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2019/11/09

Sem abrigo nem representação

Os sem-abrigo têm uma outra fragilidade: não dão votos!


2016/06/12

Nós por cá

Hoje, 12 de Junho, a Misericórdia de Paris vai estar presente nas Festas dos Santos Populares da Rádio Alfa, com um stand para a apresentação das actividades de apoio aos portugueses emigrados. Ao que parece, Marcelo Rebelo de Sousa também lá estará pelas 13 horas.

Ainda tenho esperança que o Presidente da República e o Primeiro Ministro de Portugal aproveitem para “passar revista” aos portugueses sem sorte nem fortuna. E que lhes desculpem se não estiverem muito bem trajados…




Paris, Junho de 2016. Enquanto o Presidente da República de Portugal elogia os portugueses em geral e condecora alguns em especial, acompanhado pelo chefe do Governo português, o provedor da Misericórdia local, Joaquim Silva Sousa, observa que “a história da emigração, infelizmente, não são só casos de sucesso, também há muitos casos de insucesso e é necessário que alguém se ocupe dessas pessoas.

A Misericórdia de Paris tem agido para evitar que algumas destas pessoas fiquem sem alojamento, o que não evitou alguns casos de portugueses a dormir nas ruas. “Neste momento, temos pessoas que perderam o emprego, que tiveram acidentes de trabalho e que não sabem tratar de questões administrativas, encontrando-se muito facilmente em situações em que não podem pagar a renda. Temos também situações de casais que precisam de alojamento e de trabalho, e alguns problemas de foro psicológico”, descreve o provedor daquela Misericórdia.

São os “lesados do capitalismo”, digo eu, os falidos que não serão "recapitalizados" pelo Estado português. Ou muito me engano...

2015/12/12

Que morram longe

Para não ter os idosos no hospital, metem-se as famílias na prisão – assim vai o projecto de lei de PSD/CDS, no que se refere a esta questão específica de prender as pessoas que não recolhem os seus familiares idosos nos hospitais.

Quantos mais idosos terão que ser encontrados abandonados e mortos nas “suas” residências, para se compreender que o Estado, social por definição, deve criar condições para que os nossos pais e avós possam viver e morrer com dignidade?

A prioridade das prioridades é isto e não a liquidez dos bancos e os “compromissos internacionais”. Ou os Direitos Humanos só interessam para o combate político?

Não se trata tanto de um crime privado de famílias negligentes ou egoistas; trata-se sobretudo de um crime público de estados liberais ou ditaduras.

Não, os hospitais não são lares para pessoas acamadas ou idosas. Mas isso deveria orientar-nos para criar condições de acessibilidade e dignidade no âmbito dos lares de idosos, por exmplo, em vez os forçar a viver em ambientes familiares onde são repudiadas.

A mensagem que traz esta proposta PSD/CDS, apesar de embrulhada com pretensões atendíveis, é que os velhos vão morrer longe. Hoje os idosos, amanhã os deficientes, os desempregados…

2015/03/31

O país está bem...


Nos EUA, a segunda economia mais rica do mundo, o número de gente sem casa triplicou desde 1983, atingindo os 3,5 milhões. Há actualmente 15 milhões de crianças com fome. Destas, 1,5 milhões não tem casa. Na lista de países que melhor protegem as suas crianças, a UNICEF coloca os EUA abaixo da Grécia e apenas duas posições acima da Roménia.
(Texto recortado no Avante. Imagem original editando duas fotos do Google)
Conclusão liberal:
"O país está bem, as pessoas é que..."

2014/07/06

Porque hoje é domingo (49)

Servem as minhas homilias aqui publicadas, para desconstruir a retórica enganadora que os sacerdotes católicos difundem aos domingos pelos altares de todo o mundo. Para denunciar a hipocrisia das suas mensagens piedosas e os malefícios históricos da sua Igreja.
Os profissionais da religião fazem-se passar por porta-vozes de um Deus que eles próprios inventam à imagem das sua conveniência institucional, sectária ou de grupo – como se quiser dizer. É o argumento da autoridade.
Por outro lado, ameaçam com os “castigos divinos” (quando o contexto histórico não lhe oferece outros meios) aqueles que não reconhecem o Deus deles, a Igreja deles e a eles próprios, a sua ideologia e as suas normas de comportamento. É o argumento do medo.

Ao mesmo tempo oferecem um lugar “à direita de Deus-Pai”, no céu – seja o que for que isso seja e signifique…! E, para o caso de não ser um prémio muito convincente, oferecem a cura das suas doenças, a prosperidade dos seus negócios, a vitória dos seus clubes… É o argumento da recompensa.

Frequentar os ritos religiosos, rezar e fazer promessas, servem apenas para alimentar e fortalecer o espírito de seita; o objectivo fundamental, uma vez condicionados psicologicamente, é que os pobres se consolem com o “orgulho de ser pobres”, que os oprimidos renunciem à violência contra os repressores – é submeter a justiça ao poder dominante: “A César o que é de César!”

Na passagem do Evangelho (Mt 11,25-30) que a Igreja invoca neste domingo, “Jesus nos ensina que o caminho que nos leva à salvação é o caminho da humildade”. Não é reclamação da justiça, não é a luta contra a corrupção e a exploração – por muito que a Igreja as condene em teoria – mas sim a humildade, isto é, a subordinação na prática.

A referida passagem do Evangelho, tal como descreve Mateus, cita estas palavras de Jesus: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai, assim como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho queira revelar”. Julgam que isto é um disparate sem pés nem cabeça? Desenganem-se porque há sempre um profissional da Igreja para explicar: “Essas palavras deixam claro que somente através de Jesus podemos chegar ao Pai, na Glória Celeste. Não existe outro caminho”.

Se “ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho queira revelar”, como posso estar interessado em “chegar ao Pai”? Quanto à “Glória Celeste”, se não é nome de mulher, uma viagem espacial ou um paraíso fiscal, não moverei um dedo para alcançá-la.


Mal por mal, espero pelas próximas eleições e o próximo campeonato de futebol, a ver se as coisas melhoram.

2013/03/25

Classe média, não.

Um grupo social com enorme percentagem de desempregados permanentes, trabalhadores precários e sobrecarga horária, com dificuldades de alojamento e alimentação, com uma protecção social insegura e serviços sociais em deterioração, sem capacidade económica para aceder ao ensino universitário, à cultura e ao lazer, só pode continuar a chamar-se “classe média” porque se situa entre os mendigos maltrapilhos e os que vivem da exploração e da corrupção.

Porém, sociologicamente, teremos que arranjar outro nome para a classe “média” – um nome em que talvez se possam aproveitar quase todas as letras por razões de austeridade!

2007/06/27

«Romance de um vagabundo»

Foto de ensaio

Ao recuperar este romance de Manuel Mendes, mais de cinquenta anos depois da sua publicação em livro, pretendo homenagear aqueles e aquelas que resistiram ou resistem às adversidades com dignidade, inteligência e fantasia até. Homenagem à arte de escrever e à arte de viver, à simplicidade formal e à superioridade moral.