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2019/01/18

Passos Coelho agradece


Montenegro acaba imolar-se em sacrifício a Passos Coelho. Sem este ter que  sujeitar-se a uma derrota pessoal, ficou a saber que o PSD não apoiaria o reaparecimento do “passismo” nesta oportunidade.

A estratégia de Montenegro não era esta, obviamente, mas sim ensombrar a figura de Rui Rio, porém até este beneficiou do sacrifício involuntário do seu opositor interno. Falta apenas saber quem mais se poupou ao empurrar Luís para o precipício, mas não é difícil imaginar se é que isso interessa a alguém além dele.


"Estou convencido que nada vai ficar como dantes", disse agora o antigo líder parlamentar do PSD na Assembleia da República, do tempo do governo de Passos Coelho. Se “dantes” se refere àquele tempo, esperemos que tenha razão!

2017/07/17

Passos Coelho em Pedrógão Grande

Passos Coelho não gostou de ouvir a forma como António Costa “se atirou a uma empresa”, o SIRESP, pelo seu desempenho na tragédia de Pedrógão Grande. Desempenho miserável que se repetiu, hoje mesmo, no incêndio de  Alijó!

Passos Coelho acha – diz ele – que o primeiro-ministro não deve criticar daquela maneira uma empresa privada que presta um desastroso serviço público. Já se fosse para elogiar ou mesmo inaugurar empresas, só podia apoiar, a julgar pelo que fez, e talvez bem, quando foi primeiro-ministro.

Fosse para inaugurar os Edifícios Centrais do Parque Tecnológico de Óbidos onde estão instaladas cerca de 60 empresas..., ou para promover a PRIMAVERA BSS, ou para inaugurar um novo hospital privado em Vila do Conde, ou ainda, abreviarndo, para inaugurar um grande investimento feito pelo grupo Ennerpellets em Pedrógão Grande!!!

Ele há coincidências.

2017/06/23

É a Direita a politizar

Perante uma tragédia em que morrem 64 pessoas, se contam centenas de feridos e muitas propriedades são devastadas pelo fogo, o que menos domina as preocupações das vítimas sobreviventes é confirmar com rigor científico se o fogo foi desencadeado por um raio, por um cigarro  ou por um incendiário motivado por doença ou por dinheiro. Como se sabe da longa história dos incêndios florestais, tais averiguações não trazem nenhuma melhoria às populações.

De resto, sobre as causas e eventuais causadores, foi desencadeado um inquérito pela Procuradoria Geral da República logo que houve notícia das ocorrências.

Talvez seja por estas razões que o PCP e o BE desvalorizam a iniciativa do PSD no sentido de criar uma comissão técnica independente para esse fim.

Mas, ao contrário dos termos em que aquela pretensão de Passos Coelho  foi noticiada inicialmente, encontramos um alcance mais amplo; trata-se de apurar “as causas e circunstâncias diversas que estiveram na origem da tragédia ocorrida no sábado em Pedrógão Grande”. Não se trata apenas, portanto, da origem do incêndio mas sim da origem da tragédia e das respectivas circunstâncias.

Sendo evidente e confirmado que o Governo já havia tomado essa iniciativa, o que a Direita vem agora pretender é que essas diligências sejam feitas através duma comissão, isto é, sem a coordenação do Governo.

Se tivermos em conta que António Costa fez públicas as perguntas que dirigiu  às autoridades competentes e as respostas que já obteve, mais ociosa parece ser a criação da tal comissão. Pior que isso, do que sabemos como funcionam as comissões, o que parece é que as diligências expeditas do primeiro-ministro serão travadas por uma entidade burocrática e politizada – já se adivinham as discussões sobre a composição partidária da querida comissão…


Vem Conceição Cristas (CDS) espantar-se por o Governo fazer perguntas, vem Luís Montenegro (PSD) apelar a uma investigação “de forma célere” - «devemos em conferência de líderes, com carácter de urgência, acertar a composição, o funcionamento e os fins, da Comissão Técnica Independente que agora propomos" – e a gente tem que os levar a sério… e não politizar!!!

2017/01/20

Irrevogável TSU

O PSD afirma que vai estar ao lado da Esquerda no chumbo à medida do Governo para reduzir a Taxa Social Única (TSU) paga pelos patrões. Mas pode haver uma grande surpresa – digo eu.

