Há os vaidosos que são jornalistas, como Daniel Oliveira (o do Eixo do Mal e não o outro), e há os jornalistas que são vaidosos, como um tal José Gomes Ferreira (o do Negócios da Semana, não o poeta). Até parece que o demo se vinga da bondade de uns, atribuindo o seu nome a outros.
"Nós jornalistas" é a expressão mais "recorrente" de J. Gomes Ferreira, cujas "perguntas" deixam pouco espaço aos entrevistados para as respostas que era suposto justificarem a sua presença. E isso faz-me lembrar um episódio passado numa reunião de produção a que assisti há uns anos na RTP.
A certa altura, a apresentadora "puxou dos galões" para argumentar contra o realizador, nestes termos: "É que sou eu que dou a cara no programa!". Resposta oportuna da directora: "Hoje és tu; amanhã, não se sabe...".
Fica aqui o conselho ao J. G. Ferreira: tente saber o que é feito de muitos jornalistas, vedetas e estrelas do passado da Televisão que foram devolvidos à sua condição de pessoas comuns, de um momento para o outro e sem saber porquê.
A propósito, segue uma "peça jornalística" recolhida no Youtube
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2016/05/26
2014/12/31
Viver também cansa
2014 foi o ano em que me desapareceram os colegas Semião Ramos, Helena Santos e Olga Almeida. Um ano trágico, considerando a grande estima que tinha por cada um deles. Um desaparecimento absurdo que mostra como a vida é absurda. A não ser que haja Além onde nos possamos reencontrar um dia.
A minha razão diz que esse Além é tão absurdo como a morte, mas eu que não acredito em “Deus”, quero acreditar no meu poeta de estimação que dizia “os pássaros, quando morrem, caem no céu». É que os meus amigos que desapareceram, tinham asas – sentimentos generosos, fantasias fascinantes, sonhos de outro mundo.
Ao vê-los partir, compreendo como nunca, outra coisa que dizia o José Gomes Ferreira – que «Viver sempre, também cansa».
Costumo dizer que não acredito no “outro mundo”, mas não quero que o ano acabe sem confessar que também não acredito neste!
A minha razão diz que esse Além é tão absurdo como a morte, mas eu que não acredito em “Deus”, quero acreditar no meu poeta de estimação que dizia “os pássaros, quando morrem, caem no céu». É que os meus amigos que desapareceram, tinham asas – sentimentos generosos, fantasias fascinantes, sonhos de outro mundo.
Ao vê-los partir, compreendo como nunca, outra coisa que dizia o José Gomes Ferreira – que «Viver sempre, também cansa».
Costumo dizer que não acredito no “outro mundo”, mas não quero que o ano acabe sem confessar que também não acredito neste!
Etiquetas:
amizade,
José Gomes Ferreira,
morte
2012/01/01
"Viver sempre também cansa"
Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo..."
José Gomes Ferreira (1900-1985)
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo..."
José Gomes Ferreira (1900-1985)
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