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2018/10/15

O tufão de S. Bento

Neste fim-de-semana o furacão Leslie passou por S. Bento – Bento e não vento, seus murcões! Depois de ter arrasado um café na Foz do Douro e dezenas de casas em Coimbra, e de ter destruído 200 linhas de alta/média tensão, ainda provocou a queda de muitas árvores e de quatro ministros. Razão tinha Karl Marx em relacionar os fenómenos políticos com os naturais, ao que se vê.

Solidário, por regra, com os ministros que nomeia, é bem possível que António Costa se tenha visto confrontado com divergências insanáveis entre o Orçamento de Estado... de Mário Centeno e as pretensões dos três ministros agora exonerados. Não será indiferente que o Primeiro-Ministro justificasse a remodelação por razões de uma "dinâmica renovada", com "reforço da política económica"... blá blá blá.

O caso do Ministro da Defesa Nacional pode ser explicado para evitar desgaste do Governo e não, como ele afirmou, o “desgaste das Forças Armadas”. Mas sobretudo para evitar o desgaste pessoal do próprio Azeredo Lopes – digo eu. Fez bem, sr. doutor, que cada um é pr'ó que nasce.


2016/10/30

Ai que medo - 2

À falta de argumentos políticos, Passos Coelho anuncia o papão. “Gozem bem as férias que em Setembro vem aí o diabo”, disse aos parlamentares do PSD, na última reunião da bancada, antes das passadas férias. E segue com este discurso até que a voz lhe doa ou alguém lha tire, politicamente.

Entretanto, quando um destes dias o ministro das Finanças... da Alemanha veio declarar que a política ia no bom caminho... em Portugal até à saída do Governo de Passos Coelho, parece que tinha "algum" fundamento a profecia do líder do PSD.

2016/03/15

Assim, até o Tino.

"Muitos portugueses estão a pagar impostos em Espanha e é algo que temos que em primeiro lugar pedir aos portugueses que não façam".
Caldeira Cabral, Ministro da Economia do governo de Portugal, em 11/3/2016 


“Não venham para a Europa. Não acreditem nos traficantes. Não arrisquem as vossas vidas e o vosso dinheiro. Isso não vai servir para nada”. 
Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, em 3/3/2016. 

Por este caminho, ainda vamos ouvir o Obama a pedir aos terroristas do chamado Estado Islâmico, para fazerem o favor de pararem com a violência. 

Assim, até o Tino podia ser governante!

2015/01/22

Estatísticas



Foto do "Jornal i", manipulada.

2013/07/24

Salvação Nacional tem dias


DN de Janeiro de 2004

«A dez dias do final do ano de 2003, a data-limite, faltavam mil milhões de euros nas contas do Estado para colocar o défice abaixo dos 3,0% do PIB, tal como impõe Bruxelas aos Estados membros da União Europeia. As contas foram salvas pelos fundos de pensões e, no total, injectaram-se mais de três mil milhões de euros em receitas extraordinárias.»


«Restringir aumentos salariais, despedir funcionários, aumentar impostos, combater a fraude e evasão fiscal, são algumas soluções avançadas por vários analistas e economistas para eliminar o défice das contas públicas. Mas qualquer destes itens foi tentado no passado - com maior ou menor vigor - e, na verdade, o défice orçamental continua a sua escalada».


Outro recorte do DN:

«O Bloco Central que existiu entre 1983 e 1985, com Mário Soares e Mota Pinto, serviu para garantir que Portugal era governável e conseguia fazer as reformas necessárias para entrar na Comunidade Económica Europeia. Cedo se percebeu que governar neste tipo de coligação, que nunca foi nem irá a votos, abre brechas internas nos dois partidos.
Soares não voltaria a ser líder do PS, avançando com uma candidatura vitoriosa à Presidência da República, um ano depois de Cavaco ter ganho pelas primeira vez as legislativas. O professor de Boliqueime chegou, aliás, à liderança do PSD em oposição à existência de um Bloco Central e lançando Freitas do Amaral contra os candidatos presidenciais de esquerda.

Sendo certo que a aliança dos dois maiores partidos chegou para as necessidades, mas não foi um sucesso, é também sabido que sempre que o País necessita de reformas profundas é dela que os analistas se lembram como o último recurso. Mas, nos dias que correm, é quase uma heresia invocar a necessidade deste bloco.

Ainda assim, o Bloco Central, cada vez menos admitido como forma de governar, é constantemente solicitado - pelo Presidente da República e restantes senadores - para realizar pactos de regime, em áreas como as Finanças Públicas, a Saúde, a Justiça ou a Educação. Um Governo PS/PSD garante que no futuro próximo o que tem de ser feito será feito, mas lança a dúvida sobre o que acontecerá para lá desses momentos. Haverá uma nova república, com novo sistema político, novos partidos e novos protagonistas?

