a política


Menos de um ano depois de entrar para a RTP, dá-se a Revolução de Abril. Havia muito que eu via a Revolução «nos olhos dos pobres, nas barricadas dos livros, no ódio à palavra guilhotina», como diz o José Gomes Ferreira. E que nas minhas mãos nasciam armas como nasciam cravos... Modestamente, eu já estava na Revolução desde muito jovem, como activista da Juventude Operária e afins. Mas fiquei tão desconfiado da euforia popular, que nem quiz participar no primeiro grande comício que então se realizou na baixa do Porto. Na verdade ainda hoje desconfio da consistência de todas as euforias populares.

Esta frieza ou dureza política, se assim quizermos chamar-lhe, seria alimentada ainda mais no interior da Televisão que, como se imagina, passou a ser uma barricada dos confrontos da época. Para mim, para os meus, o confronto entre o fascismo recalcitrante e a democracia emergente. Para outros, o conflito entre a social-democracia e o "stalinismo". E há os outros, ainda - há sempre outros.



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