Os EUA não se retiram do Afeganistão por razões estratégicas; fugiram, derrotados e humilhados, incapazes de proteger sequer os seus próprios soldados e colaboradores. Sendo senhores da NATO, arrastaram consigo países aliados que nem sempre tinham outros interesses no assunto que não fosse a dependência do Estado mais forte.
O discurso de Joe Biden em 26 de Agosto é politicamente comprensível para agregar uma população desconfiada da política externa norte-americana, em torno do nacionalismo exacerbado que domina a cultura política do país. Mas o que releva nesse discurso é a tentativa de desculpar o erro político dos presidentes, com a insistente atribuição das decisões aos comandos militares.
Quanto à vingança de que fala Joe Biden, o que é de recear é que ele vá ter ainda muito mais de que se vingar, apostado como está em defender “os interesses dos Estados Unidos na região”. Terminada mais esta cruzada intervencionista, que não é de Biden nem sequer de Donald Trump, a maior obrigação dos EUA é apoiar aqueles que comprometeu na sua aventura colonizadora.
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2021/08/27
2019/02/09
O Cavalo de Tróia na Venezuela
Estados Unidos da América e União Europeia, com uma suspeita autoridade moral, alertam contra o caracter desumano de Nicolas Maduro ao rejeitar a "ajuda humanitária" que querem fazer entrar na Venezuela e que é composta de alimentos, medicamentos (e armamentos).
E a gente lembra-se do "generoso" embargo contra Cuba por parte dos EUA, do "pacífico" episódio da Baía dos Porcos e até do lendário Cavalo de Tróia.
E a gente lembra-se do "generoso" embargo contra Cuba por parte dos EUA, do "pacífico" episódio da Baía dos Porcos e até do lendário Cavalo de Tróia.
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2018/04/10
Políticas venenosas
Passado o prazo de validade mediática do caso Serguei Skripal, ex-agente duplo russo-britânico, a primeira-ministra britânica Theresa Mary retoma agora a cartada do ataque químico na Síria, para manter os afectos feridos com a União Europeia e os Estados Unidos da América.
Uma vez mais estes aliados estratégicos dizem que “acreditam” na sua própria versão e mais uma vez adiantam acusações e prepararam-se para “retaliar”. Que "o regime" sírio negue e que a Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) ainda esteja a investigar as acusações é o que menos interessa para os fins que prossegue "o regime" da UE e dos EUA, claro.
Porque será que isto nos faz lembrar o suposto ataque atribuido ao “regime sírio” em... Abril de 2017?
O melhor é reler o artigo que AQUI publiquei então.
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2017/04/08
Trump é bruxo?
Quem não se lembra da galhofa universal que Donald Trump provocou em Fevereiro quando se referiu a um ataque terrorista na Suécia? O homem estava drogado como sugeriu então o ex-primeiro ministro sueco, ou apenas profetizou o que veio acontecer agora?
O caso faz-nos pensar que Donald Trump tem dotes adivinhatórios, sobretudo se lhe juntarmos a informação de origem desconhecida segundo a qual a Síria terá usado armas químicas proibidas, num ataque realizado na terça-feira e que terá causado a morte a dezenas de pessoas.
Também há quem diga que as alusões exageradas ao terrorismo e as acusações sem prova acerca do uso de armas químicas são pretextos para as políticas anti-imigração e anti-Assad. Mas vá lá a gente adivinhar, a gente que não é bruxa...
Para quem não aprecia textos sarcásticos sobre matérias tão sensíveis, recomendo a abordagem de Bernie Sanders, AQUI, sobre o assunto. Entre outras questões, o ex-candidato à Casa Branca pergunta qual é o contributo desta intervenção de Trump para a resolução diplomática do conflito, pergunta que ecoa em manifestações que ocorrem em pelo menos 35 cidades dos EUA.
O caso faz-nos pensar que Donald Trump tem dotes adivinhatórios, sobretudo se lhe juntarmos a informação de origem desconhecida segundo a qual a Síria terá usado armas químicas proibidas, num ataque realizado na terça-feira e que terá causado a morte a dezenas de pessoas.
