18/09/2017

"Geringonça" e o futuro


Se Jerónimo de Sousa e Catarina Martins se manifestam pouco disponíveis para repetir o acordo de apoio ao Governo “socialista” no próximo mandato, é porque prevêem uma maioria absoluta do PS ou uma maioria relativa em que um só dos actuais apoiantes chegaria para viabilizar o Governo. Não é uma zanga, é uma estratégia que faz todo o sentido para todos.

No caso da maioria relativa do PS, porém, os constrangimentos seriam insuportáveis para o PCP mas também para o Bloco de Esquerda e até para para o próprio PS.

O que poderá comprometer este quadro, enfim, será uma nova liderança do PSD tão necessária e desejada pela “maioria silenciosa” deste partido. Mas ainda assim será preciso que ocorra um grave acidente político no actual governo, o que não se vislumbra.


Razões suficientes para as especulações prematuras que vão sucedendo nos orgãos de informação, que os partidos de esquerda não devem alimentar, sabido que tudo será decidido apenas em Outubro… de 2019!

15/09/2017

Más figuras autárquicas


Sabemos que as candidaturas às eleições autárquicas se prestam à exibição de más figuras políticas e físicas, devido ao amadorismo dos candidatos. Mas que duas profissionais façam tão má figura é desolador. Falo de Judite de Sousa como moderadora no debate sobre Loures e de Joana Amaral Dias como candidata no debate sobre Lisboa.

(Imagem reeditada)

02/09/2017

Um lado obscuro de Angola

Para ser mais rigoroso, o título devia dizer "O lado oculto e obscuro das campanhas em Portugal contra o MPLA".

Sempre foi claro para quem quisesse ver, que as motivações de João Soares ou Maria Antónia Pala, Torres Couto e Manuel Monteiro, entre outra gente, não era a corrupção ou a falta de democracia, mas sim as cumplicidades ideológicas destes activistas.

Independentemente dos pretextos que o regime angolano de José Eduardo dos Santos ofereça às campanhas que se desenvolvem em Portugal contra ele, são motivações anti-progressistas que movem este conluio, tal como se passa com a Venezuela.

O recente artigo do Expresso sobre Savimbi, ajuda involuntariamente a esclarecer estes meandros da militância anti-MPLA que decorre em Portugal desde o início das lutas de independência de Angola. Recomenda-se por esta razão!

17/08/2017

De queda em queda

A queda de uma árvore gigante sobre peregrinos religiosos, na Madeira, faz lembrar a queda de um "andor de grandes dimensões" na procissão de Nossa Senhora da Aparecida, em Torno, Lousada, e ambas nos fazem lembrar a “queda” do maior banqueiro deste país, um tal Ricardo do Espírito Santo.

Questões religiosas à parte, o que se vê uma vez mais é que se lixa sempre quem está por baixo.

16/08/2017

O mito da imparcialidade

Os partidos de esquerda não seriam bem mais agressivos contra o Governo se este fosse de direita? – perguntam recorrentemente os jornalistas a propósito disto e daquilo.

A pergunta pode ser pertinente mas a resposta, digo a resposta adequada é óbvia: “claro que sim!”

A razão está em que uma coisa é criticar os erros de um governo que genericamente prossegue uma política louvável e outra coisa seria criticar um governo que genericamente prossegue uma política reprovável.

Será preciso um desenho para explicar?

06/08/2017

O lado esquerdo da Venezuela (3)

Enquanto Álvaro Uribe governou a Colômbia à imagem de Hitler, o jornalismo europeu andava tão distraído... Mas agora que está de pé uma campanha despudorada contra o regime venezuelano, campanha com que o próprio Uribe está activamente solidário, claro, aqui del rei capitalista liberal que há um tirano potencial a governar a Venezuela.

Que se cuidem os agressores contra o governo da Venezuela: se a situação se extrema pode acontecer uma nova Cuba na região. Ofertas de apoio de países desalinhados, não faltarão.

Sei que é um processo polémico, mas não como a campanha desinformativa o pinta. Tem faltado o famigerado "contraditório" cuja lacuna modestamente venho contribuindo para superar. O que segue é um exemplo.

02/08/2017

O lado esquerdo da Venezuela (2)


A histeria anti-socialista da informação dominante participa com todos os seus recursos políticos na batalha que se trava na Venezuela. Não por causa de Nicolás Maduro e da sua suposta ambição de poder, mas por causa da opção socialista do regime.

Num programa de televisão dos EUA o jornalista entrevista Leopoldo Lopez - um dos líderes venezuelanos… da oposição, claro. Este reivindica o caracter pacífico das manifestações “anti-Maduro”, etc., etc., do que a foto acima é esclarecedora!!! No final da entrevista, o jornalista deseja ao opositor venezuelano, “muita sorte” para a sua luta política!

A imprensa e a televisão espanhola, francesa, etc., por sua vez, não se cansam de dar voz, também elas, a L. Lopez e Henrique Capriles, estes dois fervorosos “democratas”. O que menos lhes interessa informar sobre a Venezuela são os argumentos do Presidente da República.

Para deitar alguma água na fogueira há quem escreva, fora destes domínios, coisas assim:

«…não há nenhuma revolta popular na Venezuela. Apesar da guerra económica, a grande maioria da população vai para as suas ocupações, trabalha, estuda, sobrevive. É por isso que a direita organiza as suas marchas com início nos bairros ricos. É por isso que recorre à violência, ao terrorismo e se localiza nos municípios de direita. Os bairros venezuelanos são em 90%, bairros populares. Compreende-se a enorme lacuna: os media transformam as ilhas sociológicas das camadas ricas (alguns % do território) em "Venezuela". E 2% da população em "população"…»

O texto integral pode ler-se AQUI em português e com muitas referências de fontes.
O texto original, de Thierry Deronne, encontra-se AQUI

Todos os autores são parciais, uns menos, outros mais. O que se pode esperar é que tragam outras luzes ao espaço sombrio da informação. E que as não desperdicemos, dominados por preconceitos.

23/07/2017

Porque hoje é domingo (89)

Nunca saberemos se Jesus disse realmente estas coisas e desta maneira, mas é assim que o evangelista e apóstolo Mateus nos fala numa passagem dos evangelhos que a Igreja invoca hoje nas suas homilias (Mt 13:24-43) e que reza assim:

40 Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo.
41 Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade.
42 E lançá-los-hão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.
43 Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai.

Isto devia ser um pretexto para os cristãos se perguntarem, como Augusto Gil na famosa Balada da Neve: Senhor, porque lhes dais tanta dor?! Porque padecem assim?!

17/07/2017

Passos Coelho em Pedrógão Grande

Passos Coelho não gostou de ouvir a forma como António Costa “se atirou a uma empresa”, o SIRESP, pelo seu desempenho na tragédia de Pedrógão Grande. Desempenho miserável que se repetiu, hoje mesmo, no incêndio de  Alijó!

