«A Presidente de uma pequena cidade na Bolívia foi atacada por manifestantes da oposição, que a arrastaram pelas ruas com os pés descalços, cobriram-na de tinta vermelha e cortaram-lhe os cabelos à força, de acordo com a BBC».
(Recortado em SIC Notícias)
São as causas e os métodos da chamada oposição a Evo Morales por este ter vencido as eleições recentes na Bolívia. Nada que mereça grande alarme nos noticiários dos nossos canais de televisão, megafones portugueses das oposições mais violentas a progressistas eleitos na América Latina.
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2019/11/08
2018/08/16
Parem de choramingar
A América Latina está a viver uma época de reversão do sentido político. Depois da esquerda ter ocupado o poder dominante na região, com Chavez, Lula, Correa e Morales, Mujica e Cristina Kirchner, circunstâncias diversas fizeram a Venezuela e o Brasil, o Equador e a Argentina caírem nas mãos das direitas desses países. O regime cubano resiste à sua maneira... mas já não constitui, na prática, um apoio efectivo aos movimentos progressistas mundiais - a sua imagem actual não os prestigia e a sua capacidade de influência não os fortalece.
Com 12 anos e seis meses no poder, o presidente da Bolívia Evo Morales, esse sim, mantém uma popularidade que até Marcelo Rebelo de Sousa invejará - mutatis mutandis!!!
Neste contexto e com a decisiva agravante da crise petrolífera, a grave situação da Venezuela passou da insegurança para a falência económica. Assim o discurso político, popular em Hugo Chavez e populista em Nicolás Maduro, já não resiste aos sinais evidentes de degradação das condições e esperança de vida. A tal ponto que o próprio presidente Maduro se vê obrigado a declarar no IV Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela que afinal: "Os modelos produtivos que temos tentado até agora falharam e a responsabilidade é nossa, é minha".
O mais curioso deste discurso é talvez aquela parte em que ele pede aos seus próprios ministros que parem de "choramingar". E acrescenta: "Que o imperialismo nos agride? Chega de choramingarmos (...) cabe-nos produzir com agressão ou sem agressão ".
Se ele o diz...
Com 12 anos e seis meses no poder, o presidente da Bolívia Evo Morales, esse sim, mantém uma popularidade que até Marcelo Rebelo de Sousa invejará - mutatis mutandis!!!
Neste contexto e com a decisiva agravante da crise petrolífera, a grave situação da Venezuela passou da insegurança para a falência económica. Assim o discurso político, popular em Hugo Chavez e populista em Nicolás Maduro, já não resiste aos sinais evidentes de degradação das condições e esperança de vida. A tal ponto que o próprio presidente Maduro se vê obrigado a declarar no IV Congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela que afinal: "Os modelos produtivos que temos tentado até agora falharam e a responsabilidade é nossa, é minha".
O mais curioso deste discurso é talvez aquela parte em que ele pede aos seus próprios ministros que parem de "choramingar". E acrescenta: "Que o imperialismo nos agride? Chega de choramingarmos (...) cabe-nos produzir com agressão ou sem agressão ".
Se ele o diz...
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2016/04/30
América Latina ameaçada
O processo democratizador progressista que viveu nos últimos anos a América Latina, lá onde confluiram regimes populares por via eleitoral, tornou-se insuportável para os sócios da NATO residentes nos Estados Unidos da América e na União Europeia.
O entendimento dos países da região sobre o direito à própria soberania, sobre o direito autónomo dos povos a decidirem dos seus próprios destinos, era demasiado democrático para os seus interesses.
O crescimento de uma corrente progressista particularmente dinamizada por Hugo Chavez, da Venezuela, e em que participavam Rafael Correa, do Equador, Evo Morales, da Bolívia, Pepe Mujica, do Uruguai, Cristina Kirchner, da Venezuela Raul Castro, de Cuba, ou Lula da Silva, do Brasil, era demasiado assustador para as ambições hegemónicas das potencias ocidentais dominantes e seus aliados submissos.
É por isso, além de mais, que a coligação imperial manda Obama dar o beijo de Judas a Raul Castro, alimenta a desestabilização política e económica na Venezuela, envenena o ambiente na Argentina, e conspira contra Dilma. Não distingue entre regimes democráticos e regimes autoritários mas sim entre regimes submissos, os bons, e regimes soberanos, os maus.
É neste contexto que ocorre a crise na Venezuela de Nicolás Maduro. Uma crise que nasce da guerra económica – armazenamento e desvio clandestino de produtos para desabastecimento do mercado –, sabotagens, contestação violenta (guarimbas), acusações caluniosas e desqualificação dos governantes.
Na Venezuela como no Brasil, o que menos lhes importa é quem ganha as eleições e quais os benefícios sociais distribuídos pela população; o que interessa é que o regime seja servil às conveniências estratégicas, económicas e ideológicas das potências coloniais do novo mundo – este! Nem que seja preciso reeditar um Pinochet, criados os pretextos e recuperadas que vão sendo as condições para isso.
Entretanto, a terra continua a girar, fazendo andar os dias e os anos que estão cada vez menos de feição para aventuras imperialistas. Assim o sol ilumine os povos.
O entendimento dos países da região sobre o direito à própria soberania, sobre o direito autónomo dos povos a decidirem dos seus próprios destinos, era demasiado democrático para os seus interesses.
O crescimento de uma corrente progressista particularmente dinamizada por Hugo Chavez, da Venezuela, e em que participavam Rafael Correa, do Equador, Evo Morales, da Bolívia, Pepe Mujica, do Uruguai, Cristina Kirchner, da Venezuela Raul Castro, de Cuba, ou Lula da Silva, do Brasil, era demasiado assustador para as ambições hegemónicas das potencias ocidentais dominantes e seus aliados submissos.
É por isso, além de mais, que a coligação imperial manda Obama dar o beijo de Judas a Raul Castro, alimenta a desestabilização política e económica na Venezuela, envenena o ambiente na Argentina, e conspira contra Dilma. Não distingue entre regimes democráticos e regimes autoritários mas sim entre regimes submissos, os bons, e regimes soberanos, os maus.
É neste contexto que ocorre a crise na Venezuela de Nicolás Maduro. Uma crise que nasce da guerra económica – armazenamento e desvio clandestino de produtos para desabastecimento do mercado –, sabotagens, contestação violenta (guarimbas), acusações caluniosas e desqualificação dos governantes.
Na Venezuela como no Brasil, o que menos lhes importa é quem ganha as eleições e quais os benefícios sociais distribuídos pela população; o que interessa é que o regime seja servil às conveniências estratégicas, económicas e ideológicas das potências coloniais do novo mundo – este! Nem que seja preciso reeditar um Pinochet, criados os pretextos e recuperadas que vão sendo as condições para isso.
Entretanto, a terra continua a girar, fazendo andar os dias e os anos que estão cada vez menos de feição para aventuras imperialistas. Assim o sol ilumine os povos.
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2015/08/30
Crise de informação
Já não é só esconder as figuras progressistas e os seus discursos, é subverter os seus argumentos e promover as figuras e os discursos dos ditadores e genocidas. É assim com as notícias sobre a Ucrânia ou sobre a Venezuela, para falar de dois regimes opostos.
«Ao longo das últimas horas, pelo menos sete soldados ucranianos foram mortos e 13 ficaram feridos em confrontos com os separatistas pró-russos, no leste da Ucrânia». É assim que a Euronews lançava ontem a notícia.
