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2017/05/08

Contra-corrente

«Na verdade, quem defende a libertação da França das garras do Euro e da UE; a indústria nacional ameaçada de deslocalização; os direitos sociais e o aumento dos salários reais dos trabalhadores; a distensão internacional e o combate à russofobia é a sra. Marine Le Pen. Assim, a verdadeira extrema-direita francesa é representada pelo sr. Macron. Esse facto não pode ser alterado pela algazarra mediática.»
Miguel Urbano Rodrigues

«Sejam quais forem as críticas que se façam a Mme Marine le Pen, e já fiz várias neste blog, a decência obrigaria aquela mesma boiada a declarar que nada há de " fascista ", nem no programa dela nem no comportamento de seu movimento. Não há milícias armadas pelas ruas. E as que há vêm, já há anos de outro lugar, que não é a Frente Nacional. »
...
«(O programa de Macron) é um programa de destruição do Direito do Trabalho, programa de uberização da sociedade. Além disso, é programa que traz um projeto de sociedade no qual os indivíduos seriam completamente atomizados, entregues a lei do mercado e do " pagamento frio no guichê ", do acordado sobre o legislado. Esse programa, sim, provoca graves inquietações. E são inquietações legítimas. São inquietações de tal ordem que absolutamente proíbem que se vote a favor de Emmanuel Macron. »
Jacques Sapir, 2 de Maio de 2017

Importante: Estes excertos merecem ser contextualizados nos artigos originais que podem ser consultados em resistir.info. Mas não deixam de traduzir a opinião expressa dos seus autores, conhecidos ideólogos de esquerda, que certamente ajudam a entender a incoerência aparente de muitos eleitores de esquerda.

2017/04/27

O preço do voto em Macron

Andaram a espalhar o terror sobre a candidatura de Mélenchon à presidência da França, na primeira volta, e dizem que ele é igual a Le Pen. Mas reclamam dele o sentido de “responsabilidade democrática” de que precisam para fazer vingar o candidato conservador na segunda volta.

Em Portugal já vimos como foi em circunstâncias comparáveis: o PS de Mário Soares coligou-se com o CDS (1976) enquanto, noutra oportunidade, o "irresponsável" PCP recomendou o voto em Mário Soares (1986).

Entretanto fica a pergunta: como votariam os pregadores do “bom-senso” se fosse Mélenchon a disputar a segunda volta em vez de Macron?

2012/04/22

A História faz o Homem

Tudo indica que o candidato mais decisivo nas eleições presidenciais de hoje, em França, será Jean-Luc Mélenchon que disputa o terceiro lugar nas sondagens, com a candidata da extrema-direita Marine Le Pen.

Portador do apoio unitário da esquerda, incluindo o Partido Comunista, o candidato da «Frente de Esquerda» pode ter um papel fundamental na segunda volta que será disputada entre Sarkozy, à direita, e Hollande, à esquerda. Isto porque mais de 80% dos eleitores de Mélenchon afirmam em inquérito que votarão no candidato do Partido Socialista, François Hollande, correspondendo ao apelo para «voter utile».  A confluência de votos de direita em Sarkozy, por seu lado, revela-se menos garantida e menos eficaz.

Se o «voto útil» da Frente de Esquerda, na segunda volta, eleger François Hollande, que importância terá isso para a França, para a Europa e para o mundo? Para além de travar entusiasmos oportunistas da Direita no contexto desnorteado da crise geral, pouco mais se pode esperar do « homem bom, sério, delicado, etc.» e menos ainda do seu Partido Socialista.

Outra coisa é o que leva os franceses às urnas : a esperança. Na expectativa da recessão, dos aumentos de impostos, da redução do poder de compra e do recrudescimento da insegurança, os eleitores escolhem o candidato... menos assustador.Do ponto de vista eleitoral, a candidatura da Esquerda mais consequente, portanto, é apenas instrumental neste contexto. Uma vez mais. Ainda.

Entretanto, o Homem faz a História e a História faz o Homem. E o que se avizinha pode exigir, até dos mais moderados, a ousadia de mudar de rumo. Vejamos no que isso dá. Em França. Na Europa. No mundo.