Também há quem diga que as alusões exageradas ao terrorismo e as acusações sem prova acerca do uso de armas químicas são pretextos para as políticas anti-imigração e anti-Assad. Mas vá lá a gente adivinhar, a gente que não é bruxa...
Para quem não aprecia textos sarcásticos sobre matérias tão sensíveis, recomendo a abordagem de Bernie Sanders, AQUI, sobre o assunto. Entre outras questões, o ex-candidato à Casa Branca pergunta qual é o contributo desta intervenção de Trump para a resolução diplomática do conflito, pergunta que ecoa em manifestações que ocorrem em pelo menos 35 cidades dos EUA.
2017/02/07
Contradições insuperáveis
O recrudescimento do terrorismo nos conflitos internacionais alimenta juízos e estratégias que podem extravasar a racionalidade e tornar-se, elas próprias, perigosas para as vítimas do terrorismo.
As medidas de Donald Trump bastariam para ilustrar e demonstrar esta tese. A perversidade a que levam tais juízos e estratégias é-nos relatada nos noticiários: são as novas “medidas de segurança interna” em suposta alternativa à “segurança mundial”, e os seus efeitos para os próprios americanos, nomeadamente em matérias económicas e dos direitos individuais.
Por outro lado, e com as notícias actuais sobre a contestação das grandes multinacionais americanas, ficam à vista as contradições insuperáveis de profetas imperiais como Trump.
Cruzando uma sentença de Jesus Cristo com uma tese de Karl Marx, diria que “é mais fácil a um camelo passar no buraco de uma agulha” do que os interesses dos povos – onde for o caso – passarem no crivo dos exploradores, corruptos, negociantes de armas…
Qualquer coisa me diz que Trump chegará a uma espécie de concertação social em que… as multinacionais sairão satisfeitas e tudo voltará à "normalidade" - numa primeira fase.
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2017/02/06
Os inimigos dos meus inimigos
Será que os inimigos dos meus inimigos estão a enganar-me, fazendo-se passar por meus amigos?
Será que eu estou a ser manipulado na justa aversão a Trump, ao ignorar a expressão eleitoral dos negros e da camada trabalhadora que o elegeu? Será que o discurso contra a política americana anterior e até contra o seu próprio partido, é apenas populista? Será que a desconstrução da estratégia belicista baseada na diabolização de Putin, é reprovável? Será que a Rússia e a Síria não são mesmo indispensáveis numa estratégia antiterrorista consequente?
O que é lamentável é que tais mensagens não tivessem encontrado em Bernie Sanders, candidato do Partido Democrata, o seu profeta - mesmo que isso lhe valesse tantos ódios do “sistema” como vale a Donald Trump… Mas se temos Trump onde podiamos ter Sanders, isso é culpa da presumida Hillary Clinton.
Por tudo isto sou levado a perguntar se não estou a deixar-me levar na onda dos meus inimigos que se fazem passar por amigos invocando Trump no que tem de odioso.
Será que eu estou a ser manipulado na justa aversão a Trump, ao ignorar a expressão eleitoral dos negros e da camada trabalhadora que o elegeu? Será que o discurso contra a política americana anterior e até contra o seu próprio partido, é apenas populista? Será que a desconstrução da estratégia belicista baseada na diabolização de Putin, é reprovável? Será que a Rússia e a Síria não são mesmo indispensáveis numa estratégia antiterrorista consequente?
O que é lamentável é que tais mensagens não tivessem encontrado em Bernie Sanders, candidato do Partido Democrata, o seu profeta - mesmo que isso lhe valesse tantos ódios do “sistema” como vale a Donald Trump… Mas se temos Trump onde podiamos ter Sanders, isso é culpa da presumida Hillary Clinton.
Por tudo isto sou levado a perguntar se não estou a deixar-me levar na onda dos meus inimigos que se fazem passar por amigos invocando Trump no que tem de odioso.
