06/10/2008

Obama e o outro


No imaginário dos cidadãos, Obama vale mais por aquilo que representa do que por aquilo que é.

Ele representa um desejo de ruptura com um modelo de sociedade que exalta o sucesso dos ricos e poderosos e que despreza os desafortunados; que sobrepõe os interesses egoístas e os métodos cruéis de uma super-potência, aos direitos legítimos de outros povos preservarem a sua soberania, escolherem as suas políticas, prosseguirem o seu desenvolvimento. Isto é, Obama representa a ruptura com um modelo que oferece os ombros aos privilegiados e o peso das botas aos expoliados do sistema.

Falo por metáforas, em parte, mas não seria mais benevolente falar com os factos. Falo de desejos, é certo, mas é esse desejo colectivo que pode criar os símbolos, a direcção e a força que opera as mudanças.

Obama é, ele próprio, uma criação do imaginário negro e do imaginário popular, das camadas mais livres, evoluídas e generosas. Obama transcende Obama.

Sabemos que além de Obama, há... o outro. E isso remete para a questão de saber se o eleitorado que elegeu Bush por duas vezes ( ! ) muda de cabeça com tanta facilidade quanto a História exige. Dizem as notícias que «A um mês das eleições, marcadas para 4 de Novembro, as sondagens revelam que o eleitorado confia mais em Obama que (no outro) para erguer a economia norte-americana».

Outra questão é saber – passe a ironia – se a vitória, nesta conjuntura económica, não será um presente envenenado para o partido vencedor. O que se pode esperar, no caso do Partido Democrata vencer, é que o veneno não seja mortal.


Ele há até quem diga que alguns venenos curam.

2 comentários:

fotógrafa disse...

Com todas as trambiquices que possam sair destas eleições, continuo a achar que Obama será sempre a melhor aposta, e pelo menos é capaz de acabar um bocado o reinado do alucinado e maquiavélico Bush...vamos ver...
abraço

Menina_marota disse...

"Eu tenho um sonho que um dia esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: Nós acreditamos que esta verdade seja evidente, que todos os homens são criados iguais."

...O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons."

Porque me ocorreu neste momento Martin Luther King?


Ele morreu porque... e quem o matou? Será que Obama tem o caminho livre para chegar, agora ou mais tarde aonde quer e aos seus ideais?

Um abraço ;)