Cuidado com o lobo



Um documento interno do Ministério das Finanças alemão (...), divulga os planos de Wolfgang Schäuble para a criação de uma “Nova União Europeia”.

O poder de veto sobre orçamentos nacionais que violem regras e a monitorização de todas as políticas orçamentais implementadas por cada Estado-Membro por entidades independentes, constam entre as medidas avançadas.

Recorte de um artigo publicado em esquerda.net

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O que divide um reino

Quando a Grécia confronta o directório da designada União Europeia, a Grécia tem um problema. Mas quando é o Reino Unido, o problema já é da UE, como se vê.

O que não varia é a arrogância do grupo dominante que se opõe ás decisões democráticas dos povos, quando estes são consultados.

A sessão desta manhã (28 de Junho) do Parlamento Europeu revelou isso duma forma escandalosa na apoteose com que celebrou as intervenções dos representantes da Escócia e da Irlanda do Norte, e na forma como insultou a escolha maioritária dos cidadãos em referendo. Nada de novo!...

Em vez de analisar os efeitos devastadores das medidas impostas aos países membros, o grupo dominante na UE e desde logo os seus dirigentes, choram “lágrimas de crocodilo” e preparam-se para fazer a vida negra aos dissidentes da congregação. São sintomas de desespero.

A desunião do Reino Unido é uma metáfora – e não só! – do que se passa na União Europeia. E um aviso.

O que divide um reino, qualquer reino, a União Europeia incluída, não é a localização ou a composição etária. É a discriminação política e económica, é a imposição centralista de poder, é a apropriação da riqueza por um grupo privilegiado e o esmagamento dos direitos sociais.

Uma União Europeia inclusiva e solidária, verdadeiramente representativa dos povos, teria condições para resistir às crises com que se confronta, mas isso revela-se contrário à sua verdadeira natureza. Em todo o caso, o que estamos a assistir é à primeira reacção clássica à crise: a emotividade. Esperemos pelas outras duas: a racionalidade e a negociação.

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Finalmente sós!



A propósito: que "Europa" teríamos se ela fosse realmente construída pelos povos? Alguma vez o saberemos?

Pelo menos parece que esta seria uma bandeira central das esquerdas europeias do século XXI.

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br EXIT



Sair da União Europeia é um direito inalienável dos britânicos, que quase certamente não se livrarão de uma segunda consulta, ou das que forem necessárias, se teimarem em dizer que não desejam estar num sítio onde, em boa verdade, nunca estiveram de boa vontade. Não é este o hábito dos mandantes da União Europeia, vide as repetições de referendos na Irlanda, em França e na Holanda até se obterem os resultados pretendidos pela ditadura financeira internacional? José Goulão em Mundo Cão

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Canais há muitos...

Não, o jornalismo não é uma missão, é uma profissão. O objectivo de um órgão (privado) de Informação, não é servir, é vender – ou então é servir no mesmo sentido em que o é qualquer outra actividade comercial. Mais: quando um jornalista serve uma missão, afasta-se da sua função.

Ora isto acontece sempre que se enfatiza uma posição em relação a outra, mas acontece de forma mais sinistra ao censurar o protagonista de um conflito mundial. E assume contornos inquisitoriais quando esse procedimento é sistemático, instituído. É o que “nós” fazemos aos discursos de Bashar al-Assad.


A pretexto de negar visibilidade a um suposto hereje da sua religião, o jornalista nega ao público o direito de saber o que diz o protagonista de grandes conflitos mundiais. Nega ao público! Em nome da democracia!

Em nome da democracia, da nossa, devíamos ter o direito de saber o que dizem os amigos e os inimigos da nossa crença. Depois chamem um regimento de sacerdotes comentadores para desdizê-lo, se lhes fizer falta, mas não nos tapem os olhos e os ouvidos.

Que mal faria se nos deixassem ouvir coisas como estas?:

«… Uma vez que o seu plano terrorista (dos estados inimigos da Síria) falhou apesar de toda a destruição e massacres perpetrados, adquiriram a convicção que o essencial do seu plano político ainda poderia materializar-se pelo ataque à Constituição.

Na verdade, o seu plano inicial consistia em fazer de forma que o terrorismo dominasse completamente o país concedendo-lhe uma pertença qualidade de moderação, e de legitimidade, depois, decidida evidentemente pelo estrangeiro, que instalaria um caos absoluto impondo como única saída uma Constituição étnica e confessional transformando um povo ligado à sua terra natal em grupos rivais anexados às suas seitas e apelando à intervenção estrangeira contra os seus compatriotas
…».

