31/10/2008

Cambia, todo cambia.

Los líderes reunidos en la XVIII Cumbre Iberoamericana subrayan la importancia de no sacrificar las políticas sociales con la crisis como argumento.
Foto EFE / El Pais.com 2008Out31
Los líderes regionales apostarán por una "participación universal, democrática y equitativa" en el debate y solución de la actual crisis financiera que azota las economías mundiales, según el borrador de declaración, en el que también expresarán su "determinación de participar y contribuir activamente en un proceso de transformación profunda y amplia de la arquitectura financiera internacional, que establezca instrumentos de prevención y respuesta inmediata ante futuras crisis y garantice una regulación eficaz de los mercados de capitales".

Las soluciones a la crisis, según ellos, no deben de pasar por una merma de las políticas sociales. Por ello, apuestan por adoptar "las medidas necesarias para proteger el empleo y la inversión, garantizar la disponibilidad de financiamiento para las actividades productivas e impulsar políticas sociales que beneficien en particular a los sectores más vulnerables de sus sociedades".

Por último, recuerdan la "responsabilidad del sistema financiero de los países desarrollados en la actual crisis" y la "urgencia de una conclusión satisfactoria y equilibrada para las negociaciones multilaterales para la Ronda de Doha, tomando plenamente en consideración los intereses de los países en desarrollo".

(Entretanto, enquanto José Sócrates andava a vender computadores:)

El ministro de Relaciones Exteriores de Brasil, Celso Amorim, ha informado hoy que habló con la representante de comercio de Estados Unidos, Susan Schwab, para solicitar que España y otros países en desarrollo estén presentes en la próxima cumbre del G-20. Las gestiones diplomáticas brasileñas se han llevado a cabo, a pesar de que el presidente José Luis Rodríguez Zapatero no pidió el apoyo explícito a su homólogo brasileño, Luiz Inácio Lula Da Silva, durante la reunión que han mantenido en el marco de la Cumbre Iberoamericana que se celebra en San Salvador.

El Pais 2008-10-30

Alguém se lembra ainda do G-7? Que diferença, apesar de tudo... É caso para lembrar aquela magnífica canção de Mercedes de Sosa: «Cambia, todo cambia».

30/10/2008

Mariza no coração dos russos

Roubo a José Milhases esta reportagem sobre a forma como a nossa Mariza é vista e ouvida na Rússia. Porque as apreciações dizem tudo o que eu próprio penso – incluindo a atenção aos músicos, tantas vezes e tão injustamente menosprezados:

O crítico musical (Serguei Sossedov, no jornal electrónico km.ru) afirma ainda que "nessas baladas canta-se o quotidiano dos habitantes desse país, as suas tristezas, alegrias, buscas espirituais, sonhos, esperanças e, claro, o amor".


Sossedov chama também a atenção para o "trabalho brilhante" dos guitarristas: "nos seus dedos, cada corda não só soa de forma penetrante, como parece conversar connosco".Sobre a cantora, o crítico russo não hesita em compará-la com Cesária Évora mas "Mariza é vinte mais vezes expressiva, quente e sensual", conclui.

Por seu lado, a revista Joy afirma que "esta bela jovem canta fado, e isso significa que canta em português. Os temas tocados com equilíbrio e sensualidade, a mestria hispano-portuguesa da guitarra acústica e a voz sentimental de Mariza são precisamente aquilo que é necessário às pessoas cansadas do ritmo enlouquecedor das grandes cidades", conclui.

28/10/2008

Dar ao pedal na RTP

Acabo de ver o José Rodrigues dos Santos atrapalhando a leitura do Telejornal enquanto dava ao pedal. Chegamos a isto: a RTP, de acordo com a sua gestão de emagrecimento irracional, dispensou , mesmo nos directos, o trabalho de operadores de teleponto que accionavam a passagem do texto à medida que é lido pelos apresentadores. Agora os próprios apresentadores são obrigados a acumular aquela tarefa.

Não é fácil, não é recomendável, não é próprio, mas é barato.
E a Televisão não escapa à onda, digo, à pedalada.

Por este caminho ainda havemos de ver os pivots a pintar o cenário, o que, em alguns casos que não o citado, só lhes fazia bem... Para já, vamos assistindo às gafes inevitáveis porque os pedais são máquinas mas o cérebro é humano – ainda que desse mais jeito à gestão, que assim não fosse.