Passos Coelho acha – diz ele – que o primeiro-ministro não deve criticar daquela maneira uma empresa privada que presta um desastroso serviço público. Já se fosse para elogiar ou mesmo inaugurar empresas, só podia apoiar, a julgar pelo que fez, e talvez bem, quando foi primeiro-ministro.

Fosse para inaugurar os Edifícios Centrais do Parque Tecnológico de Óbidos onde estão instaladas cerca de 60 empresas..., ou para promover a PRIMAVERA BSS, ou para inaugurar um novo hospital privado em Vila do Conde, ou ainda, abreviarndo, para inaugurar um grande investimento feito pelo grupo Ennerpellets em Pedrógão Grande!!!

Ele há coincidências.

15/07/2017

Obviamente pedirão a demissão

O primeiro-ministro português disse (no Debate da Nação) que a Altice teve um mau desempenho na tragédia de Pedrógão Grande e que, por isso, ele próprio decidiu escolher outra operadora para as suas comunicações pessoais.

O presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil é o coronel Joaquim de Sousa Pereira Leitão que, entre outras funções, já foi Director Municipal de Protecção Civil e Socorro, da Câmara Municipal de Lisboa... Atendendo ao seu desempenho na referida tragédia, não seria caso para António Costa escolher outro? Ou temos mesmo que voltar à questão da demissão da ministra da Administração Interna que o nomeou em Outubro de 2016?

António Costa já disse que não demitiria esta ministra nem o ministro da Defesa a quem se atribuem responsabilidades políticas no caso de Tancos. Logo, tudo indica que serão eles a ter que pedir a própria demissão nem que seja lá para Outubro, isto é, depois das eleições autárquicas. 

10/07/2017

Luta de galos militares


Marcelo Rebelo de Sousa vai ter no Conselho Superior de Defesa Nacional dois generais em rutura um com o outro: o chefe do Exército e um dos que se demitiram. 

(Texto do DN 2017-07-10. Composição de imagem deste blogue)

08/07/2017

Porque hoje é domingo (88)

Há dias, a polícia do Vaticano interrompeu uma orgia homossexual num apartamento afecto à Congregação para a Doutrina da Fé, organismo que, entre outras atribuições, tem a responsabilidade de lidar com os escândalos de abuso sexual de menores por membros da Igreja.

Agora parece-me ouvir "Sua Santidade" o Papa comentar, inspirado no Evangelho de S. João, cap.18, v.7: "Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar uma pedra". Só espero que haja alguém no local a filmar para sabermos o que acontece. E que haja pedras. E que haja uma ambulância, pelo sim pelo não.

02/07/2017

Às armas! Às armas!

O que tem de comum o caso de Pedrógão Grande e o desvio de material de guerra dos paióis de Tancos? 


Qualquer banco, centro comercial ou chafarica tem câmaras de vigilância para alertar ou, pelo menos, identificar as pessoas e as circunstâncias de um crime eventual contra a propriedade.

Além daqueles brinquedos, as grandes empresas são servidas por uns empregados mal pagos mas muito zelosos - é sempre assim - que nos habituamos a designar por "seguranças". Estes têm a vantagem de desencorajar e confrontar eventuais atacantes, prevenindo os crimes.

Só mesmo uma floresta antecipadamente ameaçada e uma unidade militar, porventura a mais perigosa de um país, prescinde de tais aparelhos e de guardas.

Eu sei que que os soldados, pagos ao nível do soldo, fazem falta noutros quartéis para  servirem de criados e de motoristas privados aos respectivos comandantes, mas não sobra um soldado ou um cabo - sargento já seria luxo - para permanecer nas instalações de um grande complexo militar a fim de alertar as "autoridades" em caso de roubo, assalto ou incêndio? 

Aqui fica a sugestão para o caso de nenhum coronel ou tenente-coronel se ter lembrado ainda... Com o devido e merecido respeito, continência e bater de tacão.

01/07/2017

O lado esquerdo da Venezuela

Enquanto a oposição "pacífica" ataca o regime bolivariano no campo de batalha da Venezuela, à pedrada, aos tiros, à granada, e os seus ecos europeus - orgãos de informação - calam o discurso oficial e ampliam a gritaria dos "respeitáveis" opositores Capriles e Leopoldo Lopez, ainda há quem se interrogue sobre o que está em causa.

(Pressionar na imagem para ampliar)




25/06/2017

Para memória futura

Um pouco por todos os lugares, aldeias e vilas que arderam, são muitos aqueles que se queixam de abandono, por parte das autoridades e instituições. “Eu não ponho culpa nas pessoas que estão no terreno, eles até se podem esforçar, mas quem manda neles não sabe o que está a fazer”, refere Paulo, naquilo que parece ser uma opinião muito comum, para não dizer unânime.
"Abandonados" em Observador 2017Jun24

Daniel Saúde tirou a primeira fotografia ao incêndio 39 minutos depois de ligar para o 112. Diz que esteve uma semana à espera de ser contactado pela PJ - “afinal fui eu que liguei para o 112” - e que por isso vai ser ele agora a ligar à polícia. A história do momento zero do fogo em Pedrógão.
Expresso.sapo.pt 2017Jun23

23/06/2017

É a Direita a politizar

Perante uma tragédia em que morrem 64 pessoas, se contam centenas de feridos e muitas propriedades são devastadas pelo fogo, o que menos domina as preocupações das vítimas sobreviventes é confirmar com rigor científico se o fogo foi desencadeado por um raio, por um cigarro  ou por um incendiário motivado por doença ou por dinheiro. Como se sabe da longa história dos incêndios florestais, tais averiguações não trazem nenhuma melhoria às populações.

De resto, sobre as causas e eventuais causadores, foi desencadeado um inquérito pela Procuradoria Geral da República logo que houve notícia das ocorrências.

Talvez seja por estas razões que o PCP e o BE desvalorizam a iniciativa do PSD no sentido de criar uma comissão técnica independente para esse fim.

Mas, ao contrário dos termos em que aquela pretensão de Passos Coelho  foi noticiada inicialmente, encontramos um alcance mais amplo; trata-se de apurar “as causas e circunstâncias diversas que estiveram na origem da tragédia ocorrida no sábado em Pedrógão Grande”. Não se trata apenas, portanto, da origem do incêndio mas sim da origem da tragédia e das respectivas circunstâncias.

Sendo evidente e confirmado que o Governo já havia tomado essa iniciativa, o que a Direita vem agora pretender é que essas diligências sejam feitas através duma comissão, isto é, sem a coordenação do Governo.