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2017/02/04
2017/01/18
Trump que se cuide
Quatro presidentes dos Estados Unidos da América foram assassinados. Lincoln foi vítima de um movimento independentista dos estados do sul; James Garfield foi baleado por um advogado a quem o presidente faltou com uma promessa de emprego; William McKinley foi vítima de um anarquista isolado em nome “da boa gente, dos bons trabalhadores”; John Kennedy terá sido alvejado por um louco – segundo a versão oficial…
Conclusão: os inimigos mais perigosos dos presidentes norte-americanos…, são norte-americanos.
Quando Donald Trump souber disto, vai expulsar do país os seus compatriotas e trocá-los por imigrantes.
Conclusão: os inimigos mais perigosos dos presidentes norte-americanos…, são norte-americanos.
Quando Donald Trump souber disto, vai expulsar do país os seus compatriotas e trocá-los por imigrantes.
2016/12/20
Efeitos da nova guerra-fria
Há quem diga que na guerra-fria entre os Estados Unidos e a Rússia..., ganhou a China.
Na renovada guerra entre os mesmos, ganha o ISIS/DAESH, ao que tudo indica. E desta vez a gravidade é outra.
Na renovada guerra entre os mesmos, ganha o ISIS/DAESH, ao que tudo indica. E desta vez a gravidade é outra.
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2016/11/17
As 7 diferenças
Tenho para mim que Donald Trump não é pato. Nem pato Donald. É mais Tio Patinhas.
Com quem não se parece é com Obama, como este acaba de dizer na oportunidade da visita à Grécia. Isso desafia-nos para o tradicional passatempo de descobrir "as 7 diferenças" mais relevantes.
Imagem composta para este blogue
Com quem não se parece é com Obama, como este acaba de dizer na oportunidade da visita à Grécia. Isso desafia-nos para o tradicional passatempo de descobrir "as 7 diferenças" mais relevantes.
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2016/11/16
Por uma Web Summit política
Assim como um polícia que leva um criminoso algemado, está, ele próprio, preso ao criminoso, também os EUA, libertando-se da Europa deixariam a europa mais livre.
Quanto do envolvimento europeu em conflitos não resulta exactamente da dependência política em relação à América do Norte? A autonomia geopolítica europeia permitiria ficar de fora da estratégia imperialista dos EUA e assim do seu campo de batalha permanentemente activo. E permitiria uma política de alianças mais conforme aos nossos próprios interesses.
Eu sei que uma tal autonomia europeia seria mais complexa do que uma “simples” redução de verbas atribuídas pelos norte-americanos à NATO, mas se “o mundo mudou” realmente, talvez se torne pertinente pensar sobre o assunto. Mais tarde ou mais cedo, o impossível torna-se inevitável – veja-se o eurocepticismo! – e quem vai à frente vê melhor.
O pior de tudo, convenhamos, é esta cobardia intelectual que nos mantém presos a ideias dominantes. Para quando uma "Web Summit" dedicada ao progresso político?
Quanto do envolvimento europeu em conflitos não resulta exactamente da dependência política em relação à América do Norte? A autonomia geopolítica europeia permitiria ficar de fora da estratégia imperialista dos EUA e assim do seu campo de batalha permanentemente activo. E permitiria uma política de alianças mais conforme aos nossos próprios interesses.
Eu sei que uma tal autonomia europeia seria mais complexa do que uma “simples” redução de verbas atribuídas pelos norte-americanos à NATO, mas se “o mundo mudou” realmente, talvez se torne pertinente pensar sobre o assunto. Mais tarde ou mais cedo, o impossível torna-se inevitável – veja-se o eurocepticismo! – e quem vai à frente vê melhor.
O pior de tudo, convenhamos, é esta cobardia intelectual que nos mantém presos a ideias dominantes. Para quando uma "Web Summit" dedicada ao progresso político?
2016/11/15
Trump contra Trump
A expulsão dos imigrantes nos Estados Unidos da América mais parece uma falsa questão, por muito respeitáveis que sejam as preocupações dos próprios e de quem por eles se atravessa no caminho de Donald Trump.
Este tem duas razões para levar à prática o seu “compromisso” eleitoral, e outras duas, pelo menos, para não o fazer.