É caso para dizer: Aguenta-te, ó Zé! E força no pedal.

24/10/2008

As palavras da crise

O drama financeiro e económico a que assistimos, abre espaço a todas as especulações sobre um futuro próximo e longínquo que os governos asseguram que será controlável mas que os opositores garantem que será desastroso. O regresso à desgraça de 1929 é invocado por uns como inevitável e repudiado por outros como improvável. Eu próprio me atrevi a invocar AQUI esse episódio histórico.

Com teses tão autorizadas e contraditórias de quem não foi capaz de prever os maiores dilúvios politicos das últimas décadas, a implosão do bloco socialista e a crise financeira em curso, estamos à vontade para dizer... nada. Mas a pressão dos media, que já me levou a ter opiniões sobre futebol, força-me agora a ter opinião sobre economia e finanças. Afinal, se alguém previu alguma coisa com a devida antecedência, foi o meu pai quando me encaminhou para essa área de formação! Que eu tenha dado mais importância a “O Capital” do que a “Formação Política e Organização Corporativa”, já é da minha responsabilidade e dos que eu acompanhava. Alguém tinha que, modestamente, arrancar as urtigas e plantar os cravos...

Apesar de tudo, ou por tudo aquilo a que já assisti(mos) durante essa jardinagem, nem o optimismo oficial me descansa, nem o pessimismo militante me arrasa. Partilhando, como raro acontece, a posição da maioria, observo intranquilo.

Nesta posição de observador “a revelação da verdade” parece ocorrer descontinuada e analiticamente, ora numa frase, ora numa tese, ora numa ideia ainda mal explicitada...
Mas há desde logo neste emaranhado, um conjunto de palavras que ganham uma presença obsessiva numa rigorosa ordenação histórica: desregulamentação do mercado ou livre concorrência, produção em larga escala, procura deficitária, empréstimos, hipotecas, juros, moderação salarial, desemprego, endividamento, bancos, crise, recessão... (Com alguma sorte não chegaremos à palavra xenofobia). No princípio e no fim deste comboio é inevitável ler a palavra “capitalismo”.

Se o produto dialectico das duas crises sistémicas, do socialismo e do capitalismo, for um novo sistema que emerge dos anteriores – seguindo a tese marxista de que o novo já existe potencialmente no seio do velho –
é de esperar uma nova ordenação de expressões verbais se venha a afirmar: regulação do mercado, política de pleno-emprego, juros fixos, desenvolvimento sustentado e participação democrática plena. No lugar da máquina deste comboio é inevitável ler “estado social”. Ou expressão sinónima.

Mas isto, reconheço, ainda não é ciência; é só necessidade. A necessidade de evitar que 1929 seja invocado pelo próprio devir e agravada pelas novas circunstâncias da mundialização imediata dos fenómenos político-económicos.

21/10/2008

A minha crise económica


O meu avô, trabalhador ferroviário, conseguia amealhar uns tostões que mais provinham de uns biscates que fazia na loja de um vizinho do que do seu salário magro como um carril de comboio.

Amealhar era, não pouca vezes, esconder no forro do colchão. Mas se disso sabia toda a gente, a minha avó também. E bem depressa, numa inspecção periódica a que não faltaria, haveria de tomar o que houvesse, por empréstimo a fundo perdido e sem juros, ávida como estava de ir às compras, fosse por uma saia que não tivesse vergonha de levar à missa, fosse por uma sertã, a que no sul se chama frigideira, de que estava precisada há vários anos... Por uma flores esperaria ainda uma jarra vazia, que o tempo não era para luxos.

Das humildes poupanças, pois, do meu avô, e dos parcos lucros do vizinho, se juntava no banco um "pé de meia" que, mais juntando de uns e outros, ia enchendo o papo do banqueiro e o seu guarda-fatos, as suas jarras de flores e ainda sobrava para emprestar a juros ao Ti Manel Tijolo que apesar do nome era um tipo esperto, dedicado desde cedo à construção do que mais tarde se viria a chamar de imobiliário.

Vai meu avô penando e aforrando à custa da barriga, vai minha avó cozinhando as tripas, e Ti Manel Tijolo acumula negócios que já é mais conhecido na Banca do que minha avó na mercearia.

De tantas voltas darem o mundo e os comboios, chegou a minha vez de entrar nesta história. Vou ter com o filho de Ti Manel, herdeiro da arte e do negócio do Tijolo, para comprar uma casa para mim e para a família que de mim vier. Negócio puxa conversa e lá se acertou o preço ao que se seguiria o pedido de empréstimo.

