Poder horizontal

A estrutura horizontal de funcionamento do Movimento 15M, de Espanha, sem um centro de decisão, portanto, exprime a recusa em alienar a soberania popular a “representantes”, comprovada que está a apropriação abusiva que estes fazem da procuração que lhes é outorgada.

Estes abusos pacíficos de poder acontecem em muitas estruturas, desde os próprios partidos até às organizações internacionais. No âmbito destas, a forma como foi “aprovado” o Tratado de Lisboa, fica para a História como demonstração da falsa democraticidade da União Europeia, a que se junta o irrefutável domínio de dois ou três países por força da sua vantagem económica - num caso e noutro, a vontade é imposta de cima. Quanto aos partidos, as eleições directas para os respectivos presidentes não disfarçam, antes chamam a atenção, para os mecanismos elitistas de funcionamento interno – destes mecanismos resulta a selecção de candidaturas que interessa ao poder instalado.

No Partido Comunista Português chegou a haver quem se atrevesse a propor uma estrutura horizontal de funcionamento, por oposição à estrutura centralista consagrada nos estatutos dos PC's desde 1902. Tratava-se de desobstruir a circulação de opiniões entre todos os militantes. O PCP tratou de remeter tais propostas para a lista das maldições, traições e outras más-intenções. Fê-lo “democraticamente”, claro, tanto quanto permite o envenenamento da opinião interna (criada pelo mesmo centralismo!) e a formação de maiorias acríticas nos congressos. Avante!

O que poderia parecer estranho era a tolerância e até o aparente carinho com que os poderes políticos e partidários se referem aos movimentos horizontais de intervenção socio-política, do tipo do 15M. Mas aqui joga a circunstância de “o touro” não ser perigoso, pela natureza do seu corpo (social) e pelos métodos pacifistas que adopta. Afinal, quando “o mal” está controlado, basta mantê-lo sob vigilância. Enquanto for possível.

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