Cliente vivo ou morto

Farto, fartíssimo de receber chamadas de promoção de produtos e serviços, e tendo esgotado já todas as tentativas de dissuadir os “call centers”, decidi responder que o senhor com quem pretendiam falar... tinha falecido.

A conversa é breve:

CC – Posso falar com o senhor Fulano ?
EU – O senhor Fulano faleceu na semana passada.
CC (muito atrapalhada) – Ah, desculpe, não tínhamos essa informação. Os meus sentimentos. Nesse caso voltaremos a falar noutra ocasião.

Espero que na “próxima ocasião” o Cal Center me pergunte:- O senhor Fulano já ressuscitou?

Ou será que vou continuar a receber chamadas destas, esteja vivo ou morto?

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Eles andam aí?

Insiro aqui um aviso à navegação que pretende ser, além de mais, um gesto de solidariedade bloguista e de reprovação de qualquer acto eventual de censura.

Pode ser, no entanto, que se trate “apenas” de um problema técnico, informático, isto é... do “sistema”.

Posso acrescentar que no mesmo âmbito circula um e-mail falsamente atribuído ao Vitor e no qual se faz um pedido de dinheiro.

A foto é da minha lavra.

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Porque hoje é domingo (9)

O Evangelho deste domingo fala em seguir o caminho de Jesus: assumir a sua cruz (cf. Mt 16,21-27). Quem diz a cruz diz a crise e este apelo é afinal o grito dos deserdados que ao longo da História clamam por solidariedade.

Finalmente, neste ano da graça de 2011, foram ouvidos, e os ricos do mundo, quais reis-magos, vieram com mirra, incenso e ouro.

Um chama-se Baltazar, outro é Belchior e um terceiro é Gaspar. Nas sagradas escrituras não constam os primeiros nomes mas não é difícil adivinhar que o terceiro destes é Vitor Gaspar, o nosso Ministro das Finanças que na sua candura, a não ser anjo, só pode ser rei-mago.


Devo adiantar em defesa do “princípio do contraditório” a que deve ser sujeita toda a informação para parecer isenta, que há entre os evangelistas quem faça outra descrição. O New York Times (NYT 15-08-2011), por exemplo, fala de um tal Warren Buffet, mas para além deste norte-americano há outro bacano que vem da França e outro de Espanha.

O Primeiro-Ministro já deu a entender que “Portugal não é a Espanha” nem a França nem os Estados-Unidos e, portanto, o nosso Evangelho é o Memorando e a nossa santíssima trindade é o FMI, o BCE e a Comissão Europeia.

Além disso, dizem os pregadores nas ruas e canais... da Informação, não devemos afugentar os nossos ricos. Têm razão: a quem é que se iam entregar depois os lucros das grandes empresas?


Bem pode Jesus Cristo proclamar a renúncia aos bens terrenos e o amor ao próximo, que sempre ouvirá esta resposta: Portugal não é Belém... da Judeia.

Quanto à história dos reis magos, aproveita-se apenas a ideia de que vivem às costas dos camelos!

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Líbia na contra-informação

Na batalha da Informação em curso, relativamente à Líbia, a razão encolhe e os edifícios dilatam.

Assim é para Metro Gael que se difunde como jornalista mas que na verdade é o nome de um blogue em que o autor não se identifica. Segundo ele(*), a reportagem da Al Jazeera sobre a ocupação da Praça Verde de Tripoli, pelas forças rebeldes, não passa de uma encenação. Segundo Miguel Urbano Rodrigues e alguns seguidores imprudentes, “ele” fala verdade – a verdade a que temos direito...


Isto é, a Praça Verde, de Tripoli, ou uma parte dela, terá sido “reconstruída cenograficamente” num estúdio do Qatar (assim como os americanos fazem para os filmes de cow-boys, estão a ver?) e os rebeldes não passavam de figurantes inseridos nesse “décor” artificial – tudo a fingir, portanto.

Aquilo que a Al Jazeera mostrou, foi isto:



A suposta desmontagem que faz o anónimo autor do Metro Gael consiste em comparar a imagem anterior com a “verdadeira praça” que documenta com a foto seguinte:

E para demonstração de que a primeira é uma falsificação, assinala algumas “diferença grosseiras” na arquitectura. Por exemplo, o formato dos arcos e da moldura em relevo na parede que encima um dos arcos.



Ora eu que já puz o Cardeal Policarpo a discursar na Alameda D. Afonso Henriques sem que ele precisasse de sair dos estúdios da RTP, ao tempo na Av. 5 de Outubro, fico espantado com a capacidade de produção audiovisual do Qatar, mesmo sem ignorar a sua riqueza e desenvolvimento!

