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2023/02/12
Porque hoje é domingo (131)
Quis o destino, essa quarta pessoa da Santíssima Trindade, que o episódio invocado neste domingo pela Igreja Católica (Marcos 8,2-6) nos fale da preocupação de Jesus com os sofrimentos humanos, e do seu empenho em eliminá-los. Não vamos perder tempo com a infantilidade da narrativa: o milagre da multiplicação dos pães. Mas não há como relacionar essa compaixão, do filho de Deus, com o sofrimento e a morte das vítimas dos terramotos actuais na Síria e na Turquia.
Será que o sofrimento humano continua a ser considerado pela Igreja como o castigo pelos “pecados” dos homens? Quem se der ao trabalho de verificar, saberá que sim.
2023/01/22
Porque hoje é domingo (129)
De regresso ás minhas homilias ateias, sou trazido a comentar o tema que a Igreja Católica invoca dos evangelhos oficiais: o recrutamento de militantes para o cristianismo.
A cena passa-se numa praia da Galileia, frequentada por Jesus. Este viu dois pescadores que convidou para o apoiarem e, depois, mais dois: “eu farei de vós pescadores de homens” – terá dito o profeta auto-intitulado filho de Deus. Da pesca à linha para a pesca à rede, muitos mais homens o Senhor levou atrás dele, entre os quais Mateus que é quem nos relata mais tarde este episódio. Ele não presenciou pessoalmente este passeio de Jesus pela praia, mas a sua genuinidade é-lhe creditada pela dedicação com que se entregou à causa que abraçou, sujeitando-se à perseguição e à morte. Vamos esquecer por momentos que Mateus, antes de se dedicar à construção da Igreja, se dedicava a actividades bem mais prosaicas que lhe valeram a condecoração social de padroeiro dos banqueiros, contabilistas, funcionários da alfândega e guardas financeiros…
A Igreja Católica, nascida assim na praia, corre hoje o risco de se afogar por uma onda de escândalos sexuais e, sobretudo, pelo refrescamento das mentalidades trazido pela democratização da cultura, avessa como é a mitologias, crenças e crendices de consistência demasiado arenosa. Mas não nos precipitemos a anunciar-lhe a morte quando assistimos à sua outra formulação: o populismo hipócrita, essa religião política que recruta em águas turvas para alimentar o “peixe graúdo”.
A cena passa-se numa praia da Galileia, frequentada por Jesus. Este viu dois pescadores que convidou para o apoiarem e, depois, mais dois: “eu farei de vós pescadores de homens” – terá dito o profeta auto-intitulado filho de Deus. Da pesca à linha para a pesca à rede, muitos mais homens o Senhor levou atrás dele, entre os quais Mateus que é quem nos relata mais tarde este episódio. Ele não presenciou pessoalmente este passeio de Jesus pela praia, mas a sua genuinidade é-lhe creditada pela dedicação com que se entregou à causa que abraçou, sujeitando-se à perseguição e à morte. Vamos esquecer por momentos que Mateus, antes de se dedicar à construção da Igreja, se dedicava a actividades bem mais prosaicas que lhe valeram a condecoração social de padroeiro dos banqueiros, contabilistas, funcionários da alfândega e guardas financeiros…
A Igreja Católica, nascida assim na praia, corre hoje o risco de se afogar por uma onda de escândalos sexuais e, sobretudo, pelo refrescamento das mentalidades trazido pela democratização da cultura, avessa como é a mitologias, crenças e crendices de consistência demasiado arenosa. Mas não nos precipitemos a anunciar-lhe a morte quando assistimos à sua outra formulação: o populismo hipócrita, essa religião política que recruta em águas turvas para alimentar o “peixe graúdo”.
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2022/07/17
Porque hoje é domingo (125)
Há milénios a castrar sexualmente, mas também sentimental e intelectualmente a Humanidade, a Igreja Católica alimenta os seus bispos e outros profissionais da hipocrisia com uma actividade que explora as fragilidades psicológicas e cognitivas dos seres humanos.