Este discurso foi proferido pelo presidente da Síria, Bashar al-Assad, no passado dia 7, na sequência das eleições parlamentares da Síria.

Sabia? Pois, não sabia! E não é por falta de canais, é porque há uma epidemia de censura na “comunicação social”.

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Finanças explicado às crianças

Milhares de pessoas confiaram as suas poupanças ao banco do Estado, a Caixa Geral de Depósitos, com a garantia de que o dinheiro estaria seguro e que aquelas pessoas iriam receber mais tarde o dinheiro emprestado e ainda os juros desses empréstimos.

O que o banco do Estado fez com esse dinheiro, foi emprestá-lo mais caro para ganhar dinheiro e para apoiar projectos de investimento. Melhor: isto é o que se esperava que a Caixa fizesse, no interesse da economia portuguesa e da criação de empregos.

Mas o que aconteceu foi que os administradores da Caixa pegaram nesse dinheiro e emprestaram-no ao maior banco privado, o BCP, e outras grandes empresas, sem exigir sequer as garantias “obrigatórias” de pagamento nem avaliar correctamente o risco de incumprimento pela parte delas.

Durante a gestão de Armando Vara e Carlos Santos Ferreira, só nove destes “clientes” da Caixa levaram 2.300M€ (dois mil e trezentos milhões de euros)!

Há quem pergunte, a este respeito, que tipo de méritos teve Armando Vara que expliquem a sua nomeação inusitada para vice-presidente da CGD, ele que até aí se limitava a gerir um balcão da Caixa de Trás-os-Montes. Também há quem pergunte porque é que os administradores da Caixa Geral de Depósitos, depois de terem financiado o BCP, sairam da Caixa para este banco. Há quem pergunte tantas coisas…

Das notícias

Entre Janeiro e Junho de 2007, a CGD financiou accionistas do BCP para adquirirem acções do seu próprio banco!

Em Julho de 2012, “a CGD disponibilizou 1,55 mil milhões de euros para apoiar a capitalização de empresas”.

Durante o Governo de Passos Coelho e da troika, foram injectados na CGD 1.650M€ sem que os auditores da CGD nem o Banco de Portugal avaliassem a situação dos empréstimos.

E agora

A Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD, agora requerida pelo PSD, irá certamente querer apurar as responsabilidades de tais procedimentos por parte dos administradores da Caixa, tanto mais que há suspeitas de motivações pessoais por trás daquelas decisões ruinosas.

Quanto às contradições que estarão presentes nesta comissão, elas evitarão que se apurem responsabilidades políticas e criminais, decerto, mas não deixam de ser uma oportunidade – involuntariamente criada pelos promotores – para a denúncia dos jogos financeiros e do sistema que os suporta e incentiva.


(Ver + em “ADENDAS”)

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Congressos partidários e tal

Um João e duas Catarinas irão disputar a direcção do Bloco de Esquerda (BE) – a Mesa Nacional – na Convenção marcada para os próximos dias 25 e 26.

Serão certamente "discutidas" questões de organização como a representação da diversidade interna, e questões de estratégia política como as próximas eleições autárquicas. Mas nada disto, como as outras coisas, se resolve numa sessão de discursos. Os congressos servem apenas para legitimar decisões que já foram tomadas nos bastidores ao longo de um processo mais ou menos assumido de negociações e avaliação de forças. É sempre assim, em todos os partidos.

Isto não quer dizer que os perdedores não aproveitem para marcar o seu descontentamento. Provavelmente ouviremos alguém dizer que «O Bloco de Esquerda precisa de se organizar e suprir as dificuldades que fazem com que, 17 anos depois da sua fundação, seja tão frágil a militância em grande parte dos concelhos do país, sem estruturas a funcionar, sem núcleos de empresa ou de escolas», e Catarina Príncipe reclamar que «Os órgãos de direcção do Bloco não foram tidos nem achados no desafio inicial lançado pela Catarina Martins ao António Costa. De uma maneira geral os e as militantes do Bloco acompanharam o processo do acordo pela comunicação social, sem nele terem participado». Cumprem-se as formalidades ociosas de um congresso ou de uma convenção!

Apesar de tudo, vale a pena ver até que ponto as tendências radicais que podem desmantelar a geringonça, encontram eco entre os participantes.

