29/09/2015

Os olhos de Catarina

Os olhos de Catarina
têm um sonho pintado
Os olhos de Catarina
têm um sonho pintado


Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem
Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem


Quando a Catarina fala
o Coelho dá ao rabo
Quando a Catarina fala
o Coelho dá ao rabo


Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem
Sim Catarina ó i ó ai
sim Catarina ó ai meu bem


NOTAS:
A canção original chama-se "A saia de Carolina" e pode ser ouvida AQUI
A minha intenção é dizer à Joana Amaral Dias que a beleza, em política, vem da alma. Mas quem preferir homenagear a Joana, AQUI tem uma alternativa: chama-se "Come a Papa, Joana come a Papa".

27/09/2015

O futuro da Europa

Fez  anos no dia 22, que o partido de Angela Merkel venceu as eleições para o parlamento alemão, com 41,5%. Nos próximos dois anos, pelo menos, ela continuará a ditar as regras políticas no seu país. 

Mas também na Europa, com Hollande a seu lado. 
É o que nos espera até 2017 se tudo lhes correr bem.


Entretanto, nos próximos quatro anos também a Espanha e o Reino Unido terão governos conservadores. Portugal terá um governo social-democrata de pendor socialista (PS). A Grécia terá um governo socialista de pendor social-democrata. A Europa, essa, não terá governo próprio – impróprio, quando muito.

Se as convulsões sociais que se adivinham neste contexto de políticas anti-sociais, interromper o rumo institucional assim traçado, o que se pode antecipar? O fantasma neo-nazi vem a caminho?

O partido alternativo na Alemanha é o progressista SPD que teve 25.7% dos votos, menos 6% do que a CDU. Da última vez que o SPD governou, foi nos anos 1998 a 2005.

A extrema-direita na Alemanha é mais ruído e pedrada que outra coisa - nas últimas eleições, o NPD registou apenas 1,3% dos votos e não tem qualquer representação parlamentar.

A situação tem alguma comparação com a Itália, onde a separatista, xenófoba e racista Liga Norte chegou a ter 8,7% dos votos, em 1992, mas as suas estratégias de alianças têm sido uma fonte de instabilidade interna e desprestígio geral. Nas eleições nacionais de 2013 para o parlamento italiano, apresentou-se coligada com mais sete formações políticas, na coligação de Berlusconi que ficou em segundo lugar.

Em França a situação é mais preocupante. O presidente Hollande que venceu as eleições de 2013 com 52% à segunda volta, desiludiu os franceses de tal maneira que, ao fim de um ano, o seu partido foi ultrapassado, nas eleições europeias, pela a Frente Nacional de Marine Le Pen: 14% contra 26%, respectivamente. A França tremeu e a Europa ainda está assustada.

O ascenso da extrema-direita em França encontra algum paralelo com o Aurora Dourada, assumidamente neo-nazi, que se afirmou nas eleições de 2012 e 2014, na Grécia, como o terceiro partido mais votado, com 17 deputados.

Apesar de tudo, parece que a extrema-direita não tem uma expressão política tão relevante quanto se tem feito pensar. A parte má desta situação é que os regimes dominantes na Europa estão a fazer o trabalho dela.

Entre o oportunismo das direitas, a fragilidade das esquerdas e a incompetência (?) das instituições europeias, porém, a História se fará conforme a contribuição de todos e cada um de nós.

26/09/2015

A palavra volkswagen

Volkswagen é uma palavra alemã composta de outras duas: volk (derivação de "Vörker ) + wagen. Isto é: povo ou nação + carro. Poderia traduzir-se por carro popular ou por carro nacional, mas o historial da marca indica a primeira versão: carro popular, isto é, carro do povo.

Mas a questão a que venho não é semântica, é fonética. Tratando-se de uma palavra alemã, é correcto que “wagen” se pronuncie “vagan” mas não faz sentido que “volk” se pronuncie “volque” (volksvagan)

É que o “v” em alemão lê-se “f” tal como o “w” se lê “v”. Não é ao acaso que Worten se escreve com “w” e não com “v”. Nem é por acaso que a palavra inglesa para “povo” seja "folk", como em "folklore" – é porque esta forma gráfica respeita a fonética do termo alemão. "Folksvagan" é que se diz.

