12/11/2017

Porque hoje é domingo (91)


Para quem, como eu, dormiu em remotas aldeias de Angola, onde a casa do soba tinha quartos para várias jovens e onde os outros homens dormiam em dias diferentes com mulheres diferentes segundo uma escala rigorosa, isto da poligamia nas civilizações primitivas – civilizações virgens, digamos – não tem novidade. Já para não invocar a tese de Karl Marx segundo a qual a monogamia nunca existiu.

Mas a Igreja, na homilia deste domingo, irá dar a volta ao texto em que Mateus nos fala, com naturalidade, de poligamia cultural em grande escala e virgens ansiosas pela chegada do esposo.

“Do alto inacessível das suas alturas”, como dizia António Gedeão, os virtuosos sacerdotes tanto podem servir-se do episódio para falar de azeite como para falar de prudência ou do que lhes der na gana sacerdotal, mas o que se invoca é o texto seguinte (Mateus 25:1-13).


1 Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.
2 E cinco delas eram prudentes, e cinco "loucas".
3 As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.
4 Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.
5 E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram.
6 Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.
7 Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.
8 E as "loucas" disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.
9 Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.
10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.
11 E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.
12 E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.
13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.

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