Desejos para 2014

Yoani Sanchez, famosa blogueira cubana e contestatária do regime, lançou uma pergunta vulgar no seu espaço twitter: o que deseja para o ano de 2014?

Das respostas que recebeu, destaco esta de Yusimi:
Deixar de trabalhar para qualquer xulo; trabalhar para mim mesma!”.

Mas também esta de Ailyn Castillo: “… um país a que possa regressar, não para visitá-lo por um mês, mas onde possa construir uma vida”.

E eu pergunto quantos portugueses não diriam o mesmo.


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Não há dinheiro (4)



Texto recortado em 5dias.net - Premir para ampliar.

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O Chile escolheu

Quando penso no Chile, lembro-me de Salvador Allende e Pablo Neruda, Victor Jara e Violeta Parra. Mas qualquer coisa me diz que, salvaguardada a devida distância, o nome de Michelle Bachelet vai passar a ocupar também algum espaço no meu pensamento. Afinal, se as pessoas fazem a História, a História também faz as pessoas, e a América Latina está a escrever páginas novas.

Saído de uma violenta ditadura que vigorou desde o golpe de Estado de Pinochet que assassinou o presidente Allende em 1973, até às eleições de 1989, o Chile veio a eleger Michelle Bachelet, na primeira vez, em Janeiro de 2006, derrotando nessa altura Sebastian Piñera. Mas o conservador e ultra milionário Piñera ganharia as eleições de 2010, governando o Chile até hoje de acordo com a sua ideologia.
Michelle e Piñera

Michelle acaba este domingo de vencer novamente as eleições presidenciais no Chile, apoiada por uma aliança formada pelos socialistas, os democratas-cristãos e os comunistas, isto numa época em que a corrente progressista vem crescendo na América Latina. E não é por ser considerada uma socialista moderada, que as circunstâncias do mundo actual, entre a ofensiva ultraliberal e a resistência progressista lhe dispensarão gestos audaciosos. Para quem sofreu a prisão e a tortura às ordens de Pinochet, tal como aconteceu com o seu pai, não é esperar demais.

Michelle Bachelet tem a seu favor um resultado eleitoral de 62,16% contra os 37,83 % de Evelyn Matthei. Mas tem sobretudo a aspiração do seu povo a uma política “mais justa, mais solidária e mais humana” – para usar as suas palavras no discurso de agradecimento.

Se a abstenção de cerca de 53% é de facto muito relevante, não parece que ela possa contar a favor ou contra as candidaturas em presença – é objecto de outra análise.

Três grandes objectivos foram afirmados na sua candidatura e confirmados no discurso de vitória: reforma tributária, reforma da Constituição e reforma do Ensino. Isto é: uma política de impostos que ajude a diminuir a desigualdade entre ricos e pobres; alteração da actual Constituição do Chile que foi aprovada num plebiscito nacional altamente irregular em 1980, sob o governo militar de Augusto Pinochet (embora já tenha sofrido algumas emendas), e alargamento do ensino gratuito às universidades no prazo de 6 anos.


Para cumprir o seu programa, Michelle Bachelet conta na coligação que a apoia, com a maioria de 55% que possui nas duas Casas do Parlamento – a Câmara de Deputados e o Senado. Mas aquela aliança não dá a maioria de dois terços necessária para a revisão da Constituição – para isto terá de contar com os conservadores.

No domínio social – “en la calle” - terá de contar com uma população desenganada, desiludida, descrente na política (uma das causas da abstenção). Terá ainda de contar com a herança e a oposição das forças que antes apoiavam Sebastian Piñera. Terá que se apoiar no Povo, enfim, e numa política de alianças internacionais próxima do Brasil, da Argentina, da Venezuela, do Equador…
Da esquerda: Evo Morales, José Mujica, Dilma Rousseff, Cristina Kirchner, Rafael Correa.

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"Estratégia de crescimento"



NOTÍCIA (Lusa/RTP)

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, admitiu (10/Dezº) que a instituição errou quanto aos efeitos da austeridade nos países europeus em maiores dificuldades.
Mas também disse:
"Não pode haver abrandamento e não é com 1% de crescimento (esperado para o próximo ano) na zona euro que devemos abrandar o ritmo das reformas", assinalou.

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Socialismo é possível

Apesar da sabotagem electrica, alimentar e económica, e da desestabilização em geral, a oposição de direita ao governo chavista de Nicolas Maduro não tem conseguido vencê-lo.

Os resultados eleitorais de domingo passado deixaram a MUD* de Capriles atrás do PSUV* de Maduro com 9% de diferença, se considerarmos a soma nacional dos votos. Vitória do governo progressista e bolivariano, portanto, se quisermos extrair uma leitura nacional destas eleições regionais como pretendeu fazer o MUD durante a campanha eleitoral.

Os resultados municipais propriamente ditos só confirmam esta leitura: 234 municípios para o PSUV e 53 para a MUD, isto é, 76% contra 20%.


Estas eleições confirmaram a popularidade das políticas chavistas, isto é, soberanistas e populares, patrióticas e revolucionárias, bolivarianas e socialistas.

É, sem dúvida, uma inspiração para a região sul-americana mas também para os povos que noutros continentes necessitam resistir contra os poderes económicos e financeiros que bloqueiam o seu progresso e bem-estar da população.

É a demonstração de que há formas socialistas de governar que colhem apoio popular num quadro democrático, apesar da forte hostilidade dos poderes económicos e dos interesses estrangeiros.