Por causa destas confusões é que o nome do compositor Richard Wagner se escreve em alguns países “Vagner” para ser lido à portuguesa, o que faz um alemão ler “Fagner” – creio que isto acontece no Brasil.

Enfim, se querem que um alemão leia “vaca”, escrevam “waca”. Se não, ele irá dizer “faca”. 

Serve esta conversa toda para explicar porque é que a Ângela Merkel não entende os portugueses.

25/09/2015

É a retoma a funcionar!

No domínio financeiro, “nada se cria e nada se perde” – tudo muda de mãos! Se os pobres estão mais pobres, os ricos estão cada vez mais ricos.

E como é que isto "se" cconsegue? Baixando os salários, aumentando o tempo de trabalho e o esforço dos trabalhadores, pagando menos impostos sobre os lucros (IRC) e não taxando os rendimentos do capital. Em tudo isto não há o tal “mérito das empresas” como faz passar Coelho e Portas; há escolhas políticas ao serviço das grandes fortunas.

Fontes:

2013 
O "Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013" confirma que em Portugal não só cresceu o número de multimilionários como aumentou o valor global das suas fortunas, de 90 para 100 mil milhões de dólares (mais 11,1%). (DN) 
2015 
Este ano, as maiores fortunas portuguesas valem mais 500 milhões. (TSF)

23/09/2015

O Povo Português

“É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto.

Falta-lhe o romantismo cívico da agressão. Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados.

Miguel Torga, Diário (17.09.1961)


21/09/2015

A Grécia está com Tsipras


O povo grego compreendeu o que muitos analistas políticos não entenderam e o que detractores fingiram que não entendiam: que a rendição é um gesto de dignidade e de humanidade, quando a alternativa é o suicídio.

Na U.E., bastaria que um ou dois países se juntassem à Grécia, como era seu dever histórico, e o flagelo económico e social podia ter sido evitado, a razão e o interesse dos povos poderia ter vencido. 

A renegociação da dívida, a partir de Outubro, vai evidenciar melhor a estratégia de Alexis Tsipras e as suas vantagens – será tempo de negociações num contexto de autoridade reforçada do Syrisa. Enquanto isso, o “programa de ajustamento” da troika colocará outros países na eminência de mudar de posição de forma mais ou menos discreta.

Já tarda em reconhecer que a crise da Grécia é a crise de Portugal e que as duas, entre outras, são a crise da Europa - uma “toika” de crises: da dívida, da economia e da política.

Escarnecendo dos fantasmas apontados pelos governos neo-liberais da Europa, o povo grego elegeu corajosamente o Syrisa, em Janeiro, para defender os seus interesses. Compreendendo as circunstâncias em que o governo negociou com os credores, cerca de um mês depois, o povo grego mostrou o seu desprezo pela demagogia “esquerdista” – no sentido leninista do termo – e confirmou a sua confiança em Alexis de Tsipras, nas eleições do passado domingo, 20 de Setembro. É caso para falar da "superioridade moral... dos gregos".

Os nossos políticos e analistas de direita continuarão a dizer mal do Syrisa, ora porque é tolerante ora porque é arrogante - é a luta ideológica. Alguns políticos de esquerda coincidirão nessas críticas - é a luta de concorrência. Outros fazem a História - que não acaba aqui!

15/09/2015

É pró debate, é pró debate!

António Costa faz questão de não prometer… porque não sabe se as condições em que herdar a governação se revelarão diferentes das actuais.

Admitamos. Mas pode dizer o que fará se as condições forem as que hoje se conhecem! Se também não diz, isso não gera a apregoada Confiança dos eleitores.
Passos Coelho faz questão de não esclarecer como irá poupar 600 milhões de euros (por ano!) em "pensões públicas"… porque “depende daquilo que for a negociação que nós queremos ter com o PS sobre essa matéria". 

