João Oliveira, do PCP, responde ás grandes questões
da actualidade política internacional
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2024/07/09
2020/07/29
A Arca de Noé da União Europeia
O que aconteceu com o "plano de recuperação e orçamento europeu para 2021-2027" a UE faz lembrar a lenda da Arca de Noé.
Nos sermões de Santo António aos Peixes, o Padre António Vieira invoca este episódio da ficção histórica.
Após dispensar grandes e longos elogios aos peixes, Santo António acaba por apontar-lhe os defeitos. Desde logo, o principal defeito é que os peixes se comem uns aos outros. E que os maiores comem os mais pequenos.
Mas o que eu acho mais interessante, a este propósito,é o comentário em ele diz que na arca os grandes não comiam os pequenos porque, de outro modo, acabariam todos por ser mortos! E que, por isso, o lobo conviveu pacificamente com o cordeiro e assim sucessivamente. Isto é, quando a escassez é global, ninguém se salva se não houver solidariedade geral.
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2020/04/07
Beijinhos à União Europeia
"A UE presta ajuda ao desenvolvimento e ajuda humanitária no mundo e promove os direitos fundamentais, como a dignidade, a igualdade e a solidariedade. Informações sobre sectores, regiões, iniciativas concretas, financiamento e parceiros da ajuda humanitária" -diz a próprtia!
A menos que as medidas concretas de ajuda humanitária, solidariedade e igualdade, não agradem à Alemanha ou à França - digo eu.
A menos que as medidas concretas de ajuda humanitária, solidariedade e igualdade, não agradem à Alemanha ou à França - digo eu.
2019/12/16
E depois do adeus?
Decidido o “Brexit”, para o bem e para o mal, Boris Johnson não resolveu um problema, iniciou-o. E não é um problema, são vários, desde as questões regionais, nomeadamente com a Irlanda e a Escócia(1), as relações económicas internacionais, a questão da dívida pública e a reconversão económica interna.
Há quem considere que o presidente conservador ganhou autoridade para "fazer o que quiser" a partir deste apoio, nomeadamente para fazer acordos com a União Europeia muito diferentes do que deixava antever durante a sua campanha eleitoral, mas a população irá reclamar o prémio dos seus votos.
Aqueles que votaram em Boris Johnson não vão esperar uma dezena de anos, o tempo que o processo de saída poderá demorar, para exigir resultados concretos no âmbito do emprego e do nível de vida. Nem mesmo os cinco anos da legislatura. E destes resultados é que vai depender a sobrevivência política do vencedor destas eleições, por um lado, e o julgamento definitivo da estratégia de retirada da União Europeia.
Maus resultados práticos neste difícil contexto podem mesmo trazer a recuperação do Partido Trabalhista britânico que, apesar duma estrondosa derrota circunstancial (2), não desapareceu como muitos fazem crer, mas ainda conta com 203 dos 650 lugares do parlamento.
(1) Nicole Sturgeon, ministra principal da Escócia e líder do SNP, anunciou já a sua intenção de apresentar nesta semana os planos para a celebração de um novo referendo de independência.
(2) Nós tivemos de acomodar os nossos membros que apoiaram a permanência, mas muitos de nós representamos regiões que votaram para sair. Foi esse o dilema que enfrentámos", afirmou à BBC um dirigente do Partido Trabalhista.
Há quem considere que o presidente conservador ganhou autoridade para "fazer o que quiser" a partir deste apoio, nomeadamente para fazer acordos com a União Europeia muito diferentes do que deixava antever durante a sua campanha eleitoral, mas a população irá reclamar o prémio dos seus votos.
Aqueles que votaram em Boris Johnson não vão esperar uma dezena de anos, o tempo que o processo de saída poderá demorar, para exigir resultados concretos no âmbito do emprego e do nível de vida. Nem mesmo os cinco anos da legislatura. E destes resultados é que vai depender a sobrevivência política do vencedor destas eleições, por um lado, e o julgamento definitivo da estratégia de retirada da União Europeia.
Maus resultados práticos neste difícil contexto podem mesmo trazer a recuperação do Partido Trabalhista britânico que, apesar duma estrondosa derrota circunstancial (2), não desapareceu como muitos fazem crer, mas ainda conta com 203 dos 650 lugares do parlamento.