*PSUV - Partido Socialista Unido de Venezuela;
MUD - Mesa de la Unidad Democrática.
Na foto: Hugo Chavez, Nicolas Maduro... e a Constituição.

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Resposta aos Cavacos

É tarde; Inês é morta!
(Excerto de uma peça sobre Inês de Castro)

Mas ainda está a tempo de combater o apartheid
que oprime largas camadas de portugueses...


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Hipocrisias fúnebres

«Por decisão e orientação de um governo de Cavaco Silva, Portugal votou na ONU contra uma moção que reclamava a libertação de Nelson Mandela».

Excerto de um post de Vitor Dias em
"O Tempo das Cerejas".

Mandela foi condenado a prisão perpétua porque fazia parte da oposição ao regime do apartheid, que negava direitos políticos, sociais e económicos aos negros, mestiços e indianos. Isto fazia dele... um terrorista, no juízo de alguns!

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Eu avisei

( texto rectificado )

A foto acima documenta a forma como alguns trabalhadores da "Radiotelevision Valenciana" (RTVV) reagiram contra o presidente da "Generalidad Valenciana" (representante ordinario do Estado Espanhol na "Comunidad Valenciana"), na sequência do encerramento daquela estação pública.

Isto fez-me lembrar a maior greve que ocorreu na RTP, creio que em 1980.

Lá onde os jornalistas fazem sempre a sua "luta" à parte, beneficiando da sua influência política, até estes aderiram. A emissão manteve-se no ar - com alterações - apenas porque meia dúzia de pessoas são o suficiente para fazê-lo durante poucos dias com materiais gravados, e alguns quadros de chefia não se importaram de sujar temporariamente as mãos nas máquinas...

Era presidente da administração, Proença de Carvalho que, ao sair de carro pela garagem, foi surpreendido por um grupo de trabalhadores que o aplaudia. Fez parar a viatura e saiu para agradecer. Foi então vaiado com uma assobiadela geral e recolheu imediatamente à viatura que logo se afastou. Quem não sabia assobiar, como eu, gritou... qualquer coisa.

Tudo acabou assim, sem um murro no carro, uma riscadela, um vidro partido - assobios apenas. À portuguesa! - dir-se-há. Mas devemos reconhecer que a gravidade não é a mesma.

Talvez seja o nível de gravidade das acções, acima de tudo, que provoca o grau das reacções. Pelo menos na Física é assim. Talvez haja mesmo alguém encarregado de medir a resistência "da corda" a cada momento. Creio que sim. Até que rebente, só podemos dizer que ela está tensa. Depois, todos dirão: eu avisei!...

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Honduras e as nossas ondas

A República de Honduras foi a votos há uma semana, dia 21 de Novembro, para a presidência e orgãos locais. Depois do golpe de estado da direita hondurenha que depôs e deportou o presidente legítimo Manuel Zelaya em 2009, foi criado um novo partido, há menos de dois anos, que apresentou agora como candidata à presidência, a mulher de Manuel Zelaya, Xiomara Castro.

Trata-se do Partido Liberdade e Refundação, geralmente designado por “Livre”. Qualquer coincidência com o partido que Rui Tavares quer criar, além do nome e do posicionamento à esquerda, talvez seja mera coincidência. Até porque, se “não vem mal nenhum ao mundo” no caso deste não eleger ninguém, como diz o próprio fundador, já no caso das Honduras, a questão é completamente diferente: os partidários do casal Zelaya reivindicam a vitória depois da comissão eleitoral a ter atribuído ao Partido Nacional.

O “Partido Nacional”, de direita e que tem governado o país depois de ter promovido o golpe contra Zelaya, concorreu à presidência com Juan Orlando Hernandez de quem vale a pena citar esta afirmação ainda em jeito de comparação com a política portuguesa: 'Eu garanto a você que o que é de um lado uma crise, pode ser visto pelo outro lado como uma grande janela de oportunidade'.

A questão é que o partido “Libre” denuncia fraudes e irregularidades graves no processo eleitoral, sem as quais considera que Xiomara teria maior resultado do que Juan Orlando.

No país mais violento do mundo, onde a criminalidade tem subido a níveis assustadores e, com ela, tanto cresce o mêdo como a pobreza – nas Américas, só o Haiti apresenta uma taxa de pobreza maior que Honduras – as perspectivas de paz, desenvolvimento e justiça social, são desanimadoras. Se a segurança e o desemprego eram as preocupações mais invocadas pelos seus cidadãos, na oportunidade destas eleições, nada parece melhorar com a situação criada. Outro tanto se diria em relação às dívidas externa e interna – sem pretender voltar às comparações.

Depois de cem anos de bipartidismo de direita, parece que a população tentou organizar-se para responder à ausência do Estado. A estas eleições já se apresentaram nove partidos, e a grande participação da juventude trazia um sinal de esperança para o futuro. Faltava saber, como alguém comentava, se aqueles que fizeram um golpe de estado iriam permitir agora eleições democráticas. E se os Estados Unidos da América que aproveitaram a situação para instalar duas bases militares neste país, depois de 2009, não jogarão na confusão política e na extrema dependência das Honduras em relação à América do Norte, de forma determinante.

Como em toda a América Latina, o que se joga nas Honduras é a correlação de forças entre uma esquerda independentista e uma direita capitulacionista, entre o modelo estorpecedor do passado e o projecto progressista de futuro. Com o Brasil e a Venezuela, o Equador, a Argentina e outros, as Honduras podem almejar mais do que nunca instalar as bases da independência e do progresso; de contrário, as perspectivas estão à vista nestes quatro anos de usurpação.

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