Auto-proclamada porta-voz de um deus que ela própria inventa e interpreta, a Igreja apresenta-se ao povo com uma autoridade incontestável, dogmática, repressiva, e assim domina as mentes – a verdadeira lavagem aos cérebros – e, por força da sua influência social, domina as leis, as políticas, as nações.
O histórico poder temporal da Igreja Católica, advindo da riqueza acumulada com as grandes doações de terras, feitas pelos fiéis, em troca da possível recompensa do "céu", e os compromissos com os poderes políticos, são a sua verdade. Um exemplo flagrante da riqueza acumulada pela Igreja ao longo da História é a construção medieval de sumptuosas catedrais construídas nos séculos XII e XIII daí em diante.
Quando as Santas Inquisições não encontram terreno para se instalarem, ainda há espaço para exercer outros terrores, como a ameaça do Inferno nas suas progressivas versões. E pecados não faltam para trocar por dinheiro.
O fenómeno de Fátima, criado a partir do mais infantil, inacreditável, relato da aparição de Nossa Senhora a três ingénuos e ignorantes pastorinhos, é apenas um de muitos exemplos de extorquir as poupanças dos crentes, explorando os seus desesperos e a crença que lhes foi incutida pelos próprios vendedores de deuses.
Tão infantil e irracional como a ideia de “salvação eterna” que continua a ser proclamada nos comícios domingueiros das paróquias. Quem estiver interessado nesta narrativa, porém, pode entreter-se com o episódio do dia em que se conta que Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa (Lc 10,38-42).
Mas não espere nada de muito picante…
Auto-proclamada porta-voz de um deus que ela própria inventa e interpreta, a Igreja apresenta-se ao povo com uma autoridade incontestável, dogmática, repressiva, e assim domina as mentes – a verdadeira lavagem aos cérebros – e, por força da sua influência social, domina as leis, as políticas, as nações.
O histórico poder temporal da Igreja Católica, advindo da riqueza acumulada com as grandes doações de terras, feitas pelos fiéis, em troca da possível recompensa do "céu", e os compromissos com os poderes políticos, são a sua verdade. Um exemplo flagrante da riqueza acumulada pela Igreja ao longo da História é a construção medieval de sumptuosas catedrais construídas nos séculos XII e XIII daí em diante.
Quando as Santas Inquisições não encontram terreno para se instalarem, ainda há espaço para exercer outros terrores, como a ameaça do Inferno nas suas progressivas versões. E pecados não faltam para trocar por dinheiro.
O fenómeno de Fátima, criado a partir do mais infantil, inacreditável, relato da aparição de Nossa Senhora a três ingénuos e ignorantes pastorinhos, é apenas um de muitos exemplos de extorquir as poupanças dos crentes, explorando os seus desesperos e a crença que lhes foi incutida pelos próprios vendedores de deuses.
Tão infantil e irracional como a ideia de “salvação eterna” que continua a ser proclamada nos comícios domingueiros das paróquias. Quem estiver interessado nesta narrativa, porém, pode entreter-se com o episódio do dia em que se conta que Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa (Lc 10,38-42).
Mas não espere nada de muito picante…
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2022/07/10
Porque hoje é domingo (124)
Nestes tempos de interacção global em que “o nosso próximo” é toda a gente, ganha uma dimensão especial o conflito interior de cada pessoa entre a solidariedade e o egoísmo, entre o cuidado com os outros e a indiferença.
É disto que trata a passagem do Evangelho que a Igreja invoca hoje*. A questão que se coloca agora é a mesma que Jesus terá colocado: a diferença entre os valores e as práticas. Mais, diria eu, a diferença estratégica entre a suposta conversão individual e a imposta revolução social.
Aqui parece estar o confronto histórico entre a religião e a política, que faz muitos cristãos – e não só – evoluírem da militância religiosa para a militância partidária. A experiência pessoal e social dos cidadãos, o seu crescimento, tem dado provas desta evolução.
Sou testemunha desse fenómeno pela minha própria experiência mas também pelos muitos activistas políticos que conheci nas estruturas sociais. Que essas estruturas sejam sempre capazes ou competentes de corresponder às expectativas, isso já pertence à segunda fase da evolução a que me venho referindo. Que as suas fragilidades sirvam de pretexto para o conservadorismo egoísta de alguns, disfarçado de fé religiosa, é o paradoxo a que estes estão condenados.