Se tivermos em conta que António Costa fez públicas as perguntas que dirigiu  às autoridades competentes e as respostas que já obteve, mais ociosa parece ser a criação da tal comissão. Pior que isso, do que sabemos como funcionam as comissões, o que parece é que as diligências expeditas do primeiro-ministro serão travadas por uma entidade burocrática e politizada – já se adivinham as discussões sobre a composição partidária da querida comissão…


Vem Conceição Cristas (CDS) espantar-se por o Governo fazer perguntas, vem Luís Montenegro (PSD) apelar a uma investigação “de forma célere” - «devemos em conferência de líderes, com carácter de urgência, acertar a composição, o funcionamento e os fins, da Comissão Técnica Independente que agora propomos" – e a gente tem que os levar a sério… e não politizar!!!

18/06/2017

discursos piedosos


Testemunhos

“Estamos isolados e desapoiados”, disse uma habitante, salientando que, durante o dia, não viu qualquer meio aéreo a operar naquele concelho.

O presidente da direcção dos Bombeiros de Castanheira de Pera concorda e vai mais longe: “se não fossem os castanheirenses ainda sobrava menos”.

Opiniões

Dão-nos lições sobre o aquecimento global, e depois não conseguem controlar um fenómeno que se repete cada ano, nas mesmas condições, como os fogos florestais. O vazio de liderança política é óbvio.
Rui Ramos / Observador

16/06/2017

Serões de televisão

À terça-feira temos talvez o mais equilibrado programa de debate: O Outro Lado. Mas dizer, como a respectiva promoção, que se trata de um programa com uma nova geração... que não se deixou "triturar" pelas máquinas partidárias", já é entrar numa linguagem fascizante! Para Salazar, por exemplo, o verdadeiro parlamento era o Governo; para João Adelino Faria, o verdadeiro parlamento é o seu programa de televisão.


À quinta feira temos oportunidade de revisitar o velho arco da governação num programa da SIC-notícias em que participam, invariavelmente, comentadores vindos do PS, do PSD e do CDS, “malgré” alguns paradoxos desta representação como é próprio de um programa que se chama “Quadratura do Círculo”. Desde que o inimigo principal seja o grande ausente, o pensamento socialista propriamente dito, eles pagam o mal que lhes sabe Pacheco Pereira pelo bem que lhes faz o seu prestígio e popularidade.


Também às quintas-feiras, às 22h30 na TVI24, nos é dado conviver (passivamente) com três figuras da política partidária mas, desta vez, o leque abrange a extrema esquerda e não a extrema direita – passe a extrema expressão. É a “Prova dos Nove”.

Também aqui, por coincidência, a figura com maior destaque pertence ao PSD – Paulo Rangel. Mas ao contrário de Pacheco Pereira, Rangel é um radical apoiante das políticas da direita – o que torna dispensável um representante do CDS.


À sexta-feira somos transportados pelo “Expresso da Meia Noite”, título que remete para uma história de pesadelo, no cinema, mas cujo significado enquanto programa de televisão invoca propriamente o patrocinador Jornal Expresso e a hora a que o programa é transmitido.

É claro que reflecte “o sistema dominante” – disso se encarrega o omnisciente Ricardo Costa. Mas traduz-se geralmente por um serão saudável quando é apresentado por esse tal Ricardo e o Nicolau Santos.


Ainda à sexta-feira, faz-se crochet em “O Último Apaga a Luz” da RTP3. Destaca-se o moderador, pela inteligência e bom-humor, apesar da modéstia, nas suas curtas intervenções. Raquel Varela desempenha o papel da arrogante intelectual de esquerda, uma espécie de Daniel Oliveira deste sítio, e o Rodrigo Não-Sei-Quê faz de conta que é um intelectual de direita.


Nas noites de sábado estamos com o governo, digo o “Governo Sombra”. É uma transmissão directa da TVI24.

Dizer que é irónico é já dizer que é inteligente. Geralmente! Quem tiver paciência para suportar o João Miguel Tavares, ganha com o que às vezes se aprende de Pedro Mexia (descontem-lhe algum reaccionarismo) e sobretudo com o que a gente se diverte (sem histeria) “à custa” do Ricardo Araújo Pereira.


Também ao sábado, há um serão alternativo para mazoquistas. É o
“Eixo do Mal” na SIC Notícias. É sobretudo o eixo da má-língua. Melhor dizendo: das más línguas. Um exibicionismo pessoal repugnante, uma arrogância intelectual insuportável, que cobrem de poeira os mais acertados argumentos que possam defender. 

No meio daquele galinheiro, quem menos agita a crista é Luis Pedro Nunes, o único que diz menos do que tem para dizer mas que se diverte mais genuinamente.




13/06/2017

Do alojamento local
e do capital


Julgava eu que a “economia de mercado”, a livre concorrência”, era o modo de funcionamento defendido pelos investidores e gestores no sistema capitalista. E que este sistema oferecia a melhor garantia de desenvolvimento económico, permitindo a selecção dos mais capazes e o critério justo de fixação dos preços.

Até que ouço um representante qualificado do sistema, a rebelar-se contra o recrudescimento do alojamento local, isto é, da oferta paralela à hotelaria tradicional por causa… da concorrência que aquele faz aos hotéis tradicionais.

“Tem que haver uma estratégia coordenada entre os empresários da hotelaria para aumentar os preços” – diz ele. E compara os preços nos nossos hotéis com os preços de Paris ou Londres!

Definitivamente eu não devia esquecer-me das teorias de Karl Marx, nomeadamente quanto à formação dos preços… Mas o velho sábio escreveu tanta porra que eu prefiro ver o senhor Carlos Leal discorrer, de forma resumida e até simpática, como funciona… o capitalismo real.

NOTAS
Carlos Leal é gestor de empresas e administrador do grupo IFA Hotéis & Resorts consórcio e parceiro de investimento, líder mundial no desenvolvimento de empreendimentos hoteleiros e residenciais, com operações que se estendem pelo Médio Oriente, Europa, África, América do Norte e Oceano Índico. As suas declarações foram prestadas em entrevista programa “Tudo é Economia” que é emitido na RTP3 às Segundas-feiras, pelas 23 horas.

Nada me move contra Carlos Leal que aqui é citado apenas como pretexto para tratar o sofisma do liberalismo económico. Menos ainda me move contra o programa de televisão referido e que até recomendo.

12/06/2017

A guerra da Informação

Arábia Saudita e Jordânia revogaram esta semana a licença de atividade de televisão da mais importante emissora do mundo árabe, a Al-Jazeera, com sede no Qatar. Os escritórios já estão a ser fechados em diversos países.

O governo da Arábia Saudita justifica esta medida “em função do canal Al-Jazeera ter colaborado com os planos de grupos terroristas, ter apoiado os houthis, que realizaram um golpe de estado no Iêmen, e ter tentado desestabilizar a situação na Arábia Saudita”.

Entretanto (09.06.2017) Sputniknews conta que…

O noticiado uso de armas químicas pelo exército sírio contra civis, que fez correr tanta tinta e lágrimas de crocodilo no ocidente, foi uma simulação encenada e realizada por equipas de profissionais do audiovisual.