Pode acontecer que o PSD, dizendo concordar com a iniciativa do Bloco, discorde “dos termos” da proposta, dos considerandos, razão que invocaria para não a aprovar.

Assim sendo, e para não parecer que o PSD apoia de forma envergonhada a iniciativa do Governo, pode o partido de Passos Coelho apresentar uma proposta alternativa à do Bloco de Esquerda, em termos tais que este, por sua vez, fique inibido de concordar com a alternativa.

Com esta última solução, Passos Coelho lavaria as mãos como Pilatos, e faria vingar a redução da TSU que hipocritamente contesta.

O que se espera é que a Esquerda “saiba escrever” o texto adequado a estas circunstâncias. E que o PSD não mude a sua posição “irrevogável”. Pelo sim, pelo não, o CDS já anunciou que irá abster-se…

2016/12/30

As metáforas de Passos Coelho


Creio que Passos Coelho se referia a António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins quando profetizou a vinda dos três reis Magos em Janeiro. 

Se o disse como saudação ou como ameaça, é que não se percebeu. Mas o que consta da lenda religiosa é que Herodes se mostrou solidário com os Magos apenas como estratégia para liquidar o recém-nascido. Nada que possamos depreender do sorriso pretensamente irónico do Coelho.

De Herodes consta que assassinou a própria família. De Passos Coelho não consta coisa muito diferente, politicamente falando, claro. Enfim, quem metáforas atira…

2016/10/30

Ai que medo - 2

À falta de argumentos políticos, Passos Coelho anuncia o papão. “Gozem bem as férias que em Setembro vem aí o diabo”, disse aos parlamentares do PSD, na última reunião da bancada, antes das passadas férias. E segue com este discurso até que a voz lhe doa ou alguém lha tire, politicamente.

Entretanto, quando um destes dias o ministro das Finanças... da Alemanha veio declarar que a política ia no bom caminho... em Portugal até à saída do Governo de Passos Coelho, parece que tinha "algum" fundamento a profecia do líder do PSD.

2016/04/02

Passos Rangel ou vice versa


Passos Coelho não disse o que disse por ser o dia das mentiras. Mas talvez porque sabe que ninguém acredita no que ele diz, de tal modo as políticas que levou à prática desmentiram tudo o que prometeu para ser Governo.

Passos Coelho sabe que o seu discurso político tem valor facial, apenas.  E sabe que nós sabemos isso. Logo, confia em que os seus cúmplices confiem, eles próprios, no pensamento dele e não no seu discurso nebuloso.

Quando disse que a maioria que sustenta este governo, é consistente, ele não disse que é boa! Foi como dizer que Álvaro Cunhal era coerente… - falso elogio usado pelos adversários politicamente-correctos. E daí?

O discurso desta sexta-feira é, nesta parte, uma charla para ser decifrada no domingo. Pelo menos no seu valor facial. Será que vamos ao menos saber o que “quis dizer” Passos Coelho quando afirmou que “sobrarão muitas razões para que o PSD possa ambicionar ganhar eleições no futuro”, mesmo que as coisas corram bem ao actual Governo?

Pelo sim, pelo não, para saber o que pensa realmente Passos Coelho, o melhor é ouvir o que diz Paulo Rangel.


Foto montagem para este blogue

2015/11/07

Tudo pelo Poder

Nas vésperas de apresentação do seu Programa de Governo, o esforço de aproximação da Direita, ao programa do PS, ou é falsa intenção ou é oportunismo; ou é para não cumprir ou é porque a coligação PSD/CDS está disposta a "vender a alma" para não perder o Poder.

2015/10/02

Às armas!

«A estratégia de Passos assenta em três pilares:

- primeiro, estes anos foram duros, mas o pior já passou;
- segundo, os portugueses conhecem-me e sabem que comigo não haverá aventuras;
- terceiro, o PS não merece confiança porque quer repetir alguns erros do passado e insiste em fazer promessas a mais».

Assim escrevia no Observador – e bem, a meu ver - José Manuel Fernandes, num dia do mês passado.



Se o PS não merece confiança, não são o Mentiroso e o Irrevogável que têm autoridade política para afirmá-lo – digo eu.


Se é uma aventura mudar de política, prosseguir a mesma política é um suicídio.