Ter-se comprometido tão enfaticamente com esta medida e ser normal (em qualquer país) expulsar imigrantes ilegais, são dois argumentos a favor da sua promessa. Mas, por outro lado, a vantagem das empresas norte-americanas em explorar mão-de-obra tão barata e tão servil, pode voltar-se contra os aliados económicos de Trump. Além de que, expulsar mais de dois milhões de pessoas ou mesmo deter a continuação de entradas, teria tanto sucesso, provavelmente, como tem o combate à entrada na Europa de refugiados da Síria e da região.
Eu imagino que seria mais eficaz um plano de desenvolvimento do México com ajuda dos EUA, de modo que os mexicanos não tivessem tanta necessidade de emigrar, mas isto não cabe certamente na cabeça de um “republicano” norte-americano. Duvido até que caiba na cabeça de um “democrata” liberal.
Este tem duas razões para levar à prática o seu “compromisso” eleitoral, e outras duas, pelo menos, para não o fazer.
Ter-se comprometido tão enfaticamente com esta medida e ser normal (em qualquer país) expulsar imigrantes ilegais, são dois argumentos a favor da sua promessa. Mas, por outro lado, a vantagem das empresas norte-americanas em explorar mão-de-obra tão barata e tão servil, pode voltar-se contra os aliados económicos de Trump. Além de que, expulsar mais de dois milhões de pessoas ou mesmo deter a continuação de entradas, teria tanto sucesso, provavelmente, como tem o combate à entrada na Europa de refugiados da Síria e da região.
Eu imagino que seria mais eficaz um plano de desenvolvimento do México com ajuda dos EUA, de modo que os mexicanos não tivessem tanta necessidade de emigrar, mas isto não cabe certamente na cabeça de um “republicano” norte-americano. Duvido até que caiba na cabeça de um “democrata” liberal.
2016/11/12
A razão irracional dos americanos
Quando todos tentam descobrir a "razão irracional" da vitória eleitoral de Trump nas eleições dos EUA, ocorrem-me algumas ideias menos abordadas, porventura.
Antes de mais é preciso lembrarmo-nos que Trump beneficia do eleitorado do Partido Republicano, o mesmo que elegeu George Bush filho antes de Obama Se é verdade que o discurso de Trump incomoda muita gente até no seu partido, o eleitorado fecha os olhos aos seus defeitos em nome das supostas qualidades e não vê em Hillary Clinton uma figura convincente ou mobilizadora.
O espectáculo esteve longe de apresentar A Bela e o Monstro. Por outro lado, ele aparece como o candidato de protesto contra a classe política, o marginal contra a profissional de carreira.
O sistema eleitoral não oferece aos cidadãos uma oportunidade real de escolher o seu presidente - isto explica a vitória de Trump apesar de ser menos votado do que Hillary, mas também o facto de ser esta e não outro o candidato do Partido Democrata.
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2015/09/11
A Síria segundo Trump
“Porque não os deixamos lutar e depois eliminamos o que
sobrar?”, perguntou Donald Trump. (Expresso)
Que é como quem diz: que se matem uns aos outros; nós iremos depois pelos despojos.
O que diz o polémico candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América, na sua estúpida franqueza, é o que pensa e faz de facto a administração norte-americana, na sua relação com a Síria.
Disto se dão conta algumas vozes críticas a que modestamente me junto, denunciando a estratégia de facilitar a vida ao “Estado Islâmico” para destruir a Síria – não por ter um regime autoritário mas por ser insubmisso ao programa imperialista dos Estados Unidos da América.
Trata-se de apoiar o terrorismo mais cruel desde Hitler, em nome da Democracia! Nada que nos surpreenda se tivermos em conta as alianças político-militares dos EUA na região, desde Israel até à Arábia Saudita, aqui onde o autoritarismo do regime é simpático à América do Norte.
É o petróleo, estúpidos! – parafraseando uma conhecida frase da campanha eleitoral de Bill Clinton em 1992.
A Síria, além de ser uma resistência militar à colonização norte-americana, é a segunda maior fonte de reservas provadas de petróleo bruto depois da Venezuela – outro inimigo artificial dos EUA:
Quantos litros de sangue. pelos milhões de barris de petróleo e biliões de metros cúbicos de gás da Síria? – é a questão.