Palavra do senhor: eu!
*Lucas 10:36-37
É disto que trata a passagem do Evangelho que a Igreja invoca hoje*. A questão que se coloca agora é a mesma que Jesus terá colocado: a diferença entre os valores e as práticas. Mais, diria eu, a diferença estratégica entre a suposta conversão individual e a imposta revolução social.
Aqui parece estar o confronto histórico entre a religião e a política, que faz muitos cristãos – e não só – evoluírem da militância religiosa para a militância partidária. A experiência pessoal e social dos cidadãos, o seu crescimento, tem dado provas desta evolução.
Sou testemunha desse fenómeno pela minha própria experiência mas também pelos muitos activistas políticos que conheci nas estruturas sociais. Que essas estruturas sejam sempre capazes ou competentes de corresponder às expectativas, isso já pertence à segunda fase da evolução a que me venho referindo. Que as suas fragilidades sirvam de pretexto para o conservadorismo egoísta de alguns, disfarçado de fé religiosa, é o paradoxo a que estes estão condenados.
Palavra do senhor: eu!
*Lucas 10:36-37
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2022/05/29
Porque hoje é domingo (122)
Julgava eu, na minha inocência, que Deus sabia tudo o que eu queria e que tudo fazia para me satisfazer, Ele que é amor e caridade e etc. Mas não, Jesus terá afirmado (João 16,23b-24): "Se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”.
Tantos milhões de crentes se arrastam neste vale de lágrimas e de mortos em guerras e catástrofes, pedindo nada mais do que piedade, e o truque de Jesus não dá resultado.
É o que pode acontecer quando se promete aquilo que não se pode dar.
Post scriptum: As promessas de vitória de Zelensky ao seu povo não são para aqui chamadas. Ou são?
Tantos milhões de crentes se arrastam neste vale de lágrimas e de mortos em guerras e catástrofes, pedindo nada mais do que piedade, e o truque de Jesus não dá resultado.
É o que pode acontecer quando se promete aquilo que não se pode dar.
Post scriptum: As promessas de vitória de Zelensky ao seu povo não são para aqui chamadas. Ou são?
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2022/05/22
Porque hoje é domingo (121)
À falta de razão, de racionalidade, a Igreja insiste hoje (João 14,23.25-26) em embalar-nos num discurso indecifrável para nos convencer que “a verdade” nos transcende, logo, só temos que aceitar as suas palavras, os “ensinamentos” de um Deus que só os sacerdotes são capazes de entender e explicar. Aproveita-se da ingenuidade, da fragilidade, dos medos que habitam a condição humana, para nos submeter aos seus domínios de poder e de riqueza.
“Se alguém me ama, guardará a minha palavra e o meu Pai o amará”, isto é, se alguém me obedece, eu o defenderei” – eu, me, a Igreja, visto que só ela sabe o que Deus quer! E o que mais pode desejar alguém do que ter quem o defenda neste mundo de guerras e doenças, de pobreza e de incerteza?
E tanto que haveria para dizer sobre o amor...
“Se alguém me ama, guardará a minha palavra e o meu Pai o amará”, isto é, se alguém me obedece, eu o defenderei” – eu, me, a Igreja, visto que só ela sabe o que Deus quer! E o que mais pode desejar alguém do que ter quem o defenda neste mundo de guerras e doenças, de pobreza e de incerteza?
E tanto que haveria para dizer sobre o amor...
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2022/05/16
Porque hoje é domingo (120)
A cena que João nos conta para a homilia de hoje (João 13,31-33a) passa-se no lugar da última ceia de Jesus, um lugar que Leonardo Da Vince retratou com o cuidado de dispor todos os apóstolos do mesmo lado da mesa, de modo a que nenhum deles ficasse de costas para a “câmara”.
Tratando-se realmente de uma pintura, consta que o autor teve a possibilidade de assumir, com a sua cara, a personagem de Judas. Nada de novo, portanto, no capricho de Hitchcock em fazer uma perninha nos filmes que realizava.