Nas filmagens em questão terão estado envolvidos 30 carros de bombeiros e ambulâncias, bem como 70 moradores locais com crianças trazidas de um campo de refugiados.

"Para dar verosimilhança ao vídeo, as filmagens foram feitas com telefones celulares, de vários ângulos, bem como um drone. Depois do fim do 'processo de filmagem' cada participante, incluindo as crianças, terá recebido mil libras sírias e um conjunto de produtos alimentícios".

E não digam a ninguém que…

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que deputados opositores recrutam jovens para gerar distúrbios nas manifestações que a oposição realiza desde 1 de Abril e anunciou que enviará hoje, segunda-feira, uma carta ao papa Francisco solicitando a sua mediação com a oposição para evitar "utilizar crianças" em actos de violência durante os protestos. .
Em 11 Abril 2017 o Presidente Nicolas Maduro 
é alvejado com pedras pelos manifestantes... pacíficos!

05/06/2017

43 mortos dos que não contam

O Ministério de Relações Exteriores e Expatriados da República Árabe da Síria condenou os ataques aéreos realizados pela coligação liderada pelos Estados Unidos que teriam levado a 43 mortes de civis em Raqqa na última sexta-feira (2 de Junho).

Notícia recortada em Sputniknews.
(Não digam a ninguém...)

31/05/2017

Cerco e asfixia da Venezuela

Não há nenhuma revolta popular na Venezuela. Apesar da guerra económica, a grande maioria da população vai para as suas ocupações, trabalha, estuda, sobrevive. É por isso que a direita organiza as suas marchas com início nos bairros ricos. É por isso que recorre à violência, ao terrorismo e se localiza nos municípios de direita. Os bairros venezuelanos são em 90%, bairros populares. Compreende-se a enorme lacuna: os media transformam as ilhas sociológicas das camadas ricas (pequena percentagem do território) em "a Venezuela". E 2% da população em "a população".

A ex-presidente argentina Cristina Fernandez, depois de Evo Morales, denunciou: "a violência é utilizada na Venezuela como metodologia para alcançar o poder e derrubar um governo" . Do Equador, o ex-presidente Rafael Correa recordou que "a Venezuela é uma democracia. É através do diálogo, com eleições, que devem ser resolvidas as diferenças. Muitos casos de violência vêm claramente dos partidos da oposição . Esta também é a posição do Caricom, que inclui os países do Caribe . 

O papa Francisco teve que incitar os bispos da Venezuela que, como no Chile em 1973, arrastavam os pés face ao diálogo nacional proposto pelo Presidente Maduro. Este lançou o processo participativo para a Assembleia Constituinte, e confirmou a eleição presidencial legalmente prevista para 2018. 

Isto é um excerto de uma análise alternativa à opinião corrente nos meios de informação europeus. O artigo completo de Thierry Deronne está publicado em português em resistir.info 

Para além da estratégia de cerco e asfixia da Venezuela, depois de Cuba e na sequência da destituição de Dilma Roussef no Brasil, reconheço o carácter polémico do artigo acima transcrito, mas não duvido de que «qualquer manifestante que mata, destrói, agride, tortura, sabota sabe que será santificado pelos media internacionais. Estes tornaram-se um incentivo para prosseguir o terrorismo. Todos os mortos, todas as sabotagens económicas serão atribuídas ao "regime"».

29/05/2017

Miguel Urbano Rodrigues

Entrevista de Miguel Urbano Rodrigues em 2008

Se «há homens que lutam toda a vida» com carácter revolucionário em todos os sentidos, homens a quem Bertold Brecht chamou  de  «imprescindíveis»,  Miguel Urbano Rodrigues é um desses.

Eu costumava dizer entre amigos que ele era o herdeiro mais legítimo do título que por graça atribuíamos ao Mário Castrim enquanto este era vivo: "Sectário Geral do PCP". Polémico, pelo menos, era ele - eram eles. No caso do Miguel dei nota disso há vinte dias num post que publiquei AQUI.

Só há poucos anos descobri que um dos homens mais viajados que eu conhecia, um verdadeiro revolucionário internacionalista, estava a viver aqui mesmo em Vila Nova de Gaia, o que me proporcionou assistir a uma conferência sua e questioná-lo pessoalmente sobre a situação da Venezuela, sabido que ele conhecia a América Latina como rara gente conhecia - esteve no seio das FARC, por exemplo. Ao tempo da conferência, ressalve-se, a Venezuela era ainda presidida por Chavez.

Agora recebo a notícia de que o meu mítico vizinho acaba de falecer. Foi ontem. O funeral parte da Lapa, no Porto, hoje às 16 horas. 

24/05/2017

Perguntar não ofende

Sobre as reacções ao terrorismo do "Estado Islâmico":

Que aproveitamento está a ser feito pelos governos ocidentais no sentido de tolerar a sua política nacional em nome do combate ao inimigo comum?
Quanto custaria aos estados uma boa campanha de integração social e esclarecimento anti-terrorista, em comparação com os custos das medidas excepcionais de segurança necessariamente ineficazes?
Onde estão os discursos de autoridades religiosas islâmicas de repúdio pelos ataques terroristas e fazendo a pedagogia da paz? (Excepção feita ao imã da mesquita de Lisboa, David Munir, e à tomada de posição no primeiro congresso de Autoridades Religiosas Muçulmanas em Amã… em 2005 e de alcance ambíguo.)

15/05/2017

Irracionais graças a Deus

“A música não é fogo de artifício”, disse Salvador Sobral. Tomadas à letra, estas palavras soam… artificiais. Mas nós não somos computadores e, portanto, percebemos a intenção da metáfora apesar de sabermos que a música também é fogo de artifício – desde logo o hino oficial da União Europeia, o chamado Hino à Alegria, da Nona Sinfonia de Beethoven.

A música, como todas as artes e artifícios, é expressão da natureza irracional do ser humano – é sentimento como disse Salvador. Se lhe juntarmos outras dimensões como a religião e o futebol, por exemplo, percebemos como somos irracionais e como isso é necessário à nossa felicidade.

Ainda bem que há um refúgio para o desespero. Se for a religião, que seja. Ainda bem que há espaço para a euforia. Se for um campo de futebol, que seja. Ainda bem que não somos robots, se isso é o domínio das artes, tanto melhor. Ser humano é ser frágil, irracional e sentimental.

No dia 13 de Maio de 2017 os portugueses testemunharam esta experiência, esta santíssima trindade, de uma só vez. Tantas emoções positivas num só dia mais parecem milagre. Se “uma desgraça nunca vem só”, uma graça também não, ao que parece. Ocorreu em Fátima, na Luz e em Kiev – foi no televisor de lá de casa. Uma enorme multidão celebrou o centenário das “aparições”, uma grande multidão celebrou “o tetra” do Benfica, uma multidão celebrou a vitória de Portugal no Festival da Eurovisão. Para os portugueses emigrados em França, a imponente tomada de posse de Macron apagou-se nas sombras dos Campos Elíseos.