Sobre um confronto entre forças armadas ucranianas e activistas pró-russos, fala-se do número de vítimas das primeiras mas omite-se facciosamente o número de vítimas dos segundos! De resto, valoriza-se sempre a pessoa e as palavras de Poroshenko, como se este não tivesse chegado ao poder na sequência de um golpe de estado que depôs o anterior presidente eleito.
A Euronews é um paradigma. De algum modo se poderia dizer que é a Telesur ao contrário. Mas não se equiparam duas “centrais de informação” facciosas, quando a primeira obedece a padrões neo-liberais e a segunda protege valores socialistas, quando a primeira promove os lucros dos privilegiados, e a segunda promove a justiça social e os interesses populares.
A Euronews e as suas discípulas nacionais substituem descaradamente a legitimidade eleitoral de um país, pela "legitimidade" editorial das suas direcções ideológicas.
A Venezuela é outro caso paradigmático. Pouco importa se Hugo Chavez, antes, e Nicolás Maduro, actualmente, foram eleitos por maiorias expressivas em eleições incontestavelmente democráticas.
Para combater os dirigentes progressistas, a contra-informação ao serviço da Direita, dá notícia da falta de produtos à venda nas lojas venezuelanas, omitindo que isso se deve ao boicote económico promovido pela ultra-direita do país e concretizada por traficantes desses produtos com destino à Colômbia.
Com efeito, os contrabandistas desviam esses produtos para o país vizinho onde os vendem muito mais caro, beneficiando dos baixos preços que o governo da Venezuela pratica a favor da população. Beneficiam os contrabandistas, a Oposição venezuelana… e a má-língua euro-liberal.
De tudo isto, o que vemos na informação europeia é que «falta quase tudo na Venezuela»! Uma espécie de slogan que já se lê há vários anos, nomeadamente na nossa imprensa.
O que não vemos é a notícia de que «Los comerciantes de Cúcuta, al noreste de Colombia, afirmaron este martes que el 80 por ciento de los alimentos y productos que venden llegan desde Venezuela a través del contrabando»
O que não vemos, também, é a notícia de que «Los presidentes de Venezuela y Colombia, Nicolás Maduro y Juan Manuel Santos, respectivamente, llamaron a consultas a los embajadores de sus países en el marco del cierre de la frontera y el estado de excepción para acabar con el paramilitarismo y el contrabando de extracción».
Em vez disto, a Informação dominante na Europa apregoa: "Agrava-se a crise entre a Colômbia e a Venezuela".
Em contrapartida, Álvaro Uribe, promotor de raptos e massacres enquanto presidente anterior da Colômbia, é agora mostrado e feito ouvir nas televisões de Portugal, no prosseguimento da sua veia conspirativa contra a Venezuela.
E se falássemos da Síria? Teríamos de perguntar quem e quando se ouviu o presidente Assad expor os seus argumentos, lá onde crescem contra si os mesmos movimentos terroristas que atacam na Europa e na América. Disto falaremos num próximo artigo.
«Ao longo das últimas horas, pelo menos sete soldados ucranianos foram mortos e 13 ficaram feridos em confrontos com os separatistas pró-russos, no leste da Ucrânia». É assim que a Euronews lançava ontem a notícia.
Sobre um confronto entre forças armadas ucranianas e activistas pró-russos, fala-se do número de vítimas das primeiras mas omite-se facciosamente o número de vítimas dos segundos! De resto, valoriza-se sempre a pessoa e as palavras de Poroshenko, como se este não tivesse chegado ao poder na sequência de um golpe de estado que depôs o anterior presidente eleito.
A Euronews é um paradigma. De algum modo se poderia dizer que é a Telesur ao contrário. Mas não se equiparam duas “centrais de informação” facciosas, quando a primeira obedece a padrões neo-liberais e a segunda protege valores socialistas, quando a primeira promove os lucros dos privilegiados, e a segunda promove a justiça social e os interesses populares.
A Euronews e as suas discípulas nacionais substituem descaradamente a legitimidade eleitoral de um país, pela "legitimidade" editorial das suas direcções ideológicas.
A Venezuela é outro caso paradigmático. Pouco importa se Hugo Chavez, antes, e Nicolás Maduro, actualmente, foram eleitos por maiorias expressivas em eleições incontestavelmente democráticas.
Para combater os dirigentes progressistas, a contra-informação ao serviço da Direita, dá notícia da falta de produtos à venda nas lojas venezuelanas, omitindo que isso se deve ao boicote económico promovido pela ultra-direita do país e concretizada por traficantes desses produtos com destino à Colômbia.
Com efeito, os contrabandistas desviam esses produtos para o país vizinho onde os vendem muito mais caro, beneficiando dos baixos preços que o governo da Venezuela pratica a favor da população. Beneficiam os contrabandistas, a Oposição venezuelana… e a má-língua euro-liberal.
De tudo isto, o que vemos na informação europeia é que «falta quase tudo na Venezuela»! Uma espécie de slogan que já se lê há vários anos, nomeadamente na nossa imprensa.
O que não vemos é a notícia de que «Los comerciantes de Cúcuta, al noreste de Colombia, afirmaron este martes que el 80 por ciento de los alimentos y productos que venden llegan desde Venezuela a través del contrabando»
O que não vemos, também, é a notícia de que «Los presidentes de Venezuela y Colombia, Nicolás Maduro y Juan Manuel Santos, respectivamente, llamaron a consultas a los embajadores de sus países en el marco del cierre de la frontera y el estado de excepción para acabar con el paramilitarismo y el contrabando de extracción».
Em vez disto, a Informação dominante na Europa apregoa: "Agrava-se a crise entre a Colômbia e a Venezuela".
Em contrapartida, Álvaro Uribe, promotor de raptos e massacres enquanto presidente anterior da Colômbia, é agora mostrado e feito ouvir nas televisões de Portugal, no prosseguimento da sua veia conspirativa contra a Venezuela.
E se falássemos da Síria? Teríamos de perguntar quem e quando se ouviu o presidente Assad expor os seus argumentos, lá onde crescem contra si os mesmos movimentos terroristas que atacam na Europa e na América. Disto falaremos num próximo artigo.
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2015/03/17
Brasil na mira (1)
Nos últimos dias, multidões de brasileiros participaram em manifestações em várias cidades do Brasil. Muitos milhares em defesa da presidente Dilma Rousseff e muitos milhares críticando o governo.
Procuro os argumentos anti-Dilma, e o que encontro?
Num carro de som, fazem-se críticas à condução do PT no governo, pede-se o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e o fim da corrupção. Nos cartazes, "Socialismo dura até que acabe o dinheiro dos outros" , "A nossa bandeira jamais será vermelha", "S.O.S. Forças Armadas" , "Intervenção militar já".
Procuro os organizadores das manifestações contra o Governo e o que encontro?
Uns tantos “movimentos” sem organização nem representação significativa e sem programa ou argumentário reconhecível, que se exprimem através do Facebook. Entre eles, porventura os mais intervenientes, o movimento “Vem pra Rua”, o O grupo “Revoltados On Line” e o Movimento Brasil Livre (MBL)”.
O movimento “Vem pra Rua” foi constituído em setembro de 2014, durante as eleições, tendo apoiado o candidato derrotado Aércio Neves e está identificado com o mundo empresarial e financeiro. Na convocatória para uma manifestação, lia-se este “forte” argumento: "Motivos para o dia 15/03 não faltam. Seja qual for o seu, vem pra rua”.