Se o pior já passou, então é porque a dívida pública de Portugal “já não é” a terceira maior da União Europeia (130%), o défice “já não é” de 4,7%, “já não há” 480 mil refugiados económicos a trabalhar noutros países, “já não há” um número esmagador de desempregados e sub-empregados, “já não há” cortes nas reformas e nas pensões…

Irá Passos Coelho assustar muita gente no próximo dia 4 de Outubro, com o papão do "aventureirismo" e da "irresponsabilidade"? Ai que medo!

Mais do que confiança, que em política é sempre relativa, os “heróis do mar” precisam de coragem; o “nobre Povo” precisa de afirmar a sua dignidade. Antes de mais, nas eleições. Às "armas"!

2015/09/15

É pró debate, é pró debate!

António Costa faz questão de não prometer… porque não sabe se as condições em que herdar a governação se revelarão diferentes das actuais.

Admitamos. Mas pode dizer o que fará se as condições forem as que hoje se conhecem! Se também não diz, isso não gera a apregoada Confiança dos eleitores.
Passos Coelho faz questão de não esclarecer como irá poupar 600 milhões de euros (por ano!) em "pensões públicas"… porque “depende daquilo que for a negociação que nós queremos ter com o PS sobre essa matéria". 

Mas pode dizer o que tem vontade de fazer, isto é, o que quer propor nessas negociações. Poder, pode. E deve. Mas não diz. Nós sabemos porquê.

2015/09/09

Hoje há debacle?

Se o debate político de hoje, entre Coelho e Costa, PSD/… e PS, tiver a importância eleitoral que lhe anunciam, hoje há... debacle.

Se um deles desiludir o eleitorado hesitante, irá em desvantagem para o dia das eleições. Se desiludir o seu eleitorado natural, só para agradar aos flexíveis, irá cinzento, descaracterizado, desprezível.

António Costa é quem mais arrisca neste paradoxo, porque a coligação de direita já não engana ninguém – quem admite votar naqueles que andaram quatro anos a mentir e a roubar, não se move pela razão.


Ou António Costa se demarca das políticas da Direita, em termos sérios e convincentes, abrindo espaço para o voto útil no PS e captando a “maioria silenciosa” da esquerda, ou está a cavar em terreno pedregoso.

Termos convincentes envolvem propostas inteligentes e números credíveis. Maioria silenciosa de esquerda é aquela que se forma com os habituais abstencionistas e votantes em branco, contestatários passivos do regime faz-de-conta.

As eleições parlamentares não obedecem à mesma lógica das eleições autárquicas. Penso que os apoios que António Costa conseguir a nível nacional dependem mais das diferenças do que dos consensos. Outra coisa é que diferenças devem ser assinaladas.

A PROPÓSITO
Assim comentava António Vitorino (PS) o debate de Catarina Martins (BE) com Paulo Portas (CDS/PP). Sem mais comentários!

2015/07/19

Não é a Grécia, é a ideologia

Se é verdade que o povo grego rejeitou em referendo a proposta das políticas de austeridade do Eurogrupo, é igualmente verdade que o mesmo povo manifestou e continua a manifestar vontade de permanecer na Euro-zona, de resto como defende o próprio governo grego em cada discurso do seu primeiro-ministro.



Respeitar a vontade do povo significaria, portanto, negociar as condições da permanência no Euro e minimizar, na prática política, os efeitos da "austeridade" imposta. Por isso faz todo o sentido a decisão de Alexis Tsipras de assinar um acordo quando estavam esgotadas todas as possibilidades de cedência do Eurogrupo, num processo duríssimo de negociações.

Mais: teve a coragem de afirmar publicamente que não concordava com os termos do acordo, que o considerava uma chantagem e que assumia as responsabilidades desta opção porque entendeu que esta foi a melhor maneira de salvaguardar os interesses do povo grego - leia-se o financiamento a curto prazo de salários e pensões!


Passos Coelho devia ter vergonha de comparar a sua – a nossa! - obediência submissa e humilhante, com a resistência e a combatividade de Alexis Tsipras num histórico conflito negocial do Eurogrupo.

Quanto às motivações do governo alemão e seus satélites políticos, para as propostas que colocam à Grécia, elas estão bem resumidas nestes dois parágrafos de um discurso de Alexis Tsipras em 21 de Junho de 2015:

«O mais provável é que as instituições tenham motivos políticos para insistir tão obcecadamente apenas em vias impossíveis , além de seguirem um plano para humilhar exemplarmente não só o governo grego, mas também a própria Grécia.