Seria injusto não assinalar neste contexto, o sofrimento de todos aqueles que são derrotados num concurso, num campeonato, numa celebração sectária, mas deixemos isso para um dia em que estejamos tristes e então solidários com todos os vencidos.

Foto RTP recolhida no Google

11/05/2017

Salvemos a Irmã Lúcia

Com a inteligência que "Deus me deu” – o Deus cristão, entenda-se – sou levado a descrer das aparições da Virgem Maria que também dá pelos nomes de Imaculada Conceição, de Nossa Senhora de Fátima, de Lurdes e de tudo o que a imaginação popular inventou e a Igreja oportunistamente sancionou.
Maria, aquela de que aqui se fala, seria uma jovem de 19 anos quando pariu Jesus “por obra e graça do Espírito Santo” como bem esclareceu um tal Gabriel a quem chamaram anjo para não levantar suspeitas – os anjos não têm sexo…
«Nascer de uma virgem fecundada por um deus ou por um seu emissário foi um mito bastante difundido em todo o mundo anterior a Jesus» - diz Pedro Barahona de Lemos, identificando “pelágios” ocorridos na China e no Japão, no México e na Pérsia, entre outros, séculos antes de Jesus.
Quase tão misteriosa como a gravidez de Maria foi a vida e a morte, esta tendo ocorrido quando ela tinha entre 38 e 48 anos de idade, segundo historiadores, ou nunca tendo ocorrido, segundo Pio XII e papas seguintes até o actual Francisco incluído.
Fosse como fosse, Maria teve mais sorte do que a sua amiga Lúcia, vidente de Fátima, cuja inocência foi aproveitada pela Igreja Católica com sacrifício de uma vida sexual saudável e reclusão rigorosa, sacrifícios a que a falsa virgem Maria nunca esteve sujeita.
Pela libertação de Lúcia, essa sim, enquanto mártir da Igreja, eu iria a Fátima a pé. E quem diz Lúcia diz todas as vítimas do obscurantismo religioso.

Pedro Barahona de Lemos é aqui citado quanto ao seu livro "Todos Somos Lázaro"

08/05/2017

Contra-corrente

«Na verdade, quem defende a libertação da França das garras do Euro e da UE; a indústria nacional ameaçada de deslocalização; os direitos sociais e o aumento dos salários reais dos trabalhadores; a distensão internacional e o combate à russofobia é a sra. Marine Le Pen. Assim, a verdadeira extrema-direita francesa é representada pelo sr. Macron. Esse facto não pode ser alterado pela algazarra mediática.»
Miguel Urbano Rodrigues

«Sejam quais forem as críticas que se façam a Mme Marine le Pen, e já fiz várias neste blog, a decência obrigaria aquela mesma boiada a declarar que nada há de " fascista ", nem no programa dela nem no comportamento de seu movimento. Não há milícias armadas pelas ruas. E as que há vêm, já há anos de outro lugar, que não é a Frente Nacional. »
...
«(O programa de Macron) é um programa de destruição do Direito do Trabalho, programa de uberização da sociedade. Além disso, é programa que traz um projeto de sociedade no qual os indivíduos seriam completamente atomizados, entregues a lei do mercado e do " pagamento frio no guichê ", do acordado sobre o legislado. Esse programa, sim, provoca graves inquietações. E são inquietações legítimas. São inquietações de tal ordem que absolutamente proíbem que se vote a favor de Emmanuel Macron. »
Jacques Sapir, 2 de Maio de 2017

Importante: Estes excertos merecem ser contextualizados nos artigos originais que podem ser consultados em resistir.info. Mas não deixam de traduzir a opinião expressa dos seus autores, conhecidos ideólogos de esquerda, que certamente ajudam a entender a incoerência aparente de muitos eleitores de esquerda.

04/05/2017

Mon ami françois

Eu tenho um grande amigo francês. Foi-me apresentado pela Elsa embora ela própria o não conhecesse… pessoalmente. Nunca agradecerei o suficiente a este amigo pelo que faz e, sobretudo, pelo que já fez por mim.

Nos meus momentos de solidão, ele está sempre disponível para me fazer companhia. Às vezes damos um passeio ao lado do rio, depois de jantar, quase em silêncio, e tanto basta para me ir deitar depois tranquilamente. E quando tenho necessidade de luz e movimento, de gente, agitação, ninguém como ele me proporciona esse ambiente, à minha escolha e sem as desgastantes negociações a que seria obrigado com outros amigos ou amigas.

Por mais de uma vez foi ele que me ajudou na doença. Fosse para me deslocar ao hospital ou para me levar ao restaurante, incapaz como eu estava para fazer refeições em casa, era ele que me socorria. Não digo que outros não gostassem ou até não quisessem ajudar, mas todos estão ocupados ou distraídos das nossas necessidades quando mais precisamos duma ajuda.

Com este meu amigo, é diferente. Em troca, apenas pede que o alimente com o indispensável: cerca de cinco litros e meio de gasolina a cada cem quilómetros, uma mudança de óleo a cada quinze mil e quase nada mais.

Com um amigo assim ninguém está só nem precisa de estar triste. Aqui lhe deixo a homenagem que merece. Chamo-lhe “Mon ami Peugeot”.

É tudo o que se me oferece dizer sobre o debate desta noite entre Le Pen e Macron, certo de que o debate que importa pôr "Em Marcha" vai ser travado nas ruas. Pó pó, saiam da Frente!

01/05/2017

La nave va... mal

O “incompreensível” triunfo (do discurso) de Donald Trump foi o resultado político do fracasso neoliberal nos Estados Unidos. E o “incompreensível” apoio popular à demagogia de Marine Le Pen é a expressão política da rejeição duma União Europeia economicista, divisionista e arrogante. Como o “incompreensível” voto dos britânicos.

Neste mar de mistérios convenientes para ocultar um modelo socio-económico insustentável, La nave va… e ninguém dá atenção ao cadáver que transporta. Inebriados com discursos e abraços, os passageiros dançam, nos salões da sua própria demagogia, La Brusselese.

27/04/2017

O preço do voto em Macron

Andaram a espalhar o terror sobre a candidatura de Mélenchon à presidência da França, na primeira volta, e dizem que ele é igual a Le Pen. Mas reclamam dele o sentido de “responsabilidade democrática” de que precisam para fazer vingar o candidato conservador na segunda volta.

Em Portugal já vimos como foi em circunstâncias comparáveis: o PS de Mário Soares coligou-se com o CDS (1976) enquanto, noutra oportunidade, o "irresponsável" PCP recomendou o voto em Mário Soares (1986).

Entretanto fica a pergunta: como votariam os pregadores do “bom-senso” se fosse Mélenchon a disputar a segunda volta em vez de Macron?