O grupo “Revoltados On Line” conta com a coordenação de cerca de 20 pessoas e foi formado pelas redes sociais. Dizem-se contrários à corrupção e pedem o “impeachment” (cessação de mandato) de Dilma Rousseff. O seu fundador afirmou: “Dilma Rousseff odeia o Brasil, é uma terrorista que infelizmente está no poder nesse país”. Já foram defensores de um golpe militar, mas retiraram esta reivindicação, assim como referências religiosas, por razões táticas.
O “Movimento Brasil Livre (MBL)”, com maior dimensão, é formado por liberais e conservadores, e defende a privatização de serviços básicos como a educação e a saúde e a diminuição da intervenção do Estado na sociedade. Está directa ou indirectamente associado a interesses de grandes grupos empresariais brasileiros e meios de comunicação e associado a outros think thanks internacionais.
Em todo o caso, as expressivas manifestações recentemente realizadas, revelam mais do que estes movimentos “apartidários” representam. Independentemente destas movimentações mais ou menos dispersas e corpusculares, e porventura de movimentações altamente organizadas a nível nacional e internacional, apostadas na desestabilização política do Brasil e da região, os protestos encontram em largas camadas da população brasileira, sentimentos de descontentamento que importa compreender.
A isso iremos noutra oportunidade.
Procuro os argumentos anti-Dilma, e o que encontro?
Num carro de som, fazem-se críticas à condução do PT no governo, pede-se o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e o fim da corrupção. Nos cartazes, "Socialismo dura até que acabe o dinheiro dos outros" , "A nossa bandeira jamais será vermelha", "S.O.S. Forças Armadas" , "Intervenção militar já".
Procuro os organizadores das manifestações contra o Governo e o que encontro?
Uns tantos “movimentos” sem organização nem representação significativa e sem programa ou argumentário reconhecível, que se exprimem através do Facebook. Entre eles, porventura os mais intervenientes, o movimento “Vem pra Rua”, o O grupo “Revoltados On Line” e o Movimento Brasil Livre (MBL)”.
O movimento “Vem pra Rua” foi constituído em setembro de 2014, durante as eleições, tendo apoiado o candidato derrotado Aércio Neves e está identificado com o mundo empresarial e financeiro. Na convocatória para uma manifestação, lia-se este “forte” argumento: "Motivos para o dia 15/03 não faltam. Seja qual for o seu, vem pra rua”.
O grupo “Revoltados On Line” conta com a coordenação de cerca de 20 pessoas e foi formado pelas redes sociais. Dizem-se contrários à corrupção e pedem o “impeachment” (cessação de mandato) de Dilma Rousseff. O seu fundador afirmou: “Dilma Rousseff odeia o Brasil, é uma terrorista que infelizmente está no poder nesse país”. Já foram defensores de um golpe militar, mas retiraram esta reivindicação, assim como referências religiosas, por razões táticas.
O “Movimento Brasil Livre (MBL)”, com maior dimensão, é formado por liberais e conservadores, e defende a privatização de serviços básicos como a educação e a saúde e a diminuição da intervenção do Estado na sociedade. Está directa ou indirectamente associado a interesses de grandes grupos empresariais brasileiros e meios de comunicação e associado a outros think thanks internacionais.
Em todo o caso, as expressivas manifestações recentemente realizadas, revelam mais do que estes movimentos “apartidários” representam. Independentemente destas movimentações mais ou menos dispersas e corpusculares, e porventura de movimentações altamente organizadas a nível nacional e internacional, apostadas na desestabilização política do Brasil e da região, os protestos encontram em largas camadas da população brasileira, sentimentos de descontentamento que importa compreender.
A isso iremos noutra oportunidade.
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2014/12/18
"Todos somos cubanos"
A proximidade geográfica da super-potência norte-americana é tão apelativa para Cuba e os cubanos, quanto a hostilidade do “império” é repugnante para os irmãos Castro e seus seguidores. Assim se estabelece uma relação de amor-ódio que vem da revolução de 1958 e que ganha relevo especial em dois momentos históricos – a invasão norte-americana da Baía dos Porcos, em 1961, e o embargo económico dos Estados Unidos a Cuba, fixado em lei a partir de 1992.
O embargo norte-americano não se aplicava, digo, não se aplica apenas aos Estados Unidos; ele estabelece fortes sanções económicas e diplomáticas aos países que tenham negócios ou transações relacionadas com a ilha de Fidel Castro. E tem sido condenado sucessivamente por organizações internacionais em que se destaca, nomeadamente, a Organização das Nações Unidas em dezenas de vezes. Só os próprios EUA e Israel defendem a continuação do bloqueio.
Vale a pena registar, a propósito da intervenção do Papa Francisco no processo agora desencadeado por Obama, que até João Paulo II condenou o bloqueio em 1979 e em 1998.
Além de vontade e coragem política, Obama tem responsabilidades e condições históricas novas para decidir o restabelecimento de “relações normais” entre os dois países vizinhos. O “perigo soviético” já não existe, a ideologia “comunista” do governo cubano não é argumento – veja-se a relação com a China! – e a família Castro vai cedendo às “leis da vida” e da História, impotente para travar as tecnologias da informação e a globalização da economia.
Entre a opinião da comunidade internacional, e a pressão de muitos dissidentes cubanos, entre a incompreensão dos americanos democratas e o ódio do Tea Party, entre a estratégia do isolamento, que vigorou 50 anos sem sucesso, e a estratégia da porosidade em que deposita esperanças de contaminação democrática, Obama sentiu-se animado a avançar para o restabelecimento de relações diplomáticas e outras medidas associadas.
Entre estas medidas está a autorização de vendas e exportações de bens e serviços dos EUA para Cuba! A perspectiva de uma evolução do regime cubano que desenvolva abertura comercial não estará ausente na consideração dos Estados Unidos da América.
No extremo, Cuba poderá ser terreno virgem para a exploração de oportunidades económicas. E no plano das relações multinacionais, a influência perdida da América do Norte, no sul do continente, fonte inesgotável de petróleo e matérias-primas e posto político estratégico, muito menos terão sido indiferentes ao "novo capítulo entre as nações das Américas". É que, como ele agora descobriu e fez questão de enfatizar, "Todos somos americanos"!
É que, a prosseguir a política agressiva e imperialista tradicional, e a ter significado a radicalização dos eleitorados mundiais, a administração norte-americana corre o risco de ouvir dizer: "Todos somos cubanos"!
O embargo norte-americano não se aplicava, digo, não se aplica apenas aos Estados Unidos; ele estabelece fortes sanções económicas e diplomáticas aos países que tenham negócios ou transações relacionadas com a ilha de Fidel Castro. E tem sido condenado sucessivamente por organizações internacionais em que se destaca, nomeadamente, a Organização das Nações Unidas em dezenas de vezes. Só os próprios EUA e Israel defendem a continuação do bloqueio.
Vale a pena registar, a propósito da intervenção do Papa Francisco no processo agora desencadeado por Obama, que até João Paulo II condenou o bloqueio em 1979 e em 1998.
Além de vontade e coragem política, Obama tem responsabilidades e condições históricas novas para decidir o restabelecimento de “relações normais” entre os dois países vizinhos. O “perigo soviético” já não existe, a ideologia “comunista” do governo cubano não é argumento – veja-se a relação com a China! – e a família Castro vai cedendo às “leis da vida” e da História, impotente para travar as tecnologias da informação e a globalização da economia.
Entre a opinião da comunidade internacional, e a pressão de muitos dissidentes cubanos, entre a incompreensão dos americanos democratas e o ódio do Tea Party, entre a estratégia do isolamento, que vigorou 50 anos sem sucesso, e a estratégia da porosidade em que deposita esperanças de contaminação democrática, Obama sentiu-se animado a avançar para o restabelecimento de relações diplomáticas e outras medidas associadas.
