha escrita.
Sou eu que preciso de falar com o mundo.

Escrevo sentimentos, emoções, a raiva e a ternura. Escrevo com os nervos - seria ocioso, falso e perverso fazê-lo de outro modo. Escrevo como mordo, como beijo...

Afinal as palavras são coisas, como riscos ou pontos ou manchas…
Só há uma diferente: a palavra amor !
A ela se referem todas as outras que estão na Literatura.



O ensaio é a ponte, é a escada, que, palavra a palavra, nos leva a todos mais à frente, mais acima. O romance serve para mostrar essa tragédia que é a vida – um processo a caminho da própria destruição. A poesia é o momento denso e incontido que busca reproduzir-se e perpetuar-se no húmus das palavras.

Mas não há expressão como o olhar…

em preparação a continuação

14/07/2006

o teatro



O teatro põe carne nas palavras.
Põe pernas no andar, põe olhos no olhar…

O teatro dá-nos o outro que queremos confrontar – a sensação do outro. O outro Eu, decerto, incluído.

Se é verdade que a personagem me é representada e não apresentada, o actor
que invoca as suas dores e alegrias, no acto de mostrá-las é tão real como eu que com ele respiro, sinto, vivo aqueles sentimentos. Nesta cumplicidade física, real, está a grande alma do teatro. Do Teatro !

E para nos entendermos é bom dizer ainda que a comédia, a Comédia, em nada se distingue do que fica dito. Convocar os aspectos ridículos da vida é tão importante e tão dramatizável quanto é convocar os seus momentos trágicos.
E convocar o riso é sempre humano.

13/07/2006

a televisão

Como sempre que a nossa vida toma um rumo, o acaso pesou tanto como a vontade. Respondi a meia dúzia de anúncios de jornal que pediam simplesmente empregado de escritório. Das duas entrevistas a que fui, pude escolher – nessa altura já sabia que um emprego era numa fábrica e outro na Televisão. A questão é que a fábrica pagava quase o dobro. Escolhi a Televisão e ali fiz a minha carreira, não nos serviços de escritório mas sim na Realização.

Muito do que aprendi o devo aos meus colegas. Não só os aspectos técnicos e operacionais, mas também a paciência no trabalho e o empenho, muitas vezes desinteressado, de muitos operadores de som, de câmaras, de iluminação, de mistura, de edição (chamava-se montagem desde os tempos do filme).

Sempre encontrei o maior profissionalismo nos mesmos em quem encontrava o melhor
caracter. E vice-versa.

Dos realizadores que mais estimei:
Manuel Oliveira Costa e Luis Filipe Costa.
Das chefias, uma pessoa só a quem me sinto sempre grato:
Teresa Paixão.

Como Assistente de Realização :
Morte D'Homem (1985), de Luis Filipe Costa
Só Acontece aos Outros (1985), de Luis Filipe Costa

Como Realizador :
«Fórum Musical» (série sobre música erudita)
«Conversas Vadias» com Agostinho da Silva (1990)
«O Tesouro” de Eça de Queiroz (ficção, 1990)
«Ana» (ficção infantil, 1994)
«O Autocarro) (ficção infantil, 1997)
«Desenhos Cruzados» (série/concurso infantil, 1998)
«Eu Decidi» (Documentario para a UER, 1999)
«Recordar» (Série docum.coprod. com BBC, 1999)
«As Palavras de Abril» (documentário)
«Manuel Valadares» (documentário)
(Em ambas as funções menciono apenas alguns trabalhos)

12/07/2006

a política


Menos de um ano depois de entrar para a RTP, dá-se a Revolução de Abril. Havia muito que eu via a Revolução «nos olhos dos pobres, nas barricadas dos livros, no ódio à palavra guilhotina», como diz o José Gomes Ferreira. E que nas minhas mãos nasciam armas como nasciam cravos... Modestamente, eu já estava na Revolução desde muito jovem, como activista da Juventude Operária e afins. Mas fiquei tão desconfiado da euforia popular, que nem quiz participar no primeiro grande comício que então se realizou na baixa do Porto. Na verdade ainda hoje desconfio da consistência de todas as euforias populares.

