Passos não é parvo

Não devemos permitir que a verdade prejudique uma boa história. Isto aprende-se em qualquer curso de iniciação à escrita. À escrita criativa, entenda-se. Mas Passos Coelho que fala aos portugueses com pose de mestre, não tem escrúpulos em confundir os critérios lúdicos da ficção com os critérios do discurso político.


Passos Coelho fala contra as políticas de austeridade do seu governo, como se não fosse ele o Primeiro-Ministro, como não fosse ele “o líder” do PSD, como se uma hipnose colectiva tivesse dominado a mente dos portugueses nos últimos quatro anos. Para nos libertar desse "delírio", vem nos dizer, com a autoridade de um pai e a piedade de um santo: esqueçam tudo o que viram e ouviram... e pagaram.

Passos Coelho não é parvo! Parvo seria quem acreditasse em Passos Coelho. E quem acreditasse nas declarações de compromisso de Paulo Portas. 

Mas nem Passos nem a sua plateia fazem questão de acreditar – uns e outros fazem questão, isso sim, que o líder diga aquilo que os seus seguidores querem ouvir: a nossa fé nos salvará.

Sim, uma virgem deu à luz, um morto ressuscitou e a coligação PSD/CDS está aqui para defender os interesses do Povo, contra a arrogância dos países ricos e contra a especulação dos cidadãos privilegiados.

Para quem quer ser salvo nos seus privilégios, nos seus compromissos ou nas suas fidelidades, a verdade só estorva. 

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