8.11.22

O Centralismo Democrático do PCP

Na circunstância da sucessão do Secretário Geral do PCP, ocorre-me citar Lénine: “Sem debates, controvérsia e conflito de opiniões, não é possível movimento algum, incluído o movimento operário” (*1)

Pelo que percebi da minha própria experiência, todas essas condições existem formalmente, mas os debates (e as manobras de bastidores) que contam são os que ocorrem no seio dos órgãos dirigentes, a controvérsia é manipulada e os conflitos internos são considerados traições – os militantes comuns apenas se pronunciam sobre matéria previamente elaborada pelos dirigentes e as suas “propostas de alteração” apenas têm acolhimento quando se referem a conteúdos gramaticais! Comparem-se as teses propostas com as teses “aprovadas” em congresso! Nesta matéria, aquilo a que Lénine chamava “membros” do Partido, é interpretado como "dirigentes" do Partido.

É a farinha do “centralismo democrático” a ser amassada à maneira do PCP para ser o pão servido aos militantes.

Quanto à anunciada Conferência marcada para este próximo sábado (*2), cito do "Projecto de Resolução" (que dará origem, inevitavelmente, à resolução do projecto):

«o Comité Central do PCP convocou a Conferência Nacional do PCP (...) suscitando um amplo envolvimento do colectivo partidário e promovendo uma confiante perspectiva de futuro. O costume!

(*1) Dois Métodos de Controvércia e Luta / Obras Completas /t24, p166)
(*2) https://www.pcp.pt/conferencia-nacional-2022/projecto-de-resolucao#:~:text=Nesse%20sentido%2C%20o%20Comit%C3%A9%20Central%20do%20PCP%20convocou,partid%C3%A1rio%20e%20promovendo%20uma%20con%EF%AC%81ante%20perspectiva%20de%20futuro.