No dia D, vá-se lá saber se é de Deus ou de Diabo, fui eu à banca pedir emprestado aquele dinheiro, afinal, que o meu avô lhes havia anteriormente confiado. Com grande relutância aparente, mais arrogância do que convicção, abriu o banco os cordões ao cofre, virtualmente, claro, e fechou-se o negócio nos termos que se seguem.

O banco emprestava-me os 20.000 contos e eu reembolsava-o a prestações ao longo dos anos. Do valor daquelas prestações não havia conta certa; certo era apenas que o banco ganhava aquilo que eu perdia.
Passam mais uns comboios, mais uns anos, e vão-se-me as poupanças para a inflacção dos preços e o congelamento do salário, ficando sem poupança e quase sem colchão, minha mulher e eu aprendendo a cozinhar açorda, meus filhos à espera de nascerem e a banca, cada vez mais mais gorda, batendo à porta de recibo na mão. Não tarda, é a Polícia: "Operação Hipoteca ! Abra e saia!".

Saia?... Se ao menos minha avó tivesse comprado a saia, o meu avô não emprestava à banca as suas poupanças e esta, sem dinheiro, não me endividava.

É isso! Assim que esta crise for ultrapassada, o que eu vou fazer é comprar um colchão de palha.

12/10/2008

Lógica das massas

«...Milhares de peregrinos estão já no Santuário de Fátima, para participarem nas cerimónias que assinalam os 91 anos das aparições de N. Senhora aos pastorinhos...».
Notícia de 2008-10-12 (JN)

Estima-se que em 12 e 13 de Maio 2007, o número de pessoas que se deslocaram ao Santuário tenha atingido o meio milhão !

Digo eu:

Quer caminhem para o Santuário de Fátima ou para qualquer outro, as multidões, as massas, são convocadas por um mito salvador da Humanidade, é certo, mas
são sempre movidas por sentimentos íntimos; respondem a uma mobilização colectiva, é certo, mas motivadas por razões subjectivas - na melhor das hipóteses, por convicções pessoais, mas em última análise, por egoismo. Juntam-se para lutar contra um inimigo comum, é certo, mas não é por ser comum, é por ser o "seu" inimigo.

O encontro colectivo proporciona as condições materiais e o pretexto, um clima favorável e o simbolismo justificativo. Mas creio que é nas profundezas psicológicas, nas cavernas secretas da mente que se encontram as motivações de tamanha exaltação.

Depois, há a festa, a celebração da comunhão, da solidariedade, mas que responde sobretudo ao humano sentimento de insegurança que busca, na pertença, protecção e afecto.


Irei longe demais se acrescentar que muitos namoros começam assim, nestes rituais? Já Ovídeo, na Arte de Amar, aconselhava a que se procurassem os espaços povoados... Mas voltemos ao discurso “correcto”!

O papel das grandes concentrações de massas em celebrações políticas ou religiosas é de amplificar o grito individual, por um lado, e legitimá-lo. Um grito que não raras vezes se esgota em si mesmo.

Isto para o comum dos participantes, para as massas. Para os promotores é sobretudo espaço de afirmação da sua autoridade moral ou política, e da sua força. A relação que uns estabelecem com os outros é de confiança na direcção ideológica e organizativa.

Em nada disto vejo a mão de Deus nem a mão do Diabo; vejo a lógica das massas. E nem tenho a certeza.

06/10/2008

Obama e o outro


No imaginário dos cidadãos, Obama vale mais por aquilo que representa do que por aquilo que é.

Ele representa um desejo de ruptura com um modelo de sociedade que exalta o sucesso dos ricos e poderosos e que despreza os desafortunados; que sobrepõe os interesses egoístas e os métodos cruéis de uma super-potência, aos direitos legítimos de outros povos preservarem a sua soberania, escolherem as suas políticas, prosseguirem o seu desenvolvimento. Isto é, Obama representa a ruptura com um modelo que oferece os ombros aos privilegiados e o peso das botas aos expoliados do sistema.

Falo por metáforas, em parte, mas não seria mais benevolente falar com os factos. Falo de desejos, é certo, mas é esse desejo colectivo que pode criar os símbolos, a direcção e a força que opera as mudanças.

Obama é, ele próprio, uma criação do imaginário negro e do imaginário popular, das camadas mais livres, evoluídas e generosas. Obama transcende Obama.