A menos que o mentiroso da fita seja o anónimo autor de Metro Gael e que não haja nenhuma diferença entre as duas imagens para além da compressão a que as ditas são sujeitas, voluntariamente ou não, quando se recebe no televisor um formato de imagem diferente daquele que foi produzido ou emitido. É o caso de vermos em formato panorâmico uma imagem produzida para o formato 4x3 ou vice versa.

No caso das fotos anteriores, basta expandir ou comprimir as fotos para que a arquitectura se recomponha. E até convém, porque a foto vertical não convence nem um cego, de tal modo as pessoas ficam esguias, os passeios laterais definham, etc. E os automóveis? Repararam no formato dos carros? Como tudo é estranho... na Líbia.

A seguir comparo a imagem comprimida que Metro Gael nos oferece, com a imagem por mim rectificada a partir dela, por expansão adequada (descompressão).

Conclusão: Metro Gael mente acusando outros de mentirem. Mas se o faz a favor do nosso lado, há que aproveitar. Como se as ambiguidades do processo não fossem suficientes. Como se "resistir.org" merecesse este engano.

(*) Metro Gael, aparece na Net como autor de um blogue onde se diz irlandês;a viver em Paris onde escreve semanalmente uma coluna para o blogue Metro Eireann. De Metro em Metro ainda não percebi quem é o homem, se é homem.

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Poder horizontal

A estrutura horizontal de funcionamento do Movimento 15M, de Espanha, sem um centro de decisão, portanto, exprime a recusa em alienar a soberania popular a “representantes”, comprovada que está a apropriação abusiva que estes fazem da procuração que lhes é outorgada.

Estes abusos pacíficos de poder acontecem em muitas estruturas, desde os próprios partidos até às organizações internacionais. No âmbito destas, a forma como foi “aprovado” o Tratado de Lisboa, fica para a História como demonstração da falsa democraticidade da União Europeia, a que se junta o irrefutável domínio de dois ou três países por força da sua vantagem económica - num caso e noutro, a vontade é imposta de cima. Quanto aos partidos, as eleições directas para os respectivos presidentes não disfarçam, antes chamam a atenção, para os mecanismos elitistas de funcionamento interno – destes mecanismos resulta a selecção de candidaturas que interessa ao poder instalado.

No Partido Comunista Português chegou a haver quem se atrevesse a propor uma estrutura horizontal de funcionamento, por oposição à estrutura centralista consagrada nos estatutos dos PC's desde 1902. Tratava-se de desobstruir a circulação de opiniões entre todos os militantes. O PCP tratou de remeter tais propostas para a lista das maldições, traições e outras más-intenções. Fê-lo “democraticamente”, claro, tanto quanto permite o envenenamento da opinião interna (criada pelo mesmo centralismo!) e a formação de maiorias acríticas nos congressos. Avante!

O que poderia parecer estranho era a tolerância e até o aparente carinho com que os poderes políticos e partidários se referem aos movimentos horizontais de intervenção socio-política, do tipo do 15M. Mas aqui joga a circunstância de “o touro” não ser perigoso, pela natureza do seu corpo (social) e pelos métodos pacifistas que adopta. Afinal, quando “o mal” está controlado, basta mantê-lo sob vigilância. Enquanto for possível.

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Porque hoje é domingo (8)

Proclamamos que Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu "com corpo e alma" – diz a Igreja Católica. O assunto é demasiado fantasioso para perdermos tempo com ele. Se a história da “Virgem” é já por si um insulto à inteligência, a subida da senhora ao céu, não pode ter outro sentido que não seja o de fazer inveja à NASA.

Mas porque hoje é dia de falar da cousa religiosa, assinalemos a “ascensão” do Papa a Espanha, a sua angelical visita no contexto de um país em conflito social, a sua doce presença silenciosa a poucos metros das agressões policiais contra manifestantes laicos.

É a missão histórica de uma Igreja que nos enche os ouvidos com a palavra paz a fim de que os descontentes não protestem, os marginalizados não reclamem, os explorados não se revoltem – para que todos peçam a Deus as bençãos que Deus nunca concedeu nem devia ter de conceder uma vez que o mundo devia ter sido criado por Ele já com todas as condições que o amor de pai criaria para seus filhos – se esse Deus existisse, claro.