(1) Nicole Sturgeon, ministra principal da Escócia e líder do SNP, anunciou já a sua intenção de apresentar nesta semana os planos para a celebração de um novo referendo de independência.
(2) Nós tivemos de acomodar os nossos membros que apoiaram a permanência, mas muitos de nós representamos regiões que votaram para sair. Foi esse o dilema que enfrentámos", afirmou à BBC um dirigente do Partido Trabalhista.
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2019/05/24
O farol da União Europeia
No princípio deste mês de Maio, Gérard Araud, embaixador cessante de França nos Estados Unidos, afirmava: Israel é um Estado que pratica o apartheid; e a União Europeia é cúmplice dessa situação aviltante para os direitos humanos agindo como um súbdito dos Estados Unidos e da política terrorista de Israel.
Não é o único diplomata de Estados membros da União que pensa assim. E daí? O que faz a sagrada organização? O que fazem os seus respeitáveis 28 governos?
A colonização da Cisjordânia está prestes a transformar-se em anexação e a União Europeia, proclamando-se "farol da democracia", não projecta um raio de luz, um alerta, para impedir que tal aconteça.
E depois admiram-se...
ADENDA HISTÓRICA
Os Territórios Palestinianos compreendem três regiões não contíguas - a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Após a extinção do Mandato Britânico da Palestina, esses territórios foram capturados e ocupados pela Jordânia e pelo Egito durante a Guerra árabe-israelense de 1948. Durante a Guerra dos seis dias (1967), foram ocupados por Israel.
Não é o único diplomata de Estados membros da União que pensa assim. E daí? O que faz a sagrada organização? O que fazem os seus respeitáveis 28 governos?
A colonização da Cisjordânia está prestes a transformar-se em anexação e a União Europeia, proclamando-se "farol da democracia", não projecta um raio de luz, um alerta, para impedir que tal aconteça.
E depois admiram-se...
ADENDA HISTÓRICA
Os Territórios Palestinianos compreendem três regiões não contíguas - a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Após a extinção do Mandato Britânico da Palestina, esses territórios foram capturados e ocupados pela Jordânia e pelo Egito durante a Guerra árabe-israelense de 1948. Durante a Guerra dos seis dias (1967), foram ocupados por Israel.
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2018/04/15
Eles andam aí...
Le fondateur de la France insoumise, Jean-Luc Mélenchon, devait retrouver à Lisbonne, jeudi soir, Pablo Iglesias (Podemos, Espagne) et Catarina Martins (Bloco, Portugal) pour lancer un nouveau mouvement politique européen. (L'HUMANITÉ)
2018/04/10
Políticas venenosas
Passado o prazo de validade mediática do caso Serguei Skripal, ex-agente duplo russo-britânico, a primeira-ministra britânica Theresa Mary retoma agora a cartada do ataque químico na Síria, para manter os afectos feridos com a União Europeia e os Estados Unidos da América.
Uma vez mais estes aliados estratégicos dizem que “acreditam” na sua própria versão e mais uma vez adiantam acusações e prepararam-se para “retaliar”. Que "o regime" sírio negue e que a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) ainda esteja a investigar as acusações é o que menos interessa para os fins que prossegue "o regime" da UE e dos EUA, claro.
Porque será que isto nos faz lembrar o suposto ataque atribuido ao “regime sírio” em... Abril de 2017?
O melhor é reler o artigo que AQUI publiquei então.
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2018/02/01
Avanti, itália!
Como se sabe, Amesterdão foi a cidade escolhida para receber a Agência Europeia do Medicamento (EMA) a que o Porto se candidatou entre outras cidades da União Europeia. No entanto há quem não se renda e continue a reclamá-la para si, "como se" os interesses da Europa não fossem os interesses de cada estado membro. Oppps!
A imagem foi recortada no jornal italiano Avanti! que desenvolve o assunto.
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2017/12/03
Centeno não é Barroso… nem Guterres
Mas também não é Varoufakis
Relativamente à eventual escolha de Mário Centeno para presidir ao Eurogrupo, tem-se discutido se isso é bom ou mau para Portugal e se o ministro das Finanças irá ter alguma influência positiva nas decisões da instituição europeia – influência para Portugal e influência para a linha política da Europa.