Sabemos que além de Obama, há... o outro. E isso remete para a questão de saber se o eleitorado que elegeu Bush por duas vezes ( ! ) muda de cabeça com tanta facilidade quanto a História exige. Dizem as notícias que «A um mês das eleições, marcadas para 4 de Novembro, as sondagens revelam que o eleitorado confia mais em Obama que (no outro) para erguer a economia norte-americana».

Outra questão é saber – passe a ironia – se a vitória, nesta conjuntura económica, não será um presente envenenado para o partido vencedor. O que se pode esperar, no caso do Partido Democrata vencer, é que o veneno não seja mortal.


Ele há até quem diga que alguns venenos curam.

05/10/2008

Toma e embrulha (2)

Notícia da TSF em 10-05-08:

«Dois helicópteros Blackhawk UH-60 despenharam-se e caíram num campo militar em Adhamiyah (norte de Bagdad) cerca das 20:55 desta noite» . (...) Segundo um balanço feito pela France Press, 4.177 soldados norte-americanos morreram no Iraque depois da invasão em Março 2003».

É caso para dizer:
primeiro, empenham-se; depois, despenham-se!

A foto é de arquivo mas, para os mais curiosos em desgraças ocorridas com estes helicopteros norte-americanos, pode consultar o respectivo rol, AQUI !

04/10/2008

Mais fumo que fogo

Sendo Pacheco Pereira um homem do Porto, como eu, não me dei conta de que tenha passado pelo Clube Fenianos Portuenses onde se ensinava, na respectiva secção artística, que “o ilusionista não diz o que faz, não faz o que diz, diz o que não faz e faz o que não diz”.

Porém o manipulador da comunicação, em causa, parece conhecer aqueles princípios quando os aplica à produção de opinião; só que neste caso é suposto obedecer aos critérios contrários. O resultado é desastroso.

Mais uma vez na Sábado que parece particularmente vocacionada para estes exercícios de mau-gosto, lemos:

« Durante todas as presidências, socialistas, social-democratas e centrista, em vereações com o PCP ou sem ele, ou seja, na prática com todos os partidos, as casas da Câmara foram atribuídas discricionariamente».

É notório o esforço para meter o PCP nisto, ele que não sente a falta do PCP num programa semanal onde estão representados PSD, PS e CDS.

Mas quando diz...:

«Sabendo nós muito bem como as coisas são feitas, e toda a gente na Câmara Municipal de Lisboa tinha que o saber, a começar pelos Presidentes antigos e actual, a maioria das casas devia ser entregue a quem de direito o justificava e uma minoria, presumo que considerável, existia ou para fazer favores ou pagar favores políticos e pessoais».

... dá para comentar:
1) se sabe muito bem como as coisas são feitas, conte à gente;
2) o que é uma “minoria considerável”?
3) “fazer favores ou pagar favores políticos e pessoais” é demasiado exaustivo para quem não falou com Santana Lopes antes de escrever o artigo... Favores pessoais? Diga tudo, cara!



Uma coisa parece perceber-se no texto de PP: que alguém, independentemente dos directos beneficiados, estava interessado naquela atribuição de casas.


E ainda: que desta vez há fumo a mais para o fogo. Para os fogos.

02/10/2008

Cinema sem futuro


Na minha modesta opinião, ninguém "melhor" para discutir os NOVOS CAMINHOS para o cinema iberoamericano do que... o centenário Manuel de Oliveira. Veja-se este recorte do El Pais:

El I Congreso de Cultura Iberoamericana busca nuevos caminos para el sector (del cine)

(...) Pero fue sin duda la intervención, cálida y amable, de Manoel de Oliveira, que el próximo mes de diciembre cumplirá 100 años, la que despertó mayores entusiasmos. Oliveira fue el primero que puso sobre la mesa el nombre del cineasta que ronda alrededor de todo el congreso: Luis Buñuel. Oliveira defendió el cristianismo de Buñuel: "Daba la impresión de que no creía en Dios, pero no es verdad, sólo le molestaban las cosas malas que suceden en nuestra humanidad". "La rebeldía de Buñuel contra Dios era sólo aparente", continuó el cineasta portugués, quien se despidió del público con estas palabras: "No sé cómo he llegado hasta aquí. Ya no me siento capaz de hablar más".

Texto da notícia, de Rocío García (enviada especial) - México - 02/10/2008