O que divide um reino

Quando a Grécia confronta o directório da designada União Europeia, a Grécia tem um problema. Mas quando é o Reino Unido, o problema já é da UE, como se vê.

O que não varia é a arrogância do grupo dominante que se opõe ás decisões democráticas dos povos, quando estes são consultados.

A sessão desta manhã (28 de Junho) do Parlamento Europeu revelou isso duma forma escandalosa na apoteose com que celebrou as intervenções dos representantes da Escócia e da Irlanda do Norte, e na forma como insultou a escolha maioritária dos cidadãos em referendo. Nada de novo!...

Em vez de analisar os efeitos devastadores das medidas impostas aos países membros, o grupo dominante na UE e desde logo os seus dirigentes, choram “lágrimas de crocodilo” e preparam-se para fazer a vida negra aos dissidentes da congregação. São sintomas de desespero.

A desunião do Reino Unido é uma metáfora – e não só! – do que se passa na União Europeia. E um aviso.

O que divide um reino, qualquer reino, a União Europeia incluída, não é a localização ou a composição etária. É a discriminação política e económica, é a imposição centralista de poder, é a apropriação da riqueza por um grupo privilegiado e o esmagamento dos direitos sociais.

Uma União Europeia inclusiva e solidária, verdadeiramente representativa dos povos, teria condições para resistir às crises com que se confronta, mas isso revela-se contrário à sua verdadeira natureza. Em todo o caso, o que estamos a assistir é à primeira reacção clássica à crise: a emotividade. Esperemos pelas outras duas: a racionalidade e a negociação.

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1 Comments:

Blogger antónio m p said...

Esteve muito bem o Primeiro-Ministro António Costa nos comentários que lhe ouvi acerca do processo de saída da UE por parte do Reino Unido. Se continuar a surpreender assim positivamente, ainda vamos ter geringonça para mais uma legislatura! - passe a "ameaça".

29 junho, 2016  

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