“Assad não é o principal problema, dado que está neste momento a lutar contra o Estado Islâmico” – diz Trump. Será que nem Obama assume isto?
Que é como quem diz: que se matem uns aos outros; nós iremos depois pelos despojos.
O que diz o polémico candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América, na sua estúpida franqueza, é o que pensa e faz de facto a administração norte-americana, na sua relação com a Síria.
Disto se dão conta algumas vozes críticas a que modestamente me junto, denunciando a estratégia de facilitar a vida ao “Estado Islâmico” para destruir a Síria – não por ter um regime autoritário mas por ser insubmisso ao programa imperialista dos Estados Unidos da América.
Trata-se de apoiar o terrorismo mais cruel desde Hitler, em nome da Democracia! Nada que nos surpreenda se tivermos em conta as alianças político-militares dos EUA na região, desde Israel até à Arábia Saudita, aqui onde o autoritarismo do regime é simpático à América do Norte.
É o petróleo, estúpidos! – parafraseando uma conhecida frase da campanha eleitoral de Bill Clinton em 1992.
A Síria, além de ser uma resistência militar à colonização norte-americana, é a segunda maior fonte de reservas provadas de petróleo bruto depois da Venezuela – outro inimigo artificial dos EUA:
Quantos litros de sangue. pelos milhões de barris de petróleo e biliões de metros cúbicos de gás da Síria? – é a questão.
“Assad não é o principal problema, dado que está neste momento a lutar contra o Estado Islâmico” – diz Trump. Será que nem Obama assume isto?
2015/03/31
O país está bem...
Nos EUA, a segunda economia mais rica do mundo, o número de gente sem casa triplicou desde 1983, atingindo os 3,5 milhões. Há actualmente 15 milhões de crianças com fome. Destas, 1,5 milhões não tem casa. Na lista de países que melhor protegem as suas crianças, a UNICEF coloca os EUA abaixo da Grécia e apenas duas posições acima da Roménia.
(Texto recortado no Avante. Imagem original editando duas fotos do Google)
Conclusão liberal:
"O país está bem, as pessoas é que..."
2014/12/18
"Todos somos cubanos"
A proximidade geográfica da super-potência norte-americana é tão apelativa para Cuba e os cubanos, quanto a hostilidade do “império” é repugnante para os irmãos Castro e seus seguidores. Assim se estabelece uma relação de amor-ódio que vem da revolução de 1958 e que ganha relevo especial em dois momentos históricos – a invasão norte-americana da Baía dos Porcos, em 1961, e o embargo económico dos Estados Unidos a Cuba, fixado em lei a partir de 1992.
O embargo norte-americano não se aplicava, digo, não se aplica apenas aos Estados Unidos; ele estabelece fortes sanções económicas e diplomáticas aos países que tenham negócios ou transações relacionadas com a ilha de Fidel Castro. E tem sido condenado sucessivamente por organizações internacionais em que se destaca, nomeadamente, a Organização das Nações Unidas em dezenas de vezes. Só os próprios EUA e Israel defendem a continuação do bloqueio.
Vale a pena registar, a propósito da intervenção do Papa Francisco no processo agora desencadeado por Obama, que até João Paulo II condenou o bloqueio em 1979 e em 1998.
Além de vontade e coragem política, Obama tem responsabilidades e condições históricas novas para decidir o restabelecimento de “relações normais” entre os dois países vizinhos. O “perigo soviético” já não existe, a ideologia “comunista” do governo cubano não é argumento – veja-se a relação com a China! – e a família Castro vai cedendo às “leis da vida” e da História, impotente para travar as tecnologias da informação e a globalização da economia.
Entre a opinião da comunidade internacional, e a pressão de muitos dissidentes cubanos, entre a incompreensão dos americanos democratas e o ódio do Tea Party, entre a estratégia do isolamento, que vigorou 50 anos sem sucesso, e a estratégia da porosidade em que deposita esperanças de contaminação democrática, Obama sentiu-se animado a avançar para o restabelecimento de relações diplomáticas e outras medidas associadas.
Entre estas medidas está a autorização de vendas e exportações de bens e serviços dos EUA para Cuba! A perspectiva de uma evolução do regime cubano que desenvolva abertura comercial não estará ausente na consideração dos Estados Unidos da América.