Um outro acontecimento cinematográfico que vale a pena invocar a este respeito, é um filme em que aquela morte não decorre de uma traição de um apóstolo, mas sim de uma missão de que este foi encarregado pelo próprio Cristo para dar cumprimento a uma profecia.
Cinematografias à parte, esta tese da traição combinada, aparece em 2006 com “A Marioneta e o Anão” de Žižek, como pode ler-se AQUI e de que transcrevo um excerto, com religiosa vénia ao autor: “visto que a sua [de Judas] traição era necessária para levar a cabo a sua [de Jesus] missão (redimir a humanidade pela morte na cruz) não precisava Cristo dela? As suas palavras inquietantes durante a Última Ceia não serão uma intimidação secreta endereçada a Judas para que ele o atraiçoe?
Tratando-se realmente de uma pintura, consta que o autor teve a possibilidade de assumir, com a sua cara, a personagem de Judas. Nada de novo, portanto, no capricho de Hitchcock em fazer uma perninha nos filmes que realizava.
Um outro acontecimento cinematográfico que vale a pena invocar a este respeito, é um filme em que aquela morte não decorre de uma traição de um apóstolo, mas sim de uma missão de que este foi encarregado pelo próprio Cristo para dar cumprimento a uma profecia.
Cinematografias à parte, esta tese da traição combinada, aparece em 2006 com “A Marioneta e o Anão” de Žižek, como pode ler-se AQUI e de que transcrevo um excerto, com religiosa vénia ao autor: “visto que a sua [de Judas] traição era necessária para levar a cabo a sua [de Jesus] missão (redimir a humanidade pela morte na cruz) não precisava Cristo dela? As suas palavras inquietantes durante a Última Ceia não serão uma intimidação secreta endereçada a Judas para que ele o atraiçoe?
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2022/04/24
Porque hoje é domingo 118
A Igreja celebra hoje aquela noite em que Jesus, que era suposto estar morto, apareceu aos discípulos dizendo: ‘A paz esteja convosco’. (João 20, 19-20; 24-25).
Nenhuma mensagem é mais desejada, nos dias que correm, do que esta. Discípulo assumido de Jesus Cristo, António Guterres vai visitar Putin e Zelensky na esperança de repetir a frase de Jesus. Mas desta vez não será só Tomé a duvidar. Creio que o próprio Secretário Geral da ONU não leva tão longe a sua fé nos homens, depois de a ter perdido em Deus a quem acorre todos os dias, certamente, nas suas orações.
O Futuro, esse único alguém que sabe tudo sobre o que vai acontecer, é quem nos há-de revelar a verdade. Enquanto não falar, desculpem a desilusão, resta aos sobreviventes esperar pelo entendimento entre Deus e o Diabo.
Nenhuma mensagem é mais desejada, nos dias que correm, do que esta. Discípulo assumido de Jesus Cristo, António Guterres vai visitar Putin e Zelensky na esperança de repetir a frase de Jesus. Mas desta vez não será só Tomé a duvidar. Creio que o próprio Secretário Geral da ONU não leva tão longe a sua fé nos homens, depois de a ter perdido em Deus a quem acorre todos os dias, certamente, nas suas orações.
O Futuro, esse único alguém que sabe tudo sobre o que vai acontecer, é quem nos há-de revelar a verdade. Enquanto não falar, desculpem a desilusão, resta aos sobreviventes esperar pelo entendimento entre Deus e o Diabo.
2022/04/03
Porque hoje é domingo (117)
O “casamento” do direito civil com a doutrina religiosa seria, por si só, matéria para uma fecunda reflexão, mas não me quero afastar da questão concreta a que se refere a citação do Evangelho nas homilias de hoje: o episódio da “mulher adúltera” (Jo. 8:1-11).
Jesus perdoou “o pecado” pelo qual a mulher vinha acusada, mas não o fez em nome da liberdade individual, e sim por piedade. É isto que eu não perdoo ao Filho de Deus! – passe o atrevimento!