Entre estas medidas está a autorização de vendas e exportações de bens e serviços dos EUA para Cuba! A perspectiva de uma evolução do regime cubano que desenvolva abertura comercial não estará ausente na consideração dos Estados Unidos da América.
No extremo, Cuba poderá ser terreno virgem para a exploração de oportunidades económicas. E no plano das relações multinacionais, a influência perdida da América do Norte, no sul do continente, fonte inesgotável de petróleo e matérias-primas e posto político estratégico, muito menos terão sido indiferentes ao "novo capítulo entre as nações das Américas". É que, como ele agora descobriu e fez questão de enfatizar, "Todos somos americanos"!
É que, a prosseguir a política agressiva e imperialista tradicional, e a ter significado a radicalização dos eleitorados mundiais, a administração norte-americana corre o risco de ouvir dizer: "Todos somos cubanos"!
2014/10/23
Força Brasil. Avante Uruguai
Pepe Mujica, como é carinhosamente tratado o presidente que doa 90% de seu salário para ONGs e pessoas carentes, termina agora o seu mandato de cinco anos.
No próximo domingo, há eleições no Uruguai, actualmente um dos países mais progressistas da América Latina. Tabaré Vázquez, o candidato melhor colocado nesta primeira volta, para suceder a Mujica, provém da mesma família política, a coligação Frente Amplio. Ele foi o primeiro presidente de esquerda da história do Uruguai, de 2005 até 2010.
No mesmo dia e no único país que faz fronteira com o Uruguai, o Brasil, Dilma Rousseff (na foto, com Mujica) disputará o próximo mandato presidencial, com o candidato social-democrata Aécio Neves.
Aqui já se trata da segunda volta, em que Aécio conta com o apoio expresso da candidata Marina Silva, afastada na 1ª volta – apoio da candidata mas não necessariamente de muitos dos seus apoiantes.
Ao invocar os valores da esquerda para atrair o apoio popular, nomeadamente em matéria de “compromissos sociais e económicos e fortalecimento do serviço público” Aécio reconhece que é nesses valores, e não nos seus ou dos seus aliados, que o Povo confia. O que em Lula e Dilma foram realizações económicas e sociais, em Aécio são promessas eleitorais que não correspondem ao seu ideário – para ele, as empresas estão primeiro!
As vitórias de Dilma, no Brasil, e Tabaré Vázquez, no Uruguai, a confirmarem-se, representarão o prosseguimento de um rumo de independência e progresso que não só beneficiará a América Latina como outras regiões onde domina a colonização económica e o retrocesso civilizacional – nomeadamente a Europa.
1ª foto: epocanegocios.globo.com
No próximo domingo, há eleições no Uruguai, actualmente um dos países mais progressistas da América Latina. Tabaré Vázquez, o candidato melhor colocado nesta primeira volta, para suceder a Mujica, provém da mesma família política, a coligação Frente Amplio. Ele foi o primeiro presidente de esquerda da história do Uruguai, de 2005 até 2010.
No mesmo dia e no único país que faz fronteira com o Uruguai, o Brasil, Dilma Rousseff (na foto, com Mujica) disputará o próximo mandato presidencial, com o candidato social-democrata Aécio Neves.
Aqui já se trata da segunda volta, em que Aécio conta com o apoio expresso da candidata Marina Silva, afastada na 1ª volta – apoio da candidata mas não necessariamente de muitos dos seus apoiantes.
Ao invocar os valores da esquerda para atrair o apoio popular, nomeadamente em matéria de “compromissos sociais e económicos e fortalecimento do serviço público” Aécio reconhece que é nesses valores, e não nos seus ou dos seus aliados, que o Povo confia. O que em Lula e Dilma foram realizações económicas e sociais, em Aécio são promessas eleitorais que não correspondem ao seu ideário – para ele, as empresas estão primeiro!
As vitórias de Dilma, no Brasil, e Tabaré Vázquez, no Uruguai, a confirmarem-se, representarão o prosseguimento de um rumo de independência e progresso que não só beneficiará a América Latina como outras regiões onde domina a colonização económica e o retrocesso civilizacional – nomeadamente a Europa.
1ª foto: epocanegocios.globo.com
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2014/10/14
Não digam a ninguém
Evo Morales, o presidente da Bolívia, que o governo português impediu de aterrar em Lisboa para reabastecimento do avião presidencial, há um ano,
conquistou uma grande vitória nas eleições de domingo 12 de Outubro.
Desta vez o governo português não pôde impedi-lo e os orgãos de Informação tiveram que conjugar “discrição” com insinuação a fim de ensombrar as evidências.
Lá onde isso mais importa, porém, a vitória de Evo Morales confirma a confiança e o apoio popular de que gozam as suas políticas anti-imperialistas ou de defesa da soberania nacional, se assim preferirmos dizer.
Essas políticas manifestam-se, a nível internacional, na forte vinculação à corrente progressista e bolivariana (de Bolívar) que predomina na actual América Latina, e ao movimento “integrador” dos países da região, gerado desde Hugo Chavez sem carácter politico-ideológico.
A nível nacional boliviano, a vitória eleitoral de Evo Morales exprime a aprovação popular de uma linha política em que a economia se subordina aos interesses do Estado. Neste sentido, o presidente nacionalizou parte de alguns sectores estratégicos, nomeadamente nos hidrocarbonetos, telecomunicações e mineração.
A sua política de inspiração socialista, desenvolvida ao longo de oito anos, levou estabilidade e rigor fiscal ao país, fez crescer fortemente a economia nacional e tirou milhões de pessoas da pobreza.
O Presidente financiou grandes obras de infraestruturas, a construção de escolas e de áreas desportivas. Entretanto, ao contrário de alguns receios manifestados no domínio empresarial, reconhece a importância do sector económico privado e nega a intenção de aumentar as nacionalizações, nomeadamente na banca e nas empresas com participação estrangeira.
Evo Morales provém de uma família muito humilde de província. Sem formação académica superior, foi pastor, pedreiro e músico. Activista sindical, iniciou por essa via a actividade política.
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2014/06/16
Vitórias que contam
Na noite deste domingo, 16 de Junho de 2014, a Colômbia confirmava na Presidência da República, Juan Manuel Santos, para um segundo mandato de quatro anos. Não foi uma eleição qualquer!
No mandato que agora termina, Juan Manuel Santos revelou-se um presidente capaz de romper com a política de autoritarismo e violência extrema do presidente que o precedeu, Álvaro Uribe, apesar de Santos ter sido nada menos que seu Ministro da Defesa. Ao iniciar, a meio do mandato, conversações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), e que ainda decorrem, deu um sinal inequívoco da diferença trazida ao regime pelo novo presidente.
Outro sinal inequívoco foi a mudança radical que operou nas relações com os países progressistas da região latino-americana e caribenha, em que se destaca de forma expressiva o seu relacionamento com o presidente da Venezuela de então, Hugo Chavez – uma aproximação que terá deixado perplexos muitos dos seus eleitores e não menos dos eleitores de Chavez.
Aqueles dois sinais, aquelas duas mudanças de estratégia política, correspondiam e correspondem a dois objectivos fundamentais para os interesses da Colômbia que só o fanatismo sanguinário de Álvaro Uribe e dos seu paramilitares podiam contrariar: a pacificação da Colômbia e a solidariedade regional com vista ao desenvolvimento. E a reeleição de Juan Manuel Santos confirma que estas estratégias correspondem à vontade maioritária do povo colombiano.
