Porque hoje é domingo (8)

Proclamamos que Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu "com corpo e alma" – diz a Igreja Católica. O assunto é demasiado fantasioso para perdermos tempo com ele. Se a história da “Virgem” é já por si um insulto à inteligência, a subida da senhora ao céu, não pode ter outro sentido que não seja o de fazer inveja à NASA.

Mas porque hoje é dia de falar da cousa religiosa, assinalemos a “ascensão” do Papa a Espanha, a sua angelical visita no contexto de um país em conflito social, a sua doce presença silenciosa a poucos metros das agressões policiais contra manifestantes laicos.

É a missão histórica de uma Igreja que nos enche os ouvidos com a palavra paz a fim de que os descontentes não protestem, os marginalizados não reclamem, os explorados não se revoltem – para que todos peçam a Deus as bençãos que Deus nunca concedeu nem devia ter de conceder uma vez que o mundo devia ter sido criado por Ele já com todas as condições que o amor de pai criaria para seus filhos – se esse Deus existisse, claro.


Faz bem o nosso cardeal patriarca Policarpo, em criticar «os grupos de classe que fazem reivindicações contra as medidas impostas pela 'troika'». Já era altura de um bispo despir o manto diáfano da hipocrisia com que se paramentam os profissionais da religião e assumir que a Igreja tem objectivos políticos e sociais que “em verdade, em verdade vos digo”, coincidem no que importa com os interesses dos grupos privilegiados. Afinal que diferença encontra ele entre a troika e a Santíssima Trindade?

Finalmente não posso deixar de expressar os meus votos de que as centenas de bispos, os milhares de padres e de freiras, e muitos mais jovens que de outro modo estariam aborrecidíssimos nas suas vidas de tédio, aproveitem bem esta oportunidade para se divertirem e se conhecerem...
Afinal, pensando melhor, é possível de algum modo "subir aos céus".

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