2012/12/19

Portugal à venda

Enquanto os países progressistas e progressivos do mundo preservam o seu património, enfrentando patrioticamente as consequências, os governos liberais europeus endividados pelas suas próprias políticas, alienam a riqueza do seu povo e o próprio povo, rendem-se cobardemente às pretensões neo-colonizadoras dos países ricos.

Foi assim com o desmantelamento da nossa indústria, pescas, agricultura, de que agora choram lágrimes de crocodilo. É assim com as privatizações da TAP, da ANA, da RTP, dos estaleiros de Viana do Castelo..., de que hão-de chorar mais tarde, estes "piegas" fingidos. Como se ninguém visse a Grécia aqui tão perto.

2012/09/13

Portugal entre as brumas

Em Portugal, a Direita, questionada pela sua própria base de apoio a quem chega de forma cada vez mais violenta a onda do empobrecimento, desmascarada a incompetência dos seus dirigentes, confrontada com a evidência de que a alternativa está na Esquerda, assustada com a eminência de lutas populares incontornáveis e porventura incontroláveis, pressionada pelos próprios quadros partidários não envolvidos no Governo e por um CDS receoso de perdê-lo, terá que encontrar uma estratégia para continuar no Poder, e essa estratégia não vai ser uma mudança de política.


Como de costume, “para que tudo fique na mesma” o que se vislumbra é uma remodelação do Governo, digo da composição do Governo. A preparar esta medida no inconsciente colectivo, vão fazendo o seu trabalho de comentadores, prestigiados membros da família política ameaçada.

Para que a remodelação tenha o impacto “necessário”, terão que sair Miguel Relvas, Victor Gaspar e Álvaro Santos Pereira, com razões “convenientes” para os dois primeiros e sem necessidade de explicação para o terceiro. Outra cosmética que ficará muito bem é a repartição do Ministério de Assunção Cristas por dois ou três, porventura todos do CDS para aliviar as suas insatisfações.

Quanto à oportunidade da remodelação, é fácil de prever que seja na véspera de uma grande iniciativa popular de protesto – manifestação ou greve geral.

Não admira que o PS seja publicamente convidado a integrar o “novo” executivo; o que seria de pasmar era que o Partido Socialista aceitasse afundar-se a curto prazo neste barco furado – a tanto não há-de chegar o seu “sentido de responsabilidade” que tão mal sai, também ele, deste desastre.

2012/08/28

Governantes da pior espécie

«As estratégias tortuosas do capital entregam por vezes as insígnias do poder a políticos, ostensivamente medíocres. Os EUA tiveram um George Bush filho; Salazar impôs Américo Tomás. Mas raramente, mesmo na era fascista, Portugal terá suportado um governo com tamanho ramalhete de gente perversa, ignorante ou privada de inteligência mínima.

O Primeiro-ministro reflecte a imagem do conjunto. Cultiva um discurso cantinflesco em que amontoa frases pomposas sem nexo. Mas diferentemente do mexicano Mario Moreno, sempre solidário com os oprimidos, Passos, nas suas arengas reaccionárias, presta vassalagem aos opressores.

E que dizer do seu ministro da Economia, personagem que faz lembrar compères de antigas revistas do Maria Vitória? E de um Relvas, criatura que parece arrancada de uma peça de teatro do Absurdo?».


Excerto do artigo de Miguel Urbano Rodrigues,
"As rupturas revolucionárias não são prédatadas"
(As imagens foram aqui acrescentadas)

2012/08/26

Porque hoje é domingo (22)

Há duas versões para esta história: umas vezes se diz que se passou na presença de uma multidão que seguia Jesus, outras vezes se diz que se passou numa reunião restrita dos apóstolos - a Última Ceia. Mas o que se conta é que Jesus terá convertido pão e vinho na sua própria carne e no seu próprio sangue, sem que o pão e o vinho deixassem de parecer aquilo que eram.

Terá havido até muita gente que, não querendo ser tomada por parva, lhe virou as costas e foi retomar o trabalhinho que era de onde vinha o sustento realmente (João 6, 60-69).

Mas, ao contrário do que se julga, esta técnica de nos fazer crer que aquilo que vemos e sabemos não é o que vemos e sabemos, continua a ter os seus actores e o seu público.

Basta ver, entre nós, o descaramento dos governantes e a popularidae do Governo. Com um eleitorado tão dócil, bem pode Relvas continuar a sua perversa missão, que mais tempo Salazar governou Portugal. E que Deus nos perdoe!

2011/11/13

Sobre tempos inúteis

“Cheira-me” a truque esta medida anunciada pelo Governo, de aumentar em meia-hora por dia a duração dos horários de trabalho do sector privado.

Não é só pelos aspectos negativos que comporta, como o caracter duvidoso da legalidade, o aumento do desemprego e a irrelevância económica. É porque, renunciar a esta medida, não é o que pode “pôr em causa nem em risco a meta de 4,5% para o défice” nem o “esforço de consolidação entre receitas e despesas».