A política de confrontação no país, regista já 220.000 mortos e cinco milhões de deslocados.
No mandato que agora termina, Juan Manuel Santos revelou-se um presidente capaz de romper com a política de autoritarismo e violência extrema do presidente que o precedeu, Álvaro Uribe, apesar de Santos ter sido nada menos que seu Ministro da Defesa. Ao iniciar, a meio do mandato, conversações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), e que ainda decorrem, deu um sinal inequívoco da diferença trazida ao regime pelo novo presidente.
Outro sinal inequívoco foi a mudança radical que operou nas relações com os países progressistas da região latino-americana e caribenha, em que se destaca de forma expressiva o seu relacionamento com o presidente da Venezuela de então, Hugo Chavez – uma aproximação que terá deixado perplexos muitos dos seus eleitores e não menos dos eleitores de Chavez.
Aqueles dois sinais, aquelas duas mudanças de estratégia política, correspondiam e correspondem a dois objectivos fundamentais para os interesses da Colômbia que só o fanatismo sanguinário de Álvaro Uribe e dos seu paramilitares podiam contrariar: a pacificação da Colômbia e a solidariedade regional com vista ao desenvolvimento. E a reeleição de Juan Manuel Santos confirma que estas estratégias correspondem à vontade maioritária do povo colombiano.
A política de confrontação no país, regista já 220.000 mortos e cinco milhões de deslocados.
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2014/04/02
América Latina na mira dos EUA (2)
Excerto de um documento secreto da ITT de 1970, publicado no Chile em 1972. Recomendações norte-americanas para desestabilizar o país.
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2014/04/01
América Latina na mira dos EUA (1)
Para compreender a forma como os EUA pensam a América Latina e actuam nela, nomeadamente na desestabilização da Venezuela, é importante conhecer os documentos secretos da ITT de 1972, no contexto da presidência de Allende no Chile.
Fonte: Los Documentos Secretos de la ITT y la República de Chile Secretaría General de Gobierno, 1972 Edición Extraordinaria, Editorial Quimantú
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Fonte: Los Documentos Secretos de la ITT y la República de Chile Secretaría General de Gobierno, 1972 Edición Extraordinaria, Editorial Quimantú
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2014/03/16
Revolução eleitoral
Enquanto outros apoiam com informação manipulada ou com dinheiro sujo, grupos violentos para destabilizarem regimes democráticos e progressistas na América Latina e outras regiões, os povos apoiam, nas eleições, os candidatos que lhes oferecem realmente confiança. É assim na Venezuela, com Nicolás Maduro eleito em Abril de 2013; no Chile, com Michelle Bachelet eleita em Dezembro de 2013; em El Salvador, com o ex-guerrilheiro Salvador Sánchez Cerén, eleito no passado domingo, 9 de Março. (Por esta ordem na foto tríptica da esq. para a dir.)
Nas eleições europeias de Maio próximo, os cidadãos da União Europeia terão a sua oportunidade para se afirmarem como agentes de paz e de progresso, comprovada que está a importância dos processos eleitorais na revolução política.
2014/02/20
Venezuela na mira
“Não sei” se os Estados Unidos da América estão empenhados em dominar as decisões políticas e económicas da Venezuela.
“Não sei” se estão a desenvolver campanhas de desinformação e desestabilização do país.
“Não sei” se estão por detrás das tentativas violentas de golpe de estado em curso contra o governo.
“Não sei" se os líderes opositores Henrique Capriles e Leopoldo López são apoiados operacional e financeiramente pelo ex-ditador da Colômbia Álvaro Uribe e por algum departamento norte-americano.
Mas não faltam “razões” para que sim.
Não é impunemente que a Venezuela tem actualmente a maior reserva petrolífera do mundo – já acima da própria Arábia Saudita.
Não é impunemente que a eleição de Hugo Chavez em 1998 (56% dos votos) inaugurou uma era de políticas sociais contrárias aos interesses das camadas privilegiadas, políticas que estão a ser prosseguidas pelo novo presidente.
Os resultados obtidos na redução da pobreza foram um dos principais fatores de popularidade do governo Chávez. Segundo a CEPAL, por volta de 2002, 48,6% da população venezuelana encontrava-se em situação de pobreza, e 22,2% em condições de indigência. Em 2011, os pobres representavam 29,5% da população, e os indigentes, 11,7%. (Wikipedia)
Não é impunemente que a Venezuela promove a unidade estratégica dos países latino-americanos e do Caribe e que esta se consolida em oposição à pretensão de domínio norte-americano.
“Não sei” se estão a desenvolver campanhas de desinformação e desestabilização do país.
“Não sei” se estão por detrás das tentativas violentas de golpe de estado em curso contra o governo.
“Não sei" se os líderes opositores Henrique Capriles e Leopoldo López são apoiados operacional e financeiramente pelo ex-ditador da Colômbia Álvaro Uribe e por algum departamento norte-americano.
Mas não faltam “razões” para que sim.
Não é impunemente que a Venezuela tem actualmente a maior reserva petrolífera do mundo – já acima da própria Arábia Saudita.
Não é impunemente que a eleição de Hugo Chavez em 1998 (56% dos votos) inaugurou uma era de políticas sociais contrárias aos interesses das camadas privilegiadas, políticas que estão a ser prosseguidas pelo novo presidente.
Os resultados obtidos na redução da pobreza foram um dos principais fatores de popularidade do governo Chávez. Segundo a CEPAL, por volta de 2002, 48,6% da população venezuelana encontrava-se em situação de pobreza, e 22,2% em condições de indigência. Em 2011, os pobres representavam 29,5% da população, e os indigentes, 11,7%. (Wikipedia)
Não é impunemente que a Venezuela promove a unidade estratégica dos países latino-americanos e do Caribe e que esta se consolida em oposição à pretensão de domínio norte-americano.
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2014/02/02
Direito à informação
Dilma Rousseff foi notícia em Portugal por ter feito uma discreta escala em Lisboa, vinda de Davos, e por ter visitado Fidel Castro, um ou dois dias depois em Havana.
Dilma não foi notícia por ter ido a Cuba participar na reunião anual da CELAC que este ano decorreu em Havana. Isto é, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos que reuniu 33 presidentes ou chefes de governo, não foi notícia!
Sim, Fidel recebeu Dilma. Como recebeu Rafael Correa, Evo Morales, José Mujica, Peña Nieto... E Cristina Kirchner, ela que tem sido alvo de especulações acerca do seu estado de saúde visto que não saía da Argentina desde a neurocirurgia a que foi submetida em Outubro passado.
Sim, Dilma Rousseff jantou em Lisboa e pagou do seu bolso em vez de usar da prerrogativa que lhe concede a condição de Presidente da República em viagem de trabalho!
Sim, A CELAC existe e cumpre um papel de excepcional importância para a paz, o progresso, a independência dos povos e a democracia na região! E não é por ser censurada na matriz de informação europeia, que deixa de cumprir a sua missão.
(imagem relativa à reunião do ano anterior)
Dilma não foi notícia por ter ido a Cuba participar na reunião anual da CELAC que este ano decorreu em Havana. Isto é, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos que reuniu 33 presidentes ou chefes de governo, não foi notícia!
Sim, Fidel recebeu Dilma. Como recebeu Rafael Correa, Evo Morales, José Mujica, Peña Nieto... E Cristina Kirchner, ela que tem sido alvo de especulações acerca do seu estado de saúde visto que não saía da Argentina desde a neurocirurgia a que foi submetida em Outubro passado.