16/04/2017

Para Zita com ira

Sempre me ficou, e para sempre, a dúvida sobre se alguns programas e formas de os realizar, que vejo actualmente na televisão, não são inspirados ou copiados de projectos ou ideias que sugeri sem sucesso enquanto trabalhei para a RTP.

Reconheço, no entanto, que é um fenómeno frequente e histórico ocorrer a mesma ideia, por mais imprevisível que pareça, a diferentes pessoas em alturas e lugares diferentes. A investigação científica é talvez o domínio mais relevante deste fenómeno.

Mas ao assistir ao programa Governo Sombra especial de Páscoa, em que o tema é “Os sete pecados capitais" em política, não posso deixar de ver coincidência a mais com um comentário de Fevereiro de 2015 (!) publicado em Mito e Realidade a propósito de Zita Seabra, a convidada especial do programa de hoje:

Anónimo disse...
A má-fé move Zita Seabra.
A estupidez move(u) a irmã Lúcia.
A luxúria move Catherine "Portas" Deneuve.
A vaidade move Santana Lopes.
A ganância move José Sócrates.
A gula move Alberto João Jardim.
A inveja move-os a todos.
E todos nós sentimos ira ao observá-los, mas temos preguiça de os travar.
2005Fev17

Já de Zita Seabra não vale a pena dizer mais do que ela disse no programa com algum interesse e seriedade: nada! São estes maus exemplos de dissidências que alimentam a soberba do "partido com paredes de vidro", retirando força a quem sai pelas melhores razões.

NOTA: A imagem acima é uma composição deste blogue.

10/04/2017

Terroristas bons

Há terroristas bons e terroristas maus, segundo os governos ocidentais – e quem diz os governos diz os seus porta-vozes na política e nos orgãos de informação. Os primeiros são chamados “moderados” e recebem apoio financeiro e militar da Europa e dos Estados Unidos da América para combater o presidente sírio.

No dia 4 de Abril de 2017, o exército governamental sírio atacou uma base de “terroristas bons” e daí resultaram 58 ou mais de uma centena de mortos, conforme a fonte, tendo-se apurado que muitas das vítimas acusavam efeitos de armas químicas "proibidas".

Os EUA, sem investigarem a procedência de tais armas e sem aprovação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, reagiram com o lançamento de 59 mísseis Tomahawk contra a base aérea de Shayrat (província de Homs) da qual terão partido os ataques sírios.

O Exército sírio nega a autoria de qualquer ataque com armas químicas, garantindo que nunca o fez nem o fará, e a Rússia admite que os produtos químicos letais não fossem lançados pelo exército sírio mas que estivessem armazenados num depósito oculto, dos terroristas, e por isso tenham sido atingidos.

“Os rebeldes” – como também são designados pelo ocidente os "terroristas bons"– negam as acusações e os ocidentais tomam estes por fontes credíveis.


Nunca se saberá a verdade, muito provavelmente. Esta é a grande vantagem dos verdadeiros autores do uso das armas químicas. E a opinião pública fará o “seu” juízo com base na opinião publicada. Talvez por isso estejamos a assistir a tanta unanimidade nos orgãos ocidentais de informação onde, de resto, só é ouvida uma parte dos actores políticos deste conflito. O próprio Donald Trump surge nestes meios travestido de homem justo.

Entretanto, em Boston, Massachusetts, americanos dizem que querem diplomacia para resolver a questão síria, e não mísseis. Para os envolvidos nas manifestações que ocorrem em pelo menos 35 cidades dos EUA, a motivação humanitária de Trump não passa de uma desculpa, muito parecida com a utilizada por George W. Bush em 2003 (invasão do Iraque), para atacar a Síria com o objetivo de derrubar o actual regime, matando ainda mais civis durante o processo.


A História ensina que provavelmente nunca saberemos a verdade, como disse, mas também ensina o que tem acontecido noutros episódios, isto é, qual a estratégia político-militar predominante nos EUA:

1) Provocar os países incómodos (de preferência através de rebeldes, verdadeiros ou falsos, desses países);
2) Acusá-los de iniciar hostilidades (com base na reacção às provocações);
3) “Retaliar” brutalmente (com a legitimidade da opinião favorável publicada);
4) Alimentar o descontentamento interno desses países hostis até à substituição do Poder por dirigentes pró-ocidentais.

A propósito: Venezuela, te cuida!

08/04/2017

Trump é bruxo?

Quem não se lembra da galhofa universal que Donald Trump provocou em Fevereiro quando se referiu a um ataque terrorista na Suécia? O homem estava drogado como sugeriu então o ex-primeiro ministro sueco, ou apenas profetizou o que veio acontecer agora?



O caso faz-nos pensar que Donald Trump tem dotes adivinhatórios, sobretudo se lhe juntarmos a informação de origem desconhecida segundo a qual a Síria terá usado armas químicas proibidas, num ataque realizado na terça-feira e que terá causado a morte a dezenas de pessoas.

Também há quem diga que as alusões exageradas ao terrorismo e as acusações sem prova acerca do uso de armas químicas são pretextos para as políticas anti-imigração e anti-Assad. Mas vá lá a gente adivinhar, a gente que não é bruxa...

Para quem não aprecia textos sarcásticos sobre matérias tão sensíveis, recomendo a abordagem de Bernie Sanders, AQUI, sobre o assunto. Entre outras questões, o ex-candidato à Casa Branca pergunta qual é o contributo desta intervenção de Trump para a resolução diplomática do conflito, pergunta que ecoa em manifestações que ocorrem em pelo menos 35 cidades dos EUA.

05/04/2017

Eleições no Equador

O seu opositor nesta eleições foi Guillermo Lasso. «Un informe de la Superintendencia de Bancos de Panamá, al que tuvo acceso el portal argentino "Página 12", reveló que Guillermo Lasso está asociado a 49 empresas offshore en paraísos fiscales y acumuló entre 1999 y 2000 una riqueza de 30 millones de dólares».

27/03/2017

De Londres a Barcelos

O que tem de comum o crime de Barcelos e o crime de Londres, e quem diz Barcelos diz Ovar, e quem diz Londres diz Orly?... Um desesperado sentimento de vingança social ou individual, política ou passional, um desprezo pela própria vida, uma coragem irracional.

Um homem sente-se rejeitado por alguém ou por alguma comunidade. Não tem como vencer essa situação. Desespera. Agiganta-se a percepção de estar a ser vítima de uma enorme maldade: afinal ele está a ser traído ou perseguido –convence-se. O ódio empresta-lhe a coragem necessária para uma vingança violenta; a vitimização empresta-lhe a justificação moral.

Por fim entrega-se vivo ou morto. Sabia desde início que a sua vida terminaria com esse acto desesperado. Enterrado num cemitério ou numa prisão, já não lhe interessa – é um suicida. E, afinal, “o indivíduo mata-se para deixar de sofrer”.

