Hillary Clinton ganhou as eleições primárias do Partido Democrático dos Estados Unidos da América. Não se sabe ainda se ganhará as presidenciais. O que está apurado é que ela não ganhou a América.
Os EUA foram apanhados pela onda inovadora que inunda a Europa: uma onda que varre os partidos convencionais e os políticos tradicionais e que levanta, das profundezas, águas refrescantes.
Bernie Sanders protagoniza esta mudança nos Estados Unidos da América, um horizonte outro, uma esperança para a juventude e os mais desfavorecidos da chamada sociedade das oportunidades.
Com ele emergiu um grito de protesto, uma exigência de democracia real, uma reclamação popular genuína que quer resistir ao refluxo da corrente progressista e disso mesmo dá mostras na forma como reprova o recuo do candidato "Bernie" Sanders. Mas a batalha eleitoral não é a guerra e o combate precisa de estratégia adequada às circunstâncias.
É neste plano que parece situar-se o senador “Bernie”, crítico das políticas externas dos EUA, desde a Guerra do Vietnam até à invasão do Iraque, entre outras, e defensor de políticas públicas de carácter socializante.
Nas eleições primárias em curso, ele obteve expressivos resultados que não chegam, porém, para ganhar a Hillary Clinton. Por isso resolveu expressar o seu apoio a esta candidata, enquanto mal-menor (expressão minha) mas negociando as suas condições, ao que tudo indica, e desta forma fazer pesar os votos que recebeu.
Se o descontentamento de alguns dos seus apoiantes, por esta “traição”, se traduzir em abstenções expressivas e assim der vantagem a Donald Trump, o mundo irá aprender, sabe-se lá com que consequências, quanto custa o radicalismo estúpido – aquele que a direita portuguesa tanto se esforça por cultivar nos caminhos da “geringonça”.
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2016/07/29
2016/03/07
Loiras ao Poder
Relativamente às próximas eleições presidenciais, os eleitores norte-americanos estão de acordo numa coisa: terá cabelo louro! O resto... é política.
2008/10/06
Obama e o outro
No imaginário dos cidadãos, Obama vale mais por aquilo que representa do que por aquilo que é.
Ele representa um desejo de ruptura com um modelo de sociedade que exalta o sucesso dos ricos e poderosos e que despreza os desafortunados; que sobrepõe os interesses egoístas e os métodos cruéis de uma super-potência, aos direitos legítimos de outros povos preservarem a sua soberania, escolherem as suas políticas, prosseguirem o seu desenvolvimento. Isto é, Obama representa a ruptura com um modelo que oferece os ombros aos privilegiados e o peso das botas aos expoliados do sistema.
Falo por metáforas, em parte, mas não seria mais benevolente falar com os factos. Falo de desejos, é certo, mas é esse desejo colectivo que pode criar os símbolos, a direcção e a força que opera as mudanças.
Obama é, ele próprio, uma criação do imaginário negro e do imaginário popular, das camadas mais livres, evoluídas e generosas. Obama transcende Obama.
Sabemos que além de Obama, há... o outro. E isso remete para a questão de saber se o eleitorado que elegeu Bush por duas vezes ( ! ) muda de cabeça com tanta facilidade quanto a História exige. Dizem as notícias que «A um mês das eleições, marcadas para 4 de Novembro, as sondagens revelam que o eleitorado confia mais em Obama que (no outro) para erguer a economia norte-americana».
Outra questão é saber – passe a ironia – se a vitória, nesta conjuntura económica, não será um presente envenenado para o partido vencedor. O que se pode esperar, no caso do Partido Democrata vencer, é que o veneno não seja mortal. Ele há até quem diga que alguns venenos curam.
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