Sim, Dilma Rousseff jantou em Lisboa e pagou do seu bolso em vez de usar da prerrogativa que lhe concede a condição de Presidente da República em viagem de trabalho!
Sim, A CELAC existe e cumpre um papel de excepcional importância para a paz, o progresso, a independência dos povos e a democracia na região! E não é por ser censurada na matriz de informação europeia, que deixa de cumprir a sua missão.
(imagem relativa à reunião do ano anterior)
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2013/12/16
O Chile escolheu
Quando penso no Chile, lembro-me de Salvador Allende e Pablo Neruda, Victor Jara e Violeta Parra. Mas qualquer coisa me diz que, salvaguardada a devida distância, o nome de Michelle Bachelet vai passar a ocupar também algum espaço no meu pensamento. Afinal, se as pessoas fazem a História, a História também faz as pessoas, e a América Latina está a escrever páginas novas.
Saído de uma violenta ditadura que vigorou desde o golpe de Estado de Pinochet que assassinou o presidente Allende em 1973, até às eleições de 1989, o Chile veio a eleger Michelle Bachelet, na primeira vez, em Janeiro de 2006, derrotando nessa altura Sebastian Piñera. Mas o conservador e ultra milionário Piñera ganharia as eleições de 2010, governando o Chile até hoje de acordo com a sua ideologia.
Michelle e Piñera
Michelle acaba este domingo de vencer novamente as eleições presidenciais no Chile, apoiada por uma aliança formada pelos socialistas, os democratas-cristãos e os comunistas, isto numa época em que a corrente progressista vem crescendo na América Latina. E não é por ser considerada uma socialista moderada, que as circunstâncias do mundo actual, entre a ofensiva ultraliberal e a resistência progressista lhe dispensarão gestos audaciosos. Para quem sofreu a prisão e a tortura às ordens de Pinochet, tal como aconteceu com o seu pai, não é esperar demais.
Michelle Bachelet tem a seu favor um resultado eleitoral de 62,16% contra os 37,83 % de Evelyn Matthei. Mas tem sobretudo a aspiração do seu povo a uma política “mais justa, mais solidária e mais humana” – para usar as suas palavras no discurso de agradecimento.
Se a abstenção de cerca de 53% é de facto muito relevante, não parece que ela possa contar a favor ou contra as candidaturas em presença – é objecto de outra análise.
Três grandes objectivos foram afirmados na sua candidatura e confirmados no discurso de vitória: reforma tributária, reforma da Constituição e reforma do Ensino. Isto é: uma política de impostos que ajude a diminuir a desigualdade entre ricos e pobres; alteração da actual Constituição do Chile que foi aprovada num plebiscito nacional altamente irregular em 1980, sob o governo militar de Augusto Pinochet (embora já tenha sofrido algumas emendas), e alargamento do ensino gratuito às universidades no prazo de 6 anos.
Para cumprir o seu programa, Michelle Bachelet conta na coligação que a apoia, com a maioria de 55% que possui nas duas Casas do Parlamento – a Câmara de Deputados e o Senado. Mas aquela aliança não dá a maioria de dois terços necessária para a revisão da Constituição – para isto terá de contar com os conservadores.
No domínio social – “en la calle” - terá de contar com uma população desenganada, desiludida, descrente na política (uma das causas da abstenção). Terá ainda de contar com a herança e a oposição das forças que antes apoiavam Sebastian Piñera. Terá que se apoiar no Povo, enfim, e numa política de alianças internacionais próxima do Brasil, da Argentina, da Venezuela, do Equador…
Da esquerda: Evo Morales, José Mujica, Dilma Rousseff, Cristina Kirchner, Rafael Correa.
Saído de uma violenta ditadura que vigorou desde o golpe de Estado de Pinochet que assassinou o presidente Allende em 1973, até às eleições de 1989, o Chile veio a eleger Michelle Bachelet, na primeira vez, em Janeiro de 2006, derrotando nessa altura Sebastian Piñera. Mas o conservador e ultra milionário Piñera ganharia as eleições de 2010, governando o Chile até hoje de acordo com a sua ideologia.
Michelle e Piñera
Michelle acaba este domingo de vencer novamente as eleições presidenciais no Chile, apoiada por uma aliança formada pelos socialistas, os democratas-cristãos e os comunistas, isto numa época em que a corrente progressista vem crescendo na América Latina. E não é por ser considerada uma socialista moderada, que as circunstâncias do mundo actual, entre a ofensiva ultraliberal e a resistência progressista lhe dispensarão gestos audaciosos. Para quem sofreu a prisão e a tortura às ordens de Pinochet, tal como aconteceu com o seu pai, não é esperar demais.
Michelle Bachelet tem a seu favor um resultado eleitoral de 62,16% contra os 37,83 % de Evelyn Matthei. Mas tem sobretudo a aspiração do seu povo a uma política “mais justa, mais solidária e mais humana” – para usar as suas palavras no discurso de agradecimento.
Se a abstenção de cerca de 53% é de facto muito relevante, não parece que ela possa contar a favor ou contra as candidaturas em presença – é objecto de outra análise.
Três grandes objectivos foram afirmados na sua candidatura e confirmados no discurso de vitória: reforma tributária, reforma da Constituição e reforma do Ensino. Isto é: uma política de impostos que ajude a diminuir a desigualdade entre ricos e pobres; alteração da actual Constituição do Chile que foi aprovada num plebiscito nacional altamente irregular em 1980, sob o governo militar de Augusto Pinochet (embora já tenha sofrido algumas emendas), e alargamento do ensino gratuito às universidades no prazo de 6 anos.
Para cumprir o seu programa, Michelle Bachelet conta na coligação que a apoia, com a maioria de 55% que possui nas duas Casas do Parlamento – a Câmara de Deputados e o Senado. Mas aquela aliança não dá a maioria de dois terços necessária para a revisão da Constituição – para isto terá de contar com os conservadores.
No domínio social – “en la calle” - terá de contar com uma população desenganada, desiludida, descrente na política (uma das causas da abstenção). Terá ainda de contar com a herança e a oposição das forças que antes apoiavam Sebastian Piñera. Terá que se apoiar no Povo, enfim, e numa política de alianças internacionais próxima do Brasil, da Argentina, da Venezuela, do Equador…
Da esquerda: Evo Morales, José Mujica, Dilma Rousseff, Cristina Kirchner, Rafael Correa.
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2013/12/01
Honduras e as nossas ondas
A República de Honduras foi a votos há uma semana, dia 21 de Novembro, para a presidência e orgãos locais. Depois do golpe de estado da direita hondurenha que depôs e deportou o presidente legítimo Manuel Zelaya em 2009, foi criado um novo partido, há menos de dois anos, que apresentou agora como candidata à presidência, a mulher de Manuel Zelaya, Xiomara Castro.
Trata-se do Partido Liberdade e Refundação, geralmente designado por “Livre”. Qualquer coincidência com o partido que Rui Tavares quer criar, além do nome e do posicionamento à esquerda, talvez seja mera coincidência. Até porque, se “não vem mal nenhum ao mundo” no caso deste não eleger ninguém, como diz o próprio fundador, já no caso das Honduras, a questão é completamente diferente: os partidários do casal Zelaya reivindicam a vitória depois da comissão eleitoral a ter atribuído ao Partido Nacional.
