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2015/12/12

Que morram longe

Para não ter os idosos no hospital, metem-se as famílias na prisão – assim vai o projecto de lei de PSD/CDS, no que se refere a esta questão específica de prender as pessoas que não recolhem os seus familiares idosos nos hospitais.

Quantos mais idosos terão que ser encontrados abandonados e mortos nas “suas” residências, para se compreender que o Estado, social por definição, deve criar condições para que os nossos pais e avós possam viver e morrer com dignidade?

A prioridade das prioridades é isto e não a liquidez dos bancos e os “compromissos internacionais”. Ou os Direitos Humanos só interessam para o combate político?

Não se trata tanto de um crime privado de famílias negligentes ou egoistas; trata-se sobretudo de um crime público de estados liberais ou ditaduras.

Não, os hospitais não são lares para pessoas acamadas ou idosas. Mas isso deveria orientar-nos para criar condições de acessibilidade e dignidade no âmbito dos lares de idosos, por exmplo, em vez os forçar a viver em ambientes familiares onde são repudiadas.

A mensagem que traz esta proposta PSD/CDS, apesar de embrulhada com pretensões atendíveis, é que os velhos vão morrer longe. Hoje os idosos, amanhã os deficientes, os desempregados…

2013/03/11

Segurem a Segurança Social

Acerca da sustentabilidade da Segurança Social, ouve-se todos os dias uma constrangedora preocupação nos comentários públicos. Diz-se que as receitas da Segurança Social não chegam para financiar as reformas e que este "défice" irá aumentar cada vez mais no futuro, devido à crescente desproporção entre trabalhadores activos e reformados – é a questão do alargamento da esperança de vida que, para os economicistas,é… uma tragédia. Actualmente há três milhões e meio de reformados e pensionistas para uma população activa de cerca de cinco milhões de pessoas.

Nenhum dogma impede que a Segurança Social seja co-financiada pelo orçamento geral do Estado, tal como acontece em relação à Saúde, à Educação, à Defesa e outros serviços públicos essenciais; a questão que se coloca agora e no futuro é do modelo de financiamento. Se os dirigentes não conseguem aumentar o emprego e as receitas do trabalho, e se não querem matar os reformados à fome, terão que se adaptar à nova realidade demográfica, reformando o sistema.

Admitindo que a Segurança Social possa ser financiada pelo orçamento geral do Estado, coloca-se outro problema: a economia nacional não gera receitas e a despesa pública aumenta cada vez mais.Aqui, porém,já não estamos na presença de um problema de sustentação da Segurança Social mas sim no problema da sustentação do próprio Estado.

Entretanto, enquanto se procuram soluções para o problema económico e financeiro geral, há que ponderar alternativas ao modelo em vigor na política de reformas, considerando questões como as reformas milionárias e acumuladas, o tempo mínimo de descontos, da idade mínima e do limite de idade para a reforma, a "fixação de um montante máximo da pensão pública única" em que cada pessoa só receberia uma pensão fossem quais fossem as fontes dos descontos, como admitia Manuel Villaverde Cabral, investigador do Instituto de Ciências Sociais e presidente do Instituto do Envelhecimento, invocando o que se passa em Espanha, ou, como sugere o mesmo, a possibilidade de uma aposentação gradual, passando pelo trabalho a tempo parcial com a acumulação parcial ou total da pensão.

Enfim, muito pode ser pensado em política de reformas. O que não pode é admitir-se que a Segurança Social seja atirada à especulação do mercado em nome de uma falsa insolvência do sistema no domínio público. O negócio pode ser muito apetecível mas a vida dos reformados e pensionistas não está à venda.

ADENDA em 13/03/2013:
Recomendo o artigo de Nuno Aguiar com Ana Suspiro
AQUI no ionline

2012/04/02

Cuidado com os gatunos

Com tantas caixas de multibanco que há por aí espalhadas, o Estado assalta o nosso mealheiro.

A NOTÍCIA
«Os agricultores vão ter uma redução de seis meses
nos pagamentos à Segurança Social».


COMENTÁRIO
E aqueles que andaram a descontar dos seus ordenados, toda a vida, para a Segurança Social, deram autorização para que alguns, só porque são tradicionalmente eleitores do CDS, deixassem de pagar a sua parte?

Os agricultores, sendo empresários e proprietários, não deveriam tratar o problema do seu negócio, junto da Banca, em vez de afectarem o mealheiro colectivo? Ou não foi para isso que o Governo "injectou" milhões de euros nos bancos? - dinheiro dos impostos que nos cobra, uma vez mais!

O Estado já é bom quando serve para tirar dinheiro aos trabalhadores e dar aos empresários e banqueiros?