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2012/06/25

América Latina renovada


Esta é a imagem de uma nova América Latina: independente, patriótica no melhor sentido, popular e progressista. (Só não digo democrática para não ter que apagar Fidel). É com esta nova realidade que os EUA e o mundo em geral vão ter que lidar.

Que o próprio Porfírio Lobo, presidente de facto das Honduras, saído de um golpe comparável àquele que agora atingiu o Paraguai, também ele conteste o processo de demissão de Lugo, é bem significativo de que não vale a pena lutar contra a corrente de esquerda que percorre a região. Por este caminho ainda vamos ver o presidente da Colombia a fazer o mesmo, para já não dizer o mesmo de Piñera, do Chile...

Entretanto, os governantes portugueses "acompanham a situação"... sem se molharem.

ACTUALIZAÇÃO

Documento divulgado neste domingo refere que o Brasil, Bolívia, Equador, Peru, Uruguai e Argentina, mas também Chile e Colômbia, reprovam energicamente a "ruptura da ordem democrática na República do Paraguai".

2012/06/23

Das Honduras ao Paraguay

Antecipando as eleições presidenciais, agendadas para abril de 2013, um golpe de direita destitui de forma abrupta o Presidente do Paraguay, Fernando Lugo.

Trata-se duma iniciativa do parlamento em que 39 dos 43 senadores presentes declararam que o Presidente é culpado das acusações formuladas contra ele, o que levou à sua destituição imediata, de acordo com a Constituição do Paraguai.

As acusações que serviram de pretexto para esta iniciativa alegam que o presidente eleito terá feito um mau desempenho nas suas funções num incidente ocorrido em Curuguatyna na passada sexta-feira. A ocupação de uma herdade terá sido reprimida pelas autoridades, decorrendo daqui a morte de 17 pessoas num confronto entre polícias e os camponeses ocupantes.

Dirigentes populares, apoiantes do presidente Lugo, sugerem que esta ocorrência terá sido preparada para servir de pretexto às acusações contra ele. O que a imprensa está chamando de impeachment é um golpe de Estado financiado pelos latifundiários paraguaios, dentre eles os grileiros brasiguaios da fronteira - observa um comentador.

Com efeito, de um dia para o outro, não só o presidente da República é demitido, como o vice-presidente, seu opositor, toma posse num ambiente de precipitação e excitação na sala dos congressos que mais se assemelhava a uma insurreição.

Este golpe constitucional da Direita é contestado por manifestações populares que decorrem em frente ao parlamento, nomeadamente enquanto se realiza a atabalhoada tomada de posse do vice-presidente Federico Franco.

Este, no seu discurso apressado, proclamou a intenção de realizar uma política de energia e uma reestruturação industrial que dê maior autonomia à economia nacional. A sua repulsa contra a importação de petróleo da Venezuela, é clara. Também afirmou o propósito de que se realizem as eleições presidenciais regulares, agendadas para Abril de 2013. Trata-se, portanto, em nome da Democracia, de substituir temporariamente um presidente eleito... por outro não-eleito.

Enfim, as semelhanças com o que fizeram a Manoel Zelaia, nas Honduras, é indisfarçável. E o caracter reaccionário e revanchista deste golpe, também.

O presidente agora deposto foi eleito para a presidência em 2008 com um mandato que terminaria dentro de apenas nove meses. Oriundo de uma família humilde que foi vítima de perseguição política durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989, Fernando Lugo, ex-bispo católico partidário da Teologia da Libertação deixou a vida religiosa para concorrer à presidência como candidato de uma coligação destinada a acabar com 61 anos de hegemonia do Partido Colorado, que foi o sustentáculo da ditadura de Stroessner. É esse partido que lidera agora este golpe.

Para além do incidente de Curuguaty que “serviu de detonador” a esta crise, outras notícias ajudaram a uma grande perda de apoio político ao presidente e subsequente afastamento, nomeadamente a ocultação da paternidade de seus filhos.

Tudo serviu para os objectivos da Direita. Até que ponto os levará para diante na conjuntura da nova América Latina, é o que ditará a correlação de forças em confronto em que a resistência popular tem um papel a desempenhar.