O “Partido Nacional”, de direita e que tem governado o país depois de ter promovido o golpe contra Zelaya, concorreu à presidência com Juan Orlando Hernandez de quem vale a pena citar esta afirmação ainda em jeito de comparação com a política portuguesa: 'Eu garanto a você que o que é de um lado uma crise, pode ser visto pelo outro lado como uma grande janela de oportunidade'.
A questão é que o partido “Libre” denuncia fraudes e irregularidades graves no processo eleitoral, sem as quais considera que Xiomara teria maior resultado do que Juan Orlando.
No país mais violento do mundo, onde a criminalidade tem subido a níveis assustadores e, com ela, tanto cresce o mêdo como a pobreza – nas Américas, só o Haiti apresenta uma taxa de pobreza maior que Honduras – as perspectivas de paz, desenvolvimento e justiça social, são desanimadoras. Se a segurança e o desemprego eram as preocupações mais invocadas pelos seus cidadãos, na oportunidade destas eleições, nada parece melhorar com a situação criada. Outro tanto se diria em relação às dívidas externa e interna – sem pretender voltar às comparações.
Depois de cem anos de bipartidismo de direita, parece que a população tentou organizar-se para responder à ausência do Estado. A estas eleições já se apresentaram nove partidos, e a grande participação da juventude trazia um sinal de esperança para o futuro. Faltava saber, como alguém comentava, se aqueles que fizeram um golpe de estado iriam permitir agora eleições democráticas. E se os Estados Unidos da América que aproveitaram a situação para instalar duas bases militares neste país, depois de 2009, não jogarão na confusão política e na extrema dependência das Honduras em relação à América do Norte, de forma determinante.
Como em toda a América Latina, o que se joga nas Honduras é a correlação de forças entre uma esquerda independentista e uma direita capitulacionista, entre o modelo estorpecedor do passado e o projecto progressista de futuro. Com o Brasil e a Venezuela, o Equador, a Argentina e outros, as Honduras podem almejar mais do que nunca instalar as bases da independência e do progresso; de contrário, as perspectivas estão à vista nestes quatro anos de usurpação.
Trata-se do Partido Liberdade e Refundação, geralmente designado por “Livre”. Qualquer coincidência com o partido que Rui Tavares quer criar, além do nome e do posicionamento à esquerda, talvez seja mera coincidência. Até porque, se “não vem mal nenhum ao mundo” no caso deste não eleger ninguém, como diz o próprio fundador, já no caso das Honduras, a questão é completamente diferente: os partidários do casal Zelaya reivindicam a vitória depois da comissão eleitoral a ter atribuído ao Partido Nacional.
O “Partido Nacional”, de direita e que tem governado o país depois de ter promovido o golpe contra Zelaya, concorreu à presidência com Juan Orlando Hernandez de quem vale a pena citar esta afirmação ainda em jeito de comparação com a política portuguesa: 'Eu garanto a você que o que é de um lado uma crise, pode ser visto pelo outro lado como uma grande janela de oportunidade'.
A questão é que o partido “Libre” denuncia fraudes e irregularidades graves no processo eleitoral, sem as quais considera que Xiomara teria maior resultado do que Juan Orlando.
No país mais violento do mundo, onde a criminalidade tem subido a níveis assustadores e, com ela, tanto cresce o mêdo como a pobreza – nas Américas, só o Haiti apresenta uma taxa de pobreza maior que Honduras – as perspectivas de paz, desenvolvimento e justiça social, são desanimadoras. Se a segurança e o desemprego eram as preocupações mais invocadas pelos seus cidadãos, na oportunidade destas eleições, nada parece melhorar com a situação criada. Outro tanto se diria em relação às dívidas externa e interna – sem pretender voltar às comparações.
Depois de cem anos de bipartidismo de direita, parece que a população tentou organizar-se para responder à ausência do Estado. A estas eleições já se apresentaram nove partidos, e a grande participação da juventude trazia um sinal de esperança para o futuro. Faltava saber, como alguém comentava, se aqueles que fizeram um golpe de estado iriam permitir agora eleições democráticas. E se os Estados Unidos da América que aproveitaram a situação para instalar duas bases militares neste país, depois de 2009, não jogarão na confusão política e na extrema dependência das Honduras em relação à América do Norte, de forma determinante.
Como em toda a América Latina, o que se joga nas Honduras é a correlação de forças entre uma esquerda independentista e uma direita capitulacionista, entre o modelo estorpecedor do passado e o projecto progressista de futuro. Com o Brasil e a Venezuela, o Equador, a Argentina e outros, as Honduras podem almejar mais do que nunca instalar as bases da independência e do progresso; de contrário, as perspectivas estão à vista nestes quatro anos de usurpação.
2013/07/04
Ministro dos maus
negócios estrangeiros
Na passada segunda-feira e na sequência de uma viagem à Rússia, o Presidente da Bolívia foi impedido de regressar ao seu país, porque o avião militar que tranportava Evo Morales foi proibido de sobrevoar o espaço aéreo de França, Espanha, Itália e Portugal.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou ter cancelado o sobrevoo de Portugal e aterragem em Lisboa, alegando "considerações técnicas" mas há fortes indícios de que se tenha tratado de uma “indicação” da CIA – Estados Unidos da América. A versão da CIA, de que Edward Snowden, acusado de espionagem pelos Estados Unidos, estava a bordo, revelou-se infundada.
As razões razoáveis do Governo de Portugal estão por esclarecer, mas não é de admirar que o ministro Paulo Portas estivesse muito nervoso com a sua demissão do Governo nesse mesmo dia…
A questão que se coloca é de saber se também foi a CIA que o mandou demitir-se, ou se o fez à revelia dos seus mentores.
Mas que foi um "bonito serviço" prestado às relações de Portugal com a América Latina, está-se mesmo a ver pelas justas reacções da Venezuela, Equador, Argentina, Peru, Uruguai e o que mais virá!
Do Brasil:
“O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável – a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores”. Dilma Rousseff
Na foto, Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, com Paulo Portas, Min. Negócios Estrangeiros de Portugal.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmou ter cancelado o sobrevoo de Portugal e aterragem em Lisboa, alegando "considerações técnicas" mas há fortes indícios de que se tenha tratado de uma “indicação” da CIA – Estados Unidos da América. A versão da CIA, de que Edward Snowden, acusado de espionagem pelos Estados Unidos, estava a bordo, revelou-se infundada.
As razões razoáveis do Governo de Portugal estão por esclarecer, mas não é de admirar que o ministro Paulo Portas estivesse muito nervoso com a sua demissão do Governo nesse mesmo dia…
A questão que se coloca é de saber se também foi a CIA que o mandou demitir-se, ou se o fez à revelia dos seus mentores.
Mas que foi um "bonito serviço" prestado às relações de Portugal com a América Latina, está-se mesmo a ver pelas justas reacções da Venezuela, Equador, Argentina, Peru, Uruguai e o que mais virá!
Do Brasil:
“O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável – a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores”. Dilma Rousseff
Na foto, Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, com Paulo Portas, Min. Negócios Estrangeiros de Portugal.
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Paulo Portas
2013/03/29
Política e religião franciscana
Quando a esperança dos povos se desloca da religião para a razão, da ritualidade para a realidade, do Vaticano para os parlamentos nacionais onde o paraíso é menos celeste mas é mais credível, não tem a Igreja outra solução do que refundar-se para não afundar-se na decadência religiosa e financeira.