Quanto a Portugal, o exemplo de Durão Barroso parece evidenciar que o nosso país não terá nada a ganhar. Barroso, alinhado ideologicamente com as políticas “austeritárias”, não deve surpreender que fosse apenas um submisso porta-voz da ideologia neo-liberal dominante. Mas se pensarmos em Guterres, o “socialista” português que ocupa o lugar de secretário-geral da ONU, que vantagem nos trouxe ou nos traz?
A perturbação no desempenho do actual ministro das Finanças português, que poderia causar a nomeação para presidente do grupo informal de ministros das Finanças da zona euro, não pode deixar de estar secretamente na cabeça de António Costa como está nas preocupações assumidas expressamente por Marcelo Rebelo de Sousa: “Se Centeno ganhar, não pode perder o pé em Portugal. É muito trabalho para ele" – comentou o Presidente da República!
Na sua candidatura à presidência do Eurogrupo, Mário Centeno defendeu (cito o Observador) “uma maior transparência e legitimidade dos processos de decisão da União Europeia. Centeno também deixa críticas às regras europeias em questões orçamentais e à omissão de medidas de crescimento económico nos programas de assistência financeira da troika”. Mas os termos em que se expressa parecem-me suficientemente prudentes para serem ambíguos. Em todo o caso é sabido que a política é sobretudo um jogo de bastidores.
Centeno que fará 51 anos no próximo Sábado, 9 de Dezembro, é um lutador – praticou rugby que é talvez o desporto mais parecido com o boxe! - mas no combate que o espera, se for escolhido, o ringue é a Europa e os adversários da sua visão humanista da economia, por assim dizer, levam grande vantagem negocial. Cá estaremos para assistir ao jogo – se houver jogo.
Fonte de imagem: foto-montagem deste blogue
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2017/05/01
La nave va... mal
O “incompreensível” triunfo (do discurso) de Donald Trump foi o resultado político do fracasso neoliberal nos Estados Unidos. E o “incompreensível” apoio popular à demagogia de Marine Le Pen é a expressão política da rejeição duma União Europeia economicista, divisionista e arrogante. Como o “incompreensível” voto dos britânicos.
Neste mar de mistérios convenientes para ocultar um modelo socio-económico insustentável, La nave va… e ninguém dá atenção ao cadáver que transporta. Inebriados com discursos e abraços, os passageiros dançam, nos salões da sua própria demagogia, La Brusselese.
Neste mar de mistérios convenientes para ocultar um modelo socio-económico insustentável, La nave va… e ninguém dá atenção ao cadáver que transporta. Inebriados com discursos e abraços, os passageiros dançam, nos salões da sua própria demagogia, La Brusselese.
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União Europeia
2017/03/22
São os líderes europeus
Está visto: quando o presidente do Eurogrupo, Dijsselbloem, se desloca aos outros países (à nossa custa!), só se interessa por bares nocturnos. Não admira que tenha dos países do sul da Europa a imagem grosseira que manifestou em entrevista recente.
Lamentamos muito ter que informá-lo que o seu querido Elefante Branco encerrou as suas portas em Dezembro de 2016. Mas pode sempre ir embebedar-se e etc. para outros sítios – afinal “as gajas” não morreram, só mudaram de casa.
Entretanto convém acrescentar que este exemplar da liderança europeia não diz o que disse por descuido - olha quem! Ele prossegue uma dupla estratégia: desviar as atenções da derrocada em curso da sua União Europeia, por um lado, e cavar a separação entre a Europa Boa e a Europa Má, com fins populistas junto da clientela que lhe interessa.
Pensar que o falso Mestre em Economia Empresarial pelo University College Cork da República da Irlanda, fez as declarações que fez por mero acaso, seria de uma perigosa ingenuidade. Espero voltar ao assunto numa próxima reflexão sobre populismos.
2017/02/18
Os falsos milagres económicos
Para juntar algumas palavras, apenas deixo uma interrogação: A União Europeia ainda pode ser reestruturada ou a dinâmica interna, nomeadamente a diferença entre países influentes e países obedientes, mas também a bíblia ideológica, resistirão à mudança até ao seu colapso?