Faz bem o nosso cardeal patriarca Policarpo, em criticar «os grupos de classe que fazem reivindicações contra as medidas impostas pela 'troika'». Já era altura de um bispo despir o manto diáfano da hipocrisia com que se paramentam os profissionais da religião e assumir que a Igreja tem objectivos políticos e sociais que “em verdade, em verdade vos digo”, coincidem no que importa com os interesses dos grupos privilegiados. Afinal que diferença encontra ele entre a troika e a Santíssima Trindade?

Finalmente não posso deixar de expressar os meus votos de que as centenas de bispos, os milhares de padres e de freiras, e muitos mais jovens que de outro modo estariam aborrecidíssimos nas suas vidas de tédio, aproveitem bem esta oportunidade para se divertirem e se conhecerem...
Afinal, pensando melhor, é possível de algum modo "subir aos céus".

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Silêncio e ruído, a mesma luta!

Quando as autoridades cubanas impedem a averiguação das circunstâncias em que morreu o adolescente Emilio Valdez, apesar dos insistentes pedidos dos pais e das fortes suspeitas de abuso criminoso de práticas repressivas, vemos o mecanismo do silêncio a funcionar.

Quando as mesmas autoridades fazem do caso humano Elián um caso político para exploração propagandística durante mais de 10 anos, apesar de ter sido resolvido satisfatoriamente, estamos perante propaganda indecorosa para encobrir a natureza real da “revolução” abstracta e a moral de quem a apoiar!
As ditaduras, nomeadamente o nazi-fascismo, apoiam a sua sobrevivência num aparelho comunicacional composto por aqueles dois mecanismos complementares: o silêncio e o ruído, isto é, a censura e a propaganda. A primeira inclui a auto-censura induzida pelo medo; a segunda aproveita a disponibilidade de muitos para a corrupção – aqui a dependência pessoal dá uma forte ajuda.

Os regimes que se reclamam do socialismo e do comunismo mas que aplicam sistematicamente aquelas práticas, comprometem definitivamente o socialismo e configuram um criminoso abuso de poder com sacrifício das populações – antes de mais, da sua dignidade.

Qualquer destas razões bastaria para que o assunto fosse aqui trazido, por mais odioso que isso seja para alguns "revolucionários" profissionais.

Notícia posterior:
La Dama de Blanco Berta Soler denunció que cerca de 49 mujeres miembros de la asociación fueron brutalmente reprimidas hoy en La Habana por turbas de hombres y mujeres, que les dieron “empujones, patadas, les escupieron”, cuando ellas se disponían a realizar su caminata.


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Violência de baixo e de cima


Se formas diretas de protesto infra-político, através da ruptura popular da ordem pública, da tomada direta de bens e da destruição de propriedades, espalharam-se nos distritos urbanos pobres da sociedade avançada, isso significa também que os meios formais de pressão sobre o Estado declinaram, juntamente com a decomposição dos mecanismos tradicionais de representação política dos pobres.
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É tentador encarar explosões de violência coletiva "vinda de baixo" como sintomas de crise moral, de patologias das classes baixas, ou tantos outros indícios de iminente ruptura societal da "lei e da ordem". Assim, a resposta típica das autoridades britânicas à onda de incidentes violentos que varreu as cidades dos Midlands no verão de 1992, foi queixar-se do comportamento desviante e da amoralidade dos elementos inferiores da classe trabalhadora.

Depois dos distúrbios de Bristol, elas se esforçaram por culpar o "hoolliganismo insensato", alimentado pelo álcool, ainda que os moradores de Hartcliffe concordassem em que a hostilidade entre os jovens e a polícia estivesse em gestação por meses e apesar do fato de jamais ter sido apresentada nenhuma prova de envolvimento dos "hooligans", ou de que o consumo de álcool nas noites da desordem tenha sido acima do normal. Da mesma forma, nos Estados Unidos a odiosa (e fictícia) história da "subclasse" forneceu um discurso barato e pronto para dar conta da ascensão da violência no gueto e em seus arredores.


Entretanto, a análise comparada atenta de seu tempo, contexto e desenrolar mostra que, longe de expressões irracionais e atávicas de incivilidade, a recente inquietação pública por parte dos pobres urbanos da Europa e da América do Norte constitui uma resposta (socio)lógica à compacta violência estrutural liberada sobre eles por uma série de transformações econômicas e sócio-políticas que se reforçam mutuamente. Tais mudanças resultaram em uma polarização de classes que, combinada com a segregação racial e étnica, está produzindo uma dualização da metrópole, que ameaça não apenas marginalizar os pobres como condená-los à redundância social e econômica direta.