E quando a principal fonte de alimento do Vaticano é a América Latina, lá onde pulsa agora, ainda por cima, uma vibração política progressista e popular que sabe conviver com os sentimentos religiosos dos seus povos, lá onde um operário político e não um santo, Lula da Silva, herda o reino de David e proclama a justiça e a prosperidade, lá onde um militar revolucionário, Hugo Chavez, forma e lidera as suas hostes e a sua diplomacia para a guerra contra a pobreza, contra a injustiça social e a colonização económica, então o Vaticano tem que dobrar-se aos pés do povo, desdobrar-se em gestos de humildade.
Não ponho em causa a genuína humildade do papa Francisco mas sim a do conclave que o elegeu. Quem foi capaz de sobreviver ao estigma da Inquisição, sabe sobreviver ao estigma da corrupção.
Dir-se-ia que o Papa tem uma vantagem: o seu discurso apoia-se na fé, esse conceito de verdade que escapa ao pensamento lógico – em matéria de juízo, basta-lhe a chantagem do juízo final e tudo o resto “se explica” com o dogma de que “Deus escreve direito por linhas tortas”. Mas não é na fé que se apoia a política? Com uma diferença: a política decide sobre o pão dos povos enquanto a religião decide, antes de mais, sobre o pão dos sacerdotes.
E quando a principal fonte de alimento do Vaticano é a América Latina, lá onde pulsa agora, ainda por cima, uma vibração política progressista e popular que sabe conviver com os sentimentos religiosos dos seus povos, lá onde um operário político e não um santo, Lula da Silva, herda o reino de David e proclama a justiça e a prosperidade, lá onde um militar revolucionário, Hugo Chavez, forma e lidera as suas hostes e a sua diplomacia para a guerra contra a pobreza, contra a injustiça social e a colonização económica, então o Vaticano tem que dobrar-se aos pés do povo, desdobrar-se em gestos de humildade.
Não ponho em causa a genuína humildade do papa Francisco mas sim a do conclave que o elegeu. Quem foi capaz de sobreviver ao estigma da Inquisição, sabe sobreviver ao estigma da corrupção.
Dir-se-ia que o Papa tem uma vantagem: o seu discurso apoia-se na fé, esse conceito de verdade que escapa ao pensamento lógico – em matéria de juízo, basta-lhe a chantagem do juízo final e tudo o resto “se explica” com o dogma de que “Deus escreve direito por linhas tortas”. Mas não é na fé que se apoia a política? Com uma diferença: a política decide sobre o pão dos povos enquanto a religião decide, antes de mais, sobre o pão dos sacerdotes.
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2013/03/13
Conclave contra Chavez
É um argentino? Claro, quem havia de ser?!
Se a América Latina é “o continente da esperança” para a Igreja em crise, como dizia um bispo português há minutos, a região era já a esperança das correntes políticas progressistas no contexto de crise do capitalismo e desprestígio ideológico dos países socialistas.
À palavra “Chavez” que tem sido chave para a autonomia e progresso da América Latina, numa afronta ao capitalismo e ao imperialismo norte-americano, a Igreja Católica contrapõe no Conclave (com chave!) um papa dali, na esperança que ele desempenhe para a região um papel idêntico áquele que desempenhou João Paulo II, o papa polaco, para a Polónia.
A César o que é de César? Só quem não conhece a História da Igreja. Francisco? Alguém virá dizer que é um tique populista?
Na primeira foto, Hugo Chavez, da Venezuela, com Cristina Fernandes Kirschner, da Argentina. Na segunda imagem, recorte do sítio RTP em 13/03/2013.
Se a América Latina é “o continente da esperança” para a Igreja em crise, como dizia um bispo português há minutos, a região era já a esperança das correntes políticas progressistas no contexto de crise do capitalismo e desprestígio ideológico dos países socialistas.
À palavra “Chavez” que tem sido chave para a autonomia e progresso da América Latina, numa afronta ao capitalismo e ao imperialismo norte-americano, a Igreja Católica contrapõe no Conclave (com chave!) um papa dali, na esperança que ele desempenhe para a região um papel idêntico áquele que desempenhou João Paulo II, o papa polaco, para a Polónia.
A César o que é de César? Só quem não conhece a História da Igreja. Francisco? Alguém virá dizer que é um tique populista?
Na primeira foto, Hugo Chavez, da Venezuela, com Cristina Fernandes Kirschner, da Argentina. Na segunda imagem, recorte do sítio RTP em 13/03/2013.
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2013/03/06
Chavez deixa uma bandeira
Como bem lembra Vitor Dias no seu blogue, o petróleo não brotou na Venezuela quando Hugo Chavez se tornou presidente. Já existia há muito. A diferença é que Chavez o pôs ao serviço do povo venezuelano.
As “misiones” criadas por Hugo Chavez, vão no sentido inverso das “medidas de austeridade” que norteiam as políticas ultra-liberais da Europa – as "missões" distribuem casas, alimentos, ensino e saúde ás populações!
A política “integradora” de Hugo Chavez, no domínio internacional, vai no sentido contrário à política belicista dos EEUU e seus aliados e vai no sentido contrário à agressividade colonizadora da União Europeia e do FMI – Chavez fundou a CELAC para juntar os países da região latino-americana e do Caribe, mesmo os mais imprevisíveis, em torno de um projecto sem outra ideologia que não seja a independência política e económica da região colonizada e explorada durante séculos.
O chavismo resistirá depois de Chavez porque ele se alimentou dos sentimentos da população, nos seus méritos e nos seus defeitos mas sobretudo no grande ideal de justiça social que os povos prosseguem quando o poder está com eles.
Disto não falaram os convidados de Ana Lourenço, na SIC, ela própria contaminada pelo bafo direitista de todos eles, na precipitação dos acontecimentos. Um refugia-se em abstracções, outro em generalizações e outro em preconceitos, todos fingindo ignorar o que marcou de facto e de relevante a liderança política de Hugo Chavez no seu país e na sua região. Escapa ao seu entendimento que um dirigente político tenha governado para o seu povo e não contra o seu povo…
A História lhes ensinnará que um povo que proclama com lágrimas sentidas “todos somos Chavez”, não deixará morrer a sua causa, não deixará cair a sua bandeira.
As “misiones” criadas por Hugo Chavez, vão no sentido inverso das “medidas de austeridade” que norteiam as políticas ultra-liberais da Europa – as "missões" distribuem casas, alimentos, ensino e saúde ás populações!
A política “integradora” de Hugo Chavez, no domínio internacional, vai no sentido contrário à política belicista dos EEUU e seus aliados e vai no sentido contrário à agressividade colonizadora da União Europeia e do FMI – Chavez fundou a CELAC para juntar os países da região latino-americana e do Caribe, mesmo os mais imprevisíveis, em torno de um projecto sem outra ideologia que não seja a independência política e económica da região colonizada e explorada durante séculos.
O chavismo resistirá depois de Chavez porque ele se alimentou dos sentimentos da população, nos seus méritos e nos seus defeitos mas sobretudo no grande ideal de justiça social que os povos prosseguem quando o poder está com eles.
Disto não falaram os convidados de Ana Lourenço, na SIC, ela própria contaminada pelo bafo direitista de todos eles, na precipitação dos acontecimentos. Um refugia-se em abstracções, outro em generalizações e outro em preconceitos, todos fingindo ignorar o que marcou de facto e de relevante a liderança política de Hugo Chavez no seu país e na sua região. Escapa ao seu entendimento que um dirigente político tenha governado para o seu povo e não contra o seu povo…
A História lhes ensinnará que um povo que proclama com lágrimas sentidas “todos somos Chavez”, não deixará morrer a sua causa, não deixará cair a sua bandeira.
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