Sobre o desastre que poderia significar neste sentido, uma vitória da moção “B” de João Madeira, por exemplo, nada melhor do que ler o editorial do Avante de 13 de Dezembro de 2007!

À parte do que fica dito ou insinuado, os congressos partidários que tenho visto acontecerem desde sempre, destinam-se a convencer os seus militantes e o público em geral, de que são orgãos de decisão sobre as políticas e os políticos, isto é, que satisfazem as escolhas dos seus militantes.

Os que fingem melhor nesta matéria, há que reconhecê-lo, são o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda. Só porque os outros assumem este “bluff” sem pudor.

O BE não perde energia nem tempo que se compare ao que faz o PCP. Até pela razão óbvia de que não tem implantação de bases nem organização nem experiência que lho permita.

O PCP (e os partidos comunistas em geral) elaboram exaustivas teses, promovem incontáveis reuniões, difundem toneladas de papéis sobre os assuntos que irão ser “propostos” ao Congresso. Mas o sumo que os orgãos de direcção extraem de todo esse trabalho, não serve senão para dar volume à nata produzida por um reduzido núcleo de dirigentes – são as “propostas” que se destinam a ser aprovadas.

De resto, a elaboração dos documentos postos “à discussão”, o método de selecção das propostas recolhidas nas bases, e os métodos de “eleição” dos delegados, asseguram esse objectivo. Depois há a influência dos funcionários no funcionamento das reuniões e no encaminhamento de tais propostas, e, em última instância, digamos assim, há uma “comissão de redacção” com poder factico para filtrar aqueles “milhares de contributos” de que os partidos comunistas se gabam sempre e tanto, mas contributos destinados apenas ao “enriquecimento e aperfeiçoamento” do documento posto à discussão.

É uma certa interpretação do conceito bolchevique de “centralismo democrático” que, de resto, vigora sem nome nem pudor na direita e corre o risco de se implementar no Bloco se não tiverem juízo.

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Fora Temer

É uma versão muito livre e muito a propósito da actualidade brasileira, da imortal "O Fortuna" (Carmina Burana). Aconteceu!

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Nós por cá

Hoje, 12 de Junho, a Misericórdia de Paris vai estar presente nas Festas dos Santos Populares da Rádio Alfa, com um stand para a apresentação das actividades de apoio aos portugueses emigrados. Ao que parece, Marcelo Rebelo de Sousa também lá estará pelas 13 horas.

Ainda tenho esperança que o Presidente da República e o Primeiro Ministro de Portugal aproveitem para “passar revista” aos portugueses sem sorte nem fortuna. E que lhes desculpem se não estiverem muito bem trajados…




Paris, Junho de 2016. Enquanto o Presidente da República de Portugal elogia os portugueses em geral e condecora alguns em especial, acompanhado pelo chefe do Governo português, o provedor da Misericórdia local, Joaquim Silva Sousa, observa que “a história da emigração, infelizmente, não são só casos de sucesso, também há muitos casos de insucesso e é necessário que alguém se ocupe dessas pessoas.

A Misericórdia de Paris tem agido para evitar que algumas destas pessoas fiquem sem alojamento, o que não evitou alguns casos de portugueses a dormir nas ruas. “Neste momento, temos pessoas que perderam o emprego, que tiveram acidentes de trabalho e que não sabem tratar de questões administrativas, encontrando-se muito facilmente em situações em que não podem pagar a renda. Temos também situações de casais que precisam de alojamento e de trabalho, e alguns problemas de foro psicológico”, descreve o provedor daquela Misericórdia.

São os “lesados do capitalismo”, digo eu, os falidos que não serão "recapitalizados" pelo Estado português. Ou muito me engano...

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De porta em porta

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Quem disse 3% de défice?

O défice público não deve exceder 3% do PIB,
isto é, da riqueza nacional!


Este mandamento da austeridade foi um número inventado artificialmente pelo alto responsável da Direcção do Orçamento da França em 1981, sem qualquer justificação teórica, para calar os ministros de Mitterrand que pediam verbas para os seus ministérios.

Com a mesma superficialidade com que foi inventado em França, seria incorporado no Tratado de Mastricht em 1992.

Hoje, estes "3%" determinam as vidas diárias dos franceses e de outros 17 membros da eurozona. Ele determina se devem ou não construir-se escolas e hospitais ou aumentar impostos e desempregados, por exemplo.


Texto recortado e adaptado a partir de artigo desenvolvido por Tom Gill no Le Parisien em 2012

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