No extremo, Cuba poderá ser terreno virgem para a exploração de oportunidades económicas. E no plano das relações multinacionais, a influência perdida da América do Norte, no sul do continente, fonte inesgotável de petróleo e matérias-primas e posto político estratégico, muito menos terão sido indiferentes ao "novo capítulo entre as nações das Américas". É que, como ele agora descobriu e fez questão de enfatizar, "Todos somos americanos"!
É que, a prosseguir a política agressiva e imperialista tradicional, e a ter significado a radicalização dos eleitorados mundiais, a administração norte-americana corre o risco de ouvir dizer: "Todos somos cubanos"!
O embargo norte-americano não se aplicava, digo, não se aplica apenas aos Estados Unidos; ele estabelece fortes sanções económicas e diplomáticas aos países que tenham negócios ou transações relacionadas com a ilha de Fidel Castro. E tem sido condenado sucessivamente por organizações internacionais em que se destaca, nomeadamente, a Organização das Nações Unidas em dezenas de vezes. Só os próprios EUA e Israel defendem a continuação do bloqueio.
Vale a pena registar, a propósito da intervenção do Papa Francisco no processo agora desencadeado por Obama, que até João Paulo II condenou o bloqueio em 1979 e em 1998.
Além de vontade e coragem política, Obama tem responsabilidades e condições históricas novas para decidir o restabelecimento de “relações normais” entre os dois países vizinhos. O “perigo soviético” já não existe, a ideologia “comunista” do governo cubano não é argumento – veja-se a relação com a China! – e a família Castro vai cedendo às “leis da vida” e da História, impotente para travar as tecnologias da informação e a globalização da economia.
Entre a opinião da comunidade internacional, e a pressão de muitos dissidentes cubanos, entre a incompreensão dos americanos democratas e o ódio do Tea Party, entre a estratégia do isolamento, que vigorou 50 anos sem sucesso, e a estratégia da porosidade em que deposita esperanças de contaminação democrática, Obama sentiu-se animado a avançar para o restabelecimento de relações diplomáticas e outras medidas associadas.
Entre estas medidas está a autorização de vendas e exportações de bens e serviços dos EUA para Cuba! A perspectiva de uma evolução do regime cubano que desenvolva abertura comercial não estará ausente na consideração dos Estados Unidos da América.
No extremo, Cuba poderá ser terreno virgem para a exploração de oportunidades económicas. E no plano das relações multinacionais, a influência perdida da América do Norte, no sul do continente, fonte inesgotável de petróleo e matérias-primas e posto político estratégico, muito menos terão sido indiferentes ao "novo capítulo entre as nações das Américas". É que, como ele agora descobriu e fez questão de enfatizar, "Todos somos americanos"!
É que, a prosseguir a política agressiva e imperialista tradicional, e a ter significado a radicalização dos eleitorados mundiais, a administração norte-americana corre o risco de ouvir dizer: "Todos somos cubanos"!
2014/10/21
Guerra da Informação
Quando convém aos EUA, os terroristas são "guerrilheiros" e a invasão de um país soberano é uma "travessia de território". E há sempre um jornalista que dá express(ã)o a esta guerra de informação.
Por falar nisso: alguém viu a NATO por aí?
Das notícias:
O Observatório Sírio de Direitos Humanos disse que sete civis foram mortos quando um ataque aéreo atingiu uma usina de gás perto da cidade de al-Khasham, na província de Deir al-Zor, na sexta-feira (17), e três civis foram mortos em um ataque na noite de quinta-feira na província al-Hassakah, ao norte do país.Entretanto as autoridades militares norte-americanas dizem não ter "evidências" destas mortes...
Evidente-mente!- digo eu.
Por falar nisso: alguém viu a NATO por aí?
Das notícias:
O Observatório Sírio de Direitos Humanos disse que sete civis foram mortos quando um ataque aéreo atingiu uma usina de gás perto da cidade de al-Khasham, na província de Deir al-Zor, na sexta-feira (17), e três civis foram mortos em um ataque na noite de quinta-feira na província al-Hassakah, ao norte do país.Entretanto as autoridades militares norte-americanas dizem não ter "evidências" destas mortes...