Para disseminar alguma espécie de 'mensagem' para o povo grego e para todos os povos da Europa, de que nenhum governo popular poderá jamais mudar coisa alguma».

2015/06/04

Passos não é parvo

Não devemos permitir que a verdade prejudique uma boa história. Isto aprende-se em qualquer curso de iniciação à escrita. À escrita criativa, entenda-se. Mas Passos Coelho que fala aos portugueses com pose de mestre, não tem escrúpulos em confundir os critérios lúdicos da ficção com os critérios do discurso político.


Passos Coelho fala contra as políticas de austeridade do seu governo, como se não fosse ele o Primeiro-Ministro, como não fosse ele “o líder” do PSD, como se uma hipnose colectiva tivesse dominado a mente dos portugueses nos últimos quatro anos. Para nos libertar desse "delírio", vem nos dizer, com a autoridade de um pai e a piedade de um santo: esqueçam tudo o que viram e ouviram... e pagaram.

Passos Coelho não é parvo! Parvo seria quem acreditasse em Passos Coelho. E quem acreditasse nas declarações de compromisso de Paulo Portas. 

Mas nem Passos nem a sua plateia fazem questão de acreditar – uns e outros fazem questão, isso sim, que o líder diga aquilo que os seus seguidores querem ouvir: a nossa fé nos salvará.

Sim, uma virgem deu à luz, um morto ressuscitou e a coligação PSD/CDS está aqui para defender os interesses do Povo, contra a arrogância dos países ricos e contra a especulação dos cidadãos privilegiados.

Para quem quer ser salvo nos seus privilégios, nos seus compromissos ou nas suas fidelidades, a verdade só estorva. 

2015/03/09

Os nossos príncipes perfeitos

A Oposição política de Portugal reconheceu que o primeiro-ministro Passos Coelho tinha razão quando disse que não era perfeito. “O Principe Perfeito” é um cognome que já estava atribuído a D. João II desde os tempos das descobertas e de outras bancas-rotas.

Mais afeiçoado ao Tratado de Lisboa do que ao Tratado de Tordesilhas, salvo no que respeita aos entendimentos com Espanha, a crueldade do rei que apunhalou pelas suas próprias mãos o seu primo, poderia servir como metáfora, talvez, mas não é da mesma natureza da crueldade do primeiro-ministro que sacrificou o seu povo depois de lhe prometer “mundos e fundos”.

Para merecer o título de Príncipe, resta a Passos Coelho reclamar-se discípulo de Maquiavel, autor da obra com esse mesmo nome, o que, decerto, ninguém contestará. Mas ainda assim não lhe caberia outro cognome político que não fosse o de Príncipe Mais Que Imperfeito.

2014/11/04

O ministro é um fingidor

É o talento próprio e a oportunidade que faz de um tímido escriturário, um escritor, de um marinheiro, poeta, de um livreiro, dramaturgo, e assim por diante. É o talento.

Quem ensinou o Fernando Pessoa a ler e a escrever – e, quem diz Pessoa, diz Bocage, diz Eça, diz Ramalho, Torga, Agustina, Saramago – quem ensinou a estes, digo eu, também ensinou muitos outros que, no entanto, pairaram sem brilho ou sem talento, anónimos, discretos funcionários, operários, jogadores de futebol, polícias, bombeiros, médicos, engenheiros, a quem a Literatura nada deve.


O mesmo acontece na política. Há gente que ensina, que aconselha, que diz como se diz, como se faz, mas é preciso ter alma ou sangue ou tripas, sei lá eu, para conquistar o “trono” que é, em democracia, o coração dos eleitores.

É preciso sentir, para fazer sentir; é preciso acreditar, para fazer acreditar. E não é porque o treinador de Passos, o mandou ultimamente jogar ao ataque, que a sua equipa vai ganhar o jogo. Posto a jogar num lugar em que não acredita, fará pior figura ainda do que se mostrasse a apatia no meio das tormentas, como costumava fazer.


O Seguro morreu de velho, de cansado, tanto foi o esforço teatral da sua representação. Passos Coelho corre o risco de nos cansar a todos com tanto fingimento. É que, para voltar a Fernado Pessoa, o Coelho “é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor (o desprezo) que deveras sente”... pela gente.