O fenómeno não é novo: desde a Idade Média, pelo menos, que os sicários existem e estão longe de ser um fenómeno islâmico. E, em última análise, nem sempre será fácil distinguir certas missões militares de países ocidentais, de suicídios colectivos. Muito menos será fácil distinguir a crueldade jihadista, dos genocídios perpetrados pela Coligação Internacional (Norte-Americana) – que o digam os martirizados povos do Médio-Oriente, isto é, os que ainda puderem falar.


Recorte de jornal recolhido AQUI

23/03/2017

Matriz populista

De Hitler a Estaline, de Péron a Fujimori, de Marine Le Pen a Donald Trump, e outros, o populismo não é mais que personalismo e autoritarismo - o que importa é o líder, não a lei.

O populismo vai buscar a sua legitimidade à "vontade popular" que mais não é do que a convicção incutida nas massas por meios retóricos, e assenta o seu funcionamento num sistema unipartidário de facto. É uma forma de ditadura consentida, um regime em que a fé dos cidadãos nas promessas do caudilho dispensa liberdades e direitos.

Lá onde as estruturas convencionais e democráticas se mostram incapazes de satisfazer os anseios das populações, o messianismo emerge para adiar o desespero. Lá onde a corrupção descredibiliza a "classe política", o messianismo emerge para tomar conta do Poder.

GÉMEOS POPULISTAS

«Considera-se que, não sendo estadista mas o líder de uma empresa cujo único objectivo é manter os equilíbrios precários dentro da sua coligação, Fulano não se apercebe de que à segunda-feira diz uma coisa, e à terça diz precisamente o contrário; que, não tendo experiência política nem diplomática, é dado a gafes; que fala quando não deve falar; que deixa escapar afirmações que é obrigado a negar no dia seguinte; que confunde os assuntos privados com os públicos a tal ponto que já se permitiu fazer gracejos de péssimo gosto sobre a sua própria esposa na presença de ministros estrangeiros – e assim por diante.

Neste sentido, a figura de Fulano predispõe-se à sátira; os seus adversários consolam-se muitas vezes pensando que ele perdeu o sentido das proporções, e esperam que Fulano vá correndo atrás da sua própria destruição sem se dar conta».

Não, o Fulano a que se refere Umberto Eco no texto acima, não é Trump, é Berlusconi. E o texto é datado de 2006!
(A Passo de Caranguejo, Ed. Gradiva).

A propósito: já repararam como ambos, Trump e Berlusconi, dominam a Televisão? E como ambos se escondem atrás de um sorriso permanente - um encenado optimismo?



Dir-se-ia que há qualquer coisa de politicamente genético no populismo. Mas não se trata de uma corrente ideológica, trata-se de uma técnica, trata-se de mimética. Trata-se de um método de comunicação inspirado na experiência de vendedor, como Eco refere em relação a Berlusconi e poderia agora referir em relação a Trump se o filósofo não tivesse falecido um ano antes de Donald Trump ser eleito para presidente dos Estados Unidos da América.

22/03/2017

São os líderes europeus


Está visto: quando o presidente do Eurogrupo, Dijsselbloem, se desloca aos outros países (à nossa custa!), só se interessa por bares nocturnos. Não admira que tenha dos países do sul da Europa a imagem grosseira que manifestou em entrevista recente.

Lamentamos muito ter que informá-lo que o seu querido Elefante Branco encerrou as suas portas em Dezembro de 2016. Mas pode sempre ir embebedar-se e etc. para outros sítios – afinal “as gajas” não morreram, só mudaram de casa.

Entretanto convém acrescentar que este exemplar da liderança europeia não diz o que disse por descuido - olha quem! Ele prossegue uma dupla estratégia: desviar as atenções da derrocada em curso da sua União Europeia, por um lado, e cavar a separação entre a Europa Boa e a Europa Má, com fins populistas junto da clientela que lhe interessa.

Pensar que o falso Mestre em Economia Empresarial pelo University College Cork da República da Irlanda, fez as declarações que fez por mero acaso, seria de uma perigosa ingenuidade. Espero voltar ao assunto numa próxima reflexão sobre populismos.

20/03/2017

Amantes improváveis

o autor
Federico Garcia Lorca (1898-1936) foi o autor escolhido pelo Teatro dos Aloés para iniciar a programação deste ano dedicado à cultura ibérica.

Nome maior da cultura espanhola e universal, homem da poesia, do drama, da pintura, da música, seria barbaramente assassinado pelas tropas franquistas tornando-se assim uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.

a personagem

Dom Perlimplim, velho com uma alma pura, virginal como um menino, fechado nos seus livros, sem sair de casa, do seu jardim, nunca conheceu a vida. Belisa, a branca Belisa magnificamente bela, não é mais do que um animal sem alma. Indiferente à sua própria crueldade e egoísmo, é no entanto uma personagem atraente porque o são sempre a juventude e a beleza. Marcolfa e a Mãe de Belisa tratam de os unir. Dá-se início a um magnífico ritual dramático de iniciação ao amor.

 Texto transcrito da promoção

05/03/2017

Porque hoje é domingo (87)

Dia 5 de Março de 2017

A Igreja tenta a nossa inteligência, o nosso discernimento até, com disparates os mais inverosímeis e infantis.

Neste domingo invoca-se o episódio fantasioso das tentações de Jesus no deserto: “Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.” (Mateus 4:1)

E a gente pergunta, com espanto:
1) tratando-se de um encontro de Jesus com o diabo no deserto, quem o testemunhou para que seja narrado nos Evangelhos oficiais de Mateus, Marcos e Lucas?
2) que sentido tem que “o Espírito” conduzisse Jesus “para ser tentado”? Deus não tinha confiança no seu Filho?
3) que pacto tinha Deus com um tal “diabo” para que entre eles organizassem esta sessão-teste?
4) que coisa é essa, “o diabo”, por quem Jesus aceitava ser interrogado?

“Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo…” “Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto…” (Mateus 4:5e8)

Será que vale a pena continuar a analisar o texto “sagrado” em que se baseiam as homilias deste domingo? Não é demasiado ridículo?

Só há uma explicação para que a Igreja mantenha esta narrativa absurda: é que ninguém a leva a sério! Trata-se afinal, na melhor hipótese, de um conluio de mentirosos bem-intencionados que se destina a anestesiar as dores morais ou psicológicas do “povo de Deus”.

Como terá dito Karl Marx em defesa desta tese benigna, trata-se do ópio do Povo.

04/03/2017

Abaixo a privacidade

«Aqui está uma questão de regime: tem o parlamento o direito de exigir as comunicações privadas de um ministro, como os SMS? Pode então convocar Domingues, Centeno e Lobo Xavier (e, por via dele, o Presidente) para exibirem os SMS que mandaram ou que viram? Deviam ter pedido os SMS entre Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa sobre o Banif? Ou entre Vítor Gaspar e Paulo Portas nas suas demissões? Ou entre Centeno e o primeiro-ministro? Ou entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa?»

