03/12/2017

Centeno não é Barroso… nem Guterres

Mas também não é Varoufakis

Relativamente à eventual escolha de Mário Centeno para presidir ao Eurogrupo, tem-se discutido se isso é bom ou mau para Portugal e se o ministro das Finanças irá ter alguma influência positiva nas decisões da instituição europeia – influência para Portugal e influência para a linha política da Europa.

Quanto a Portugal, o exemplo de Durão Barroso parece evidenciar que o nosso país não terá nada a ganhar. Barroso, alinhado ideologicamente com as políticas “austeritárias”, não deve surpreender que fosse apenas um submisso porta-voz da ideologia neo-liberal dominante. Mas se pensarmos em Guterres, o “socialista” português que ocupa o lugar de secretário-geral da ONU, que vantagem nos trouxe ou nos traz?

A perturbação no desempenho do actual ministro das Finanças português, que poderia causar a nomeação para presidente do grupo informal de ministros das Finanças da zona euro, não pode deixar de estar secretamente na cabeça de António Costa como está nas preocupações assumidas expressamente por Marcelo Rebelo de Sousa: “Se Centeno ganhar, não pode perder o pé em Portugal. É muito trabalho para ele" – comentou o Presidente da República!

Na sua candidatura à presidência do Eurogrupo, Mário Centeno defendeu (cito o Observador) “uma maior transparência e legitimidade dos processos de decisão da União Europeia. Centeno também deixa críticas às regras europeias em questões orçamentais e à omissão de medidas de crescimento económico nos programas de assistência financeira da troika”. Mas os termos em que se expressa parecem-me suficientemente prudentes para serem ambíguos. Em todo o caso é sabido que a política é sobretudo um jogo de bastidores.

Centeno que fará 51 anos no próximo Sábado, 9 de Dezembro, é um lutador – praticou rugby que é talvez o desporto mais parecido com o boxe! - mas no combate que o espera, se for escolhido, o ringue é a Europa e os adversários da sua visão humanista da economia, por assim dizer, levam grande vantagem negocial. Cá estaremos para assistir ao jogo – se houver jogo.

Fonte de imagem:  foto-montagem deste blogue

1 comentário:

antónio m p disse...

«Centeno (...) pone el punto final simbólico a la narrativa de austeridad: Europa, a su parecer, aplicó una receta "errada, parcial e incompleta", según dijo hace apenas unos meses a este diario»
ElPais 2017Nov05