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2017/02/08
Rajoy em bicos de pés
O Chefe do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, acaba de se oferecer ao presidente dos EUA, Donald Trump, para servir – palavra adequada! – de interlocutor entre os Estados Unidos da América e... a Europa, a América Latina, o Norte de África e o Médio-Oriente. Nada menos!
Com esta iniciativa, Rajoy certamente tirou um grande peso dos ombros de Merkel, de Tajani, Task e Junker (presidentes do Parlamento Europeu, do Conselho Europeu e da Comissão Europeia) e de António Guterres (Secretário Geral da ONU), para já não falar de Luis Almagro da Organização dos Estado Africanos (OEA).
Como Trump não levou a sério a proposta, nem sequer se deu ao trabalho de perguntar de que lado do muro com o México é que Rajoy se situava – mas isto já sou eu que digo...
Com esta iniciativa, Rajoy certamente tirou um grande peso dos ombros de Merkel, de Tajani, Task e Junker (presidentes do Parlamento Europeu, do Conselho Europeu e da Comissão Europeia) e de António Guterres (Secretário Geral da ONU), para já não falar de Luis Almagro da Organização dos Estado Africanos (OEA).
Como Trump não levou a sério a proposta, nem sequer se deu ao trabalho de perguntar de que lado do muro com o México é que Rajoy se situava – mas isto já sou eu que digo...
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União Europeia
2016/07/08
Europa a arder
Quanto aos aspectos técnicos, a questão das sanções por défice "excessivo", vem escalpelizada - passe a expressão! - no Observador de ontem, 7 de Julho.
Quanto aos aspectos políticos - os que serão decisivos - o ministro das Finanças alemão Wolf(!)gang Shauble, é favorável à imposição de sanções aos dois países ibéricos, enquanto Jean-Claude Juncker, presidente da CE, por exemplo, é contra a aplicação de sanções até pelos efeitos que teria nos mercados e nos juros da dívida.
E a gente diz com Sérgio Godinho: Ai que medo!
Quanto aos aspectos políticos - os que serão decisivos - o ministro das Finanças alemão Wolf(!)gang Shauble, é favorável à imposição de sanções aos dois países ibéricos, enquanto Jean-Claude Juncker, presidente da CE, por exemplo, é contra a aplicação de sanções até pelos efeitos que teria nos mercados e nos juros da dívida.
E a gente diz com Sérgio Godinho: Ai que medo!
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União Europeia
2016/06/30
Cuidado com o lobo
Um documento interno do Ministério das Finanças alemão (...), divulga os planos de Wolfgang Schäuble para a criação de uma “Nova União Europeia”.
O poder de veto sobre orçamentos nacionais que violem regras e a monitorização de todas as políticas orçamentais implementadas por cada Estado-Membro por entidades independentes, constam entre as medidas avançadas.
Recorte de um artigo publicado em esquerda.net
2016/06/28
O que divide um reino
Quando a Grécia confronta o directório da designada União Europeia, a Grécia tem um problema. Mas quando é o Reino Unido, o problema já é da UE, como se vê.
O que não varia é a arrogância do grupo dominante que se opõe ás decisões democráticas dos povos, quando estes são consultados.
A sessão desta manhã (28 de Junho) do Parlamento Europeu revelou isso duma forma escandalosa na apoteose com que celebrou as intervenções dos representantes da Escócia e da Irlanda do Norte, e na forma como insultou a escolha maioritária dos cidadãos em referendo. Nada de novo!...
Em vez de analisar os efeitos devastadores das medidas impostas aos países membros, o grupo dominante na UE e desde logo os seus dirigentes, choram “lágrimas de crocodilo” e preparam-se para fazer a vida negra aos dissidentes da congregação. São sintomas de desespero.
A desunião do Reino Unido é uma metáfora – e não só! – do que se passa na União Europeia. E um aviso.
O que divide um reino, qualquer reino, a União Europeia incluída, não é a localização ou a composição etária. É a discriminação política e económica, é a imposição centralista de poder, é a apropriação da riqueza por um grupo privilegiado e o esmagamento dos direitos sociais.
Uma União Europeia inclusiva e solidária, verdadeiramente representativa dos povos, teria condições para resistir às crises com que se confronta, mas isso revela-se contrário à sua verdadeira natureza. Em todo o caso, o que estamos a assistir é à primeira reacção clássica à crise: a emotividade. Esperemos pelas outras duas: a racionalidade e a negociação.