O adultério aparece como sendo a violação, transgressão da regra de fidelidade conjugal imposta aos cônjuges pelo contrato matrimonial, cujo princípio consiste em não se manterem relações carnais com outrem fora do casamento. Tal contrato matrimonial traduz-se de facto num contrato patrimonial em que uma pessoa prescinde do seu livre arbítrio em favor de outrem, em que alguém se faz propriedade de outra pessoa.
Esta minha reprovação da fidelidade contratual não interfere com a vontade livre dos cônjuges manterem uma relação exclusiva ditada por sentimentos genuínos mais ou menos duradouros, mas sim na fixação legal e social de tais comportamentos. Esta exclusividade voluntária é tão legítima quanto a abstinência amorosa. Que ela configure um compromisso e não uma circunstância, já me parece “adulterar” a verdade da relação, isso sim. E é uma pena...
Jesus perdoou “o pecado” pelo qual a mulher vinha acusada, mas não o fez em nome da liberdade individual, e sim por piedade. É isto que eu não perdoo ao Filho de Deus! – passe o atrevimento!
O adultério aparece como sendo a violação, transgressão da regra de fidelidade conjugal imposta aos cônjuges pelo contrato matrimonial, cujo princípio consiste em não se manterem relações carnais com outrem fora do casamento. Tal contrato matrimonial traduz-se de facto num contrato patrimonial em que uma pessoa prescinde do seu livre arbítrio em favor de outrem, em que alguém se faz propriedade de outra pessoa.
Esta minha reprovação da fidelidade contratual não interfere com a vontade livre dos cônjuges manterem uma relação exclusiva ditada por sentimentos genuínos mais ou menos duradouros, mas sim na fixação legal e social de tais comportamentos. Esta exclusividade voluntária é tão legítima quanto a abstinência amorosa. Que ela configure um compromisso e não uma circunstância, já me parece “adulterar” a verdade da relação, isso sim. E é uma pena...
2022/03/20
Porque hoje é domingo (115)
Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não encontrou. Então, disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a!’
Esta parábola atribuida a Jesus, que a piedosa Igreja de Francisco invoca neste domingo, mostra o pendor criativo do Criador, mas não menos a sua crueldade, considerando a comparação que faz das figueiras com as pessoas.
A ideia de pecado, cujo sentido a Igreja vai definindo conforme as suas conveniências históricas, acirra o medo nos cérebros humanos para controlar os seus comportamentos. Nada que os tiranos de todos os tempos e geografias não saibam usar com mais ou menos artifícios e outras armas.
Qualquer semelhança dos métodos religiosos com "lavagem ao cérebro" não é coincidência.
Esta parábola atribuida a Jesus, que a piedosa Igreja de Francisco invoca neste domingo, mostra o pendor criativo do Criador, mas não menos a sua crueldade, considerando a comparação que faz das figueiras com as pessoas.
A ideia de pecado, cujo sentido a Igreja vai definindo conforme as suas conveniências históricas, acirra o medo nos cérebros humanos para controlar os seus comportamentos. Nada que os tiranos de todos os tempos e geografias não saibam usar com mais ou menos artifícios e outras armas.
Qualquer semelhança dos métodos religiosos com "lavagem ao cérebro" não é coincidência.
2021/12/19
Porque hoje é domingo 111
Naqueles dias, Maria dirigiu-se a uma cidade da Judeia. “Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel”, sua prima. Ambas haviam sido engravidadas pelo Espírito Santo; ambas foram “informadas” disso por um tal Gabriel; ambas reproduziam uma história que tinha acontecido a 25 de Abril, ao que consta, mas com Mitra que viveu muitos séculos antes. Mas é Natal e ninguém leva a mal
(Baseado na homilia católica de hoje que invoca o evangelho de Lucas 1,39-45)
(Baseado na homilia católica de hoje que invoca o evangelho de Lucas 1,39-45)
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2021/12/12
Porque hoje é domingo (110)
Perante estas declarações de João Baptista, que são invocadas nas homilias de hoje, é inevitável perguntar se ele era comunista ou liberal:
As multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo».
Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito».
Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». (Lc 3,10-18)
As multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo».
Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito».
Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». (Lc 3,10-18)
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2021/11/28
Porque hoje é domingo (109)
“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas”. Assim terá ameaçado Jesus, na sua habitual estratégia de submeter os seus militantes pelo terror.
