29/08/2008

A Geórgia que se cuide !

Se julgava que o eixo-do-Bush vinha a correr com armas e bagagens para secundá-la na aventura da ofensiva contra a Ossétia do Sul, mediu mal o eixo e exagerou nas suas ambições: na melhor das hipóteses a NATO pode oferecer-lhe uma cadeira - nada que se pareça com um trono. E mais tarde ou mais cedo vai ter que se entender com a própria Rússia tal como eu tenho que me entender com os moradores da Quinta do Moxo – é uma questão de vizinhança.

A minha opinião não vale mais do que o envólucro de bala disparada, mas diz-me a intuição, mãe das ciências e de muitos enganos, que a Russia pôs o Sarcozy, a Ângela e a Condoleezza a espumar, não porque tivesse cometido um erro político (isso fá-los-ia delirar de riso) mas porque lhes deu um xeque-mate: usando dos argumentos, mutatis mutandis, do caso Kosovo, satisfazendo os anseios de uma população, mantendo a sua influência na Ossetia do Sul, reconheceu-lhe a independência, isto é, retirou à Geórgia e ao eixo-de-Bush o “direito de uso” a que aspiravam sobre aquele território.

Enquanto os líderes e os jornais do ocidente “ladram”, a caravana passa – a caravana russa. E a Geórgia assiste impotente, vítima de si própria.

(Recomendo a leitura de um texto de Mike Whitney, AQUI !)

1 comentário:

lino disse...

Até que enfim, consigo ler um bloguista sem papas na língua no que concerne à aventura georgiana (no duplo sentido da Geórgia Estado e do George W.). Parabéns!