O que não varia é a arrogância do grupo dominante que se opõe ás decisões democráticas dos povos, quando estes são consultados.
A sessão desta manhã (28 de Junho) do Parlamento Europeu revelou isso duma forma escandalosa na apoteose com que celebrou as intervenções dos representantes da Escócia e da Irlanda do Norte, e na forma como insultou a escolha maioritária dos cidadãos em referendo. Nada de novo!...
Em vez de analisar os efeitos devastadores das medidas impostas aos países membros, o grupo dominante na UE e desde logo os seus dirigentes, choram “lágrimas de crocodilo” e preparam-se para fazer a vida negra aos dissidentes da congregação. São sintomas de desespero.
A desunião do Reino Unido é uma metáfora – e não só! – do que se passa na União Europeia. E um aviso.
O que divide um reino, qualquer reino, a União Europeia incluída, não é a localização ou a composição etária. É a discriminação política e económica, é a imposição centralista de poder, é a apropriação da riqueza por um grupo privilegiado e o esmagamento dos direitos sociais.
Uma União Europeia inclusiva e solidária, verdadeiramente representativa dos povos, teria condições para resistir às crises com que se confronta, mas isso revela-se contrário à sua verdadeira natureza. Em todo o caso, o que estamos a assistir é à primeira reacção clássica à crise: a emotividade. Esperemos pelas outras duas: a racionalidade e a negociação.
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2016/06/26
Finalmente sós!
A propósito: que "Europa" teríamos se ela fosse realmente construída pelos povos? Alguma vez o saberemos?
Pelo menos parece que esta seria uma bandeira central das esquerdas europeias do século XXI.
2016/06/24
br EXIT
Sair da União Europeia é um direito inalienável dos britânicos, que quase certamente não se livrarão de uma segunda consulta, ou das que forem necessárias, se teimarem em dizer que não desejam estar num sítio onde, em boa verdade, nunca estiveram de boa vontade. Não é este o hábito dos mandantes da União Europeia, vide as repetições de referendos na Irlanda, em França e na Holanda até se obterem os resultados pretendidos pela ditadura financeira internacional? José Goulão em Mundo Cão
2016/03/15
Assim, até o Tino.
"Muitos portugueses estão a pagar impostos em Espanha e é algo que temos que em primeiro lugar pedir aos portugueses que não façam".
Caldeira Cabral, Ministro da Economia do governo de Portugal, em 11/3/2016
“Não venham para a Europa. Não acreditem nos traficantes. Não arrisquem as vossas vidas e o vosso dinheiro. Isso não vai servir para nada”.
Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, em 3/3/2016.
Por este caminho, ainda vamos ouvir o Obama a pedir aos terroristas do chamado Estado Islâmico, para fazerem o favor de pararem com a violência.
Assim, até o Tino podia ser governante!
Caldeira Cabral, Ministro da Economia do governo de Portugal, em 11/3/2016
“Não venham para a Europa. Não acreditem nos traficantes. Não arrisquem as vossas vidas e o vosso dinheiro. Isso não vai servir para nada”.
Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, em 3/3/2016.
Por este caminho, ainda vamos ouvir o Obama a pedir aos terroristas do chamado Estado Islâmico, para fazerem o favor de pararem com a violência.
Assim, até o Tino podia ser governante!
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2015/09/27
O futuro da Europa
Fez anos no dia 22, que o partido de Angela Merkel venceu as eleições para o parlamento alemão, com 41,5%. Nos próximos dois anos, pelo menos, ela continuará a ditar as regras políticas no seu país.
Mas também na Europa, com Hollande a seu lado.
É o que nos espera até 2017 se tudo lhes correr bem.
Entretanto, nos próximos quatro anos também a Espanha e o Reino Unido terão governos conservadores. Portugal terá um governo social-democrata de pendor socialista (PS). A Grécia terá um governo socialista de pendor social-democrata. A Europa, essa, não terá governo próprio – impróprio, quando muito.
Se as convulsões sociais que se adivinham neste contexto de políticas anti-sociais, interromper o rumo institucional assim traçado, o que se pode antecipar? O fantasma neo-nazi vem a caminho?