Esta frieza ou dureza política, se assim quizermos chamar-lhe, seria alimentada ainda mais no interior da Televisão que, como se imagina, passou a ser uma barricada dos confrontos da época. Para mim, para os meus, o confronto entre o fascismo recalcitrante e a democracia emergente. Para outros, o conflito entre a social-democracia e o "stalinismo". E há os outros, ainda - há sempre outros.



11/07/2006

António Pedro


moral da guerra


Crianças são incentivadas a escrever mensagens nas granadas que irão matar outras crianças. As que escrevem são israelitas: cristãs, civilizadas, pró-americanas... As que morrem são libanesas...

Albert Einstein que viveu as duas guerras mundiais, terá alguma razão quando diz:
«Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta»

  • filme das guerras

  • A FABRICAÇÃO DO MEDO

    A fabricação do medo, para criar estados de espírito colectivos que justifiquem medidas repressivas, parece ter-se tornado um sistema. Agora é o Reino Unido do sr. Blair que anuncia nebulosas "ameaças terroristas" contra aviões, tentando gerar pânico. O que estarão eles a preparar?
    Nos EUA, o 11 de Setembro de 2001 serviu para fazer aprovar a toque de caixa a "Patriot Law" que estava redigida há muito e implicou uma profunda alteração no regime estadunidense. Direitos, liberdades e garantias desfrutadas pelos cidadãos americanos foram pura e simplesmente eliminadas.
    Não embarcar nas histerias colectivas promovidas na primeira página do Público e nos medias ditos "de referência" é um dever de lucidez. Não se deve esquecer que o governo do sr. Blair não merece credibilidade; que a sua polícia assassinou a sangue frio um emigrante brasileiro no ano passado; que eles pretendem deliberadamente criar um clima anti-árabe no momento em que cometem barbaridades atrozes contra os povos libanês e palestino; que a Al Qaeda é uma criação da CIA americana e é activada quando muito bem lhes apetece. (www. resistir.info)

    IRAQUE

    Almost 2,000 bodies were taken to Baghdad's morgue in July, the highest tally in five months of rising sectarian bloodshed which has forced the United States to boost troop levels in the capital to head off a civil war.


    Morgue assistant manager Doctor Abdul Razzaq al-Obaidi said on Wednesday that about 90 percent had died violently.

    "Most of the cases have gunshot wounds to the head. Some of them were strangled and others were beaten to death with clubs," he told Reuters

    (Em: http://www.turkishdailynews.com.tr/article.php?enewsid=51165)

    bandeiras


    Atrás destas bandeiras desfraldadas
    não marcha o povo heróico lusitano:
    destemido, intrépido, guerreiro,
    maior que Alexandro e que Trajano.
    Atrás destas bandeiras coloridas,
    à sua sombra, há misérias escondidas,
    há dramas de mil cores gritando ao engano.

    Atrás destas bandeiras agitadas
    não avança qualquer revolução
    que nos arranque ao fado, que nos arranque ao chão
    que nos arranque à praia, ao destino, à solidão…

    Atrás destas bandeiras inflamadas,
    redes sem peixe, sois sem madrugadas,
    há jovens sem futuro, famílias destroçadas
    na histeria do lucro-furacão.

    Atrás destas bandeiras nas janelas,
    não se acoitam heróis mas supranumerários
    - coisa que já foi gente, já foi povo,
    com direito a trabalho e a salários.



    No seu livro “Brancos Estúpidos” Michael Moore afirma a George Bush: “Não estou a pôr em causa o seu patriotismo – tenho a certeza de que amaria qualquer país que tivesse sido bom para si”. E quem sabe até que ponto os EUA foram bons para George, não duvidará de quanto patriotismo aquele homem sente!

    É por isto que eu aceito que o patriotismo dos meus conterrâneos atinja o seu climax, zénite ou orgasmo, num campeonato mundial de futebol. Muito mais autêntico porque desinteressado. E também porque tem o mérito de mostrar aos enfatuados gerentes deste país como são desprezíveis tendo em conta os resultados do seu jogo.

    Agora lindo, lindo, era se os portugueses metessem todos as bandeiras na lixívia e as pusessem nas antenas dos carros, nas janelas das casas, num estrondoso apêlo pela paz no mundo.

    AS DORES QUE NÃO PARAM O MUNDO

    " (...) O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)

    Mia Couto, em «O fio das missangas»
    Editorial Caminho, Lisboa, 2004, 148 pgs., ISBN: 972-21-1611-8