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2015/11/07

Tudo pelo Poder

Nas vésperas de apresentação do seu Programa de Governo, o esforço de aproximação da Direita, ao programa do PS, ou é falsa intenção ou é oportunismo; ou é para não cumprir ou é porque a coligação PSD/CDS está disposta a "vender a alma" para não perder o Poder.

2013/05/17

O rei do pedaço

Os sujeitos, quando no poder, protegem-se da crítica reforçando pactos de auto-engano com seus colegas de partido. Reforçam a crença de que representam o Bem contra o Mal, recusam escutar o outro que lhe faz crítica e que poderia norteá-lo para corrigir seus erros e ajudar a superar suas contradições.

Se entrincheirarem no grupo narcísico, o discurso político tornar-se-á dogmático, duro, tapado, e podemos até prever qual será o seu futuro se tomar o caminho de também eliminar os divergentes internos e fizer mais ações de governo contra o povo, "em nome do povo".


Isto escreveu Raimundo de Lima , professor da UEM (Brasil) em 2002. Psicanalista, citava ainda, de Lacan, que «estar no poder, dá um sentido interiormente diferente às suas paixões, aos seus desígnios, à sua estupidez mesmo».

«Pelo simples fato de agora ser "rei" - acrescentava Raimundo de Lima - tudo deverá girar em função do que representa a realeza». E mais: «Também os "comandados" são levados pelas circunstâncias a vê-lo como o "rei do pedaço"».


O que acontece quando fraqueja esta cumplicidade, esta "relação de confiança" entre o que se senta na liteira e o que a carrega aos ombros? Os súbditos libertam-se de um fardo e o rei... acorda no chão.

2011/08/23

Poder horizontal

A estrutura horizontal de funcionamento do Movimento 15M, de Espanha, sem um centro de decisão, portanto, exprime a recusa em alienar a soberania popular a “representantes”, comprovada que está a apropriação abusiva que estes fazem da procuração que lhes é outorgada.

Estes abusos pacíficos de poder acontecem em muitas estruturas, desde os próprios partidos até às organizações internacionais. No âmbito destas, a forma como foi “aprovado” o Tratado de Lisboa, fica para a História como demonstração da falsa democraticidade da União Europeia, a que se junta o irrefutável domínio de dois ou três países por força da sua vantagem económica - num caso e noutro, a vontade é imposta de cima. Quanto aos partidos, as eleições directas para os respectivos presidentes não disfarçam, antes chamam a atenção, para os mecanismos elitistas de funcionamento interno – destes mecanismos resulta a selecção de candidaturas que interessa ao poder instalado.

No Partido Comunista Português chegou a haver quem se atrevesse a propor uma estrutura horizontal de funcionamento, por oposição à estrutura centralista consagrada nos estatutos dos PC's desde 1902. Tratava-se de desobstruir a circulação de opiniões entre todos os militantes. O PCP tratou de remeter tais propostas para a lista das maldições, traições e outras más-intenções. Fê-lo “democraticamente”, claro, tanto quanto permite o envenenamento da opinião interna (criada pelo mesmo centralismo!) e a formação de maiorias acríticas nos congressos. Avante!

O que poderia parecer estranho era a tolerância e até o aparente carinho com que os poderes políticos e partidários se referem aos movimentos horizontais de intervenção socio-política, do tipo do 15M. Mas aqui joga a circunstância de “o touro” não ser perigoso, pela natureza do seu corpo (social) e pelos métodos pacifistas que adopta. Afinal, quando “o mal” está controlado, basta mantê-lo sob vigilância. Enquanto for possível.

2011/02/11

Mubarak e o poder


A ver vamos quem ri no fim...
(Ainda que o fim seja apenas o princípio)

2010/11/17

Carta histórica

«... Todos estamos de acordo em que há dois problemas fundamentais, sem cuja solução não poderá haver paz social, sejam quais forem as aparências. O primeiro é que os frutos do trabalho comum devem ser divididos com equidade e justiça social entre os membros da comunidade, quer no ponto de vista dos indivíduos quer no dos sectores sociais».
(...)
«O segundo é que, seja qual for o conforto ou riqueza que se atribuam a um indivíduo ou a uma classe, nunca eles estarão satisfeitos enquanto não experimentarem que são colaboradores efectivos, que têm a sua justa quota-parte na condução da vida colectiva, isto é, que são sujeito e não objecto da vida económica, social e política».
(...)
«Nestes termos e pedindo me releve a recta intenção em tudo quanto possa ter magoado V. Exa e reiterando a expressão da minha muita consideração pessoal, fico aguardando ordens de V. Exa e subscrevo-me
De V. Exa
Venerando e muito obrigado
a) António, Bispo do Porto

13 de Julho de 1958

(Fim de citação)

Sendo eu António e do Porto, não sou o autor deste texto como acima ficou esclarecido - extraí-o da carta histórica que deu origem ao exílio de António Ferreira Gomes (na foto).

Tampouco pretendo fazer comparações de personagens ou de contexto senão naquilo que este excerto denuncia: a vocação dos dirigentes políticos para abusarem do poder que supostamente pertence ao povo.


Até para que os mais distraídos compreendam o sentido de uma greve geral.