Essa violência "vinda de cima" tem três componentes principais:

(1) desemprego em massa, persistente e crônico, representando, para segmentos inteiros da classe trabalhadora, a desproletarização que trazem seu rastro aguda privação material;

(2) o exílio em bairros decadentes, onde escasseiam os recursos públicos e privados, à medida em que a competição por eles aumenta, devido à imigração;

(3) crescente estigmatização na vida cotidiana e no discurso público, tudo isso ainda mais terrível por ocorrer contra o pano de fundo de uma escalada geral da desigualdade.

Longe de representar um subproduto periférico da terceiro-mundização ou reversões a formas sóciopolíticas pré-modernas de conflitos, essa volta das realidades reprimidas de pobreza, violência e divisões etno-raciais, ligadas a seu passado colonial, no coração da cidade do Primeiro Mundo, deve ser entendida como resultado da transformação desigual e desarticuladora dos setores mais avançados das sociedades ocidentais e, portanto, suas manifestações não parecem passíveis de amainar tão cedo.


Excerto de «O RETORNO DO RECALCADO Violência urbana, "raça" e dualização em três sociedades avançadas». De: Loïc J. D. Wacquant. [TEXTO INTEGRAL]

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Nós, eles e o inferno

De Hitler a Pinochet, de Bush a Ratko Mladic, e muitos antes e depois e entretanto, a História está cheia de genocidas-lobos para quem a Justiça, quando bate à porta, já as chamas do inferno se apagaram. Eu desta vez venho falar apenas dos cães rafeiros.



Ninguém está mais habilitado a falar do Inferno do que um preso vulgar. Logo a condenação o retira da vida, o retira à vida. Com as roupas e tudo o que deixa à entrada na prisão, ele despe a personalidade, deixa de ser pessoa. Daqui em diante deixará de ter direitos e vontade, passará a ter regras para cumprir, será obediente como um cão – desejará ser cão para não saber que é um homem desumanizado. É a estratégia do camaleão: adaptar-se ao meio para se proteger.

Na melhor das hipóteses, para ele, nasceu e foi criado na lixeira da sociedade – no espaço da cidade onde os homens sobrevivem da esmola e do crime, são considerados e se consideram marginais, não usam a palavra dignidade porque não tem sentido em suas vidas, não respeitam ninguém porque ninguém os respeita... Na melhor das hipóteses, para eles, a violência nas prisões que tanto nos comove, a nós que somos cidadãos de plenos direitos, é o clima a que estão “habituados”. Afinal sempre deve custar menos viver no inferno quando se é diabo.

O que os prende e reprime, a eles que nasceram e cresceram no inferno, é a própria cidade que nós dominamos, isto é, a forma como estão estruturadas e como funcionam as sociedades modernas – organizadas pelos e para os privilegiados que somos nós neste contexto. Mais do que condená-los, os tribunais acusam-nos, a nós, de desumanidade para com os que nascem na miséria. Na miséria de tudo, entenda-se.

Não quero comover-me e comover-vos com descrições de violência habitual ou excepcional, com os abusos e com os desesperos, os suicídios, as autoflagelações mais escabrosas – fica assim apenas esta referência abstracta.

Na melhor das hipóteses, para eles, praticaram crimes. Porque isso lhes dá uma razão para estar preso e para tudo o que daqui decorre. O pior de tudo é sofrer sem razão.

Talvez por absurdo se possa inferir que o genocida motivado por “razões” supostamente ideológicas, as tenha em tão grande consideração que a prisão lhe seja facilmente suportável – é a sublimação do sofrimento. Talvez não haja nada de absurdo nesta tese, afinal. E sendo assim, só a desconstrução da "sua razão" o poderia castigar realmente com o merecido sofrimento associado à culpa – e não tanto por causa do criminoso quanto para exorcismo das vítimas sobreviventes, familiares incluídos.

Tudo isto conduz - pretendo eu - a uma filosofia sobre a repressão do crime violento que sugere métodos de castigo e regeneração de novo tipo: independentemente da privação da liberdade, o criminoso deve ser conduzido a perceber que a sua própria razão o condena pelo crime que praticou. Isto obriga o agente da Justiça a conhecer as motivações e a desmontá-las ou a confrontar a sociedade com elas.

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Ensaio sobre a nossa cegueira

Somos um país de cegos que se deixa governar por outros cegos.