Mas pode dizer o que tem vontade de fazer, isto é, o que quer propor nessas negociações. Poder, pode. E deve. Mas não diz. Nós sabemos porquê.

11/09/2015

Eu quero lá saber

Faz bem a Comunicação Social em dar a mesma importância à vinda da pizza, que dá à vinda da troika!

A última coisa que me interessa saber pelos candidatos a governantes, é se foi Sócrates ou Passos Coelho que “mandou vir” o FMI, e se o Syrisa foi bem ou mal sucedido… na Grécia!

O que eu gostava mesmo de saber é o que vai acontecer às reformas e às pensões, aos impostos sobre os bens de consumo (IVA) e ao imposto que se paga por trabalhar (IRS); o que vai acontecer aos ordenados e aos desempregados; que condições de trabalho nos serão asseguradas, que Educação e que Saúde vamos ter, que Justiça, que transportes.

O resto é poluição política, poeira levantada num baile deNarcisos. São lutas de galos. E eu hei-de ser Pinto até morrer. Quero lá saber!...

Felizmente, também há partidos sem essa vocação de governar!

A Síria segundo Trump

“Porque não os deixamos lutar e depois eliminamos o que sobrar?”, perguntou Donald Trump. (Expresso)

Que é como quem diz: que se matem uns aos outros; nós iremos depois pelos despojos.

O que diz o polémico candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América, na sua estúpida franqueza, é o que pensa e faz de facto a administração norte-americana, na sua relação com a Síria.

Disto se dão conta algumas vozes críticas a que modestamente me junto, denunciando a estratégia de facilitar a vida ao “Estado Islâmico” para destruir a Síria – não por ter um regime autoritário mas por ser insubmisso ao programa imperialista dos Estados Unidos da América. 

Trata-se de apoiar o terrorismo mais cruel desde Hitler, em nome da Democracia! Nada que nos surpreenda se tivermos em conta as alianças político-militares dos EUA na região, desde Israel até à Arábia Saudita, aqui onde o autoritarismo do regime é simpático à América do Norte.

É o petróleo, estúpidos! – parafraseando uma conhecida frase da campanha eleitoral de Bill Clinton em 1992.

A Síria, além de ser uma resistência militar à colonização norte-americana, é a segunda maior fonte de reservas provadas de petróleo bruto depois da Venezuela – outro inimigo artificial dos EUA:

Quantos litros de sangue. pelos  milhões de barris de petróleo e biliões de metros cúbicos de gás da Síria? – é a questão.

“Assad não é o principal problema, dado que está neste momento a lutar contra  o Estado Islâmico” – diz Trump. Será que nem Obama assume isto?

09/09/2015

Hoje há debacle?

Se o debate político de hoje, entre Coelho e Costa, PSD/… e PS, tiver a importância eleitoral que lhe anunciam, hoje há... debacle.

Se um deles desiludir o eleitorado hesitante, irá em desvantagem para o dia das eleições. Se desiludir o seu eleitorado natural, só para agradar aos flexíveis, irá cinzento, descaracterizado, desprezível.

António Costa é quem mais arrisca neste paradoxo, porque a coligação de direita já não engana ninguém – quem admite votar naqueles que andaram quatro anos a mentir e a roubar, não se move pela razão.


Ou António Costa se demarca das políticas da Direita, em termos sérios e convincentes, abrindo espaço para o voto útil no PS e captando a “maioria silenciosa” da esquerda, ou está a cavar em terreno pedregoso.

Termos convincentes envolvem propostas inteligentes e números credíveis. Maioria silenciosa de esquerda é aquela que se forma com os habituais abstencionistas e votantes em branco, contestatários passivos do regime faz-de-conta.

As eleições parlamentares não obedecem à mesma lógica das eleições autárquicas. Penso que os apoios que António Costa conseguir a nível nacional dependem mais das diferenças do que dos consensos. Outra coisa é que diferenças devem ser assinaladas.

