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2008/08/20

Honras e glórias

Uma vez mais os jogos olímpicos de Pequim deixaram de ser assunto desportivo e voltaram a ser assunto político. Não por causa dos "direitos humanos", agora e entre nós, mas sim por causa dos erros humanos.

Para salvar a honra supostamente manchada da nossa participação geral, acho que o presidente do Comité Olímpico Português deve deslocar-se ao Governo com uma corda ao pescoço, pedindo castigo. Mas acho também que deveria fazer-se acompanhar de outros dirigentes, treinadores e atletas que lhe prometeram dar um bom e esforçado rendimento.

Pouparia apenas o lançador de peso do Sporting para não ter que acordá-lo a horas impróprias. Eu sei do que estou a falar!...

Por sua vez, o Secretário de Estado do Desporto, mandava-os para trás, passaria a corda para o seu próprio pescoço e iria com ela ao parlamento pedir uma condenação por ter cedido o dinheiro público a atletas que apenas quiseram ir a Pequim para dar um passeio.

Só uma palavrinha para a Vanessa: «Quando eu boltar ao Perosinho (assim haja uma festa como aquela a que fui há uns anos) bou querer saber de ti. Pergunto ó Balente! Agora num me preguntes quem é o Balente...»

As notícias:

O presidente do Comité Olímpico Português, «para convencer o Governo de que Portugal tinha possibilidades», fez uma carta em que disse que ganhariamos 4 ou 5 medalhas 10 diplomas ou 60 pontos, se tivesse os apoios necessários.

O Governo deu os apoios que lhe foram pedidos mas os resultados dos atletas não corresponderam. Por isso, Vicente Moura declara publicamente a sua frustração e a intenção de não continuar à frente do Comité Olímpico Português depois destes jogos.

«Pensei que em conjunto com as federações podíamos colmatar as lacunas do sistema desportivo português. Enganei-me, enganei-me. Sem dúvida que me enganei».

Por considerarem que Portugal apresentava a melhor representação de sempre, Vicente Moura e os restantes responsáveis do COP estipularam aquele objectivo para Pequim 2008.

No final de Abril, Vicente Moura tinha condicionado a sua recandidatura ao cumprimento dos objectivos em termos de resultados.

2008/03/30

Liberdades desportivas

Pelo respeito que tenho pela eurodeputada Ana Gomes foi com alguma tristeza que li um trecho da sua intervenção na Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu:

“Porque me interesso pelos direitos humanos na China e no Tibete, eu não apoio os apelos a um boicote dos Jogos Olímpicos em Pequim. Seria desmasiado conveniente para aqueles que contam com a indiferença do mundo para continuar a oprimir chineses e tibetanos. Em vez disso, cabe-nos a nós todos, como cidadãos do mundo, tornar estes Jogos em Pequim em verdadeiras Olimpíadas pelos Direitos Humanos. Pela liberdade no Tibete e pela liberdade na China".

Quanto a mim, este é o vício central desta campanha com origem na CIA-EUA: pretender que os Jogos Olímpicos são espaço privilegiado para a luta política. Ou pretende Ana Gomes que amanhã os jogos da Selecção Nacional portuguesa sejam invadidos por uma manifestação de professores, ou de sub-contratados, ou de desempregados, ou de indignados com a corrupção na alta-finança...

Pelo que é conhecido de Ana Gomes admito que se trate de um dos seus excessos, frutos de genuino entusiasmo, como aquele em que considerava Jorge Sampaio indigno do PS, mas fico triste por vê-la peder a razão. É o que acontece de quem se gosta. E não é só por ser aquariana...


O que nos cabe a todos , portanto, neste domínio, é respeitar o caracter universal e a liberdade desportiva dos Jogos Olímpicos.

AG co-escreve em http://causa-nossa.blogspot.com/