O partido alternativo na Alemanha é o progressista SPD que teve 25.7% dos votos, menos 6% do que a CDU. Da última vez que o SPD governou, foi nos anos 1998 a 2005.
A extrema-direita na Alemanha é mais ruído e pedrada que outra coisa - nas últimas eleições, o NPD registou apenas 1,3% dos votos e não tem qualquer representação parlamentar.
A situação tem alguma comparação com a Itália, onde a separatista, xenófoba e racista Liga Norte chegou a ter 8,7% dos votos, em 1992, mas as suas estratégias de alianças têm sido uma fonte de instabilidade interna e desprestígio geral. Nas eleições nacionais de 2013 para o parlamento italiano, apresentou-se coligada com mais sete formações políticas, na coligação de Berlusconi que ficou em segundo lugar.
Em França a situação é mais preocupante. O presidente Hollande que venceu as eleições de 2013 com 52% à segunda volta, desiludiu os franceses de tal maneira que, ao fim de um ano, o seu partido foi ultrapassado, nas eleições europeias, pela a Frente Nacional de Marine Le Pen: 14% contra 26%, respectivamente. A França tremeu e a Europa ainda está assustada.
O ascenso da extrema-direita em França encontra algum paralelo com o Aurora Dourada, assumidamente neo-nazi, que se afirmou nas eleições de 2012 e 2014, na Grécia, como o terceiro partido mais votado, com 17 deputados.
Apesar de tudo, parece que a extrema-direita não tem uma expressão política tão relevante quanto se tem feito pensar. A parte má desta situação é que os regimes dominantes na Europa estão a fazer o trabalho dela.
Entre o oportunismo das direitas, a fragilidade das esquerdas e a incompetência (?) das instituições europeias, porém, a História se fará conforme a contribuição de todos e cada um de nós.
Mas também na Europa, com Hollande a seu lado.
É o que nos espera até 2017 se tudo lhes correr bem.
Entretanto, nos próximos quatro anos também a Espanha e o Reino Unido terão governos conservadores. Portugal terá um governo social-democrata de pendor socialista (PS). A Grécia terá um governo socialista de pendor social-democrata. A Europa, essa, não terá governo próprio – impróprio, quando muito.
Se as convulsões sociais que se adivinham neste contexto de políticas anti-sociais, interromper o rumo institucional assim traçado, o que se pode antecipar? O fantasma neo-nazi vem a caminho?
O partido alternativo na Alemanha é o progressista SPD que teve 25.7% dos votos, menos 6% do que a CDU. Da última vez que o SPD governou, foi nos anos 1998 a 2005.
A extrema-direita na Alemanha é mais ruído e pedrada que outra coisa - nas últimas eleições, o NPD registou apenas 1,3% dos votos e não tem qualquer representação parlamentar.
A situação tem alguma comparação com a Itália, onde a separatista, xenófoba e racista Liga Norte chegou a ter 8,7% dos votos, em 1992, mas as suas estratégias de alianças têm sido uma fonte de instabilidade interna e desprestígio geral. Nas eleições nacionais de 2013 para o parlamento italiano, apresentou-se coligada com mais sete formações políticas, na coligação de Berlusconi que ficou em segundo lugar.
Em França a situação é mais preocupante. O presidente Hollande que venceu as eleições de 2013 com 52% à segunda volta, desiludiu os franceses de tal maneira que, ao fim de um ano, o seu partido foi ultrapassado, nas eleições europeias, pela a Frente Nacional de Marine Le Pen: 14% contra 26%, respectivamente. A França tremeu e a Europa ainda está assustada.
O ascenso da extrema-direita em França encontra algum paralelo com o Aurora Dourada, assumidamente neo-nazi, que se afirmou nas eleições de 2012 e 2014, na Grécia, como o terceiro partido mais votado, com 17 deputados.
Apesar de tudo, parece que a extrema-direita não tem uma expressão política tão relevante quanto se tem feito pensar. A parte má desta situação é que os regimes dominantes na Europa estão a fazer o trabalho dela.
Entre o oportunismo das direitas, a fragilidade das esquerdas e a incompetência (?) das instituições europeias, porém, a História se fará conforme a contribuição de todos e cada um de nós.
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