Isto é, renunciar a esta medida no âmbito das negociações com o PS, serviria ao PSD para dar uma imagem de “abertura às sugestões da Oposição”, mantendo os compromissos declarados, e serviria ao PS para dar a impressão de que teve um papel importante no desagravamento das medidas anti-sociais da proposta governamental.


A propósito: não poderiam as centrais sindicais promover uma greve anual com duração equivalente ao somatório dessas meias-horas acrescentadas ao período laboral? Em que base horária é que seria descontado esse período de greve, uma vez que os trabalhadores tinham cumprido o tempo legal completo?

Eu sei que esta minha pergunta é sobretudo especulativa, mas como ponto de partida para uma reflexão sindical criativa, talvez não seja despicienda.

2011/08/28

Porque hoje é domingo (9)

O Evangelho deste domingo fala em seguir o caminho de Jesus: assumir a sua cruz (cf. Mt 16,21-27). Quem diz a cruz diz a crise e este apelo é afinal o grito dos deserdados que ao longo da História clamam por solidariedade.

Finalmente, neste ano da graça de 2011, foram ouvidos, e os ricos do mundo, quais reis-magos, vieram com mirra, incenso e ouro.

Um chama-se Baltazar, outro é Belchior e um terceiro é Gaspar. Nas sagradas escrituras não constam os primeiros nomes mas não é difícil adivinhar que o terceiro destes é Vitor Gaspar, o nosso Ministro das Finanças que na sua candura, a não ser anjo, só pode ser rei-mago.


Devo adiantar em defesa do “princípio do contraditório” a que deve ser sujeita toda a informação para parecer isenta, que há entre os evangelistas quem faça outra descrição. O New York Times (NYT 15-08-2011), por exemplo, fala de um tal Warren Buffet, mas para além deste norte-americano há outro bacano que vem da França e outro de Espanha.

O Primeiro-Ministro já deu a entender que “Portugal não é a Espanha” nem a França nem os Estados-Unidos e, portanto, o nosso Evangelho é o Memorando e a nossa santíssima trindade é o FMI, o BCE e a Comissão Europeia.

Além disso, dizem os pregadores nas ruas e canais... da Informação, não devemos afugentar os nossos ricos. Têm razão: a quem é que se iam entregar depois os lucros das grandes empresas?


Bem pode Jesus Cristo proclamar a renúncia aos bens terrenos e o amor ao próximo, que sempre ouvirá esta resposta: Portugal não é Belém... da Judeia.

Quanto à história dos reis magos, aproveita-se apenas a ideia de que vivem às costas dos camelos!

2011/06/30

Os fins e os meios

Se "os fins", que são incertos e frágeis, justificam "os meios" que são reais e sacrifíciais, então Estaline estava certo por maioria de razão já que eram mais justos e generosos "os fins" que o seu regime proclamava.

2011/04/01

Governo-sombra está pronto

O Presidente da República tem um “governo de concentração” preparado para apresentar ao país a seguir às próximas eleições de Junho, no caso destas não definirem uma maioria absoluta da direita ou do PS coligado.

Entretanto, Cavaco Silva não exclui a possibilidade de substituir o actual governo em funções por um governo transitório de emergência, ainda antes das eleições de Junho, a fim de promover a ajuda financeira externa a muito curto prazo.


A evolução da situação económico-financeira das próximas semanas e a atitude do Governo em funções, serão determinantes para esta posição radical de Cavaco Silva.

Esta informação é tão fiável como qualquer outra neste dia 1 de Abril!...

2011/03/24

Rei morto, rei posto!


Alguém disse que José Sócrates não tentou um acordo?

2010/10/24

scut ou ccut

Sobre a cobrança de portagens nas estradas designadas “sem custos para os utilizadores", vulgo SCUT, já não há discussão que valha a pena. O melhor mesmo é disfrutar destes “registos” sobre o modo como Bin Laden comenta e como Hitler pondera o problema.

Pressionar nos respectivos nomes para ver as gravações devidamente traduzidas)


Entretanto ficam três fotogramas a título de sugestão

2009/12/07

Opções do Governo


Quanto ao orçamento "redistributivo" actualmente em discussão...
Isto é: a receita do IRC (imposto sobre os lucros), diminui 22,8% relativamente ao cobrado em 2008, enquanto o IRS (que incide fundamentalmente sobre os trabalhadores), diminui apenas 3,6%. A maior quebra de receita acontece no IVA, menos 18,9%, o que alguns atribuem a uma perda assinalável de eficiência fiscal.

É justo? É democrático? É a preocupação com "as empresas" e com as famílias... dos empresários!

NOTÍCIA
A generalidade dos bens de consumo mais comuns são mais caros em Lisboa do que em Londres segundo um estudo da PriceRunner International, empresa que compara preços a nível mundial.