Evidente-mente!- digo eu.
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2014/09/13
EUA e os movimentos independentistas
Considerando a missão messiânica dos EUA e do seu braço armado, a NATO, nomeadamente para combater as reivindicações independentistas, será de esperar que eles vão enviar tanques para a Escócia no próximo dia 18, fuzileiros navais para a Catalunha no dia 9 de Novembro, e caças bombardeiros para a Valónia (Bélgica) ?
Em Porto Rico, colónia norte-americana onde os cidadãos não têm direito a voto e onde existe um activo movimento, a missão dos EEUU está facilitada, ou não fosse o território uma fonte de recrutamento de militares para as Forças Armadas do império.
1ª foto - Manif. na Escócia. Fonte: news.images.itv.com
2ª foto - Manif. na Catalunha. Fonte: swissinfo.ch
3ª foto - Manif. antiamericana em Porto Rico. Fonte: usmlo.org
2014/07/31
A tentação da guerra
A NATO percebeu quanta falta lhe fazia a “guerra fria”.
E tratou de retomá-la.
Há demasiado dinheiro envolvido na organização, demasiados interesses pessoais também, para que seja possível diminuir a sua actividade no contexto que se seguiu à extinção da União Soviética. Lá onde lhe "falta trabalho", procura complementar ou rivalizar com a ONU em "acções humanitárias". Além disso, começa a participar de operações militares fora dos territórios de seus membros e em missões não motivadas pela segurança colectiva destes.
O gasto militar combinado de todos os membros da organização constitui mais de 70% do total de gastos militares de todo o mundo. O corpo de funcionários da sede é composto por delegações nacionais dos países membros e inclui escritórios civis e militares e missões diplomáticas e diplomatas de países parceiros, bem como o Secretariado Internacional e Estado-Maior Internacional cheias de membros do serviço das forças armadas de estados membros.
Jugoslávia (1990 e 1999), Afeganistão (2003), Líbia (2011), Síria (sob ameaça), Ucrânia (sob ameaça)… são a matéria-prima da sua obra de destruição.
A intervenção norte-americana no Iraque, para que a NATO foi aliciada mas onde não chegou a intervir, foi um trauma nas ofensivas militares pró-americanas que terá evitado outras aventuras desastrosas. Mas tudo indica que a sede de sangue está aí para aquecer a Guerra Fria.
E tratou de retomá-la.
Há demasiado dinheiro envolvido na organização, demasiados interesses pessoais também, para que seja possível diminuir a sua actividade no contexto que se seguiu à extinção da União Soviética. Lá onde lhe "falta trabalho", procura complementar ou rivalizar com a ONU em "acções humanitárias". Além disso, começa a participar de operações militares fora dos territórios de seus membros e em missões não motivadas pela segurança colectiva destes.
O gasto militar combinado de todos os membros da organização constitui mais de 70% do total de gastos militares de todo o mundo. O corpo de funcionários da sede é composto por delegações nacionais dos países membros e inclui escritórios civis e militares e missões diplomáticas e diplomatas de países parceiros, bem como o Secretariado Internacional e Estado-Maior Internacional cheias de membros do serviço das forças armadas de estados membros.
Jugoslávia (1990 e 1999), Afeganistão (2003), Líbia (2011), Síria (sob ameaça), Ucrânia (sob ameaça)… são a matéria-prima da sua obra de destruição.
A intervenção norte-americana no Iraque, para que a NATO foi aliciada mas onde não chegou a intervir, foi um trauma nas ofensivas militares pró-americanas que terá evitado outras aventuras desastrosas. Mas tudo indica que a sede de sangue está aí para aquecer a Guerra Fria.
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2014/04/02
América latina na mira dos EUA (3)
O papel dos meios de informação
ao serviço da ingerência norte-americana
Para comparar com as notícias que correm por cá
acerca da Venezuela!
carregar no recorte para aumentá-lo
ao serviço da ingerência norte-americana
Para comparar com as notícias que correm por cá
acerca da Venezuela!
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