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2012/08/28

Governantes da pior espécie

«As estratégias tortuosas do capital entregam por vezes as insígnias do poder a políticos, ostensivamente medíocres. Os EUA tiveram um George Bush filho; Salazar impôs Américo Tomás. Mas raramente, mesmo na era fascista, Portugal terá suportado um governo com tamanho ramalhete de gente perversa, ignorante ou privada de inteligência mínima.

O Primeiro-ministro reflecte a imagem do conjunto. Cultiva um discurso cantinflesco em que amontoa frases pomposas sem nexo. Mas diferentemente do mexicano Mario Moreno, sempre solidário com os oprimidos, Passos, nas suas arengas reaccionárias, presta vassalagem aos opressores.

E que dizer do seu ministro da Economia, personagem que faz lembrar compères de antigas revistas do Maria Vitória? E de um Relvas, criatura que parece arrancada de uma peça de teatro do Absurdo?».


Excerto do artigo de Miguel Urbano Rodrigues,
"As rupturas revolucionárias não são prédatadas"
(As imagens foram aqui acrescentadas)

2009/10/12

Novos ministros


«O Governo foi o que se pôde arranjar num momento destes. O ministro das Finanças é um tal Salazar, de Coimbra. Dizem que é muito bom. O senhor conhece-o? »

Assim falava Gomes da Costa no dia 4 de Junho de 1926.

Não invoco este episódio para assemelhar as circunstâncias. Pelo contrário. Mas não deixo de citar Heidegger, a propósito, quando diz: - Não confio neste, porque não o conheço; não confio naquele, porque o conheço !

E só por curiosidade acrescento do discurso de posse de Salazar:
«Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, que o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando se chegar à altura de mandar».