Acabo de ler AQUI este interessante raciocínio de Francisco Louçã e ponho-me a imaginar outras espreitadelas que gostaria de fazer. Assim "à primeira", ocorreu-me a troca de mensagens entre Passos Coelho e Miguel Relvas.
Aceitam-se outras ideias! Afinal não é assim que se descobrem... os criminosos?!

25/02/2017

"Angola é nossa"



Desde o início dos anos 90, o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, abandonou progressivamente a ideologia marxista e estabeleceu uma economia liberal em Angola.

A sua família é detentora de imenso património, que inclui casas nas principais capitais europeias, participações em grandes empresas, holdings em paraísos fiscais e contas bancárias na Suíça - um património acumulado ao longo de décadas de exercício do poder.

Os seus adversários acusam-no de ignorar as necessidades sociais e económicas de Angola, concentrando-se em acumular riqueza para a família, ao mesmo tempo em que silencia a oposição ao seu governo.

19/02/2017

Porque hoje é domingo (86)

A liturgia católica deste Domingo, 19 de Fevereiro, reúne duas passagens da bíblia. Uma é retirada do Novo Testamento e outra é recolhida no Velho Testamento. A primeira menciona a ressurreição de Jesus (Mc 9,2-10). A segunda (Gn 22,1-2.9-13.15-18) revela uma das muitas crueldades do Deus “todo misericordioso”.

Transcrevo esta última.

«Naqueles dias, Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: “Abraão!” E ele respondeu: “Aqui estou”. E Deus disse: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá e oferece-o aí em holocausto sobre um monte que eu te indicar”.

Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha, em cima do altar. Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho. E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: “Abraão! Abraão!” Ele respondeu: “Aqui estou”. E o anjo lhe disse: “Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único”.

Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho. O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu, e lhe disse: “Juro por mim mesmo — oráculo do Senhor —, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único, eu te abençoarei…».

E agora digam-me, diante de tal exigência de Deus ainda que revogada depois mas não na memória da criança, certamente, o que é terrorismo! Quem leu o meu artigo do domingo anterior, não tem que estranhar – a religião alimenta-se do medo, não da fé.

18/02/2017

Os falsos milagres económicos

Para juntar algumas palavras, apenas deixo uma interrogação: A União Europeia ainda pode ser reestruturada ou a dinâmica interna, nomeadamente a diferença entre países influentes e países obedientes, mas também a bíblia ideológica, resistirão à mudança até ao seu colapso?

12/02/2017

Porque hoje é domingo (85)

Falando do tempo em que Jesus falava sem intermediários, o intermediário Mateus conta de ouvir contar (Mateus 5,17-37), que o Mestre terá dito aos seus discípulos coisas como estas que a Igreja Católica invoca neste domingo sem qualquer preocupação com o rigor histórico das citações.

(5,21-22) «Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno».

Quem se lembra do comportamento de Jesus na “expulsão dos vendilhões do templo” fica preocupado com a sorte do Mestre. Para já não falar dos “mimos” com que insultou não poucas vezes os seus apóstolos e outra gente que o seguia, por não terem fé!

Como nenhum desses episódios merece grande credibilidade, fica a intenção da Igreja na gestão dos bons costumes ou até dos chamados direitos humanos.

Já a ameaça com o fogo do inferno me parece mais grave pelos efeitos traumatizantes que provoca nos crentes. E quem de vós não tem razões de queixa nesta matéria, que me atire a primeira pedra – passe a metáfora!!!

Outra passagem do texto invocado, refere esta sentença de Jesus: (25-26) «Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo».

Aqui Jesus esquece que não veio “para mudar a Lei mas sim para cumpri-la”, segundo rezam as escrituras, mas isso que importa se as suas contradições são bem intencionadas? – isto já eu aprendi nos discursos políticos nossos contemporâneos!

Mas nem tudo é aceitável à luz das boas intenções, nas apreciações legislativas de Jesus – digo eu. Cito apenas e sem comentar, a seguinte passagem do texto de hoje que a Igreja teria dificuldade em justificar se os fiéis tivessem a coragem de questioná-la:
(32) «Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério».

Só para que não restem dúvidas sobre o tipo de ameaças com que Jesus e/ou a Igreja nos vem traumatizando desde a infância, deliciem-se com estes exemplos que fazem parte do mesmo capítulo do Evangelho de Mateus (5,29-30):

«Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. Se a tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno.

E assim vive o crente permanentemente ameaçado pelo sentimento de culpa mais inconsistente, pelo traumatismo mais doloroso, pela ameaça mais perturbadora, de inferno em inferno.

Rejubiem, meus irmãos – digo eu – porque no Inferno, pelo menos pode-se fumar à vontade!

08/02/2017

Rajoy em bicos de pés

O Chefe do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, acaba de se oferecer ao presidente dos EUA, Donald Trump, para servir – palavra adequada! – de interlocutor entre os Estados Unidos da América e... a Europa, a América Latina, o Norte de África e o Médio-Oriente. Nada menos!

Com esta iniciativa, Rajoy certamente tirou um grande peso dos ombros de Merkel, de Tajani, Task e Junker (presidentes do Parlamento Europeu, do Conselho Europeu e da Comissão Europeia) e de António Guterres (Secretário Geral da ONU), para já não falar de Luis Almagro da Organização dos Estado Africanos (OEA).

Como Trump não levou a sério a proposta, nem sequer se deu ao trabalho de perguntar de que lado do muro com o México é que Rajoy se situava – mas isto já sou eu que digo...

07/02/2017

Contradições insuperáveis



O recrudescimento do terrorismo nos conflitos internacionais alimenta juízos e estratégias que podem extravasar a racionalidade e tornar-se, elas próprias, perigosas para as vítimas do terrorismo.

As medidas de Donald Trump bastariam para ilustrar e demonstrar esta tese. A perversidade a que levam tais juízos e estratégias é-nos relatada nos noticiários: são as novas “medidas de segurança interna” em suposta alternativa à “segurança mundial”, e os seus efeitos para os próprios americanos, nomeadamente em matérias económicas e dos direitos individuais.

Por outro lado, e com as notícias actuais sobre a contestação das grandes multinacionais americanas, ficam à vista as contradições insuperáveis de profetas imperiais como Trump.


Cruzando uma sentença de Jesus Cristo com uma tese de Karl Marx, diria que “é mais fácil a um camelo passar no buraco de uma agulha” do que os interesses dos povos – onde for o caso – passarem no crivo dos exploradores, corruptos, negociantes de armas…

Qualquer coisa me diz que Trump chegará a uma espécie de concertação social em que… as multinacionais sairão satisfeitas e tudo voltará à "normalidade" - numa primeira fase.