E nesta cegueira nos benzemos. E nesta cegueira nos coçamos. E nesta cegueira nos sentamos, nos ajoelhamos, pedindo esmola, humildemente, digo humilhadamente, cúmplices, fingidos, mansos - a culpa não é minha, é da minha vizinha; pois, o que vocês queriam era ir para o poleiro, cacaracá, cocorocó, cocó não paga IVA, ainda há quem se queixe, deixe mas é o homem governar que já nem se pode ir de férias descansado... Roma e Pavia não se fizeram num dia. "Mansos, a tua tia". Os homens estão lá há meia dúzia de semanas e já querias o quê? Deixem-nos trabalhar que eles lá sabem o que estão a fazer. Já agora somos todos economistas, não? Vocês andaram a comprar casas sem dinheiro e agora queriam o quê? Não comprassem. Quem não tem dinheiro não tem vícios. Vícios, sim! Se “o país” deve, paga. Ainda bem que há as instituições internacionais para nos ajudarem. Se não fossem eles a terra não dava batata espanhola, uvas de Itália e alho francês... da Bélgica. O alho, é que dava! E o mar dava o quê? Alguma vez se comeu peixe em Portugal antes da ajuda internacional?

Fico por aqui. Tudo o mais já disse o José Saramago no "Ensaio Sobre a Cegueira" de que transcrevo apenas esta passagem:

“Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.”

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Lideranças na América Latina

Enquanto Cuba vai brincando às reformas económicas e reprimindo os dissidentes do regime; enquanto a doença de Hugo Chavez mobiliza todas as atenções do Poder na Venezuela; enquanto Rafael Correa se abraça mais ao povo do Equador e este a ele, não pela força nem pela demagogia mas pelo aprofundamento da democracia...

... no Chile, o mediático presidente Piñera vê-se confrontado com os estudantes e os mineiros (sim, os mineiros!, lembram-se?) e, para que se enterre um pouco mais – na mina política – surge agora uma notícia muito embaraçosa: uma sua colaboradora recomenda de forma pouco velada... que se mate uma dirigente dos protestos estudantis!

Camila Vallejo, dirigente estudantil
NOTÍCIA
Tatiana Acuña Selles, Secretaria Ejecutiva del Fondo del Libro, dependiente del Ministerio de la Cultura (do Chile), difundió a través de la red social Twitter, una grave y apenas velada amenaza a la dirigente estudiantil y Presidenta de la FECh, Camila Vallejo. “Se mata a la perra y se acaba la leva” escribió la funcionaria.

Esta misma frase la dijo el tirano Pinochet el 11 de septiembre de 1973 cuando daba la orden de bombardear La Moneda y asesinar el presidente constitucional de Chile, compañero Salvador Allende.

Desde anoche en distintas redes sociales circula la dirección y el teléfono de la dirigenta estudiantil, dados a conocer por jóvenes fascistas gobiernistas.

Tribuna Popular TP.- 6 ago. 2011

Pode ver desenvolvimento em CAMBIO 16
E sobre política de Rafael Correa, AQUI

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Maquiavel outra vez?

As medidas de Passos Coelho e sua equipa logo no primeiro mês de governança fazem-me pensar que este Governo anda a reler Maquiavel. Espero que não seja por causa das minhas citações de O Príncipe, no artigo anterior e AQUI.

Dizia o conselheiro dos Médicis no séc. XVI:

«… ao apoderar-se [do governo] de um país, o ocupante deve pensar em todas as crueldades que precisa de fazer e praticá-las imediatamente, de uma vez, para não ter de recorrer ao mesmo processo e, não as renovando, tranquilizar os homens e conquistá-los pelos seus benefícios.

(…) Convém fazer o mal todo de uma vez para que, por ser suportado durante menos tempo, pareça menos amargo, e fazer o bem pouco a pouco, para melhor se saborear»


Quanto a saborear o bem que resultaria, pouco a pouco, destas medidas, é que Passos Coelho se afasta de Maquiavel, como se pode ler nestas declarações à partida para férias.

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Quem paga aos empresários ?


TEXTO:
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Poema de Bertold Brecht, "Perguntas de um Operário Letrado".

Maquiavélicas palavras

«Nunca faltaram a um príncipe [um governante] pretextos legítimos para justificar a sua falta de palavra.

Seriam infinitos os exemplos, do tempo presente, demonstrativos de quantas promessas foram feitas em vão e reduzidas a nada pela infidelidade dos príncipes, e demonstrativas também de que as coisas correram melhor aos que melhor souberam representar o papel de raposa. Mas é indispensável saber ocultar esse pendor, disfarçá-lo bem.

Os homens são tão simples e tão obedientes às necessidades do momento, que quem engana encontra sempre quem se deixe enganar»

Nicolau Maquiavel, "concelheiro de Estado" em 1513 !
Em " O Príncipe" - sobre a arte de conquistar e manter o Poder.

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