É nisto que se concentra a narrativa das missas deste domingo, com homilias mais ou menos criativas dos seus porta-vozes.
FONTE: Evangelho segundo Lucas (Lc 21,25-28.34-36) “... esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo o momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.
É nisto que se concentra a narrativa das missas deste domingo, com homilias mais ou menos criativas dos seus porta-vozes.
FONTE: Evangelho segundo Lucas (Lc 21,25-28.34-36) “... esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. Portanto, ficai atentos e orai a todo o momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.
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2021/10/17
Porque hoje é domingo (107)
Nas missas de hoje o tema é a apologia da humildade e do despojamento. E eu lembro-me da auto-designada "Sua Santidade", da riqueza incalculável do Vaticano e de todo o património da Igreja, mas também da respectiva ostentação. Afinal temos Papa ou papagaio?
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2021/10/03
Porque hoje é domingo (106)
«Pode um homem repudiar a sua mulher?», terão perguntado a Jesus. «Não separe o homem o que Deus uniu», terá respondido o profeta que se declarava Deus, ele próprio.
Deste modo ditou uma lei que ainda hoje é tema de discussão e conflito universal por efeito do poder temporal e ideológico do cristianismo.
E, quando confrontado com a posição diferente de Moisés, Jesus apresentou uma re-interpretação pessoal das palavras daquele a quem Deus terá confiado os Dez Mandamentos.
Desde então, nunca mais a Igreja deixou de fazer re-interpretações da Bíblia, prática que acabou por influenciar decisivamente a táctica dos agentes e dos comentadores políticos.
Nota:
Esta passagem do Evangelho (Mc 10,2-16) é o tema deste domingo nas homilias católicas.
Deste modo ditou uma lei que ainda hoje é tema de discussão e conflito universal por efeito do poder temporal e ideológico do cristianismo.
E, quando confrontado com a posição diferente de Moisés, Jesus apresentou uma re-interpretação pessoal das palavras daquele a quem Deus terá confiado os Dez Mandamentos.
Desde então, nunca mais a Igreja deixou de fazer re-interpretações da Bíblia, prática que acabou por influenciar decisivamente a táctica dos agentes e dos comentadores políticos.
Nota:
Esta passagem do Evangelho (Mc 10,2-16) é o tema deste domingo nas homilias católicas.
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2021/09/26
Porque hoje é domingo (105)
Há dias em que um líder diz coisas imprudentes. Agora foi Marcelo R. de Sousa ao afirmar que estas são as eleições mais importantes de sempre – é caso para perguntar se já era vivo em 1975. Houve tempos em que Vasco Gonçalves disse que quem não é por nós é contra nós e Jesus Cristo terá afirmado que quem não é contra nós é por nós (Mc 9,38-45).
Quem está ainda sem saber como votar, tire daqui as suas conclusões.
Na referido capítulo dos Evangelhos, Jesus também terá dito, com aquela bondade,aquela tolerância e aquele amor que se lhe atribui: Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que crêem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas pró um jumento e o lançassem ao mar.
Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga.
E se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena.
E se um dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde o verme não morre e o fogo não se apaga».
Quem está ainda sem saber como votar, tire daqui as suas conclusões.
Na referido capítulo dos Evangelhos, Jesus também terá dito, com aquela bondade,aquela tolerância e aquele amor que se lhe atribui: Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que crêem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas pró um jumento e o lançassem ao mar.
Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena, para esse fogo que não se apaga.
E se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena.
E se um dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde o verme não morre e o fogo não se apaga».
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2021/09/12
Porque hoje é domingo (103)
Hoje a Igreja Católica invoca uma passagem do Evangelho (Mc 8,27-35) em que Jesus é apresentado como o Messias libertador. Nada que não fosse frequente na época. Com efeito, o estatuto de Messias era reivindicado por muitos profetas portadores de diferentes narrativas. Como diria o outro: eu é que sou...
Que Jesus diga aos discípulos que "o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas pelo amor e pelo dom da vida", parece-me uma crítica ao CR7 e um elogio do suicídio, mas o que acho mais estranho é que chame Satanás ao S. Pedro e, mais ainda, que fale da cruz num sentido que esta só viria a tomar... após a sua morte.