A PROPÓSITO
Assim comentava António Vitorino (PS) o debate de Catarina Martins (BE) com Paulo Portas (CDS/PP). Sem mais comentários!

06/09/2015

No interesse da Humanidade

Com actualizações em "COMENTÁRIOS ou ADENDAS"

A Europa da NATO que promove ou apoia as guerras das regiões a oriente, assiste atónita às fugas das populações. Impreparada para reagir às consequências das suas estratégias belicistas, tenta emparedar os refugiados levantando muros e estendendo arame farpado. Reacção primária: suster as migrações.

Confrontada com a incapacidade de dominar as multidões desesperadas e a tragédia das populações em fuga, passa à segunda reacção: enquadrar aqueles que não morreram no percurso e conseguiram infiltrar-se no espaço europeu.

Mas este esforço de enquadramento é custoso, temporário e ineficaz para a dimensão do problema. Mais tarde ou mais cedo, os países que promovem ou apoiam a desestabilização da região oriental, por ganância ou por poder, serão obrigados a recuar nas suas aspirações colonizadoras e a negociar seriamente e sem falsos preconceitos, com os poderes locais.

Entretanto, outros países, livres das ambições imperiais da NATO, avançam há muito nesse sentido. É o caso da Rússia que vem trabalhando, desde o início do conflito, por uma solução negociada. 

A Rússia considera inaceitável propor a demissão de Bashar Assad como uma condição preliminar da regularização na Síria, que é o que exigem as potências ocidentais. O Irão e a China, pelo menos, são duas outras potências fundamentais nas negociações e que estão ao lado da Rússia.

Falhadas as iniciativas dos auto-denominados “Amigos da Síria”, é hora de avançarem os amigos dos sírios e não só. No interesse da Humanidade!

04/09/2015

Aprender com o PSD


A chamada Universidade de Verão do PSD bem podia ter servido para ensinar o que Maquiavel se esforçou por explicar, mutatis mutandis: como ganhar umas eleições e conservar o mandato até ao fim, governando contra o Povo.

Quando um príncipe – um príncipe republicano, digamos – precisa do apoio do seu Povo, deve prometer-lhe tudo o que ele deseja. Mas para que o Povo acredite mesmo nas promessas, deve apresentar uma estratégia convincente e popular.

Por exemplo: dizer que vai reduzir as despesas exageradas do Estado, as gorduras, para poder financiar os benefícios prometidos, e eliminar a corrupção política – nomeadamente a promiscuidade entre políticos e empresários.

cartazes preparados para futuras eleições

Chegados ao Poder, cortam-se as pensões e as reformas, despedem-se funcionários públicos, eliminam-se serviços de apoio à população, aumentam-se os impostos sobre a população e criam-se “incentivos ao investimento”… (Maquivel não sabia dizer “transferência dos rendimentos do trabalho para o capital”). Arrecadam-se milhares de milhões de euros para encher os cofres, mesmo que os credores apenas exijam metade… Se as coisas forem feitas como Maquiavel ensina, o Povo aguenta.

Tudo isto podia ter sido ensinado na Universidade de Verão do PSD. Mas não houve tempo: Passos Coelho tinha Ângela Merkel à espera, Marcelo tinha as eleições presidenciais à espera, Paulo Rangel tinha à sua espera uma sessão do Parlamento Europeu, uma aula na Universidade Católica, uma reunião na Gonçalves Pereira & Associados, um artigo para o jornal Público, uma participação no Prova dos Nove da TVI24... Ufa! Ainda dizem que há desemprego.

Já agora, 
advogado Paulo Rangel, diga-me: não é por serem definitivos que os cortes nas pensões deixam de ser “extraordinários”, pois não? E não é "inversão do ónus da prova” penhorar primeiro e provar depois ou nem provar, se forem as Finanças a fazê-lo?! E roubar as remunerações não é crime se for feito pelo Primeiro-Ministro?!