Que Jesus diga aos discípulos que "o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas pelo amor e pelo dom da vida", parece-me uma crítica ao CR7 e um elogio do suicídio, mas o que acho mais estranho é que chame Satanás ao S. Pedro e, mais ainda, que fale da cruz num sentido que esta só viria a tomar... após a sua morte.
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2021/08/15
Porque hoje é domingo (100)
A chamada Nossa Senhora nunca foi particularmente valorizada pelo filho, o que, de resto, sucede frequentemente em muitas famílias. Muito menos Jesus se referiu alguma vez à ascenção da senhora “aos céus” - Assunção é o nome oficial-, tanto mais que este incompreensível fenómeno, a ter acontecido, ocorreria já depois da morte dele.
Foi portanto a Igreja que lhe atribuiu aquela vocação para voar, como viria a confirmar-se muito mais tarde com a aparição, em Fátima, no cimo duma azinheira... Essa Igreja que neste domingo “relembra” a tal subida de que fala o Novo Testamento – criação literária da própria Igreja, como se sabe, à revelia do biografado.
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2018/11/11
Porque hoje é domingo (99)
Se há uma marca de personalidade em Jesus Cristo que um ateu não tem dificuldade em reconhecer e enaltecer, é a sua atenção especial aos pobres, aos humildes e aos doentes. Esta posição ideológica, de resto, tem feito com que se diga que Jesus era socialista “avant la lettre”. Fosse ele nosso contemporâneo e teria sido acusado e condenado, como no seu tempo, agora por perfilhar ideais comunistas...
Mas não se assustem os católicos conservadores porque Jesus não era comunista e até se recusava a assumir responsabilidades políticas: “a Deus o que é de Deus e a César o que é de César” – disse a este respeito. Este posicionamento, de resto, valeu-lhe o desprezo de muitos que esperavam que o “Filho de David” libertasse Israel do domínio romano.
A seu favor, portanto, fica a sua atenção especial com os mais necessitados, tal como ilustra a passagem do evangelho que a Igreja Católica invoca neste dia. Jesus, “chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro, porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento” (Marcos 12, 43-44).
Tomo a liberdade de actualizar e adaptar às circunstâncias actuais: os pobres pagam maiores impostos do que os ricos, sempre, porque estes pagam do que lhes sobeja mas aqueles pagam o que lhes faz falta!
Mas não se assustem os católicos conservadores porque Jesus não era comunista e até se recusava a assumir responsabilidades políticas: “a Deus o que é de Deus e a César o que é de César” – disse a este respeito. Este posicionamento, de resto, valeu-lhe o desprezo de muitos que esperavam que o “Filho de David” libertasse Israel do domínio romano.
A seu favor, portanto, fica a sua atenção especial com os mais necessitados, tal como ilustra a passagem do evangelho que a Igreja Católica invoca neste dia. Jesus, “chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro, porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento” (Marcos 12, 43-44).
Tomo a liberdade de actualizar e adaptar às circunstâncias actuais: os pobres pagam maiores impostos do que os ricos, sempre, porque estes pagam do que lhes sobeja mas aqueles pagam o que lhes faz falta!
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2018/10/28
Porque hoje é domingo 98
Neste domingo em que o Brasil caminha de olhos fechados para o precipício, e a Igreja invoca o episódio em que Jesus dá vista a um cego (Marcos 10:46-52), muitos brasileiros gostariam de pedir ao Mestre que lhes desse a lucidez de que precisam para votar na eleição presidencial.
Mas lá onde não há Mestre que os dispense de curarem-se, a si próprios, acorrerão as vozes da vingança irracional e, em seu apoio, vozes de jornalistas e outros comunicadores informais – jornais, televisões,“redes sociais” da internet e do boca-a-boca.
É assim, ao que se percebe, que está formada a opinião maioritária. É assim que muitos vão votar sem fé nem lucidez.
Não admira que muito em breve os cidadãos do Brasil gritem, como o cego de Jericó, “Filho de Davi, tem misericórdia de mim”.
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